segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Irão ou não irão

Numa altura em que o conflito entre os EUA e Irão se acentuou após a execução do general Soleimani, em 3 de Janeiro, as 56 mortes por esmagamento no seu funeral no dia 7, e o abate do avião ucraniano no voo PS-752, no dia 8, com 176 vítimas (82 das quais iraniana) mostraram como, em situação de conflito, é fácil disparar sobre o próprio pé. 

Os gritos de vingança iraniana, com a êxtase fúnebre e o lançamento de rockets sobre as bases americanas no Iraque, tiveram um custo de 138 vidas iranianas, e zero vidas americanas. Todos os erros são imputáveis directamente aos próprios iranianos, que agora assim o admitem. 
Além disso, este erro deixou Teerão numa posição internacional muito frágil, com um medo latente de voos civis sobre o território.

Acresce que está a ser alimentada uma onda de protestos interna contra o próprio governo, devido ao encobrimento governamental, que durou alguns dias, até reconhecessem o próprio erro.

Parecerá até um golpe de judo, em que a força do adversário é usada contra si mesmo.
Terá sido assim? 
Haverá alguém na CIA a fechar a operação "tiro no pé"? 
- Poderá ser que sim, poderá ser que não, mas Trump ainda assim não se livra de algumas críticas canadianas (Canadian CEO says the United States shares blame for Iran plane crash). 
Não que Trump tenha propriamente um registo de bombardeamento de cidades, ao contrário dos seus antecessores (Clinton, Bush ou Obama), mas simplesmente porque esse modus operandi é assumido na política americana, e a execução ou assassinato de Soleimani, não difere do modelo de justiça dos velhos westerns.

Finalmente este abate de avião civil no Irão, segue um velho caso, ocorrido em 1988, quando um porta-aviões americano abateu um avião civil iraniano, o voo IR-655, com a morte dos 290 ocupantes. 
Curiosamente, esse caso tornou evidente como a imprensa ocidental era enviesada a reportar os erros:
- A capa da Newsweek clamava "murder in the air" no caso do voo KAL-007, abatido em 1983 pelos russos, enquanto no caso do IR-655, apenas se perguntava "why it happened".

Mas, a questão é que mesmo que os EUA tivessem condicionado os iranianos a cometer o erro de abaterem um avião civil, seria algo tão vil, que admiti-lo, mesmo nos corredores de Langley, seria um outro tiro no pé.

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

Nobody expects... the ECJ

Uma novela que continuamos a seguir com interesse é a "Crise Catalã".
Depois do último postal a este propósito:
há uma novidade interessante.

Não se trata da abstenção dos catalães para viabilizarem o governo de Sanchez, pois isso foi mais noticiado. Parece claro que Sanchez e os catalães se terão entendido de alguma forma para conseguir esse apoio, ainda não se sabe como, mas aguardamos.

A notícia surpresa, para os espanhóis, foi a decisão do Tribunal de Justiça Europeu (ECJ - European Court of Justice) que deu finalmente provimento à tomada de posse de Puigdemont, Comín e Junqueras, enquanto deputados do Parlamento Europeu.
Estes tinham sido eleitos em 26 de Maio de 2019, mas impedidos de tomar o seu lugar em Bruxelas, alegadamente por não terem jurado a constituição espanhola. 

Puigdemont e Comín já foram acreditados pelo Parlamento Europeu, e até tiraram uma selfie da praxe:
Euronews - Puigdemont e Comín visivelmente satisfeitos na chegada ao Parlamento Europeu.

O problema é que o tribunal espanhol não deu autorização para libertação de Junqueras, que deveria comparecer à próxima sessão de 13 de Janeiro. 

Ora, como isto viola a imunidade parlamentar, a que tem direito, o Parlamento Europeu solicitou a sua libertação ao supremo tribunal espanhol, e aguarda-se desfecho até segunda-feira.

Para os espanhóis descalçarem esta bota sem perder a face, o melhor seria Sanchez conceder um perdão aos catalães presos, algo que parece poder ter pernas para andar, dada a abstenção catalã. 
Doutra forma, será um descrédito institucional... ou das instituições europeias, ou das espanholas.
Mas, enfim, isso também não surpreenderia ninguém.

_______________
Nota (21.01.2020):
O lado espanhol reiterou a posição, e foi o lado do Parlamento Europeu que perdeu a face, retirando a Junqueras a possibilidade de ser eurodeputado. Como o Parlamento Europeu nunca foi mais do que uma instituição de fachada, digamos que o seu presidente David Sassoli, seria o lado mais fácil de ceder.
Para mostrar alguma coerência, o Parlamento Europeu irá agora indagar se retira ou não a imunidade parlamentar a Puigdemont e Comin... Entretanto, em tentativa de desespero, surgiu hoje um pedido de integração de Junqueras, assinado essencialmente pelo grupo parlamentar "verde", como pode ser consultado num jornal catalão:
The decision of the President of the European Parliament to declare, against the ruling of the CJEU, the  withdrawal  of  the  mandate  of  Mr  Junqueras  without  a  decision  of  the  Parliament  to  waive  his immunity is also regrettable. This undermines the sovereignty of the Chamber and its ability to decide on the immunity of its Members. 
The denial of political rights is an alarming precedent that violates the principles and values that inspire the European project. Therefore, the signatories of this letter ask the European Parliament to defend the institution by protecting the immunity of Mr Junqueras as a Member, opposing the announcement of termination of his mandate and verifying his credentials in the upcoming vote. Only the  European Parliament, if it so deems appropriate, can lift the immunity of one of its Members.

sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Cair de Maduro (3) ou de podre?

Os dramaturgos da imprensa vaticinavam que a Venezuela morreria de fome em Maio, se não chegasse ajuda internacional (que aliás só seria possível com Guaido).

Entretanto os meses passam, e a fome também terá passado, porque praticamente Guaido desapareceu das nossas notícias. 
Quando escrevi o último postal sobre o assunto, as notícias eram diárias e abriam os noticiários:


Depois a imprensa tem o condão de esquecer por completo os assuntos que "não interessam", até porque o povão também tem memória curta. 
A vantagem de fazer compilações do ano passado, é que estes assuntos vêm à baila.
Poderia querer saber se os venezuelanos já tinham papel-higiénico, ou continuariam a usar a imprensa internacional para higiene pessoal.

Fui ver o que tinha acontecido com Guaidó:
Guaido apanhado num escândalo de corrupção (Dezembro 2019)
Ou seja, o "Obama venezuelano", o míssil Tele-Guiado, Guaido foi apanhado num escândalo de corrupção, sendo acusado pelos próprios apoiantes. 
Perante a necessidade de ser reeleito neste domingo (5 de Janeiro de 2020), no cargo da assembleia nacional, é natural que haja alguma expectativa de perceber se Guaido será ou não substituído na presidência desse órgão.

Para Nicolas Maduro, a eleição é absolutamente secundária porque ele tratou de criar uma outra assembleia, tornando aquela inoperante. Haverá novas eleições parlamentares, mas parece que Trump perdeu todo o interesse em Guaido, ou aguarda o momento para uma ulterior eleição presidencial.

A Venezuela estará provavelmente numa crise semelhante à que estava, com a diferença que por enquanto não temos as notícias em forma de novela dramática, como tivemos há uns meses atrás.

De certo que os virtuosos argumentistas que alimentam as notícias internacionais, que vão para o ar em forma de novela às 20h00, por via dos telejornais, arranjaram novos heróis e bandidos para alimentar o pagode. 
Apenas não sabemos quando virá aí nova enxurrada dramática. Temos apenas alguns episódios pontuais, como um falhado ataque a quartel:
Ora este postal, como os anteriores, pouco tem a ver com Maduro ou com Guaido, que são apenas dois elementos de um jogo político internacional. Este postal tem a ver com o total descrédito que nos merece a nossa imprensa, cheia de "fact-checking" ou "polígrafos" da treta. 

Poderia dizer-se que nunca a imprensa esteve tão mal, mas isso seria tão errado quanto achar que essa imprensa alguma vez desempenhou o seu papel de forma minimamente independente. A libertação de recursos - em que cada cidadão seria um possível emissor noticioso - esquece sempre o pequeno problema de que estamos num mundo com 6 mil milhões de pessoas. Ora, ninguém consegue dar atenção a 6 mil pessoas, e isso corresponderia apenas a um representante por milhão...


Nota posterior (07.01.2020):
Guaido pede novos protestos, após ser reeleito (tendo sido inicialmente impedido de entrar na assembleia nacional, com Parra no seu lugar)
https://www.france24.com/en/20200107-venezuela-s-reelected-parliament-speaker-calls-for-protests

domingo, 22 de dezembro de 2019

Apanhados do Clima (3)

Um dos tópicos mais frequentes da nossa desinformação é a tanga climática.
Tanga climática, porque nas antigas previsões dos especialistas para 2020, deveríamos estar com primavera no inverno, sendo neve e chuva uma coisa rara.

Mesmo não ligando à Pirralha de serviço (ou Pipi ralha), para quem as tempestades do Atlântico são brincadeiras dos mares do sul, tendo o bom augúrio de não se cruzar com a depressão da Elsa, vieram os ventos lembrar às ventas que deveríamos estar em período decretado de seca extrema, ou coisa do género. Senão, recordemos as notícias de Outubro e Novembro: 

7 Out 2019


5 Nov 2019 


As notícias de Novembro surgiam já depois das chuvas do final de Outubro, que se prolongaram praticamente por todo o mês de Novembro e continuaram em Dezembro.
Mesmo assim ainda se leriam títulos como "Os efeitos devastadores da seca no Algarve"  já que não conseguiam arranjar outra seca para alimentar a seca de notícias. Enfim, era como se o Algarve e o Alentejo fossem afinal regiões conhecidas pela abundante chuva.

Não se pense que a Elsa trouxe água suficiente para afogar as mágoas. 
Nada disso, a infindável ladaínha da seca está aí para ficar: "Últimas chuvas que foram parar às barragens dão para menos de um mês de consumo de água no Algarve".

Mesmo que a quase totalidade do país esteja a braços com barragens a rebentar pelas costuras, obrigadas a fazer constantes descargas (caso de Crestuma, que fez transbordar o Douro, ou o caso de Ribeiradio que provocou inundações em Águeda), o problema é que afinal a Elsa ainda não encheu por completo o Alqueva, ou outras barragens algarvias.

Correio da Manhã - em consequência da tempestade Elsa:
"Inundações na Maia deixam EN14 alagada e intransitável"

Assim, sem surpresa, tal como no ano passado, depois da vinda do Leslie em Outubro, chegou a Primavera e os artistas falaram de novo em "seca extrema", mantendo a mesma desavergonhada postura, mesmo que lhes caia um nevão, logo de seguida, como aconteceu em Abril.

Nada disto é de estranhar, porque não há qualquer vergonha, e uma característica de estado de sítio ditatorial é ordenar que a mentira passe por verdade. Não faltará um esperto que venha dizer, na lógica da cebola das "alterações climáticas", que afinal a inundação apenas confirma a seca.

sábado, 9 de novembro de 2019

Nebulosidades auditivas (76)

Em Novembro de 1979, os Pink Floyd lançaram o duplo álbum "The Wall".


Em Novembro de 1989, dez anos depois, caía o "Berlin Wall" - o muro de Berlim.

Em 1990 (21 de Julho) Roger Waters organizou o esperado concerto icónico, que relacionava um muro com o outro. Icónica era também a ausência dos Pink Floyd no conjunto de artistas convidados por Waters. Se o muro de Berlim tinha caído, o muro de Waters, entre si e os restantes elementos da banda, esteve bem presente no concerto de 1990.

Deixo três vídeos ilustrativos do filme "The Wall" (1982), de temas representativos do álbum e do filme.
Another brick in the wall

Comfortably numb

Run like hell

A queda do Muro de Berlim foi um momento marcante ao ponto de ser muito badalado o livro de Fukuyama - The End of History and the Last Man, que veria o desaparecimento da tensão da Guerra Fria como um desfecho e advento de uma nova era. 

Claro que logo de seguida, apareceria a era de Wall Street, e dos mercados financeiros, reguladores de uma economia globalizada. O atentado de 2001 foi um marco do início do novo milénio.

Wall Street tinha o nome derivado de uma muralha exterior protectora, desenhada pelos holandeses na ilha de Manhattan, num mapa de 1660 da Nova Amsterdão
Plano de Nova Amsterdão com a muralha de Wall Sreet à direita.

O muro de Wall Street caíu e desapareceu, apenas ficando como ilustrativo nome da rua, onde está a Bolsa de Nova Iorque, e à volta da qual está o distrito financeiro (que incluía o World Trade Center).
No entanto as muralhas financeiras aí sediadas mostraram resistir aos abalos especulativos.

Como curiosidade adicional, resta acrescentar que o nome em latim para Nova Iorque é
NOVA EBORACA
nome que era usado em moedas, dobrões de ouro, de 1787:
Unum e Pluribus (1787) Excelsior - Nova Eboraca - Columbia

Este nome resulta de York, em Inglaterra ser denominada Eboraca (ou Eboracum), na sua designação latina. York é ainda a cidade onde o imperador romano Constantino foi aclamado como tal, pelos seus apoiantes, em 306, ocupando o lugar do pai na tetrarquia romana, até ficar como imperador único.

A única curiosidade é a semelhança com o nome de Évora, que era Ebora, provavelmente porque como York, originasse de um mesmo nome "eborense", de raiz celta. 
Tendo caído Nova Amsterdão para os ingleses, ficou Nova Iorque, Nova Eboraca, honrando o buraco que desse muro ficou.

domingo, 20 de outubro de 2019

Gilet jaune

Os coletes amarelos (gilets jaunes) eram usados no Séc. XVIII e XIX com um significado diferente daquele que assumiram nos dias de hoje, em França.

Portrait de jeune homme en costume marron et gilet jaune (invaluable). 
Manifestação dos "gilets jaunes" em Toulouse.

Apesar de já não constituir notícia há muito tempo, e das manifestações não serem normalmente autorizadas, este movimento dos "coletes amarelos" continuou durante um ano a manter uma actividade semanal, em diversas cidades de França. Neste fim de semana, havia protestos em Paris, Toulouse, Lyon, Clermont-Ferrand, etc. Prevê-se que a actividade vá aumentar daqui a um mês, quando fizer um ano sob o início destas manifestações, iniciadas a 17 de Novembro de 2018.

De peça de indumentária, que era por vezes associada a casamentos, ou até a mau gosto (mediante certas regras de etiqueta da aristocracia do séc. XIX), passando a símbolo de protecção rodoviária, e agora a símbolo de revolta popular, o colete amarelo representa um novo tipo de movimento, de acção persistente. Será um caso único de resistência, até agora ligada a uma oposição ao presidente Macron, mas cujo centralismo é difícil de avaliar e traçar origem, parecendo simplesmente reflectir uma insatisfação popular, e um problema crónico que se instalou na sociedade francesa.

segunda-feira, 14 de outubro de 2019

Nobody expects the Spanish Inquisition


Nobody expects the Spanish Inquistion - Monty Python



Num espectáculo digno do absurdo dos Monty-Python, foi de 100 anos a pena somada dada aos 9 catalães acusados de sedição, com penas variando entre os 9 e os 13 anos...

Depois de ouvir o fanatismo castelhano na TVE 24, que ignora quase por completo o problema catalão, tomando pílulas e pílulas de burocracia, dita jurídica, este pequeno apontamento serve para relembrar quem são os vizinhos do lado.


Guerra Civil de Espanha - 1936-38 - Sevilha - mulheres pedem clemência pelos maridos e filhos presos
Terror Blanco (100 a 400 mil mortos) versus Terror Rojo (30 a 70 mil mortos).

Conquistadores espanhóis (Balboa) - Séc. XVI - e fim dos aztecas e incas.

domingo, 13 de outubro de 2019

Nebulosidades auditivas (75)

Este ano (2019) os Chemical Brothers lançaram o álbum "No Geography" com uma série de canções bastante interessantes:

Eve of Destruction, Bango, No Geography, Got to keep on, Gravity Drops, 
The Universe sent me, We've got to try, Free yourself, MAH, Catch me I'm falling


Eve of Destruction...
A perspectiva de destruição é um tema que não tende a desaparecer tão depressa.
Quando falha à sociedade um objectivo comum, a perspectiva de cada um é encontrar o seu objectivo pessoal. Isso pode ser suficiente para a grande maioria da população, mas é um pouco mais complicado. 
A sociedade adopta os objectivos mínimos animalescos - satisfação alimentar, algum sucesso social e sexual, e ponto final. 
Nos últimos séculos, a maçonaria tratou de implementar um esquema ainda mais simplificado, onde o sucesso social seria suficiente para obter tudo o resto, através de uma moeda de troca - a própria moeda, o dinheiro. 
Para esse efeito teria que quebrar a maioria das restrições morais desenvolvidas antes. Ou seja, não se consegue comprar alguém com fortes restrições morais, mas se não as houver, o capitalismo traz quase um paraíso na terra para quem for rico... e como é óbvio, o capitalismo não funciona se todos tiverem o mesmo. Como Aristófanes gozava com os seus conterrâneos, os ideais sociais equalitários só funcionavam havendo escravos. 
Chegando a um ponto de automação em que as máquinas podem funcionar como os escravos de serviço, percebe-se facilmente que isso não interessa a quem tem poder, porque o sucesso social fica por cumprir. O sucesso social de uns significa necessariamente o insucesso dos outros. Se todos tiverem sucesso por igual, não há sucesso nenhum. A economia desenvolveu-se para que o tipo asqueroso com massa possa ser atractivo para as parceiras jovens, caso contrário a atracção seria apenas regulada pelos dotes naturais e não pela posição social.

Isto diz respeito ao objectivo individual, que para 99.99% das pessoas consiste num sucesso social, seja ele maior ou menor. Depois, há toda a falha do objectivo da sociedade, um objectivo global.
Ainda há não muito tempo os sucessos sociais eram medidos por confrontação bélica de países, de religiões ou de políticas. Um objectivo disfarçado é assim manter o poder de uns contra outros, como se isso não passasse de uma forma de competição animal, para domínio de um território de caça.  
Quando no final do Séc. XX, a paz se começou a instalar, disfarçou-se isso com outros objectivos globais, como os sucessos médicos, ou outros sucessos científicos. Na prática não passavam de outra forma de sucessos sociais, porque o que os cientistas visavam seria o reconhecimento social, normalmente na forma de prémios, promoções ou distinções.

Na falha do objectivo espacial, que era um bom motivador de aspirações comuns, e fez sucesso até aos anos 70-80 (para depois cair no ridículo actual); aparece a ecologia como novo velho objectivo, agora reciclado e vendido sob argumentos falaciosos e mentirosos. 
Quem não se revê nesta sociedade baseada na ficção, mentira e corrupção, procura ainda uma alternativa que passa mais por um refazer da sociedade, e que envolve inevitavelmente algum cataclismo. Sucessor da parte mais activa dos movimentos revolucionários, que visavam uma regeneração por aniquilação ordenada, os antevisores das destruições, depois de passadas as datas de 1999 e 2012, estão sempre à busca de uma nova destruição que destrua o mundo que não lhes deu valor, e coloque um novo mundo onde sejam protagonistas... ou seja, na prática é uma outra forma do objectivo de sucesso social. 

quarta-feira, 9 de outubro de 2019

Presos catalães

No passado dia 11 de Setembro de 2019, voltou a comemorar-se a "diada", o dia dos independentistas catalães, um outro 11 de Setembro, conforme já falámos várias vezes.

Barcelona: a manifestação pró-independência em 11/09/2019 teve 600 mil pessoas (menos que em anos anteriores).

Enquanto o Estado Espanhol continua na sua versão caudilhista franquista, mantendo presos os deputados e membros dos governo catalão, apesar de uma manifestação menos concorrida em 11 de Setembro, os protestos voltaram às ruas no dia 1 de Outubro, quando se comemoravam 2 anos sobre o referendo.

Protestos em Barcelona no dia 1 de Outubro de 2019: "dois anos depois, o combate continua"

Perante a impassividade dos restantes líderes europeus, ou da própria União Europeia, que é uma simples cúmplice da insanidade e despotismo espanhol, será natural que as coisas se possam agravar, para além da simples incapacidade de formar governo em Espanha (que parcialmente resulta de um boicote dos deputados catalães em Madrid).

Espera-se neste mês de Outubro uma decisão do tribunal, um veredicto, acerca dos 12 apóstolos da independência, sem o mentor Puigdemont, que fugiu à Inquisição Espanhola.

Ah, é claro, e sobre o problema catalão, o silêncio da imprensa é o costumeiro.
E é claro, neste assunto delicado, a Amnistia Internacional tenta escapar-se por entre os pingos da chuva, porque não quer irritar los hermanos españoles...

Na prática, e porque o Estado Espanhol não consegue prender 2 milhões de catalães, estão presos os seus principais representantes, simplesmente por terem organizado um referendo... e o que é o mais delicodoce na inquisição, por terem gasto recursos do Estado Espanhol nessa votação.

domingo, 22 de setembro de 2019

Móbil de Pipi e Tintins

Pipi
Pipi das meias altas ("Pippi meialonga" no Brasil) é o nome de uma personagem de uma autora sueca, Astrid Lindgren, desenhada como "menina invulgar, a mais forte do mundo, com sardas na cara, e tranças vermelhas". Os livros foram publicados há 70 anos entre 1946-48 na Suécia.

No entanto, aqueles que como eu viram e gostaram da Pipi das meias altas a preto-e-branco na RTP no início dos anos 70, viram a versão feita pela TV sueca, que apareceu vinte anos depois dos livros, ou seja em 1969. Comemoram-se agora 50 anos:

A série foi um sucesso internacional, e ao que parece que se quis recuperar a personagem fazendo uma nova série de episódios, agora em formato reality show. 
À esquerda a activista Greta Thunberg, à direita a actriz Inger Nilson, fazendo de Pipi. 
Interpretações de meninas de tranças, em 2019 e em 1969.

Só quem não nasceu antes dos anos 70, ou anda muito distraído, é que não repara nas semelhanças entre a personagem de ficção de 1969, e a ficção feita personagem em 2019. 
Sim, não havia nenhum episódio intitulado  "Pipi salva o planeta ou salva o clima", mas as proezas ficcionadas de Greta, de uma menina independente a desafiar o mundo adulto, estão ao nível de Pipi:
A série Pipi da Meias-Altas, na RTP em 1973 (inclui a canção Giroflé, Giroflá)

Parecerá que uma relação entre Greta e Pipi não existe, mas leia-se de novo, e perceber-se-à que a relação entre Greta e Pipi, vai para além das tranças no cabelo.
Ok, mas e o que tem isto a ver com Tintins?

Tintin
O personagem do escritor belga Hergé, começou a sua publicação em 1929, ou seja há 90 anos, e a revista Tintin começou a publicação em 1946, ao mesmo tempo que saía Pipi na Suécia.
Curiosamente, Hergé baseia-se nos foguetes alemães V2, para colocar Tintin na Lua, em bandas desenhadas entre 1952-53, e é assim um Tintin (com 40 anos) que em 1969 recebe Armstrong na Lua:
Cartoon de Tintin, ilustrativo ficcionado da chegada americana à Lua.

Ou, dito de outra forma, terá sido esta a maneira que Hergé encontrou de lembrar a Neil Armstrong que Tintin já havia estado na Lua... bom, e do ponto de vista ficcionado, realmente a prioridade ficaria em si.

De que forma Tintin e Pipi se relacionam? Pelo nome completo da Greta:
Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg.
Greta, para além de ser candidata ao Nobel, é já membro da Royal Scottish Geographical Society, uma distinção difícil quando é pelo reconhecimento do trabalho científico, mas muito rápida em casos maçónicos convenientes.
Dir-se-ia que a realidade foi apanhada no meio da alucinação LCD dos baby-boomers, depois hippies dos anos 60, e yuppies dos anos 80.

sábado, 21 de setembro de 2019

Nebulosidades auditivas (74)

The revolution will not be televised (Gill Scott Heron, 1970)

domingo, 8 de setembro de 2019

Brexit... e a volatilidade dos mercados

Há uns anos atrás, venderam-nos a história de que os mercados eram seres muito sensíveis.
As bolsas de valores seriam sensíveis a tudo, porque os investidores eram alarmados por notícias que iam num ou noutro sentido, respondendo de forma imprevisível.
Qualquer coisinha que se fizesse, ui, ui, era preciso imenso cuidado... porque iria agitar os mercados.
As nações pareciam ter ali uma flor de estufa que, à primeira corrente de ar, constipava-se.

Isso era dantes... até ao momento em que os "mercados" decidiram avançar com o Brexit.
É claro, há quem pense que foi uma decisão do eleitorado inglês... e também terá sido, mas toda a propaganda foi sendo desenvolvida no sentido de antecipar o previsível resultado. Culpar-se-à Putin disso, como de tantas outras coisas, enquanto "malvado de serviço" neste conto de fadas, mas provavelmente não será necessário sair de Londres, ou melhor da City de Londres.

Se fossemos um público mais exigente, com jornalistas e comentadores não vegetativos, já teríamos colocado a questão de nexo nesta história. Desde que foi anunciado o Brexit, quantas voltas e reviravoltas deu a situação política inglesa? Cameron saiu, entrou May, que negociou e renegociou com a UE, e agora é Boris Johnson que balança na corda bamba.
De acordo com o nexo de mercados imprevisíveis, voláteis com as incertezas políticas, já teríamos a libra a desvalorizar-se, a dívida inglesa a disparar nos mercados, etc...
No entanto, para além de uma tímida descida/correcção da libra na altura da votação do Brexit, desde aí, por mais caótica que fosse a situação política inglesa, os mercados passaram de seres hipersensíveis, a seres maduros, não influenciáveis com o completo caos político inglês. Para espanto de praticamente todos os analistas, já tinham sido insensíveis ao caos político espanhol... porque tinham que se preparar para serem ainda mais insensíveis, face ao que se antevia no Reino Unido.

Portanto, temos agora neste conto de fadas que nos é servido pelos noticiários, a fase dos "mercados maduros", mantendo a economia europeia estável, apesar da total incerteza nas futuras relações da UE com o UK.
Dir-se-ia que isto é assim, porque foi definido que o Brexit iria funcionar de qualquer maneira, e por isso os investidores, que não são voláteis, mas são obedientes e bem treinados, respondem de forma previsível, conforme é estabelecido pela City de Londres, e às vezes por Wall Street (quando é preciso convencer os americanos de que têm uma palavra importante).

De resto, acerca da forma como o UK encarava a UE, é histórica esta sátira da série "Yes, Minister":


Minister Hacker: Does the Foreign Office realize what damage this will do to the European idea?
Sir Humphrey: Well, I'm sure they do, that's why they support it.
Minister Hacker: Surely, the Foreign Office is pro-Europe isn't it?
Sir Humphrey: Yes and no... if you forgive the expression. The Foreign Office is pro-Europe because it is really anti-Europe. The civil service was united in its desire to make sure that the Common Market didn't work. That's why we went into it.

Minister Hacker: Who told you that?
Sir Humphrey: Minister, Britain has had the same foreign policy objective for at least the last 500 years: to create a disunited Europe. In that cause we have fought with the Dutch against the Spanish, with the Germans against the French, with the French and Italians against the Germans, and with the French against the Germans and Italians. Divide and rule, you see. Why should we change now, when it's worked so well?

Minister Hacker: That's all ancient history, surely?
Sir Humphrey: Yes, and current policy. We had to break the whole thing up, so we had to get inside. We tried to break it up from the outside, but that wouldn't work. Now that we're inside we can make a complete pig's breakfast of the whole thing: set the Germans against the French, the French against the Italians, the Italians against the Dutch... The Foreign Office is terribly pleased; it's just like old times.

Minister Hacker: But surely we're all committed to the European ideal?
Sir Humphrey: Really, minister...
Minister Hacker: If not, why are we pushing for an increase in the membership?
Sir Humphrey: Well, for the same reason. It's just like the United Nations. In fact, the more members it has, the more arguments it can stir up, the more futile and impotent it becomes.
Minister Hacker: What appalling cynicism!
Sir Humphrey: Yes... we call it diplomacy, minister.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Nebulosidades auditivas (73)

Comemoraram-se, há duas semanas, os 50 anos do Woodstock de 16-18 de Agosto de 1969.
Esteve ainda considerado um Woodstock 50 em 2019, mas a organização falhou na sua realização.

Foi entretanto relembrado que o Woodstock de 1969 teve uma organização problemática, que uma grande parte das bandas recusou ou cancelou, e que o espectáculo apenas se realizou porque havia mesmo vontade de o fazer... algo que parece ter falhado neste Woodstock 50. 

O Woodstock terá sido lamacento ou imundo, mal organizado, mas o que interessou para o mito foi uma das maiores junções hippies, com bandas e música de qualidade, num ambiente artificial de "paz e amor". Se não eram as melhores ou as mais populares bandas, o próprio festival acabou por servir de cartão de visita para a posterioridade.
Dadas as circunstâncias, as interpretações mais ou menos caóticas, como as dos The Who, ou a de Jimmy Hendrix, tornaram-se maiores do que é dado ver, talvez porque se apressou a exacerbar o evento para o campo da imaginação. 
Woodstock 1969 - The Who : "My Generation"

O que é certo é que durante os anos seguintes, Woodstock era uma palavra que resumia a mística hippie dos anos 60, ligada ao movimento esotérico da "Era de Aquário". 
No início dos anos 80, a geração seguinte sentia-se órfã de um evento semelhante. Em 1979, o lançamento do musical "Hair" de Milos Forman, baseado no musical da Broadway de 1968, chamado "Hair: The American Tribal Love-Rock Musical", serviu para relembrar que esse espírito hippie tinha existido, e tinha sido perdido.
Afinal, os jovens com 20 anos nos 1960's tinham passado a 40 anos em 1980, e os hippies eram agora yuppies, que dos charros de erva nos jardins tinham passado às linhas de coca nos gabinetes.
Também ao movimento hippie estava associada a guerra do Vietname, ou outras guerras coloniais, mas o revivalismo purificado gosta apenas de recordar o seu lado cor-de-rosa.
Hair (filme de 1979) - Age of Aquarius

O equivalente ao Woodstock para os anos 80 terá sido o Live Aid, e isso mostra bem as diferenças.
O pretexto foi uma causa humanitária muito louvável... terminar com a fome em África, em particular na Etiópia. Infelizmente a sociedade ocidental usa estes cinismos na forma superlativa, quando na prática o que era difícil era alinhar na passerelle uma boa quantidade de prima-donas musicais, que boicotariam a presença se não achassem ter o devido destaque no alinhamento.

Já tinha sido experimentado o Band Aid no Natal de 1984, e no início de 1985 o USA for Africa.
Duas iniciativas deprimentes na sua superficialidade, sendo muito pior a americana que a inglesa.
Interessava aos ingleses ser amigo de Bob Geldof e aos americanos estar nas boas graças de Michael Jackson, para não ficarem de fora do clube do chá das 5, do evento de caridade. Prince não constou do USA for Africa, como também Michael Jackson acabou depois por se auto-excluir do Live Aid.

O Live Aid de 1985 teve assim dois palcos, um inglês em Wembley, com 70 mil espectadores, e um palco americano no JFK stadium de Filadélfia, com 90 mil espectadores. O evento foi de tal forma publicitado que envolveu a transmissão TV em directo a potencialmente 2 mil milhões de pessoas.
Em 13 de Julho de 1985, a maioria dos jovens do planeta tinha a televisão ligada no Live Aid.

O alinhamento inglês prometia um bom espectáculo, onde Bono tentou brilhar de forma exagerada e artificial (como passou a ser seu timbre), mas de facto, o que prendeu a atenção e valeu a tarde perdida em frente ao televisor, foi o momento em que Freddie Mercury actuou e interagiu com o público, em especial no final da canção Radio Gaga.
Ao pé da actuação de Mercury, os outros artistas ficaram pouco mais que vulgares...
Life Aid 1985 - The Queen : "Radio Gaga"

Depois, é claro, uma coisa são as intenções da malta jovem (que também não eram muito mais do que assistir ao espectáculo), mas as intenções da ajuda à Etiópia rapidamente revelaram naquilo em que redundaram... leia-se "Live Aid: The Terrible Truth" para entender que a maioria do dinheiro angariado foi canalizado directamente para que o regime do país mais pobre de África, a Etiópia, conseguisse o exército mais sofisticado desse continente. 
Os vendedores de armas ingleses e americanos agradeceram a candura dos seus jovens.

É claro que tudo isto se voltaria ainda a repetir, no Live 8, em 2005, de forma muito menos estrondosa, ao comemorar os 20 anos do Live Aid, recuperando a prima dona organizativa, Bob Geldof, que esteve meio-adormecida nas décadas seguintes. Neste caso, o evento teve um toque mais caricato incluindo no desfile Kofi Annan (secretário-geral da ONU), Bill Gates e até Brad Pitt ou David Beckham.

"No more excuses..." foi então o moto usado, e só admirará não terem ainda convencido o Geldof a juntar os amigos para salvar o planeta do "aquecimento global". Pode estar para breve...

O Live Aid, ou o Live 8, não foram mais do que institucionalizações cínicas do legado jovial do Woodstock que, pretendendo terem uma finalidade profilática planetária, não passaram de uma reunião de amigos, apadrinhados pelas editoras e afinal pelo próprio sistema que criticavam...

sábado, 3 de agosto de 2019

Liberdade do silêncio (2) ... mais caladinhos que ratinhos

O silêncio continua...

Passaram 3 meses, em 17 de Julho, após o acidente com o maior número de vítimas mortais, ocorrido em Portugal neste ano. Falamos do acidente do autocarro na Madeira, no Caniço:



O artigo é do dia seguinte, 18 de Abril, onde também se lia:


... e depois disso, o longo silêncio!

Em condições normais, após 3 meses, deveria saber-se praticamente tudo... mas neste país, e na Alemanha, não se sabe rigorosamente nada. 
Falou-se num inquérito, etc. e tal, mas o que se sabe: - zero, zero, zero!

Não é só esse o problema. O problema principal, é que ninguém quer saber.
Não há uma linha escrita na imprensa sobre o assunto há mais de 3 meses.
Nunca foi publicado nada sobre o inquérito, mesmo que fosse preliminar, e não oficial.
Não houve um jornalista interessado em saber - como está o inquérito, qual o prazo, etc... ninguém se interessou em saber se as condições para se repetir um acidente daquele tipo estariam afastadas.
Ninguém quis saber, ninguém quer saber, e já vimos em 2017 que as tragédias se podem repetir.

Após Abril, não se encontra nada escrito na internet sobre este acidente, nem em português, nem em inglês, nem em alemão. Foi como se o acidente nem sequer tivesse acontecido...

Depois, há quem se atreva a dizer que seria impossível haver silêncio sobre certas coisas...

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Não há cérebro B

Quem passear pelo país, poderá ver o exemplo típico do despudor demagógico num cartaz do Bloco de Esquerda, que é agora "politicamente correcto":
"Não há planeta B" - nem um grau a mais, nem uma espécie a menos
O cartaz deve ser convenientemente modificado para
"Não há cérebro B" - nem um grau a mais para esta mesa

No total desplante demagógico, num jogo de corda, de um lado aparece uma velha geração num planeta cinzento, e do outro uma nova geração, basicamente de crianças, com um béu-béu a ajudar  (para satisfazer e chamar o eleitorado PAN), num planeta verducho.

Escusado será dizer que a ideia e concretização do cartaz não veio de ninguém com menos de 20  ou 30 anos, e assim quem fez e promoveu o cartaz estaria do lado "cinzentão". Os líderes do BE não são eternamente jovens, e azar, Francisco Louçã já tem 62 anos, e até as superpromovidas manas Mortágua já têm mais de 30 anos.

O que vemos neste cartaz é todo um receituário de falácias.
Trata-se de um simples plano de regressão civilizacional, onde ficamos mais escravos do que somos.
Começando pelas pás eólicas, o BE terá esquecido que não havia qualquer necessidade delas, e o intuito de introduzir a energia eólica foi dar prebendas a correlegionários do regime, que arranjaram enormes rendas à custa de aumentarem a factura de electricidade do cidadão comum.
A situação é tanto mais ridícula, que continuamos a ter só entradas de 220 volts, quando a maioria dos aparelhos eléctricos modernos trabalharia com 12 volts, sendo necessários transformadores que desperdiçam energia sob a forma de calor, para fazer a conversão. 
Quem fala disto? Ninguém! Ninguém, porque não interessa baixar o consumo, não interessa baixar as rendas de quem vive de não fazer coisa nenhuma, no sector eléctrico. Produz-se 3 vezes mais energia para completo desperdício, mas não deixamos de pagá-la.
Depois é toda a história macaca do colectivismo, com comboios e autocarros... que são na prática os maiores poluidores. O preço dos transportes públicos é ridiculamente alto, ao ponto de ser mais barato a pessoa deslocar-se de carro, já para não falar da maior conveniência, mesmo pagando o estacionamento.
O transporte colectivo vive da ideia do rebanho de carneiros, que segue em manada, guiado pelo pastor. É um conceito contrário à liberdade individual. 
Como ponto de liberdade individual, o que temos? - A bicicleta! Mas não são bicicletas quaisquer, são as bicicletas de aluguer, negociadas pelas novas empresas de oportunismo e clientelismo.
É uma mudança de mentalidade, onde a bicicleta, que era nossa propriedade vulgar desde que crescemos, passa a ser um artigo de aluguer, para dar rendimento a mais uns tantos escroques.
O carro é claro, é um bem maléfico...

Do outro lado, vemos a poluição industrial... como se as bicicletas, os autocarros, os comboios, etc, nascessem nas árvores! Como se os carros eléctricos não tivessem baterias com poluentes mais perigosos que os outros existentes...
Acresce ainda o símbolo da energia nuclear, uma das mais limpas e ecológicas, que foi decidido depois fazer parte das energias malévolas, já que os EUA quiseram parar o desenvolvimento de centrais nucleares, que era feito pela França e Alemanha. É claro que as centrais nucleares são um problema, um risco, como seriam as hidroeléctricas, se fossem deixadas sem manutenção, sujeitas a uma inundação por colapso da barragem.

Mas a ideia mais ligeirinha é beatificar o esforço político dos jovens - necessariamente mais manipuláveis e menos conhecedores da perversidade humana, colocando-os contra a geração dos pais e avós, para quem já destinaram o lar de terceira idade. Não é novidade que o nazismo, através da juventude hitleriana, ou o salazarismo, através da mocidade portuguesa, tentaram usar o raciocínio juvenil, ou melhor, a falta dele, para conduzir as suas campanhas. Não é novidade também que o comunismo fez a mesma coisa. Sempre a falta de conhecimento juvenil foi usada para a crendice e militância, não é novidade usar-se isso agora para as campanhas "ecológicas"... enfim, como se as campanhas ecológicas não tivessem começado nos anos 50, ou seja há mais de 70 anos, estando tão velhas quanto os mais velhos.

Na realidade, o problema principal desta esquerda frugal é a típica falta de cérebro, valendo o ditado que "de boas intenções está o inferno cheio". Qualquer energúmeno que pretenda passar por intelectual, não tem que ter um cérebro funcional, basta colocar-se do lado da corda onde é suposto ficar a intelectualidade. A situação chegou rapidamente ao ponto limite - os intelectuais têm um nível de inteligência que roça o analfabetismo puro. Não é assim de espantar que iluminárias do BE tenham feito campanhas contra o "machismo" da língua portuguesa, querendo mudar o "Cartão de cidadão" para "Cartão da cidadania", e estejam prontos para outras manifestações... em que a única coisa que transparece é a completa ausência de cérebro.