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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O Abade e o hábito

Imagine-se que, ao passear por uma praia da Bretanha, nos deparamos com uma escultura destas:

- Restos de monumentos de civilização antiga, perdida?
Seria uma possibilidade... por perto encontramos outras esculturas igualmente estranhas:

Acontece que estas e outras esculturas na Praia de Rothéneuf são atribuídas a um padre:
vítima de acidente que o deixaria surdo e mudo (no registo municipal de 1894 de Langouet, é registada uma "dureza de ouvido"). Recolhe-se a uma praia de Rothéneuf, onde durante 13 anos vai fazer mais de 300 esculturas nos rochedos da praia.
 
O Abade Fouéré e algumas esculturas mais "naïves" nas rochas de Rothéneuf.

Portanto, toda a história é assim consistente. Temos um abade, que se isola e vai esculpir 300 obras no seu retiro. Essas obras são ainda hoje visíveis, excepto alguns totens e outras esculturas em madeira, que desaparecem em 1940 (não sei se antes ou depois da invasão alemã da França).

No entanto...
No entanto, esta situação levanta algumas questões interessantes.
Há outros casos semelhantes?... alguns que podemos ver listados aqui, em particular o Facteur Cheval, anterior a este, iniciado em 1879, e que pode ter inspirado a ideia.

Ou seja, para aqueles que vendem livros, enchendo os programas do "Canal História", dizendo que os trabalhos de maçonaria antiga eram algo só possível de fabricar com a ajuda de "civilizações extra-terrestres", os exemplos de realização individual são elucidativos de como essa ideia é exagerada e completamente dispensável... pode servir outros propósitos de alienação, com ideias alienígenas.

Efectuar grandes monumentos reside muito mais na vontade e determinação de os realizar, do que na capacidade e recursos técnicos ao alcance. Se há algo estranho, é não haver muito mais casos destes espalhados pelo mundo...

Bom, e como distinguir se se tratam de realizações recentes, ou mesmo de realizações antigas?
Na prática, sem registo histórico fiável, ou técnica fidedigna de datação, é um exercício de fé!
Podemos pensar numa história completamente diferente... qual?
- E se... e se o Abade Fouéré tivesse apenas esculpido apenas algumas das rochas, bonecos mais naïves, que contrastam claramente com outras esculturas de traço sofisticado?
 
... uma coisa são bonecos meio infantis (veja-se o desenho da casa), 
outra coisa são esculturas com alguma sofisticação.
Trata-se de obra do mesmo artista?

(fotos: waswoutch em tejiendoelmundo.wordpress.com)

Ou seja, será que a reclusão do Abade Fouéré não seria uma missão de despiste, com o propósito de evitar a completa destruição dos monumentos existentes na praia... a que ele juntou outras esculturas mais simples?

Acresce que a segunda imagem que aqui colocámos (parecendo a "velha da Serra da Estrela"), é uma pedra diferente, que teve de ser erguida para ser colocada ali... algo difícil de ser feito numa praia de calhaus, por uma só pessoa!

As esculturas em causa poderiam ter sido feitas em qualquer época, por qualquer escultor dotado, e não propriamente por um abade amador... talvez se tenha perdido o registo. 
Antes da menção ao Abade Fouéré, parece não haver muitas menções a Rothéneuf. 
Encontrei esta citação na Revue de Paris de 1841 (pág. 172), que fala de "esculturas e degraus gigantes feitos pela natureza", que se viam na entrada do forte :
Lorsque, du haut des remparts de Saint-Malo, l'œil suit, dans sa courbe régulière et gracieuse, le large ruban de sable qui tranche d'un côté sur le cordon d'écume, éternelle bordure de l'Océan, de l'autre sur la pâle verdure des miels, le regard se trouve arrêté par une masse de roches escarpées qui forment cap et s'avancent brusquement dans la mer. Le fort de Rotheneuf est perché, comme un nid d'aigle, sur l'extrême pointe de ce cap. Sa situation est telle que, vus de profil à une certaine distance, ses ouvrages avancés paraissent dépasser le bord et pendre, soutenus par une force inconnue, sur le gouffre qui mugit et tourmente incessamment leur base. Le côté du cap qui regarde la ville surplombe et forme comme un immense perron renversé, dont chaque marche serait un accident du roc, une saillie bizarrement découpée dans la pierre. Cet escalier géant, que nul être humain ne s'est sans doute avisé de descendre, a son dernier degré sur la plage, toute hérissée en cet endroit de rescifs aux pointes abruptes et dentelées. L'autre côté, qui domine la baie de Rotheneuf, descend par une pente, praticable il est vrai, mais bien rapide encore, jusque sur la grève. 
A referência não é muito significativa, e nada esclarece sobre a existência prévia de esculturas... também é natural que se tais referências existissem, elas não sejam do conhecimento público, dada a história oficial que tudo atribui ao Abade.
Neste caso, o Abade Fouéré fez o hábito...

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Panoramio (1)

O serviço do Google Maps tem associado fotos do Panoramio, onde muitos disponibilizam fotos tiradas dos diversos locais. Individualmente não custa muito, e antes que as coisas desapareçam, ou se estraguem, uma foto pode ser importante para o registo colectivo, que doutra forma está cheio de todos os empecilhos e burocracias típicas do património... por causa das "coisas".

Compilar e interpretar o muito que já há é uma tarefa imensa, que cheguei a pensar fazer. 
Porém, como me deixei disso, ficam aqui algumas das fotos que me despertaram alguma atenção.
Não vou comentar com detalhe, para não demorar muito, nalguns casos as imagens são esclarecedoras do muito património abandonado por Portugal. 
Os créditos vão todos para os fotógrafos que decidiram partilhar o que viram, e haverá link directo em cada foto.

Começo por algumas fotos de pontes. A minha ideia inicial era pegar num mapa antigo do Álvares Seco, e procurar associar cada ponte lá marcada com uma foto do que resta. Pelo menos sabia-se que existiam já no Séc. XVI... mas enfim isso seria uma tarefa gigantesca.
Ninguém se apercebe bem do imenso património de pontes antigas, que não me parece ser assim tão frequente encontrar na Europa central.

Já se sabe... todas as pontes portuguesas com aspecto antigo ou são romanas ou medievais - e parece ser um bocado ao gosto do freguês classificador. 
Creio que o "grande critério erudito" é o seguinte: 
- se a ponte se encontra numa estrada romana, é romana, 
- se está noutra via é medieval.
Tudo o resto não interessa, e esta "erudição" facilita a vida de todo o estudioso...

Bom, acontece que as vias romanas poderiam ser definidas justamente para aproveitar pontes já existentes, e como a arquitectura de algumas tem muito pouco de "romano", é de suspeitar que sejam mais antigas. Também nada invalida que em milhares de anos, a ponte tenha sido feita em qualquer época, com o engenho de alguns construtores locais, umas melhores que outras.

Pelo link da wikipedia parece estar classificada como "romana"
... parece ter-se os romanos em má conta, pode ser bastante anterior,

Ponte medieval(?) (Escorregadia, Vascoveiro, Pinhel)
Portanto não haveria estrada romana por aqui? 
Tem um aspecto simples e sofisticado... podia ser romana.
O rio aparece seco... já passou muito tempo do seu curso por ali?

Parece seguir por uma via romana, e parece ser romana.

O autor colocou medieval, eu achei que até poderia ser... mas depois
seguindo o link da wikipedia diz-se que está numa via romana, e é romana!

Outra Ponte perto de Vimioso (Vimioso, Bragança)
... parece ser medieval (mesmo) e a reconstrução do arco mais recente.

Ponte "gótica" no rio Maças (Argozelo, Vimioso)
... talvez seja dita medieval gótica pela forma bicuda do arco (e pode ser)!

... parece ser ponte medieval, esperemos não estar em risco pela barragem.

... parece ser atribuída como ponte romana pela junta de freguesia
(parece-nos ser muito mais recente)

Ponte romana (Escalhão, Figueira de Castelo Rodrigo)
... parece ser uma ponte romana, nada mais a dizer.

... parece ser construção romana.

Ponte da Cabreira (Cabreira, Almeida, Guarda)
... parece ser dada como ponte romana, mas é de suspeitar ser bem anterior!
(ver ainda o interessante "barroco do sangue")

... aparentemente muito recente, do reinado de D. Maria II (c. 1850).

Ponte romana(?) (Penha Garcia, Castelo Branco)
... talvez seja mesmo romana.

Ponte de "outras eras" (Idanha-a-Velha)
... parece um bom título do autor, 
tratando-se de pedras soltas para passagem pedonal.


Como é óbvio, são poucas, porque há mesmo muitas... comecei pelos distritos do interior, e mesmo assim faltam bastantes, para além das que nem sequer têm fotos no Panoramio. Um problema típico é ainda que a fotografia pode estar colocada num sítio errado, por simples confusão ou descuido de detalhe, o que ainda baralha mais as coisas. 

domingo, 19 de maio de 2013

Linhas Velhas de Torres

- "Estás aborrecido?... Vai para Torres!"
Esta era uma frase que ouvia, de vez em vez, à minha avó. A referência era de Torres Vedras, disso não tenho dúvidas... e se lhe perguntei porquê, tenho dúvidas se a resposta remetia ao Carnaval.

Vamos então a Torres Vedras, onde "vedras" significa "velhas", onde estão essas Torres Velhas?
Não muito longe fica Torres Novas... cujo castelo foi conquistado por D.Afonso Henriques.
Para termos uma noção da toponímia, mesmo estas "torres novas" não seriam assim tão novas, e o termo arcaico "vedras" remete o velho mesmo para uma altura em que a palavra "vedras" tinha uso. 

Há uns anos não ligaria ao assunto, porém depois de ver os pretextos do Marquês de Pombal em arrasar com a Torre Pentagonal de Hércules, de Coimbra, e o desaparecimento quase simultâneo das Torres de Hércules em Cadiz, dá para perceber que poderia haver uma agenda para terminar com torres antigas...

As Linhas de Torres e o Forte do Zambujal
Já sabemos como são estas coisas... invasões napoleónicas, os ingleses vêm-nos ajudar, e para isso as velhas construções seriam facilmente reutilizáveis em coisas úteis em tempo de guerra, como sejam:

As Linhas de Torres eram suposto fornecer muralhas defensivas que se estenderiam, do Tejo ao Atlântico, para proteger o avanço das tropas napoleónicas...
Surpreendentemente não restou muito/nada dessa grande obra de engenharia militar. Notou-se aliás nas comemorações dos 200 anos que não pareciam encontrar grandes muralhas que honrassem tal obra, nomeada uma grande obra de engenharia militar do Séc. XIX.

Um dos sítios que foi escolhido para as comemorações foi o Forte do Zambujal

Será este Forte do Zambujal um dos melhores vestígios das famosas Linhas de Torres?

O Castro do Zambujal
Mudamos de assunto... aparentemente!
Por vezes alguns arqueólogos fazem algo estranho... encontrar vestígios de coisas antigas em Portugal, mas digamos mesmo antigas, do fim do Neolitico.
Basicamente entre as Torres Vedras e as Torres Novas, foram dar com o Castro do Zambujal.


Talvez se o Castro do Zambujal estivesse no meio das Linhas de Torres, como estava o Forte do Zambujal, houvesse também comemorações... com uma diferença até 5000 anos entre a engenharia inglesa e a rústica engenharia dos povos do Neolítico - ainda que não se note muito qual é mais recente!

Para não estar com mais rodeios... não é de excluir que as "Linhas de Torres", de Wellington, pouco mais foram do que um projecto de reconversão de extensas muralhas e torres "vedras", aproveitadas com algum propósito militar que se justificaria, é claro, mas muito mais com um propósito de fazer esquecer as antigas.
Aliás se houve alguma significativa construção militar dirigida pelos ingleses, parece não ter restado vestígio... pelo que o propósito pode ter sido mais o de retirar pedras do que colocá-las.

É de ficar aborrecido? É ir para Torres... 

Antas, Zambujices e Mouras
Bom, mas a história não acaba no Zambujal de Wellington, porque o outro Zambujal, mais ao lado, já foi suficiente para toda uma nova teoria acerca do final do Neolítico, inicio do Calcolítico.
Há quem considere que toda aquela zona foi afinal o centro de produção da cerâmica campaniforme.
Esta cerâmica de vasos campaniformes está na origem de uma "moda" que se propagou durante milénios pela Europa Ocidental.
Vasos Campaniformes - Portugal, Espanha (2), Boémia (2), Inglaterra. (daqui)

Vários investigadores argumentam que toda essa cultura seria originária de onde?
- da zona do Castro do Zambujal (Vila Nova de S. Pedro, Azambuja)
- ou seja, da zona de Torres Vedras!

Um texto elucidativo é o de Olivier Lemercier (2006)
e estes seus mapas explicam bem como se considera agora que se propagou a exportação da cultura:

 

Ou seja, houve um processo marítimo de expansão... e podemos bem perceber como entrou até às zonas boémias, e talvez mesmo até à Galécia polaca/ucraniana. Este mapa pode ainda ser confrontado com os mapas genéticos que têm a disseminação do Haplogrupo R1b.

Colocar o centro da cultura campaniforme no Zambujal, na Estremadura, na zona de Torres?
- Alguém ficará aborrecido?
Há quem argumente o contrário, mas o problema é que as cerâmicas portuguesas chegam a ser mil anos mais antigas que as restantes europeias, indo para além de 3000 a.C. Pode aborrecer?...

Há vários nomes Zambujal, Zambujeiro, etc... que devem remontar a registos de épocas tão "vedras" quanto 3000 a.C. 
Há ainda outros nomes que remetem para coisas mais antigas - as Antas, escondidas em muitos St. Antão.
Como o nome indica, as Antas estão muito associadas aos monumentos megalíticos - dolméns, menires, habitualmente reportados à cultura celta, mas que seriam tão ou mais antigos do que este registo dos Zambujais!

Há ainda outros nomes, igualmente perdidos em antiguidades pré-históricas, associados a Mouros/Mouras.
São depois disfarçados em "Lendas de Mouras", mas não dizem respeito necessariamente às invasões árabes. O problema é que o povo Mauro/Mouro tanto habitava este lado da Península, como o lado africano, fazendo o salto das Colunas de Hércules. Chegou a haver uma Grande Mauritânia, que se estendia da Península pelo Norte de África... e nada tinha a ver com os mouros que depois nos vieram "visitar" de novo. Esses parece que, comparativamente, poucos estragos fizeram... mas da sua presença dificilmente encontramos uma mesquita de pé em território nacional - por cá sempre houve quem cuidasse em fazer desaparecer a história!

Como encaixa tudo isto?
Para encaixar isto, é preciso responder a uma questão simplesmente complicada!
Como saltamos dos artistas das pinturas rupestres de 30 000 a.C. para estes novos artistas que disseminaram a sua arte cerâmica por toda a Europa, por volta de 3 000 a.C. ??
- Não sei se ninguém reparou, mas é natural que os artistas tenham pensado noutras coisas, ou será que passaram 27 000 anos a pintar cavalinhos, mamutes, etc... e depois ficaram entretidos a levantar duas ou três pedras grandes?

É que o registo mais antigo dos Egípcios não é muito claro ser muito anterior a 3000 a.C., e já sabemos o que o Homem fez nestes últimos 5000 anos de registo histórico, mas não fazemos ideia do que fez nos 25000 anos anteriores, depois de pintar os cavalinhos com requintes de grande artista!

Seriamente, para quem na Síria mente, é muito aborrecido mencionar estes assuntos?

sexta-feira, 29 de março de 2013

WHC (4) Bhimbetka, Chauvet

As pinturas rupestres nas rochas de Bhimbetka, no centro da Índia, são um dos monumentos humanos classificados no World Heritage Convention (WHC) da UNESCO. Já falámos noutros 3 (Paisagem da Ilha do Pico, Villa Romana del Casale e Nemrut Dagi), este será o quarto escolhido, lembrando outras pinturas rupestres mais conhecidas, as da zona de Lascaux, de Altamira, ou ainda as da zona do Coa até ao Escoural.

Não sabemos se se trata de um outro caso isolado, mas curiosamente não há muitas pinturas rupestres que nos levem longe na memória da noite dos tempos. Para além das mais notáveis ibéricas, e especialmente do sul de França, temos alguns registos noruegueses, e estes indianos, na grande superfície euro-asiática. Há outros na América, África, Austrália, mas começaremos por falar nos registos indianos, que nos parecem menos conhecidos.

Bhimbetka (India)
A primeira imagem de Bhimbetka (Madya Pradesh, India) encontramos na página da WHC:

Sendo surpreendentes, não vemos aqui uma arte no traço como acontece em Altamira, Lascaux, ou no Coa. Estas pinturas foram datadas num período até 30 000 a.C., sendo algumas delas consideradas recentes, já dentro do período histórico, e até medieval. 
De acordo com a informação disponível na wikipedia, esta figuração que inclui invulgares imagens cavaleiros, poderá ser datada até 2000 a.C:
Fala-se ainda de representação de bisontes ou rinocerontes, como encontradas no registo europeu, mas incluindo-se ainda tigres, os felinos característicos do subcontinente indiano.

Chauvet, Lascaux, Altamira, Coa, etc.
A grande diferença face às pinturas rupestres europeias (Sul de França e Iberia) acaba por residir na espantosa precisão artística, que ainda hoje surpreende na datação, que nos remete a períodos entre 24 000 e 30 000 a.C., ou seja à época de aparecimento dos Cro-Magnon.
Os notáveis desenhos em Chauvet (sul de França) - bisontes, cavalos, rinocerontes.

"Cave of Forgotten Dreams", um filme de Werner Herzog (2010)

Chauvet será um dos conjuntos mais recentes a juntar à lista de Altamira, Lascaux, e Coa.
Remetemos para a página Arte-Coa, que inclui informação sobre outros locais nacionais (Escoural, Guadiana, Zezere, Ocreza, Fraga do Gato, Mazouco, Sabor), em Espanha (Altamira, Siega Verde, Domingo Garcia, Parpalló), e em França (Rouffignac, Lascaux, Chauvet, Cosquer).

O mais espantoso neste conjunto é que o traço artístico perfeito apareceu como característica quase inata em diversas localizações... deixando a questão de como se poderia ter perdido nalgumas civilizações muito mais avançadas, que se seguiram às tribos habitantes das cavernas.
Enfim, já falámos sobre este assunto no texto sobre a "Hera dos Cobres" (e pela sua actualidade, convirá lembrar que Chipre, a ilha sob investida dos "chiffres" da UE, deriva o nome do Cobre - Cuprus). E só por curiosidade, de Cuprus a Caprus, do Chipre ao chifre da cabra, aparece-nos uma cornucópia primitiva na paleolítica Vénus de Laussel (também Sul de França):
Cornucópia - Vénus de Laussel (~ 25 000 a.C.)
... e sobre as cornucópias de Cíbele também já nos pronunciámos.

Outros registos
O problema principal é que quando passamos para registos seguintes, notáveis, como Çatal Hüyük (~ 7000 a.C.):
... parece ter-se perdido aquele traço artístico, e vemos maiores semelhanças com o registo indiano, talvez precursor de Mohenjo-daro.
E já falámos de Gobekli-tepe um registo fora da habitual cronologia....
Ainda na zona europeia são de referir as inscrições noruguesas em Alta, embora mais recentes (~ 4000 a. C.).

Fora da zona europeia, são razoavelmente conhecidos outros registos de pinturas rupestres:



  • Serra da Capivara (Brasil), 
  • Entre os bosquímanos (África)
  • Entre os aborígenes (Australia)


  • __________________________________
    Notas adicionais [4/5/2013]

    1ª) As figuras na Serra da Capivara, encontrei-as pela primeira vez nestes posts do Portugalliae:
    que evidenciam alguma semelhança no estilo com estas pinturas indianas, dos bosquímanos, do Sahara, ou dos aborígenes.

    2ª) Este artigo pode ainda ligar com a questão da mobilidade humana, nomeadamente com a constatação de que a ligação na plataforma euro-asiática poderia ser feita, a pé, de uma ponta na Ásia à outra na Europa, em menos de um ano, por rotas seguras. 
    Acresce que a distância entre os locais ibéricos, e do sul de França, envolve distâncias que normalmente se fariam a pé no espaço de uma semana, e havendo contemporaneidade indicia tratar-se de uma mesma comunidade, ou no mínimo de comunidades que estavam em grande contacto.

    quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

    Degraus da Maia

    Na Ilha de Santa Maria (Açores), houve este ano uma competição desportiva intitulada

    "Subida dos Degraus da Maia
    Degraus da Maia (Sta. Maria, Açores)

    Primeiro, convém dizer que é uma excelente iniciativa para divulgar e proteger património, e depois levanta algum espanto pelas imagens conseguidas, quase lembrando outras escadarias maias...
    Tratam-se de escadarias de acesso aos "currais de vinha", nas fajãs entre Santo Espírito e Maia, na Ilha de Santa Maria.

    As construções em escada, definindo os tais "currais" onde são feitas as plantações em terrenos íngremes tornam-se num prodígio monumental de grandes dimensões, e espalha-se por Portugal, seja na região insular, seja no continente.
    O conjunto global definido na Ilha do Pico foi classificado na lista WHC:

    ... e dadas as fotos que vi, devo dizer que me impressionam mais os "degraus da Maia".
    No entanto, olhando por dentro o documento de candidatura (muito bem feito), encontramos já algo mais interessante, vemos a extensão de pedra que constituem aquelas construções quadriculadas:

    E não deixamos de fazer notar um pormenor, que aparece na página 81. Realçando os trabalhos de alvernaria em basalto, encontram-se estas inscrições:
    Ora, no contexto da história conhecida da Ilha do Pico, o ANO 682, apenas se poderá referir a 1682, e na pedra seguinte aparece "I682Z", não podendo ser 16822... parece insistir no "fazer 682".
    Como já se sugeriu que os Açores fossem as romanas ilhas Cassetérides, e dada o achado de moedas fenícias nas ilhas açorianas, não é de excluir que as ilhas fossem habitadas mesmo em 682 por população lusitana-sueva.

    Regressando aos "Degraus da Maia", é bem sabido que nas antigas representações de portulanos apareciam as misteriosas ilhas Brasil, Maida, e outras. 
    - A semelhança de Maida com o nome Maia é evidente, e podemos conjecturar que inicialmente se possa ter referido à Ilha de Santa Maria, atendendo a que mantém uma região com o nome Maia. Poderia referir-se até ao conjunto São Miguel e Santa Maria, pois por vezes fala-se em duas Maidas.
    - No artigo que citei sobre a Ilha Brasil, aparece uma outra associação interessante, que é existir ainda um Monte Brasil em Angra do Heroísmo, e portanto a "Terceira" teria perdido o nome original para uma enumeração "Terceira". Brasil vem ainda de "brasa", podendo referir-se à actividade vulcânica, ainda presente no Faial. 

    De qualquer forma, essas ilhas "fantásticas" foram aparecendo em mapas até mesmo ao início do Séc. XX, numa altura em que as navegações transatlânticas eram muito frequentes, levando um sem número de imigrantes para os EUA. Por isso, não é de excluir por completo que tais formações não existam mesmo... se atendermos à quantidade de segredinhos que permanecem, nada mais fácil que não mencionar ilhas que não estão nas rotas autorizadas aos navios. Não é muito provável, mas não é impossível.

    Conforme referi aqui, ainda que originalmente se possam ter referido a ilhas existentes, as designações Maidas, Brasil, Verde, etc... passaram a servir muito mais como codificações de terras desconhecidas, apontando nos mapas pontos de referência para direcções de navegação, e não propriamente ilhas verdadeiras.

    É claro que Madeira e Açores devem ter sido navegados e talvez povoados mesmo na Antiguidade. Da mesma forma que os polinésios navegaram pelo Pacífico, estabelecendo-se nas mais variadas e dispersas ilhas, os europeus tinham maior capacidade de o fazer no mais pequeno Atlântico. Há uma questão de bom senso que se sobrepõe às outras considerações documentais de propositada ocultação. A tentativa de ocultação no caso das Canárias levou à dizimação dos Guanches, povo que habitava as Canárias, à altura de invasão espanhola - uma assinatura de holocausto que depois se veio a repetir com Aztecas e Incas.

    Acresce que os portugueses terão sido apenas os que se estabeleceram definitivamente nas ilhas, mas restam nomes que indicam outras proveniências, é o caso da zona da Bretanha, na Ilha de São Miguel. O sotaque carregado típico dessa ilha será talvez pronúncia estrangeira ou deslocada da nossa língua. Nas restantes ilhas dos Açores isso não ocorre.
    As investigações recentes nos Açores da APIA (que aqui falámos), tiveram uma resposta oficiosa por parte de Francisco Maduro Dias, presidente do Instituto Histórico da Terceira, que identificou as construções como obras militares dos Séc. XVI ou XVII. E, como é sabido, estes processos entram facilmente em controvérsia académica, a menos que as provas apresentadas tornem evidente a origem. 
    Assim, mais do que qualquer outra prova, aquilo que favorece a tese de pré-ocupação das ilhas da Macaronésia é a sua probabilidade elevada no contexto de navegações de povos marítimos, gregos, fenícios, ou romanos, e o contraponto com a colonização polinésia ocorrida no Pacífico.

    segunda-feira, 2 de julho de 2012

    Cão Grande e monólitos

    Quem visitou o Rio de Janeiro não pode deixar de se impressionar com a imponência dos morros, enormes monólitos que se erguem quase do nada, entre os quais o Pão de Açucar será o mais famoso mundialmente. De entre os monólitos temos ainda a famosa Torre do Diabo (Devils Tower, Wyoming),    associada ao filme "Encontros do 3º Grau", que serviu o imaginário da ficção científica, levando a ligação de monólito de "2001, Odisseia no Espaço" a uma formação geológica particular. 
    Igualmente famoso e místico temos o Uluru (Ayers Rock) ou o Monte Augustus (Austrália).

    Podemos continuar com o famoso Rochedo de Gibraltar, com o El Capitan (Yosemite Park), ou ainda com as Torres del Paine (Patagónia, Chile).
    Encontrei um link que fez uma classificação dos 10 maiores monólitos do mundo... 
    Claro que estas "classificações" têm alguma subjectividade, mas encontram-se formações menos conhecidas internacionalmente... sendo claro que não são desconhecidas dos habitantes locais, e dos turistas acidentais. Não me lembro de ter ouvido falar de: 

    Estes exemplos mostram como se sabe pouco da maioria dos países "não importantes", apesar da importância que os locais atribuem aos seus monumentos.
    Ainda que não constem da lista Top10, mesmo na Europa, também há formações notáveis que não têm propriamente uma grande divulgação (por exemplo, o Mont Aiguille, ou o Ben Bulben), ao contrário de outras (por exemplo, o Monte Cervino).

    Porém, há uma (aliás várias...) formação rochosa em S. Tomé e Príncipe que surpreende por completo!
    Falamos do enorme monólito vertical (663 m) que é o Pico do Cão Grande (o maior, mas há outros). 


    Pico do Cão Grande e formações fálicas semelhantes (Ilha de S. Tomé).

    A propósito do "alinhamento piramidal" já tínhamos aqui falado de S. Tomé e Príncipe, do Ilhéu das Rolas, e ninguém duvidaria do esplendor das suas praias tropicais... porém, estes incríveis monólitos surpreendem pela sua elevação abrupta, batendo os restantes da lista do Top10... só se lhes assemelha o o Morro do Pico (Fernando de Noronha), que também se ergue mais de 300 metros na vertical:
    Morro do Pico (Fernando de Noronha, Brasil)

    Mesmo assim, a forma como se ergue o Cão Grande, ou os outros monólitos de S. Tomé, é bem mais notável, desafiando não apenas a geologia, mas também a gravidade.
    Sendo o turismo uma indústria importante nos tempos modernos, seria de perguntar por que razão S. Tomé não se apresenta como destino mostrando aquelas fotos... porém, há até alguma dificuldade em encontrá-las! Parece que se trata de mais um segredo... de Polichinelo, é claro!

    As navegações portuguesas parece que estiveram na rota destes monólitos... e os franceses insistiram bastante na vontade de tomar como sua a zona do Rio de Janeiro, a que chamaram curiosamente "França Antártica".  Primeiro entre 1555-60, depois durante a Guerra de Sucessão Espanhola entre 1710-11. Se havia algum "destino monolítico", compreende-se que não se quisesse divulgar os monólitos de S. Tomé, autênticos arranha-céus rochosos no meio da selva (maiores que o Empire State Building...). Acrescente-se a isso esta imagem do Pico Mesa, numa ilha do Príncipe, igualmente notável 
    Ilha do Príncipe: Pico Mesa (imagem daqui)

    Terminamos com uma imagem do estudo geográfico de F. Tenreiro (1961), sobre a diagonal dos Camarões:

    onde se evidencia a ligação entre o Monte Camarões (conhecido com Carro dos Deuses na Antiguidade) e as diversas ilhas: Fernando Pó, Príncipe, São Tomé, e Ano Bom (Annobon). 
    Não é de excluir que havendo um "Cão Menor" e um "Cão Grande" estes nomes possam estar algo relacionados com as constelações, sendo Sirius a principal estrela de Canis Major. 




    Nota: encontrei acidentalmente estas imagens, tendo encontrado um Ilhéu das Cabras em S. Tomé, quando procurava informação sobre o Ilhéu das Cabras dos Açores, devido a este post (Delito de Opinião).

    segunda-feira, 31 de outubro de 2011

    WHC (1) Nemrut Dagi

    Na Turquia e na Grécia restam a maioria dos monumentos significativos da Antiguidade.
    Um deles é Nemrut Dagi, onde se vêem impressionantes cabeças do que foram outrora estátuas completas.
    Monte Nemrut, Turquia 

    Águia no "templo de Antíoco I".

    Este é o primeiro de alguns apontamentos sobre os sítios UNESCO - WHC (World Heritage Center).
    Não se trata de reportar o conhecido... para isso aconselho a visita ao sítio da Unesco, e aconselho mesmo, pois há muitos monumentos classificados e que estão longe de ser muito conhecidos!

    Também não se trata aqui de elaborar grande sustentação sobre uma nova teoria...
    ... este blog é mais pessoal que o Alvor-Silves, e neste tópico darei a minha opinião mesmo sem ser politicamente correcta ou muito fundamentada em factos objectivos.

    Sobre este conjunto de cabeças de estátuas arrancadas e colocadas num monte remoto, apetece apenas fazer uma conjectura simples:
     - A necessidade de ocultar registos históricos anteriores levou a uma estratégia dos impérios que tomaram conta dos destinos mundiais - criar um autêntico museu na Turquia. Aí foram depositando o que restava de civilizações anteriores, espalhadas pelo globo. O excesso de registos naquela parte, muitas vezes em sítios inóspitos, e a quase ausência de monumentos na mais amena e produtiva Europa teria assim uma explicação concreta. O que foi sendo encontrado foi esse transporte de monumentos de várias partes para uma mesma localização. Assim se explicaria a concentração de ruínas e reinos concentrados na Ásia Menor e Medio Oriente, em sítios onde provavelmente nunca ninguém terá habitado, tal como hoje não habita.
    - Na fase seguinte, pós-descobrimentos quinhentistas, ou seja a partir do Séc. XVII as peças encontradas nas Américas e depois na Austrália, tiveram outro destino... a Antártida.
    Até que fosse possível ocultar a quase totalidade dos monumentos, destruindo a maioria, mas preservando os mais importantes, os descobrimentos estiveram praticamente parados. À rápida expansão na transição de 1500, poucas décadas depois era praticamente claro que o trabalho de ocultação levaria alguns séculos a ser feito. Só foi completado simbolicamente na viagem de Cook, e a ocultação final e completa terá sido levada a cabo nas expedições inglesas e escandinavas.

    Nesta conjectura, a maior restrição às actividades no enorme continente gelado - a Antártida, será essencialmente uma restrição para preservar fora dos olhos da população tudo o que poderia revelar os enormes vestígios de um nosso passado que nos foi ocultado, e sobre o qual só saberemos alguma coisa pelos registos míticos.

    terça-feira, 27 de setembro de 2011

    Pirâmides Romanas (de Remo e Rómulo)

    É habitual falar-se das pirâmides egípcias, aztecas, maias, entre outras novas... mas não das romanas!

    Apesar de ser conhecimento certamente comum dos habitantes de Roma, a Pirâmide de Céstio (Cestius), construída no tempo de Augusto, não faz parte dos mais populares roteiros e monumentos da cidade de Roma.
    Dir-se-à que Roma tem muitos monumentos, etc. (há sempre muita imaginação argumentativa), mas é notável existir em Roma uma pirâmide com quase 40 metros de altura (aprox. 12 andares), que é ignorada pela maioria da população mundial. Mesmo os mais fanáticos por pirâmides, acabam por esquecer esta!
     
    Imagens da Pirâmide de Cestius em Roma,
    que é "atravessada" pelas muralhas de Aureliano.

    Outro facto que parece notável é estar escrito que a pirâmide demorou menos de um ano a ser construída, sendo que a data de construção será pouco anterior ao nascimento de Cristo, mais precisamente é datada entre 18 e 12 a.C.

    Não é um monumento de nenhum imperador ou general! - é suposto ser o túmulo de um magistrado.
    Parece algo estranho tal túmulo para um personagem menor de Roma, especialmente porque nada de semelhante dimensão restou do Imperador Augusto, seu contemporâneo, e o mais influente imperador na História de Roma.

    Mais estranho ainda é a pirâmide não ser caso único...
    Havia um par, denominado Pirâmides de Remo e Rómulo - lendários fundadores de Roma.

    Esta seria a Pirâmide de Remo, quanto à Pirâmide de Rómulo...
    A Pirâmide de Rómulo, mais próxima do Vaticano, começou a ser destruída em 1499, quando o Papa Alexandre VI (o papa castelhano que negociou o Tratado de Tordesilhas) decidiu usar pedras para construir o novo bairro, chamado Borgo Nuovo. Ao que parece em 1518 ainda restavam pedras... mas depois desapareceu por completo! (**)


    O símbolo do Borgo Nuovo 
    pode lembrar as pirâmides com a esfínge deitada,
    assinalando talvez a destruição da Pirâmide de Rómulo.  

    Não encontrámos nenhuma imagem associada à Pirâmide de Rómulo... que aparentemente seria maior e mais bela do que a de Pirâmide de Remo, ou seja a Pirâmide de Céstio - a única que restou e que se encontra em algumas (poucas) imagens antigas. Não é assim tão estranho não encontrarmos imagens, já que apesar de todos os Leonardos, Rafael, Miguel Angelo, etc... também não nos lembramos ter visto imagens do Coliseu, ou de vários outros monumentos. Encontrámos uma reconstrução de Roma feita com base documental em 1773, que mostra claramente uma pirâmide, em primeiro plano, e duas outras, mais afastadas:

    Podemos suspeitar que as pirâmides de Remo e Rómulo sempre lá estiveram... ou seja, foram elas a razão de Roma ter aparecido ali com aquela lenda. Podemos suspeitar que a atribuição do nome a Cestius, ligado ao magistério sagrado dos Epulones, foi afinal uma simulação à época de Augusto, um dos "supressores de memória".
    A destruição da pirâmide de Rómulo pelo Papa Alexandre VI Bórgia insere-se assim perfeitamente neste esquema de ocultação, e só será mais estranho que o Papa Alexandre VII tenha decidido recuperar a Pirâmide de Remo, e que esta tenha acabado por resistir pelo menos 2 milénios, tal como as de Gizé.

    Apesar desta pirâmide ser inferior a qualquer uma das três de Gizé, não deixa de ter uma dimensão notável, que a coloca próximo da dimensão da Pirâmide da Lua no México:



    Se olharmos para este gráfico de pirâmides, não deixa de ser ainda interessante notar que a mais alta está na Coreia do Norte, em Pyongyang, no Hotel Ryugyong. O facto de não sabermos que existia tal coisa monumental na Coreia do Norte, perceber-se-à no contexto do "Eixo do Mal" com que fomos presenteados.


    (**) Outra informação sobre a Pirâmide de Rómulo neste texto:
    Meta Romuli: a name sometimes given in the Middle Ages to a pyramidal monument that stood between the mausoleum of Hadrian and the Vatican (Mirab. 20, ap. Urlichs 106: sepulcrum Romuli quod vocatur meta; Graphia 16, ap. Urlichs 119).1 It was called meta alone (see references in LS I.161, 186-189; DAP 2.viii.1903, 383-384; memoria Romuli (Ordo Benedicti in Lib. Cens. Fabre-Duchesne,º ii.153; Mon. L. I.525); Ant. di Pietro ap. Muratori SS xxiv.1038, 1040, 1062 (1413-1417 A.D.)); and sepulcrum Remuli (Anon. Magl. ap. Urlichs 161: meta quae ut dicitur fuit sepulcrum Remuli qui mandato Romuli in Iano mortuus fuit: et de meta praedicta sicut iam dixi dubitoque non fuit Remuli per Romulum facta, quia illis temporibus Romulus et sui non erant tantae potentiae). Magister Gregorius calls it pyramis Romuli (JRS 1919, 42, 56). At the beginning of the Renaissance it was also incorrectly called Sepulcrum Scipionis (q.v.). The name meta Romuli was probably given to this monument because the pyramid of Cestius (q.v.)  had in some way come to be called meta Remi. It is described as larger than the pyramid of Cestius and of great beauty. From its marble slabs were made in the tenth century the pavement of the Paradiso of S. Peter's and the steps of the basilica. It stood at the intersection of the Via Cornelia and the Via Triumphalis, on the east side of the latter (DAP cit. 383-387), and its southern part was removed when Alexander VI constructed the Borgo Nuovo in 1499 (LS I.126). The rest stood until 1518 at least (LS I.161, 186-189). The monument therefore covered the Borgo Nuovo and the Via di porta Castello at their intersection (besides the literature already cited, see Mon. L. I.525; BC 1877, 188; 1908, 26-30; 1914, 395-396; Jord. II.405-406; HJ 659; Becker, Top. 662. It may be seen in various medieval and early Renaissance views of Rome (LR 560, fig. 214; Cod. Esc. 7v.)