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segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nebulosidades auditivas (25)

Red or Blue Pill?
Syriza - Pílula vermelha ou azul? 

A metáfora da escolha entre a realidade vermelha e um sonho azul foi explorada no filme Matrix, e tem a virtualidade de ser aplicável a diversas situações análogas. 
De forma politicamente correcta, ilustraria a dependência de drogas, onde o sonho azul sai do consumo de alucinogénios que evitam temporariamente a dura realidade. Essa forma é politicamente correcta se ignorarmos que os traficantes de droga já foram Estados, nomeadamente a Inglaterra que forçou a venda de ópio à China, no Séc. XIX. Esta foi uma maneira de equilibrar contas, quando o consumo excessivo de produtos chineses ameaçava ruir a economia europeia - que pouca coisa conseguia vender à China. A população chinesa tornou-se fortemente dependente de ópio, ameaçando a estrutura social. Todo o tráfico não se baseia apenas na persuasão, e quando é necessário recorre-se à intimidação. Pequim acabou por cair em 1900 com uma coligação de oito honoráveis potências.

Dir-se-ia que isso são histórias passadas, mas não é bem assim.
Os traficantes de sonhos evoluíram e deixaram o ópio e outros alucinogénios para negociatas secundárias. 
O novo negócio passou a ser "o sonho tornado realidade". 
Que nome tem este ópio? 
- Chama-se "crédito".
É claro que o crédito não tem mal, tal como o ópio pode servir como medicação.
O problema está, é claro, no seu consumo indiscriminado, e na sua dependência.
O desgraçado que nasce malfadado numa realidade agreste, vê no crédito a possibilidade de antecipar no presente uma realidade que só poderia ter no futuro.
É claro que este desejo de riqueza imediata também se verifica noutro aspecto - o jogo.

Porém, voltemos ao crédito.
O crédito é uma porta rápida para tornar realidade velhos sonhos, e não oferece problema até ao momento em que é cobrado. O contrato protege o indivíduo da cobrança antecipada, mas há outra forma de enredar o vício - vários créditos e uma perspectiva favorável de futuro. Quando a situação passa a ser gerida no limite, como se o futuro fosse sempre risonho, qualquer falha traz o caos, e os futuros azuis passam a realidades vermelhas.
Poderia pensar-se que quem gere os créditos é quem fabrica os tijolos que consolidam os sonhos.
Poderia ser, mas normalmente não é.

Passamos ao problema mais acima, onde uns Estados acumulam dívidas e outros créditos.
Não são as formigas que negoceiam directamente com as cigarras.
Entre a formiga e a cigarra está um banco, ou instituição de crédito.
Porquê? Porque quem gere o negócio não quer ter perdas.
Se as cigarras não pagam, quem sofre o débito são as formigas. Quem está pelo meio, apenas tem que gerir a credibilidade da fábula de Esopo, fazendo de uns formigas e dos outros cigarras. Tirando algumas excepções, são todos formigas, e as verdadeiras cigarras controlam a narrativa, controlando a comunicação social e a gestão do mercado de sonhos.

Assim, quando o BCE anunciou a compra de dívida dos estados, apenas estava a dourar uma pílula azul de maior quantidade, pronta a lançar mais crédito, pronta a financiar mais sonhos, para que as formigas pintadas de cigarras, e as cigarras pintadas de formigas, continuassem a bancar a fábula.

Ora, o Syriza até pode cantar de alto, como uma cigarra, e dizer que simplesmente não tem que pagar às formigas pintadas de cigarras... mas será que está pronto a engolir a pílula vermelha e entrar no mundo das formigas ameaçadas por um simples espezinhar? Será que conseguirá convencer as suas cigarras a tornarem-se formigas? 
Muito depende do pé que está sobre as formigas chinesas e das cigarras pintadas de formigas alemãs.
Enquanto todos alinharem no jogo dos negociantes da fábula, do dinheiro fabricado pela imaginação perversa, todos saem a perder. Nem é preciso nomear quem gere o jogo, apenas interessa conhecer que a aplicação das suas regras é judiciosa.

Tsipras surpreendeu-me ao passar o tema "London Calling", dos Clash, no seu comício de vitória.
Ficamos à espera para saber se esta Nike terá a elegância da de Samotrácia, ou ficará apenas notada pela falta de cabeça.
London Calling - The Clash

London calling to the faraway towns, Now war is declared and battle come down
London calling to the underworld, Come out of the cover, you boys and girls

London calling, now don't look at us, 
Phony Beatlemania has bitten the dust
London calling, see we ain't got no swing, Except for the reign of that truncheon thing

The ice age is coming, the sun's zooming in, 
Meltdown expected, the wheat is growing thin
Engines stop running but I have no fear, Because London is drowning and I live by the river

London calling to the imitation zone, 
Forget it brother, you can go at it alone
London calling to the zombies of death, Quit holding out and draw another breath

London calling and I don't wanna shout, 
But while we were talking I saw you nodding out
London calling, see we ain't got no high, Except for that one with the yellowy eyes

The ice age is coming, the sun's zooming in, 
Engines stop running, the wheat is growing thin
A nuclear error but I have no fear, Because London is drowning and I, I live by the river

Now get this, London calling, yes, I was there too, And you know what they said? Well, some of it was true, 
London calling at the top of the dial, And after all this, won't you give me a smile? London Calling

I never felt so much alike, alike, alike....

Joe Strummer, o líder mítico dos Clash, viu-se depois em carreira a solo, tocando temas antigos, acompanhado dos Mescaleros, e queixando-se a uma multidão alemã (alheada...) de que em Londres era pior, a assistência nem perto do palco estava. 
Citando-o apropriadamente :
Rock into this, please, Mein Herren...

Straight to Hell - Joe Strummer and the Mescaleros

I have got the shoe... Cinderella!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Nebulosidades auditivas (24)

Esta série das "nebulosidades auditivas" já fez 4 anos, e tendo começado com Kate Bush, regressa à voz de Kate com a curiosa presença de Hugh Laurie no vídeo. O agora famoso "Dr. House", aparecia como actor razoavelmente secundário, vestindo a bata branca com o número 57, ao lado do "professor Jerry Coe", ou melhor, "Jericho".
Experiment IV (Kate Bush)

Music made for pleasure, music made for thrill
It was music we were making here until
They told us what they wanted was a sound that could kill someone from a distance

O vídeo parece hoje algo grotesco, e a história de investigações feitas com um propósito benigno, mas que visavam um propósito maligno, era bem conhecida naquela época, tão marcada pelas ameaças de armas nucleares. 
Claro que nada mudou. Lembro-me de, alguns anos depois, ter visto acidentalmente o desenho de um míssil, num computador de uma amiga. Perguntei-lhe se não tinha vergonha de estar a contribuir para o desenho de uma arma de grande destruição... A resposta foi simples - não seria um míssil de ataque, seria apenas defensivo. 
Não era ingenuidade, era apenas a resposta dada por um funcionário que cumpre a sua função, e se alheia da sua responsabilidade no processo. 
É claro o caminho das pedras compensa, porque haverá sempre quem faça, e é melhor sermos "nós" os primeiros, a ficar com os louros, e com a vantagem, do que "eles". E é esta simples divisão entre "nós" e "eles" que gera a espiral infindável da competição letal. 
Até porque qualquer arma, uma vez feita, não sabe a diferença entre "nós" e "eles". 
Pode até ser feita para ser personalizada ao toque, ficando inactiva a "outros"... só que isso é apenas a visão das crianças poderosas, que exigem o brinquedo sem saber como funciona. 
E o funcionamento pretendido é simples - fazer o máximo com o mínimo esforço.
Pensar-se como um agente instabilidade que está a ser potenciada... pois isso é o medo, mas apenas o medo pessoal, o medo de que a instabilidade saia fora do controlo dos "seus". Porém, a instabilidade não tem dono, não é criada, é apenas descoberta. Uma vez descoberta, ou é coberta, ou lançada ao caos... porque potenciar a instabilidade, é apenas potenciar o caos.

I just pray that someone there can hit the switch

domingo, 14 de dezembro de 2014

Nebulosidades auditivas (23)

As pessoas que procuram ter uma visão global do contexto têm sempre razões de preocupação.
No tempo da Guerra Fria isso era claramente simbolizado pela "bomba", ou seja, o arsenal de bombas nucleares ao dispor no clique de um botão nas duas potências mundiais.

De forma algo simplista, todos os problemas pareciam reduzir-se à dualidade entre Leste e Oeste, e era muito frequente pensar-se que faltava apenas um entendimento ao nível dessas potências para resolver os problemas mundiais. Assim, em 1989, com a queda do Muro de Berlim, argumentava-se um "fim da História", segundo o publicitado Francis Fukuyama.

A questão do conflito nuclear era adquirida desde a infância, e filmes como Day After  (1983) ajudavam a manter o medo sobre os efeitos de um inverno nuclear.
Um episódio pouco conhecido no Ocidente é revelador do acentuar do problema com a sucessão de Leonid Brezhnev. Andropov tinha sido particularmente duro na revolta húngara, e com o cowboy Ronald Reagan do outro lado, não se esperavam boas notícias.
No espírito da época, uma criança, Samantha Smith, escreve a seguinte carta a Andropov em 1982:
Dear Mr. Andropov,
My name is Samantha Smith. I am ten years old. Congratulations on your new job. I have been worrying about Russia and the United States getting into a nuclear war. Are you going to vote to have a war or not? If you aren't please tell me how you are going to help to not have a war. This question you do not have to answer, but I would like to know why you want to conquer the world or at least our country. God made the world for us to live together in peace and not to fight.
Sincerely,
Samantha Smith
Alinhando pela oportunidade publicitária, Andropov responde, e convida Samantha Smith a visitar a URSS, o que ocorre com grande sucesso para a publicidade soviética em 1983.
Depois, é sabido que a saúde de Andropov pouco durou, Chernenko idem (tomara posse já internado), e o poder soviético só estabilizou com a confirmação de Gorbashev, em 1985, claramente empenhado em mudar o sistema comunista e na aproximação ao ocidente.
Como os aviões têm conhecida tendência a despenhar-se, a incómoda criança americana que visitara os russos irá perecer também em 1985 - Samantha tinha 13 anos.

As manifestações e medo pela ameaça mundial soviética tiveram as suas épocas. O problema começara com o rápido desenvolvimento russo. Em 1949 detonavam a primeira bomba nuclear, e depois, durante a liderança de Nikita Kruschev, suplantariam os americanos em todo o projecto espacial.
O sucesso espacial russo está intimamente ligado ao nome de Nikita... começou e terminou consigo. A sua deposição e danação de memória, a partir de 1965, apresentou o declínio soviético com Brezhnev. A propalada vitória americana na simulada "Guerra das Estrelas" de Reagan, é mais um dos mitos ocidentais... Andropov, logo em 1983, teria anunciado o fim do programa soviético de armas espaciais!

Talvez tenha havido um curto tempo em que dois líderes quiseram ter efectivo poder sobre as potências que comandavam - foi o tempo de Kennedy e Kruschev... foi o tempo da crise dos mísseis em Cuba. Kennedy desapareceu em 1963 e Kruschev foi afastado em 1965. Os poderes de bastidores prepararam uma ascensão diferente, menos incómoda às suas manipulações. O "reinado" de Brezhnev mergulhou a Rússia numa progressiva corrupção passiva, e só a sua sucessão preocupava o lado ocidental. Acabadas as dilacerantes guerras da Coreia e do Vietname, a transição dos anos 70 para os anos 80, trazia esse espectro de uma Rússia ameaçadora, com Andropov.

Parece então que o efeito da dissuasão nuclear ganhou outra seriedade. Nas décadas anteriores havia a possibilidade de conflito, mas não era encarado como um conflito de proporções catastróficas mundiais. A acumulação de armamento nuclear tornara entretanto a ameaça como apocalíptica.

"The Wall", foi o album dos Pink Floyd lançado em Novembro de 1979, e serviu de símbolo para a queda do Muro de Berlim, em Novembro de 1989. Foram 10 anos certinhos que marcaram a década.
Mas o período mais quente terá ocorrido até 1983, até ao momento em que Andropov foi afastado.
Entre 1980 e 1983 o mundo precipitava-se nas sombras, antevendo um 1984 Orwelliano...

Exemplo desse espectro catastrofista é o tema "Let's all make a bomb" dos Heaven 17.

a que se deve adicionar o tema "We don't need no fascist groove thang"


Reagan's president elect
Fascist god in motion
Generals tell him what to do
Stop your good time dancing
Train their guns on me and you
Fascist thang advancing

Os anos 80 iriam contar com um alinhamento de Thatcher e Reagan na política internacional, permitindo libertar as correntes legislativas que prendiam os monstros financeiros.
Os perigos dos monstros financeiros eram bem conhecidos - tinham estado na origem de duas guerras mundiais e a sua libertação foi uma jogada arriscada. Era essa a paranóia anunciada, contava-se com uma não resposta do outro lado, lançando o medo generalizado.
Contava-se que a libertação de regulação ao poder económico permitisse criar monstros privados que se encarregariam da destruição dos estados. O objectivo previsto seria a aniquilação económica dos estados soviéticos, mas uma vez o monstro libertado sem regulação, nenhum poder estatal estaria a salvo desse poder libertado.

Criou-se assim rapidamente o tempo dos yuppies, numa conversão de hippies em agentes financeiros pouco escrupulosos. A única ligação terá sido a sua dependência a drogas, as mortalhas de erva dariam lugar às linhas de coca. O mundo aceleraria a um ritmo sem paralelo, puxado pelo monstro da competição interminável. A música foi bem reflexo disso - os artistas apareciam e desapareciam a um ritmo de um consumo incessante. Ainda hoje servem os nossos ouvidos as novidades que no início dos anos 80 ficavam velhas ao fim de poucas semanas.

Se alguém pensou em prender o monstro capitalista no final da Guerra Fria, iria verificar que era tarde demais. O monstro capitalista que puxara o desenvolvimento industrial inglês e americano no Séc. XIX, estava de novo desregulado, pronto a consumir todos os poderes para se poder alimentar, libertando-se dos travões morais sobre a exploração do trabalho, até sucumbir na sua própria lógica insana.



sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Nebulosidades auditivas (22)

Gorillaz - um projecto musical onde os protagonistas seriam apenas bonecos animados, deixaram uma sucessão de vídeos notável, onde contaram até com a participação de Bruce Willis. A influência hip hop dos De La Soul começara a tomar efeito, e ganhar múltiplas variantes.




Broken - Gorillaz (Plastic Beach)

Distant stars come in black or red
I've seen their worlds inside my head

They connect  with the fall of man
They breathe you in, and dive as deep as they can

There's nothing you can do for them
They are the force between, when the sunlight is arising

There's nothing you can say to him
He is an outer heart, and the space has been broken now
It's broken, our love, is broken

Is it far away in the glitter freeze or in our eyes
Every time they meet
It's by the light of the plasma screens
We keep switched on all through the night while we sleep

There's nothing you can do for them
They are the force between, when the sunlight is arising

There's nothing you can say to her
I am without a heart, and the space has been broken now
It's broken, our love, is broken
---------------------------------------------------------------------------------


A tomada de consciência nunca foi imediata.
A inteligência apareceu antes da sua tomada de consciência.
Não podia ser doutra forma, afinal só podemos conhecer o que já existe.

Assim, é completamente diferente pensar em seres inteligentes e em seres que tenham consciência da sua inteligência. A inteligência de uns pode superar a dos outros, mas há uma imensa diferença... uns são máquinas, os outros não.
Os processos mecânicos podem desenvolver-se autonomamente a ponto de exibirem prodígios de inteligência literal. Vemos exemplos de como essas soluções foram encontradas biologicamente, como se houvesse ali um desenho inteligente. E esse desenho inteligente não pode ser negado, porque está ali para ser contemplado. A grande diferença é que essa tomada de consciência de inteligência não é inerente ao processo observado, é inerente ao observador. 

Na encruzilhada temporal haveria o caminho puramente genético, onde a inteligência apareceria codificada numa sequência de DNA, mostrando a capacidade de inteligência da ordem, mas seria uma inteligência que nunca seria vista... porque ao finito falta a capacidade de reconhecer o infinito, ao limitado faltaria a capacidade de ver a sua limitação. Para alguém reconhecer as suas limitações tem que ir acima delas, para as poder contemplar. Só os limitados ignoram as limitações...   
Nesse caminho genético, nada impediria a programação de capacidades computacionais imensas, em cérebros programados de forma similar.
Esse seria o caminho de grandes gorilas divinos, capazes de proezas notáveis, mas inconscientes da sua capacidade. Capazes do bem e do mal, sem distinguir a diferença entre ambos. 
Porque a diferença entre o mal e bem é uma diferença de percepção ecológica, é uma noção ausente da ordem local, é uma noção imposta pelo caos global.

Esta ecologia não tem apenas raiz etimológica no oikos grego, que remete à casa ou família global, é também uma "ciência do eco". Este "eco" é o retorno que teremos a cada som que emitimos, a cada acção que produzirmos.
A cegueira da ordem local foi o pensar que haveria uma solução local que se imporia globalmente, com um centro bem identificado. Cresceria anulando o restante, cega pelo seu umbigo gerador. 
Veria o que queria ver... ver-se-ia a si, esquecendo a casa onde crescia.
Começava por ser a bactéria reprodutora, capaz de inundar em pouco tempo o planeta com uma reprodução exponencial, até que seria confrontada com o eco da sua acção - a falta de alimento para acompanhar tal crescimento. A sua acção local era um sucesso, o problema era a falta de visão do eco global da multiplicação dessas acções. 

A inteligência humana não terá surgido até que os homens foram forçados a reconhecer a influência global das suas acções. Os hominídeos podem até ter exibido sinais de inteligência mecânica, quase sem limites, com criatividade para fazer prevalecer a sua visão local... só que isso não traz nenhuma consciência do que faziam. 
A maior inteligência de gorilas, só favorecia a competição entre gorilas, não permitia ao gorila ver que ao anular os diferentes, estaria só a deixar iguais, mas não estaria a acabar com a competição entre iguais. Por muito iguais que fossem, a competição estimularia sempre qualquer diferença, até que no limite, o gorila estaria a ser a levado a uma competição consigo mesmo.
Por isso, a ecologia em confronto é sempre o eco das acções em si próprio. 
O homem só se tornou homem quando aprendeu a ver nos outros semelhantes, quando passou a sofrer com a dor dos outros, projectando-a em si. Essa capacidade de empatia com o semelhante, que ao longo da história se tem procurado retirar, em nome duma competição incessante, é a diferença fundamental entre o homem e a besta. É a diferença fundamental entre uma consciência para um equilíbrio num contexto global, e uma inconsciência para um sucesso local aprazado.

Da natureza vem essa ordem programada, finita, cega ao eco de si própria. Daquilo a que se pretende chamar caos, chamar coincidência, negligenciar, por falta de melhor entendimento, surge o inexplicável, a semente das ideias do único futuro para este presente. 
Por muito que se veja o império duma ordem construída, só o olho cego não quer ver que essa ordem só pode ser vista numa dimensão muito superior, onde os impérios de cabeças de formigas são esmagados com um pé, um pé no futuro.

sábado, 8 de novembro de 2014

Nebulosidades auditivas (21)

Há uns meses, houve uma conversa sobre a pseudo-teoria de "humanos reptilianos", que David Icke costumava mencionar, e a que o Paulo Cruz dava atenção, ligado ao assunto dos crânios de Paracas.
Nessa altura disse:
Lembro-me de uma série antiga, dos anos 80, que tinha exactamente um enredo a esse agrado:
V - Visitors (TV series, 1983) 
talvez David Icke tenha ido buscar a ideia reptiliana a essa velha série... de qualquer forma, esse V fez-me logo lembrar outro V:
Eu ligaria o V mais ao facto de ter depois um outro filme que ficou igualmente popular:
V for Vendetta
banda desenhada exactamente da mesma altura (vejam-se lá as coincidências) e especialmente o filme que deu origem à mania das máscaras, e ao movimento "Anonymous".
Ver este vídeo do Nicky Romero, "Toulouse":
... já esteve na calha para uma "nebulosidade auditiva" no OdeMaia. 
[17 Julho 2014]
Assim, por estranho que fosse, num ápice, dos crânios deformados chegávamos a Toulouse.
Leio agora que a deformação intencional craniana era denominada "deformação de Toulouse"
 
Mapa com a deformação de Toulouse, e regiões onde era praticada ainda no Séc. XX (ver Dingwell, 1931)
 In the region of Toulouse (France), these cranial deformations persisted sporadically up until the early twentieth century  [wikipedia]

Coincidências, ou não, antecipei que o vídeo "Toulose" estava agendado aqui:

"Toulouse" de Nicky Romero, 

mas por razão do V de Vendetta... e não tanto pela deformação craniana de Toulouse.

Esta ligação que nos levou à região occitana de Toulouse é estranha, tão estranha quanto é o registo que foi das suas pinturas rupestres aos jogos florais, passando pelos antipapas de Avinhão.

Quanto ao V, V de um filme que tem inspirado movimento Anonymous, parece ser apenas mais um movimento do sistema, que passa por ser anti-sistema. Não é difícil entender que não serão os canais do sistema a questionar o sistema. Qualquer sistema minimamente inteligente disfarça uma oposição, para que nunca haja espaço para uma verdadeira oposição.
Porque, o problema é simples... The revolution will not be televised, brother.

domingo, 26 de outubro de 2014

Nebulosidades auditivas (20)


Troy - Sinéad O'Connor

I'll remember it
Every restless night
We were so young then
We thought that everything
We could possibly do was right
Then we moved
Stolen from our very eyes
And I wondered where you went to
Tell me when did the light die
You will rise
You'll return
The Phoenix from the flame
You will learn
You will rise
You'll return
Being what you are
There is no other Troy
For you to burn

(...)

But you should've left the light on
You should've left the light on
And the flames burned away
But you're still spitting fire
Make no difference what you say
You're still a liar
You're still a liar

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Nebulosidades auditivas (19)

Há uma história que me foi contada, há quase um ano, sem que se possa dizer que alguém ma contou... é mais correcto dizer que soube, ou vou sabendo dela. Quando abrimos a tradução para outras linguagens, há situações em que o ruído se ouve como música.

O lago universal era um aquário onde cada cada peixe parecia ser um aquário, igual ao aquário maior. E à medida que os peixes cresciam, em formas e feitios, de entre eles surgiu uma grande lontra. A grande lontra era mais parecida com o aquário, porque podia engolir em si os peixes.
Assim, a grande lontra passou a alimentar-se de peixes, e fartamente, porque peixes era coisa que não faltava. Até que se viu num reflexo de um, um que lhe escapou. 
Esse acontecimento foi uma epifania universal. Ficou-lhe a ideia de que não havia apenas peixes, ficou a ideia de que entre os peixes haveria outra lontra. Por momentos, a lontra hesitou em comer peixes, e os peixes cresceram. Cresceram até a ameaçar, pelo que ela voltou a comer indiscriminadamente. Mas apenas comia os que não fossem parecidos com o seu reflexo... de tal forma que ao fim de algum tempo só restavam os que eram parecidos consigo. 
De novo a grande lontra hesitou. Mas os peixes multiplicavam-se e sentiu-se novamente ameaçada. Voltou a comer, com o mesmo critério... e cada vez mais os peixes se pareciam consigo. 
Nova epifania - viu então uma solução contra o isolamento no devorismo, a ponto dos peixes que restavam serem agora pequenas cópias da lontra. Mas afinal, nunca eram iguais, só ela se alimentava deles. O medo que tinham de si, não permitia uma igualdade de comportamento. Bastaria diminuir de tamanho, pensou ela, ser também peixe. Porém, assolou-lhe a ideia de que, nesse caso, poderia surgir entre eles uma outra grande lontra. De predadora, passaria a presa. Optaria por deixar crescer aqueles onde se revisse, cada vez mais, mas manteria sempre um ascendente.
Ao fim de muito tempo, conseguiu quase o queria. Deixou as pequenas lontras crescerem, e também variados peixes, de que se alimentavam. Aparentemente já só matavam peixes, mas a grande lontra sabia que tinha proceder de forma diferente. Afastava-se para ver o comportamento das jovens lontras. Não poderia deixar crescer muito as que hostilizassem os outras lontras, porque crescendo iriam hostilizá-la também. Por outro lado, não se identificava com as lontras que eram simplesmente lontras... que não se apercebiam do perigo duma grande lontra, do seu perigo.
No fundo, a grande lontra procurava ainda uma grande lontra, o reflexo que vira escapar-se-lhe. Mas não tão grande quanto isso... porque o que mais temia a grande lontra era uma lontra maior.
Assim, há muito, muito tempo, a grande lontra acabou finalmente por encontrar a tal alma gémea entre as outras lontras. Mas a história ainda não acaba aqui...
A grande lontra apenas queria essa companhia perdida, uma grande lontra igual - mas que fosse menor... e não isso era que incomodava a pequena grande lontra. O que incomodava a pequena grande lontra era que a maior já não via utilidade nas outras lontras. Ela só queria uma companhia, uma companhia sem ameaças do crescimento doutras lontras, e já a tinha encontrado. Porém a pequena grande lontra soubera crescera com as companheiras, e não via em todas elas a mesma ameaça. Não estava disposta a abdicar do seu mundo para satisfazer o grande desejo da grande lontra, por muito que tivesse compreendido a sua situação. Foi assim que, quando a grande lontra dizimou as restantes, a pequena grande lontra desapareceu. De nada valeu a fúria da grande lontra. Tinha que recomeçar tudo de novo, apenas com os peixes... e com o medo de que pequena grande lontra reaparecesse maior, pronta a engoli-la.


Fool's Overture. Supertramp - Roger Hodgson (performed 2004). 

History recalls how great the fall can be
While everybody's sleeping, the boat put out to sea
Borne on the wings of time, It seemed the answers were so easy to find
"Too late," the prophets cry. The island's sinking, let's take to the sky

Called the man a fool, striped him of his pride
Everyone was laughing up until the day he died
And though the wound went deep, Still he's calling us out of our sleep
My friends, we're not alone, He waits in silence to lead us all home

So tell me that you find it hard to grow. Well I know, I know, I know
And you tell me that you've many seeds to sow. Well I know, I know, I know

Can you hear what I'm saying, Can you see the parts that I'm playing
"Holy Man, Rocker Man, Come on Queenie, Joker Man, Spider Man, Blue Eyed Meanie"
So you found your solution. What will be your last contribution?
"Live it up, rip it up, why so lazy? Give it out, dish it out, let's go crazy, Yeah!"


sábado, 26 de abril de 2014

Nebulosidades auditivas (12)

Fernão Capelo Gaivota 

Jonathan Livingston Seagull
The New York Times, July 3, 1974 
Des Moines, Iowa, July 2 - John H. Livingston, the man who inspired the best-selling novel "Jonathan Livingston Seagull," died Sunday at the Pompano Beach (Fla.) Airport soon after completing his last plane ride. Richard Bach, a former Iowa Air Guard pilot, has said his best-selling book about a free-wheeling seagull was inspired by Mr. Livingston. (...)

Se Richard Bach se inspirou no piloto americano, a tradução portuguesa foi muito clara...
... ao (David) Livingstone, associou o (Hermenegildo) Capelo.
Acrescentou ainda um Fernão (entre muitos, provavelmente o Magalhães).
Os espanhóis também evitaram o nome Livingston, e usaram Juan Salvador Gaivota. Casos únicos.

A pequena história de Richard Bach de uma gaivota, gull, mas seagull e não portgull, passa a filme de sucesso mundial em 1973, usando uma banda sonora de Diamond... Neil Diamond:
Lost, on a painted sky, where the clouds are hung
For the poet's eye, you may find him, if you may find him

Assim, juntando ao poema marítimo "a life on the ocean wave", em 1974, tudo está pronto para uma outra canção "revolucionária" - Somos Livres... mais conhecida pelos versos:
Uma gaivota voava, voava, asas de vento, coração de mar.
Como ela, somos livres, somos livres de voar.
... registo único conhecido de Ermelinda Duarte.

1973 é um ano marcante.
- Para Portugal, a visita de Marcelo Caetano a Londres, que acabara de entrar na CEE, pode ter assinalado o fim do regime. Creio que Salazar nunca saiu de Portugal - só se foi a Espanha comprar caramelos. Mas é também um ano em que se fundam o macavenco PS de Soares, e o expresso do "pilgrim" Balsemão. Dois personagens que vão definir os partidos do "arco" do seu governo.
- É o último ano de "visitas lunares".
- É o ano da Crise Petrolífera, que abala a economia internacional, e afectará muito Portugal. 
- É o ano de inauguração do World Trade Center, das torres gémeas. 
- Nixon abre as portas com uma visita à China, começa a retirar tropas do Vietname, e será afastado pelo caso Watergate. Se Nixon foi afastado, Kissinger manter-se-à bem activo. Recebe o Prémio Nobel da Paz pelos acordos de Paris, que levariam à retirada dos EUA do Vietnam.
- Em contraponto, Allende é morto no golpe militar chileno... 

Os estados ibéricos procuravam manter os anacrónicos regimes que sobreviveram à 2ª Guerra, Franco era substituído por Carrero Blanco, mas esse será assassinado pela ETA no mesmo ano. Está lançado o ataque contra o "fascismo" na Europa... ao mesmo tempo que é apoiado no Chile.

Pensar que a comunidade internacional, muito em particular, americanos, e sobretudo ingleses, se alhearam do assunto, e que foi uma iniciativa local, parida por uns insatisfeitos capitães de Abril, é um mito que interessou preservar.
A liberdade da gaivota do seu voo é muito condicionada pelas correntes de ar, e os seus objectivos podem ser facilmente distraídos por uma embarcação cheia de peixe... como ela, somos livres, mas nem tanto quanto isso!

Na Ópera Otelo, o alferes Iago fica melindrado com a promoção a tenente de Cássio pelo General Otelo, e inicia uma série de intrigas... 
Salgueiro Maia soube sair de cena no 25 de Abril, e apesar do seu papel fulcral não foi um dos promovidos, só passando a Major em 1981, ao contrário de outros que rapidamente passaram de capitães a generais.

Por vezes, nem tudo o que é previsto acontece, e a ópera Otelo não foi encenada em Portugal... houve outras operetas, outros cantos de cisne, e a revolta deu a volta prevista.

Este postal não foi feito no 25 de Abril, dia de muitos anónimos, simbolizados no nome de Maia, Salgueiro Maia. Não sabiam tudo ao que iam, mas iam por bem... e essa simples diferença, faz muitas vezes a diferença.

Nota adicional
As coisas são como são e valem o que valem.
Pouca gente conhece Salgueiro Maia pelo primeiro nome... Fernando.
Comecei o post anterior pelo A de ABBA, e é melhor acabar este da mesma forma, deixando os B's pelo meio.
There was something in the air that night, the stars were bright Fernando 
They were shining there for you and me, for liberty, Fernando

Björn Ulvaeus terá dito que era uma canção sobre revolucionários mexicanos, e a referência ao "rio grande" pode sugerir isso. Mas, enfim, ainda que os ABBA nunca tenham vindo actuar em Portugal... em 1975 não seria a revolução que estaria mais na mente de um grupo que tinha acabado de ganhar o festival da canção dias antes em que Fernando ouvia o "E depois do adeus", e avançava com as tropas de Santarém a Lisboa, pelo curso do grande rio.
Ao que parece, a canção era só de Frida, e passou a ferida revolucionária com o nome "Hernandez", mas o nome foi mudado para "Fernando", por aquilo a que se chama "espírito santo de orelha":

Originally named "Hernandez", the writers made last-minute changes to the title before recording. The suggestion of the name "Fernando" was given by their limousine driver Peter Forbes in Shepperton, England. Tony Fernando, a wealthy exports director for celebrities such as Princess Anne and Tom Selleck, was a friend of Peter Forbes.

Roger that. Oscar. Bravo. Over and out.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Nebulosidades Auditivas (11)

A ocasião é de ser festivaleiro...
Oooohhh! - It's Napoleon. 
Napoleon, no wonder their song is called Waterloo...
... really entered in the spirit of it all dressed as Napoleon.

ABBA
My, My, at Waterloo Napoleon did surrender... 
The history book on the shelf, is always repeating itself

Dia 24 de Abril de 1974.
Pouco antes, dia 6 de Abril, Paulo de Carvalho tinha ficado em último lugar no festival da Eurovisão.
O até aí desconhecido grupo sueco ABBA ganhava o concurso, o início de uma história de sucesso.
A França, habitual vencedora, no tempo da "chanson française", não participa no concurso - a razão, Pompidou, presidente em exercício, morre. Em respeito às cerimónias fúnebres que se realizam naquele dia, a França decide retirar a sua participação.
Se a ocasião parece fúnebre para os franceses, será apenas irónico ganhar Waterloo, ou será um pouco mais do que isso, o maestro Waldoff aparecer vestido de Napoleão, sabendo-se que os franceses estavam em "retiro"?

A vitória dos ABBA marca praticamente o fim da "chanson" e começa a dinastia "song".
As vitórias de 74, 75 e 76 são de "songs" cantadas em inglês.
Como outro pormenor curioso, o festival de 1974 era suposto ser realizado pelo país vencedor, mas como o Luxemburgo ganhara novamente, passou para a Inglaterra... acrescentando um toque adicional à derrota napoleónica em Waterloo. Em 1977, a França ganha... com Marie Myriam, filha de portugueses, e foi esta a única meia-vitória que a nação tanto procurava no Eurofestival.

Isto não teria importância, não fora a enorme importância dada ao Festival em Portugal, e mesmo na Europa dos anos 60 e 70.
Isto não teria importância, não fora o movimento armado escolher a canção de Paulo de Carvalho como código inicial para o 25 de Abril.

Nada a dizer. Tinha havido alguma polémica, pois "No dia em que o rei fez anos" - Green Windows  tinha colhido favoritismo, mas como vencedora a canção passaria despercebidamente, e só a passagem de Grândola, de Zeca Afonso, na Rádio Renascença seria já algo estranho.

Se o movimento do 25 de Abril tivesse abortado, nunca saberíamos que a programação das músicas na rádio portuguesa poderia servir códigos revolucionários... e quem associasse algo de estranho passaria por alucinado das teorias da conspiração.
Só que neste caso havia mesmo uma conspiração em curso, contra o regime.
Por isso, as teorias da conspiração só o são até ficar evidente que podem ser mais do que "teorias"...
Neste caso a teoria viu-se na prática.

Ora... estava o movimento revolucionário tão no segredo dos "capitães", no dia do Eurofestival?
O Golpe das Caldas, a 16 de Março, tinha deixado a situação bem visível, e só não teria tido entrado na alface, por falta de resposta das outras unidades. Marcelo Caetano convocou as elites militares, a chamada "Brigada do Reumático", mas o problema não estava nem nos generais, e ao contrário do que se pretende passar, também não estava nos capitães. O problema vinha de fora, e a visita a Londres de Marcelo Caetano em 1973 só terá servido para avaliar que a resposta de Marcelo seria pacífica.

Conforme podemos ver nalguns blogs, o hino do MFA, nada mais é do que "A life on the ocean wave", um hino militar do Séc. XIX, escrito pelos americanos Epes Sargent e Henry Russell, e que ficou popular na Inglaterra, conforme se pode ver nesta introdução de um interessante filme da BBC sobre a Guerra das Malvinas. Começa o filme e parece que vamos ouvir um comunicado do Estado Maior das Forças Armadas... (**)

A LIFE on the ocean wave, | A home on the rolling deep,  
Where the scattered waters rave, | And the winds their revels keep:  
Like an eagle caged, I pine  |  On this dull, unchanging shore:  
Oh! give me the flashing brine,  | The spray and the tempest's roar!
 
 Once more on the deck I stand  | Of my own swift-gliding craft:  
Set sail! farewell to the land!   The gale follows fair abaft.  
We shoot through the sparkling foam  | Like an ocean bird set free;—  
Like the ocean bird, our home   |  We'll find far out on the sea.  
  
The land is no longer in view, | The clouds have begun to frown;  
But with a stout vessel and crew,  | We'll say, Let the storm come down!
And the song of our hearts shall be,  | While the winds and the waters rave,  
A home on the rolling sea!  A life on the ocean wave!

Uma parte da Igreja sabia do que se ia passar, uma parte do Exército sabia do que se ia passar, e creio que só o povo e boa parte do Governo e das elites é que não sabiam... Por isso, como em todas as revoluções, a medida foi a da inacção e não do sucesso da acção. O regime praticamente não reagiu.

Assim, os serviços secretos estrangeiros estavam mais do que carecas de saber... estavam apenas a avaliar a tensão nos fios das marionetas, para que nada se partisse muito.
Quando as coisas começam a resvalar no período quente de 1975, temos o maestro Pedro Osório e o cantor Duarte Mendes a chegarem de cravo ao peito ao festival
Discreto, mas simbólico.

Em 1976, a situação já está controlada, mas como resquício a RTP organizara o festival apenas com Carlos do Carmo... ele seria sempre o vencedor, só ficou por escolher a canção que levava.
Pois, houve tempos assim...
Em resposta, os ingleses Brotherhood of Man e o maestro, chegam de cravo ao peito, tal como tinham feito os portugueses em 1975.
Discreto, mas simbólico. Save your kisses for me... foi o título vencedor


Mas não vou terminar com a "song", como dos cravos e cravas, passamos ao francês giroflé e giroflá, regresso à "chanson", e recupero o postal que fiz sobre o Giroflé, Giroflá:

... e, entrada a hora, termino com uma música de Zeca Afonso...
Índios da Meia-Praia (Zeca Afonso)

... por razões que ficam pelo meio de Alvor e Lagos, e por letras que cantam a mais que um tempo, nem sempre com o significado literal, pois o tolo no barco é toro (01:46).

_________________________
(**) Actualização (25/04/2016)
Foi substituído o link do vídeo com o documentário da BBC (que desapareceu entretanto do Youtube), por um vídeo semelhante da ITV, com o regresso do "SS Canberra, the Return, July 11, 1982", um navio com mais de 2 mil marines que haviam participado na Guerra das Malvinas, e que eram recebidos em glória, em Southampton.
Ainda sobre este assunto ver, por exemplo isto ou isto.
 (10/06/2019) Outras actualizações de vídeos desactivados - nomeadamente Girofle, Girofla.

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Nebulosidades Auditivas (10)

The ancient sages said: 
"do not despise the snake for having no horns, for who is to say it will not become a dragon?"
So, may one just man become an army. 
Li Chung, o Justiceiro (The Water Margin)

Nearly a thousand years ago in ancient China, at the time of the Sung dynasty, there was a cruel and corrupt government. These men riding are outlaws - heroes - who have been driven to live in the Water Margins of Liang Shan Po, far to the south of the capital city. Each fights tyranny with a price on his head, in a world very different from our own. The story starts in legend even then - for our heroes, it was said, were perhaps the souls reborn of other, earlier knights...

Sandokan
Houve um tempo em que foi criada uma cultura comum em Portugal. A monolítica RTP impunha isso.
Poderia ver-se ou não televisão, mas quem via, via o mesmo. Desde 1957 até 1992 foi assim, e o que "dava na televisão" era uma cultura comum, só perturbada pela recepção satélite, já muito no final dos anos 80 (por exemplo, a Eurosport só começa em 1989).
Se o monolitismo era uma desvantagem, foi criada uma base cultural comum.
Passaria pela cabeça de alguém o vizinho nunca ter ouvido falar de Sandokan, o Tigre da Malásia?
Kabir Bedi, o actor indiano de Bollywood escolhido pela RAI para Sandokan.

Há pouco tempo falava-se da Irlanda como "Tigre Celta", dado o seu florescimento económico, antes do colapso de 2009... mas para uma geração, o Tigre era da Malásia, e era Sandokan, o personagem de Emilio Salgari, pirata de barcos e não de aviões, reavivado pela RAI numa série com imenso sucesso popular.

Hoje em dia, o Sandokan poderia dar no AXN, na Fox, ou num dos múltiplos canais de cabo... cada qual vê o que quer, o que é bom, mas perde-se a ligação aos outros, por via de uma cultura comum.

Lagardère
Essa cultura comum criava expressões que ainda hoje se usam, por exemplo - "foi feito à Lagardère".
A série francesa, com o espadachim Lagardère, foi um exemplo de grande sucesso que talhou expressões dificilmente entendíveis pelas novas gerações. Percebem, pelo contexto... 
Porém, se a expressão se mantiver, será que daqui a umas décadas não é mais natural o nome ser associado a Jean Luc Lagardère, industrial da empresa militar Matra, que "subiu à Lagardère" e morreu estranhamente, quando se investigavam ligações ao 9/11. Ou entre nós, será associado a Lagarde do FMI?
As associações são assim um entendimento comum, próprio de uma época, e nem sempre passado do passado para um presente. Podem facilmente prestar-se a confusões, mas também essas confusões podem ser meias verdades. Se alguém disser que a referência a Lagardère é de uma peça "O Corcunda" (Bossu) de Paul Féval (1858), está certo, mas não será compreendido por quem sabe que a ligação vem da série passada na RTP no início dos anos 70, e desconhece que essa série se inspirava por sua vez nos folhetins de Paul Féval.
Ilustração do romance "Bossu", com Lagardère.

Por isso, haverá muitas associações que aqui escrevo que podem ser consideradas à Lagardère... ou seja, um conhecimento parcial da conexão não pode inibir outro tipo de conexões. Não há conhecimento para as refutar, e por isso não devem ser consideradas como certas ou erradas, uma tentação simplista inquisidora, mas devem ser simplesmente vistas pelo nexo que podem exibir.

Nexo do Ó
Dou o exemplo com a própria palavra "nexo"...
A etimologia conhecida é interessante e está aqui, remete a nexum, de ligar ou atar, e remete ainda ao nó, nodus, que teria raiz indo-europeia em "ned", com o mesmo significado de atar.
Isso é uma explicação, muito boa. 
Porém, ao olhar para "n-exo" vejo imediatamente a negação de "exo", do exterior.
Assim, à Lagardère, faço a associação de que "nexo" nega o externo... invoca uma ligação interna, do próprio, do grupo, da comunidade. 
Uma não anula a outra, aliás complementam-se.
Quando se invoca o externo, desconhecido, não se produz nenhum nexo. O nexo é interno para poder ser explicado aos outros, e não se resumir a uma experiência individual, que envolve o inexplicável.
Plicar é pôr entre plicas, entre pregas, enquanto explicar é atirar fora essas plicas.
Por isso há uma diferença entre pregar e explicar. Num caso pretende-se cravar com um prego, enquanto no outro se tiram os pregos da palavra e se procura abri-la à compreensão.
Mais, o "n" não deve ser associado apenas à negação, foi usado na contracção, por exemplo "em o" passou a "no". Assim, o nexo está no exterior, é a nossa construção do exterior, mas é feita de dentro para fora... sob pena de nos colocarmos nós de fora.

Por outro lado, quando temos "nós" e não "nodos", vemos que a raiz indo-europeia passou entre nós mais para "nódoa". Somos nós, mas não estamos atados. A primeira pessoa do plural é nós, mas a primeira pessoa do singular não é nó... isso seria uma nódoa.
A nossa língua é tão primeva que aponta o simples Ó como sinónimo da gravidez (caso das invocações à Nossa Senhora do Ó). O nó do cordão umbilical, fim do Ó, terá sido o primeiro NÓ, e os que tinham esse cordão umbilical atado, saídos do ÓS, eram os NÓS. 
Por isso cada um dos nós ficou solto... mas tem um útero comum - a Terra, que delegou uma parte do crescimento num útero das suas filhas mães, até que estivessem prontos para o universo-terrestre, ou seja um U-Terra, u-tera, utero... E se a Terra armazenou Gigabytes de informação no DNA, acima disso temos os Terabytes - e esses Terra-bytes informativos já não estão no DNA, estão em nós - nos nós saídos dos Ós, que não se fecharam num O e começaram a definir o U pela linguagem. 
As borboletas parece que já sabem disso.

Li Chung
Bom, mas alongo-me sempre.
Voltamos a Li Chung.
Não perdia um episódio... e apesar de já não me lembrar de nenhum, a música de Masuru Sato ainda me tocou, e por isso fica classificada mais pelo lado sonoro.
Também não tinha esquecido as figuras algo atrozes, dos textos antigos chineses, que mostravam temíveis barbudos, vistos na introdução. Lembrei-me disso, pela referência que o José Manuel fez à figura peluda que aparece num prato de D. Manuel, sobre os povos do mundo:
... não sei se o barrete é frígio, ou se tem apenas dois dedos, ou se está a fazer um sinal, hoje muito corrente, e que representa vulgarmente "uns cornos". A existência de homens peludos não é estranha, é muito mais estranho não termos pêlos! Sobre isso já falei, remetendo a possível ligação às ilhas oceânicas. Os haplogrupos parentes do R, ou seja N, O, Q, são mais imberbes que os europeus... o que pode indiciar a tal mistura que se foi dar na Europa.

A história reportada a Li Chung é da Dinastia Song, que tanto passa por ter um florescimento cultural na sua capital Kaifeng, ao longo dos séculos X a XIII, como depois sofre uma degradação acentuada, pelo poder que os funcionários burocratas exerciam localmente, fora do controlo central.
É aí que entra Li Chung e os 108 espíritos rebeldes que vão ficar à margem, na margem do rio Lian Shan Po. A história de "Water Margin" faz parte de 4 contos essenciais da literatura chinesa, mas a série televisiva é de origem nipónica, ainda que filmada na China.

Há um ponto importante, pois podemos ver que esse florescimento da Dinastia Song tem um toque hindú, budista. Mais, atraiu muçulmanos (havia mesquita em Kaifeng) e atraiu judeus (havia sinagoga em Kaifeng). Por isso, muitos séculos antes dos descobrimentos, as comunidades judaicas e muçulmanas iam da China a Portugal. O pretenso afastamento oriente-ocidente não seria mais do que uma imposição que servia intermediários. Apesar do desenvolvimento técnico, nomeadamente em armas de fogo, com a invenção da pólvora, a Dinastia Song é travada pelos burocratas e pelos cavaleiros mongóis de Genghis e Kublai Khan... e é nessa altura que recebe Marco Polo, vindo de Veneza.

O que me interessa mais é que como adolescente me identificava perfeitamente com os heróis de uma cultura estranha, que deixava de ser estranha por essa abertura cultural que se deu nos anos 70. Já não havia índios e cowboys da infância, apenas chineses, mas havia uns maus e outros bons... e nada tinha a ver com a cultura, pois isso eram valores humanos universais. Simples.

Kung Fu
Houve uma abertura a oriente, passavam a ser moda as artes marciais, Bruce Lee foi um ídolo de uma geração, e houve também uma série marcante - Kung Fu.
Kung Fu (com David Carradine) - (Kung Fu Tao)

Em Kung Fu, muitos poderiam fixar-se nas cenas marciais, e certamente esse era um lado popular, mas também alguma sabedoria oriental dos monges de Shaolin ficava ao alcance da população.
Uma filosofia que ao invés de se esconder em intragáveis definições feitas nas universidades ocidentais, procurava despertar questões complexas de forma simples.
Não sei se ficou alguma coisa, mas revendo o vídeo parece-me que sim...

Um último detalhe, e que é importante, quando se começa a prestar atenção aos detalhes da natureza que, conforme é dito pelos monges de Shaolin, exibe harmonia. Quanto mais se entendem as harmonias, os detalhes, tudo começa a parecer relacionar-se... e pode parecer bom conseguir ouvir o inaudível, mas também é bom o silêncio. Por isso, em certas alturas, já tive que ouvir música em línguas desconhecidas, simplesmente porque é preciso desligar as conexões. O simples silêncio não serve porque nos remete aos nossos pensamentos, é mesmo preciso o caos exterior para que se recupere o necessário silêncio interior.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Nebulosidades auditivas (9)

Da confusão dos mitos americanos afundados entre o sonho e a realidade, entre o caos e a ordem, entre a degradação e o puritanismo, entre as armas e a paz, entre a liberdade e as restrições, surge uma aguda voz angélica num tom grave, capaz de provocar ou pacificar o mais severo ouvido - Elizabeth Grant, mais conhecida como Lana del Rey.
É ela que dá voz à mais recente repiscagem da Disney: Malefica.

Quando uma frequência me apanha, sou capaz de analisá-la ao mais pequeno detalhe, vezes sem conta. Todos os pormenores contam, e potencialmente podem revelar algo, para além da intenção do artista.
Um vídeo corre em poucos minutos, mas a sua produção é pensada em muitos dias... que aspectos são ocasionais ou propositados?
Lana Del Rey - Ride

No vídeo de Ride, não se conta a história de Elizabeth Grant, estudante de filosofia que enveredou por uma carreira musical... conta-se talvez a estória da entretanto nascida "Lana Del Rey".
O vídeo mereceu comentários de detalhe:

e vou focar mais outros tantos, por exemplo:
00:00 - as letras de RIDE desaparecem, pela ordem IERD, ao contrário, D REI.
00:05 - a suspensão da grua (ou do céu...), Miley Cyrus usou o modelo?
00:37 ... sobre os bikers, o deserto do Nevada, perto de Las Vegas, podemos aqui ver um dos móteis, onde decorreram as filmagens.
01:12 - o anúncio DAD'S, na loja 1102.
01:16 - "Prosecuted" numa porta, Freedom na outra, e é claro Money Transfer, Money Order.
01:52 - "Money Orders", graffiti na parede, ironizando o anúncio do banco.
02:29 - o mesmo graffiti quando entra no carro.
03:37 - abertura das hostilidades, anúncio no NeptunE (Seattle, onde Lana estreou) e o tridente no E.
03:40 - mãos com enormes unhas...
04:10 - o que resta dos guerreiros após Iwo Jima?
04:13 e 04:27 (brinco com cruz) - uma frase atribuída a Sinclair Lewis
           When fascism comes to America, it will be wrapped in the flag and carrying a cross. 
           A T-shirt usa uma ironia "Buttwiser - King of Rears" e não "Budweiser - King of Beers"...
04:33 - Bonus ONU
04:41 - "Fatal Charm (fo)Replay Lana Del Rey... Fiasco Shots Finger Tigh"
04:47 - Dad's?
04:48 - a mencionada foto do motel
04:52 - Dad's?
05:24 - "Heat(re) Resents A Del Rey"
05:49 - The Wall e 05:57 temos 13
06:22 - "Please Pay First" ... e o sinal "do not smoke..."
07:40 - a dona das grandes unhas

Nesta lista há alguns efeitos casuais ou são todos propositados?
Quer Anthony Mandler, realizador, quer Lana del Rey, autora, aparentam saber perfeitamente o que estavam a fazer.
Nada a dizer. Este é um vídeo invulgar, muito bem feito, mas normal... não parece trazer nada de estranho, que não fosse intenção de quem o fez. Nem sempre se vêem (ouvem) ilações acima da linha do visível (audível), e este é um bom exemplo para referência de controlo da percepção. Tudo normal.

É claro que todo este paleio estranho é mera desculpa para invocar a cantora excepcional. 
Young and Beautiful exibe esses dotes, e veja-se o vídeo aos 00:54 na pirâmide invertida da orquestra, por relação a um vídeo anterior Video Games, ao momento 00:16, aí conduzida por um cartoon.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Os pequenos vagabundos e os velhos moribundos

A pequenada gostou sempre de aventuras com clubes, códigos, mistérios, etc... nesse sentido eram imprescindíveis os livros dos Cinco, dos Sete, e nas suas versões portuguesas mais recentes apareceram o Clube das Chaves, etc. Depois, num estilo que mistura a magia trivial com a típica snobeira inglesa dos colégios, fez grande sucesso o Harry Potter.
Porém, uma das séries de aventuras, que deixou marcas numa geração foram

Era algo natural surgirem espontaneamente estes clubes de jovens, prontos a definirem os seus códigos, as suas regras, e prontos a aventuras para além do conhecimento dos pais... 
Havia também outro tipo de clubes, de alguma forma institucionalizados, hierarquizados, destacando-se os Escuteiros, criados pelo barão Baden Powell
A flor-de-lis - símbolo dos escuteiros

A adopção da flor-de-lis por Baden Powell tem razões conhecidas, mas não deixa de ser algo estranho um inglês ir adoptar o velho símbolo da monarquia francesa, remontando ao tempo dos Capetos
A própria simbologia da flor-de-lis acabou por ser extensamente usada pela Ordem de Avis, e incorporada na bandeira nacional ao tempo de D. João I, mestre de Avis.

Se o símbolo foi uso dos Capetos, ou dos capetas, o que é sabido é que este tipo de códigos são um prolongamento das brincadeiras juvenis para a idade adulta. Com um problema, estes clubes passam a ter um âmbito mais global, e não são tão inofensivos e inocentes nas suas acções. As driaburas de um clube infantil não causam o mesmo tipo de consequências que as infantilidades de clubes de adultos.

Entre esses clubes de adultos, e esquecendo os derivados, como o Lions ou o Rotary, ou as simples fraternidades universitárias americanas, o clube que se impôs mais a nível mundial, e que mantém segredos, códigos, cumprimentos e sinais secretos, bem como outras tantas coisas típicas de clubes de garotos, é sem dúvida a Maçonaria.

A Maçonaria tem mais ou menos uma face visível, mas o negócio está no segredo.
De entre o que é conhecido, podemos ver uma folclórica hierarquia cheia de vestes carnavalescas e muitas medalhas, símbolos, e nomes pomposos.

Como somos afectados pelo samba deste desfile carnavalesco, interessará conhecer alguns nomes.
Podemos vê-los na figura acima, onde se divide o rito escocês do rito de York, havendo equivalências entre as ambas.

O olho do G (GAU ou GADU)  está a ver, e vê então a seguinte hierarquia:

33. Sovereign Grand Inspector General (Order of Knights Templar)
32. Sublime Prince of the Royal Secret
31. Grand Inspector Inquisitor Commander
30. Grand Elect Knight K+H 
29. Knight of St. Andrew (Order of Knights of Malta)
28. Knight of the Sun
27. Commander of the Temple
26. Prince of Mercy
25. Knight of the Brazen Serpent (Order of the Red Cross)
24. Prince of the Tabernacle (... super excellent master)
23. Chief of the Tabernacle (... select master)
22. Prince of Libanus (... royal master)
21. Patriarch Noachite
20. Master Ad Vitam
19. Grand Pontiff
18. Knight of the Rose Croix
17. Knight of the East and the West
16. Prince of Jerusalem
......... [Shrine], [W.S.of Jerusalem] [AAONMS]
15. Knight of the East or Sword
......... [Daughters of the Nile] [Amaranth]
14. Grand Elect Mason
13. Master of the Ninth Arch
12. Grand Master Architect
11. Sublime Master Elected
10. Elect of Fifteen (Paxt Master)
09. Master Elect of Nine
08. Intendent of the Building
07. Provent and Judge
......... [Tall Ceddars of Lebanon] [Order of the Eastern Star]
......... [Grotto (MOVPER)] [Job's Daughters] [Rainbow Girls] [Order de Molay]
06. Intimate Secretary
05. Perfect Master (Mark Master)
04. Secret Master
03. Master Mason
02. Fellowcraft
01. Entered Apprentice

Os links remetem para a obra Morals and Dogma (1871) de Albert Pike
As designações podem variar um pouco, mas não muito, porque há normalmente um conservadorismo em quem se dedica a continuar o legado passado.
Portanto, a situação passa dos pequenos vagabundos em volta de um castelo sem nome, para velhos moribundos cujo recreio para brincadeiras é basicamente toda a sociedade humana.

Coloco agora os links sobre as organizações ali listadas e que dependem da maçonaria explicitamente:
Depois, é claro há toda uma panóplia de organizações derivadas, ou associadas, e é praticamente claro que toda a organização criada, seja de que âmbito for, de pacifistas a clubes de futebol, acaba por ter membros ligados à organização das organizações. Se não tem no início, assim que ganha dimensão e importância passará a ter... pelo simples facto de ter membros, e esses membros reservarem mais uma obediência do que outra.

Bom, mas este post não era sobre a maçãos, nem maçãs, nem sobre a dualidade entre ter massa e levar com a maça. Há organizações que podem fazer sentido, ainda que os métodos, o folclore, e as suas acções possam ser muito discutíveis. 

Basicamente, foi um pequeno pretexto para relembrar os Pequenos Vagabundos, e também para terminar com uma alusão, não aos Altos Cedros do Líbano, mas sim aos Human League... simplesmente porque há frequências que me tocam mais que outras:
Human League - Lebanon