Quem passear pelo país, poderá ver o exemplo típico do despudor demagógico num cartaz do Bloco de Esquerda, que é agora "politicamente correcto":
"Não há planeta B" - nem um grau a mais, nem uma espécie a menos
O cartaz deve ser convenientemente modificado para
"Não há cérebro B" - nem um grau a mais para esta mesa
No total desplante demagógico, num jogo de corda, de um lado aparece uma velha geração num planeta cinzento, e do outro uma nova geração, basicamente de crianças, com um béu-béu a ajudar (para satisfazer e chamar o eleitorado PAN), num planeta verducho.
Escusado será dizer que a ideia e concretização do cartaz não veio de ninguém com menos de 20 ou 30 anos, e assim quem fez e promoveu o cartaz estaria do lado "cinzentão". Os líderes do BE não são eternamente jovens, e azar, Francisco Louçã já tem 62 anos, e até as superpromovidas manas Mortágua já têm mais de 30 anos.
O que vemos neste cartaz é todo um receituário de falácias.
Trata-se de um simples plano de regressão civilizacional, onde ficamos mais escravos do que somos.
Começando pelas pás eólicas, o BE terá esquecido que não havia qualquer necessidade delas, e o intuito de introduzir a energia eólica foi dar prebendas a correlegionários do regime, que arranjaram enormes rendas à custa de aumentarem a factura de electricidade do cidadão comum.
A situação é tanto mais ridícula, que continuamos a ter só entradas de 220 volts, quando a maioria dos aparelhos eléctricos modernos trabalharia com 12 volts, sendo necessários transformadores que desperdiçam energia sob a forma de calor, para fazer a conversão.
Quem fala disto? Ninguém! Ninguém, porque não interessa baixar o consumo, não interessa baixar as rendas de quem vive de não fazer coisa nenhuma, no sector eléctrico. Produz-se 3 vezes mais energia para completo desperdício, mas não deixamos de pagá-la.
Depois é toda a história macaca do colectivismo, com comboios e autocarros... que são na prática os maiores poluidores. O preço dos transportes públicos é ridiculamente alto, ao ponto de ser mais barato a pessoa deslocar-se de carro, já para não falar da maior conveniência, mesmo pagando o estacionamento.
O transporte colectivo vive da ideia do rebanho de carneiros, que segue em manada, guiado pelo pastor. É um conceito contrário à liberdade individual.
Como ponto de liberdade individual, o que temos? - A bicicleta! Mas não são bicicletas quaisquer, são as bicicletas de aluguer, negociadas pelas novas empresas de oportunismo e clientelismo.
É uma mudança de mentalidade, onde a bicicleta, que era nossa propriedade vulgar desde que crescemos, passa a ser um artigo de aluguer, para dar rendimento a mais uns tantos escroques.
O carro é claro, é um bem maléfico...
Do outro lado, vemos a poluição industrial... como se as bicicletas, os autocarros, os comboios, etc, nascessem nas árvores! Como se os carros eléctricos não tivessem baterias com poluentes mais perigosos que os outros existentes...
Acresce ainda o símbolo da energia nuclear, uma das mais limpas e ecológicas, que foi decidido depois fazer parte das energias malévolas, já que os EUA quiseram parar o desenvolvimento de centrais nucleares, que era feito pela França e Alemanha. É claro que as centrais nucleares são um problema, um risco, como seriam as hidroeléctricas, se fossem deixadas sem manutenção, sujeitas a uma inundação por colapso da barragem.
Mas a ideia mais ligeirinha é beatificar o esforço político dos jovens - necessariamente mais manipuláveis e menos conhecedores da perversidade humana, colocando-os contra a geração dos pais e avós, para quem já destinaram o lar de terceira idade. Não é novidade que o nazismo, através da juventude hitleriana, ou o salazarismo, através da mocidade portuguesa, tentaram usar o raciocínio juvenil, ou melhor, a falta dele, para conduzir as suas campanhas. Não é novidade também que o comunismo fez a mesma coisa. Sempre a falta de conhecimento juvenil foi usada para a crendice e militância, não é novidade usar-se isso agora para as campanhas "ecológicas"... enfim, como se as campanhas ecológicas não tivessem começado nos anos 50, ou seja há mais de 70 anos, estando tão velhas quanto os mais velhos.
Na realidade, o problema principal desta esquerda frugal é a típica falta de cérebro, valendo o ditado que "de boas intenções está o inferno cheio". Qualquer energúmeno que pretenda passar por intelectual, não tem que ter um cérebro funcional, basta colocar-se do lado da corda onde é suposto ficar a intelectualidade. A situação chegou rapidamente ao ponto limite - os intelectuais têm um nível de inteligência que roça o analfabetismo puro. Não é assim de espantar que iluminárias do BE tenham feito campanhas contra o "machismo" da língua portuguesa, querendo mudar o "Cartão de cidadão" para "Cartão da cidadania", e estejam prontos para outras manifestações... em que a única coisa que transparece é a completa ausência de cérebro.