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sábado, 26 de abril de 2014

Nebulosidades auditivas (12)

Fernão Capelo Gaivota 

Jonathan Livingston Seagull
The New York Times, July 3, 1974 
Des Moines, Iowa, July 2 - John H. Livingston, the man who inspired the best-selling novel "Jonathan Livingston Seagull," died Sunday at the Pompano Beach (Fla.) Airport soon after completing his last plane ride. Richard Bach, a former Iowa Air Guard pilot, has said his best-selling book about a free-wheeling seagull was inspired by Mr. Livingston. (...)

Se Richard Bach se inspirou no piloto americano, a tradução portuguesa foi muito clara...
... ao (David) Livingstone, associou o (Hermenegildo) Capelo.
Acrescentou ainda um Fernão (entre muitos, provavelmente o Magalhães).
Os espanhóis também evitaram o nome Livingston, e usaram Juan Salvador Gaivota. Casos únicos.

A pequena história de Richard Bach de uma gaivota, gull, mas seagull e não portgull, passa a filme de sucesso mundial em 1973, usando uma banda sonora de Diamond... Neil Diamond:
Lost, on a painted sky, where the clouds are hung
For the poet's eye, you may find him, if you may find him

Assim, juntando ao poema marítimo "a life on the ocean wave", em 1974, tudo está pronto para uma outra canção "revolucionária" - Somos Livres... mais conhecida pelos versos:
Uma gaivota voava, voava, asas de vento, coração de mar.
Como ela, somos livres, somos livres de voar.
... registo único conhecido de Ermelinda Duarte.

1973 é um ano marcante.
- Para Portugal, a visita de Marcelo Caetano a Londres, que acabara de entrar na CEE, pode ter assinalado o fim do regime. Creio que Salazar nunca saiu de Portugal - só se foi a Espanha comprar caramelos. Mas é também um ano em que se fundam o macavenco PS de Soares, e o expresso do "pilgrim" Balsemão. Dois personagens que vão definir os partidos do "arco" do seu governo.
- É o último ano de "visitas lunares".
- É o ano da Crise Petrolífera, que abala a economia internacional, e afectará muito Portugal. 
- É o ano de inauguração do World Trade Center, das torres gémeas. 
- Nixon abre as portas com uma visita à China, começa a retirar tropas do Vietname, e será afastado pelo caso Watergate. Se Nixon foi afastado, Kissinger manter-se-à bem activo. Recebe o Prémio Nobel da Paz pelos acordos de Paris, que levariam à retirada dos EUA do Vietnam.
- Em contraponto, Allende é morto no golpe militar chileno... 

Os estados ibéricos procuravam manter os anacrónicos regimes que sobreviveram à 2ª Guerra, Franco era substituído por Carrero Blanco, mas esse será assassinado pela ETA no mesmo ano. Está lançado o ataque contra o "fascismo" na Europa... ao mesmo tempo que é apoiado no Chile.

Pensar que a comunidade internacional, muito em particular, americanos, e sobretudo ingleses, se alhearam do assunto, e que foi uma iniciativa local, parida por uns insatisfeitos capitães de Abril, é um mito que interessou preservar.
A liberdade da gaivota do seu voo é muito condicionada pelas correntes de ar, e os seus objectivos podem ser facilmente distraídos por uma embarcação cheia de peixe... como ela, somos livres, mas nem tanto quanto isso!

Na Ópera Otelo, o alferes Iago fica melindrado com a promoção a tenente de Cássio pelo General Otelo, e inicia uma série de intrigas... 
Salgueiro Maia soube sair de cena no 25 de Abril, e apesar do seu papel fulcral não foi um dos promovidos, só passando a Major em 1981, ao contrário de outros que rapidamente passaram de capitães a generais.

Por vezes, nem tudo o que é previsto acontece, e a ópera Otelo não foi encenada em Portugal... houve outras operetas, outros cantos de cisne, e a revolta deu a volta prevista.

Este postal não foi feito no 25 de Abril, dia de muitos anónimos, simbolizados no nome de Maia, Salgueiro Maia. Não sabiam tudo ao que iam, mas iam por bem... e essa simples diferença, faz muitas vezes a diferença.

Nota adicional
As coisas são como são e valem o que valem.
Pouca gente conhece Salgueiro Maia pelo primeiro nome... Fernando.
Comecei o post anterior pelo A de ABBA, e é melhor acabar este da mesma forma, deixando os B's pelo meio.
There was something in the air that night, the stars were bright Fernando 
They were shining there for you and me, for liberty, Fernando

Björn Ulvaeus terá dito que era uma canção sobre revolucionários mexicanos, e a referência ao "rio grande" pode sugerir isso. Mas, enfim, ainda que os ABBA nunca tenham vindo actuar em Portugal... em 1975 não seria a revolução que estaria mais na mente de um grupo que tinha acabado de ganhar o festival da canção dias antes em que Fernando ouvia o "E depois do adeus", e avançava com as tropas de Santarém a Lisboa, pelo curso do grande rio.
Ao que parece, a canção era só de Frida, e passou a ferida revolucionária com o nome "Hernandez", mas o nome foi mudado para "Fernando", por aquilo a que se chama "espírito santo de orelha":

Originally named "Hernandez", the writers made last-minute changes to the title before recording. The suggestion of the name "Fernando" was given by their limousine driver Peter Forbes in Shepperton, England. Tony Fernando, a wealthy exports director for celebrities such as Princess Anne and Tom Selleck, was a friend of Peter Forbes.

Roger that. Oscar. Bravo. Over and out.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Nebulosidades Auditivas (11)

A ocasião é de ser festivaleiro...
Oooohhh! - It's Napoleon. 
Napoleon, no wonder their song is called Waterloo...
... really entered in the spirit of it all dressed as Napoleon.

ABBA
My, My, at Waterloo Napoleon did surrender... 
The history book on the shelf, is always repeating itself

Dia 24 de Abril de 1974.
Pouco antes, dia 6 de Abril, Paulo de Carvalho tinha ficado em último lugar no festival da Eurovisão.
O até aí desconhecido grupo sueco ABBA ganhava o concurso, o início de uma história de sucesso.
A França, habitual vencedora, no tempo da "chanson française", não participa no concurso - a razão, Pompidou, presidente em exercício, morre. Em respeito às cerimónias fúnebres que se realizam naquele dia, a França decide retirar a sua participação.
Se a ocasião parece fúnebre para os franceses, será apenas irónico ganhar Waterloo, ou será um pouco mais do que isso, o maestro Waldoff aparecer vestido de Napoleão, sabendo-se que os franceses estavam em "retiro"?

A vitória dos ABBA marca praticamente o fim da "chanson" e começa a dinastia "song".
As vitórias de 74, 75 e 76 são de "songs" cantadas em inglês.
Como outro pormenor curioso, o festival de 1974 era suposto ser realizado pelo país vencedor, mas como o Luxemburgo ganhara novamente, passou para a Inglaterra... acrescentando um toque adicional à derrota napoleónica em Waterloo. Em 1977, a França ganha... com Marie Myriam, filha de portugueses, e foi esta a única meia-vitória que a nação tanto procurava no Eurofestival.

Isto não teria importância, não fora a enorme importância dada ao Festival em Portugal, e mesmo na Europa dos anos 60 e 70.
Isto não teria importância, não fora o movimento armado escolher a canção de Paulo de Carvalho como código inicial para o 25 de Abril.

Nada a dizer. Tinha havido alguma polémica, pois "No dia em que o rei fez anos" - Green Windows  tinha colhido favoritismo, mas como vencedora a canção passaria despercebidamente, e só a passagem de Grândola, de Zeca Afonso, na Rádio Renascença seria já algo estranho.

Se o movimento do 25 de Abril tivesse abortado, nunca saberíamos que a programação das músicas na rádio portuguesa poderia servir códigos revolucionários... e quem associasse algo de estranho passaria por alucinado das teorias da conspiração.
Só que neste caso havia mesmo uma conspiração em curso, contra o regime.
Por isso, as teorias da conspiração só o são até ficar evidente que podem ser mais do que "teorias"...
Neste caso a teoria viu-se na prática.

Ora... estava o movimento revolucionário tão no segredo dos "capitães", no dia do Eurofestival?
O Golpe das Caldas, a 16 de Março, tinha deixado a situação bem visível, e só não teria tido entrado na alface, por falta de resposta das outras unidades. Marcelo Caetano convocou as elites militares, a chamada "Brigada do Reumático", mas o problema não estava nem nos generais, e ao contrário do que se pretende passar, também não estava nos capitães. O problema vinha de fora, e a visita a Londres de Marcelo Caetano em 1973 só terá servido para avaliar que a resposta de Marcelo seria pacífica.

Conforme podemos ver nalguns blogs, o hino do MFA, nada mais é do que "A life on the ocean wave", um hino militar do Séc. XIX, escrito pelos americanos Epes Sargent e Henry Russell, e que ficou popular na Inglaterra, conforme se pode ver nesta introdução de um interessante filme da BBC sobre a Guerra das Malvinas. Começa o filme e parece que vamos ouvir um comunicado do Estado Maior das Forças Armadas... (**)

A LIFE on the ocean wave, | A home on the rolling deep,  
Where the scattered waters rave, | And the winds their revels keep:  
Like an eagle caged, I pine  |  On this dull, unchanging shore:  
Oh! give me the flashing brine,  | The spray and the tempest's roar!
 
 Once more on the deck I stand  | Of my own swift-gliding craft:  
Set sail! farewell to the land!   The gale follows fair abaft.  
We shoot through the sparkling foam  | Like an ocean bird set free;—  
Like the ocean bird, our home   |  We'll find far out on the sea.  
  
The land is no longer in view, | The clouds have begun to frown;  
But with a stout vessel and crew,  | We'll say, Let the storm come down!
And the song of our hearts shall be,  | While the winds and the waters rave,  
A home on the rolling sea!  A life on the ocean wave!

Uma parte da Igreja sabia do que se ia passar, uma parte do Exército sabia do que se ia passar, e creio que só o povo e boa parte do Governo e das elites é que não sabiam... Por isso, como em todas as revoluções, a medida foi a da inacção e não do sucesso da acção. O regime praticamente não reagiu.

Assim, os serviços secretos estrangeiros estavam mais do que carecas de saber... estavam apenas a avaliar a tensão nos fios das marionetas, para que nada se partisse muito.
Quando as coisas começam a resvalar no período quente de 1975, temos o maestro Pedro Osório e o cantor Duarte Mendes a chegarem de cravo ao peito ao festival
Discreto, mas simbólico.

Em 1976, a situação já está controlada, mas como resquício a RTP organizara o festival apenas com Carlos do Carmo... ele seria sempre o vencedor, só ficou por escolher a canção que levava.
Pois, houve tempos assim...
Em resposta, os ingleses Brotherhood of Man e o maestro, chegam de cravo ao peito, tal como tinham feito os portugueses em 1975.
Discreto, mas simbólico. Save your kisses for me... foi o título vencedor


Mas não vou terminar com a "song", como dos cravos e cravas, passamos ao francês giroflé e giroflá, regresso à "chanson", e recupero o postal que fiz sobre o Giroflé, Giroflá:

... e, entrada a hora, termino com uma música de Zeca Afonso...
Índios da Meia-Praia (Zeca Afonso)

... por razões que ficam pelo meio de Alvor e Lagos, e por letras que cantam a mais que um tempo, nem sempre com o significado literal, pois o tolo no barco é toro (01:46).

_________________________
(**) Actualização (25/04/2016)
Foi substituído o link do vídeo com o documentário da BBC (que desapareceu entretanto do Youtube), por um vídeo semelhante da ITV, com o regresso do "SS Canberra, the Return, July 11, 1982", um navio com mais de 2 mil marines que haviam participado na Guerra das Malvinas, e que eram recebidos em glória, em Southampton.
Ainda sobre este assunto ver, por exemplo isto ou isto.
 (10/06/2019) Outras actualizações de vídeos desactivados - nomeadamente Girofle, Girofla.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Nebulosidades auditivas (9)

Da confusão dos mitos americanos afundados entre o sonho e a realidade, entre o caos e a ordem, entre a degradação e o puritanismo, entre as armas e a paz, entre a liberdade e as restrições, surge uma aguda voz angélica num tom grave, capaz de provocar ou pacificar o mais severo ouvido - Elizabeth Grant, mais conhecida como Lana del Rey.
É ela que dá voz à mais recente repiscagem da Disney: Malefica.

Quando uma frequência me apanha, sou capaz de analisá-la ao mais pequeno detalhe, vezes sem conta. Todos os pormenores contam, e potencialmente podem revelar algo, para além da intenção do artista.
Um vídeo corre em poucos minutos, mas a sua produção é pensada em muitos dias... que aspectos são ocasionais ou propositados?
Lana Del Rey - Ride

No vídeo de Ride, não se conta a história de Elizabeth Grant, estudante de filosofia que enveredou por uma carreira musical... conta-se talvez a estória da entretanto nascida "Lana Del Rey".
O vídeo mereceu comentários de detalhe:

e vou focar mais outros tantos, por exemplo:
00:00 - as letras de RIDE desaparecem, pela ordem IERD, ao contrário, D REI.
00:05 - a suspensão da grua (ou do céu...), Miley Cyrus usou o modelo?
00:37 ... sobre os bikers, o deserto do Nevada, perto de Las Vegas, podemos aqui ver um dos móteis, onde decorreram as filmagens.
01:12 - o anúncio DAD'S, na loja 1102.
01:16 - "Prosecuted" numa porta, Freedom na outra, e é claro Money Transfer, Money Order.
01:52 - "Money Orders", graffiti na parede, ironizando o anúncio do banco.
02:29 - o mesmo graffiti quando entra no carro.
03:37 - abertura das hostilidades, anúncio no NeptunE (Seattle, onde Lana estreou) e o tridente no E.
03:40 - mãos com enormes unhas...
04:10 - o que resta dos guerreiros após Iwo Jima?
04:13 e 04:27 (brinco com cruz) - uma frase atribuída a Sinclair Lewis
           When fascism comes to America, it will be wrapped in the flag and carrying a cross. 
           A T-shirt usa uma ironia "Buttwiser - King of Rears" e não "Budweiser - King of Beers"...
04:33 - Bonus ONU
04:41 - "Fatal Charm (fo)Replay Lana Del Rey... Fiasco Shots Finger Tigh"
04:47 - Dad's?
04:48 - a mencionada foto do motel
04:52 - Dad's?
05:24 - "Heat(re) Resents A Del Rey"
05:49 - The Wall e 05:57 temos 13
06:22 - "Please Pay First" ... e o sinal "do not smoke..."
07:40 - a dona das grandes unhas

Nesta lista há alguns efeitos casuais ou são todos propositados?
Quer Anthony Mandler, realizador, quer Lana del Rey, autora, aparentam saber perfeitamente o que estavam a fazer.
Nada a dizer. Este é um vídeo invulgar, muito bem feito, mas normal... não parece trazer nada de estranho, que não fosse intenção de quem o fez. Nem sempre se vêem (ouvem) ilações acima da linha do visível (audível), e este é um bom exemplo para referência de controlo da percepção. Tudo normal.

É claro que todo este paleio estranho é mera desculpa para invocar a cantora excepcional. 
Young and Beautiful exibe esses dotes, e veja-se o vídeo aos 00:54 na pirâmide invertida da orquestra, por relação a um vídeo anterior Video Games, ao momento 00:16, aí conduzida por um cartoon.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Os pequenos vagabundos e os velhos moribundos

A pequenada gostou sempre de aventuras com clubes, códigos, mistérios, etc... nesse sentido eram imprescindíveis os livros dos Cinco, dos Sete, e nas suas versões portuguesas mais recentes apareceram o Clube das Chaves, etc. Depois, num estilo que mistura a magia trivial com a típica snobeira inglesa dos colégios, fez grande sucesso o Harry Potter.
Porém, uma das séries de aventuras, que deixou marcas numa geração foram

Era algo natural surgirem espontaneamente estes clubes de jovens, prontos a definirem os seus códigos, as suas regras, e prontos a aventuras para além do conhecimento dos pais... 
Havia também outro tipo de clubes, de alguma forma institucionalizados, hierarquizados, destacando-se os Escuteiros, criados pelo barão Baden Powell
A flor-de-lis - símbolo dos escuteiros

A adopção da flor-de-lis por Baden Powell tem razões conhecidas, mas não deixa de ser algo estranho um inglês ir adoptar o velho símbolo da monarquia francesa, remontando ao tempo dos Capetos
A própria simbologia da flor-de-lis acabou por ser extensamente usada pela Ordem de Avis, e incorporada na bandeira nacional ao tempo de D. João I, mestre de Avis.

Se o símbolo foi uso dos Capetos, ou dos capetas, o que é sabido é que este tipo de códigos são um prolongamento das brincadeiras juvenis para a idade adulta. Com um problema, estes clubes passam a ter um âmbito mais global, e não são tão inofensivos e inocentes nas suas acções. As driaburas de um clube infantil não causam o mesmo tipo de consequências que as infantilidades de clubes de adultos.

Entre esses clubes de adultos, e esquecendo os derivados, como o Lions ou o Rotary, ou as simples fraternidades universitárias americanas, o clube que se impôs mais a nível mundial, e que mantém segredos, códigos, cumprimentos e sinais secretos, bem como outras tantas coisas típicas de clubes de garotos, é sem dúvida a Maçonaria.

A Maçonaria tem mais ou menos uma face visível, mas o negócio está no segredo.
De entre o que é conhecido, podemos ver uma folclórica hierarquia cheia de vestes carnavalescas e muitas medalhas, símbolos, e nomes pomposos.

Como somos afectados pelo samba deste desfile carnavalesco, interessará conhecer alguns nomes.
Podemos vê-los na figura acima, onde se divide o rito escocês do rito de York, havendo equivalências entre as ambas.

O olho do G (GAU ou GADU)  está a ver, e vê então a seguinte hierarquia:

33. Sovereign Grand Inspector General (Order of Knights Templar)
32. Sublime Prince of the Royal Secret
31. Grand Inspector Inquisitor Commander
30. Grand Elect Knight K+H 
29. Knight of St. Andrew (Order of Knights of Malta)
28. Knight of the Sun
27. Commander of the Temple
26. Prince of Mercy
25. Knight of the Brazen Serpent (Order of the Red Cross)
24. Prince of the Tabernacle (... super excellent master)
23. Chief of the Tabernacle (... select master)
22. Prince of Libanus (... royal master)
21. Patriarch Noachite
20. Master Ad Vitam
19. Grand Pontiff
18. Knight of the Rose Croix
17. Knight of the East and the West
16. Prince of Jerusalem
......... [Shrine], [W.S.of Jerusalem] [AAONMS]
15. Knight of the East or Sword
......... [Daughters of the Nile] [Amaranth]
14. Grand Elect Mason
13. Master of the Ninth Arch
12. Grand Master Architect
11. Sublime Master Elected
10. Elect of Fifteen (Paxt Master)
09. Master Elect of Nine
08. Intendent of the Building
07. Provent and Judge
......... [Tall Ceddars of Lebanon] [Order of the Eastern Star]
......... [Grotto (MOVPER)] [Job's Daughters] [Rainbow Girls] [Order de Molay]
06. Intimate Secretary
05. Perfect Master (Mark Master)
04. Secret Master
03. Master Mason
02. Fellowcraft
01. Entered Apprentice

Os links remetem para a obra Morals and Dogma (1871) de Albert Pike
As designações podem variar um pouco, mas não muito, porque há normalmente um conservadorismo em quem se dedica a continuar o legado passado.
Portanto, a situação passa dos pequenos vagabundos em volta de um castelo sem nome, para velhos moribundos cujo recreio para brincadeiras é basicamente toda a sociedade humana.

Coloco agora os links sobre as organizações ali listadas e que dependem da maçonaria explicitamente:
Depois, é claro há toda uma panóplia de organizações derivadas, ou associadas, e é praticamente claro que toda a organização criada, seja de que âmbito for, de pacifistas a clubes de futebol, acaba por ter membros ligados à organização das organizações. Se não tem no início, assim que ganha dimensão e importância passará a ter... pelo simples facto de ter membros, e esses membros reservarem mais uma obediência do que outra.

Bom, mas este post não era sobre a maçãos, nem maçãs, nem sobre a dualidade entre ter massa e levar com a maça. Há organizações que podem fazer sentido, ainda que os métodos, o folclore, e as suas acções possam ser muito discutíveis. 

Basicamente, foi um pequeno pretexto para relembrar os Pequenos Vagabundos, e também para terminar com uma alusão, não aos Altos Cedros do Líbano, mas sim aos Human League... simplesmente porque há frequências que me tocam mais que outras:
Human League - Lebanon

segunda-feira, 10 de março de 2014

Questão do QU

Há um problema de longa data com o C.
CE não é QUE, CI não é QUI.
Pode ser da lua crescente, ou minguante... se mente, mas está presente.
Por herança latina, o Q não aparece isolado, associa-se inevitavelmente ao U.
É esta a Questão do QU.
QU ... ME    (on/off)   CG ... 3W

A razão parece ter-se perdido no tempo... os romanos não usaram o K grego, que afinal não resistiria também ao uso como som "s" em derivados de "kine", como seja cinema ou cinemática (ainda que os ingleses usem o som "k" em kinematics).

Os romanos usavam sempre o Q associado ao U, e assim se manteve em toda a tradição ocidental.
Curiosamente, uma pequena rotação mostra uma ligação a outro par C-G, que deu para muitas variações linguísticas (... por exemplo, entre o Porto Galo e o Porto Calo).

É habitual usar hoje um símbolo "on/off" juntando "OI" denotando a opção:

  • O - zero - desligado (off)
  •  I  - um - ligado (on)

O símbolo "on/off" ficou um "Q" invertido... creio que a opção de não usar o Q normal pode ter sido puritanismo sexual, já que poderia parecer um fálico Ï inserido numa cavidade O
Com os restantes, M e E, ou 3 e W, digamos que a inserção vai mais longe, não deixando nada de fora.

Com ou sem puritanismo, a questão do QU, foi herdada de tempos romanos para a época medieval, e o "Q" é uma letra tipicamente reservada para questões... Quê? Qual? Quem? Quanto? Quando?

Podemos ver que o Q remonta a uma letra fenícia:
Qoph (fenício), Qoppa (grego). 

o Qoph aparece com grafia semelhante a um "phi" grego, e o Qoppa grego acabou abandonado em favor do kappa.

A ligação do Q ao G aparece como notória quando escrevemos caligraficamente em minúsculas as letras "q" e "g", algo que já foi claramente uma herança vinda de tempos medievais. É dito que por vezes se escreveria "eqo" para "ego", mas a regra do "qu" impediria tal tentação redutora:
In the earliest Latin inscriptions, the letters C, K and Q were all used to represent the two sounds /k/ and /ɡ/, which were not differentiated in writing. Of these, Q was used before a rounded vowel (e.g. 〈EQO〉 'ego'), K before /a/, and C elsewhere. Later, the use of C (and its variant G) replaced most usages of K and Q: Q survived only to represent /k/ when immediately followed by a /w/ sound.  
Q" Oxford English Dictionary, 2nd edition (1989) 
Qual o interesse de reportar aqui a questão do QU?
É claro que o assunto por si tem piada, como há muitas coisas que têm piada, e servem para curiosidades jocosas em redes sociais. No entanto, como (quase) tudo o que aqui coloco, o interesse vai muito para além da simples aparência imediata.
Ficou claro que "falo" não apenas na "fala".
Já tinha reportado a questão do "OU", agora reporto a questão do "QU", havendo apenas uma "perninha" I inserida no fecho O, passando a Q.

Poderia resultar tudo de invenção humana, e haveria muito tempo para elaborar perniciosamente tais malabarismos encriptados. Porém, parece-me que não... é muito mais que isso. É muito mais um problema alfaborboleto... O símbolo "on/off" só recentemente apareceu estilisticamente como um "Q" invertido, e se houvesse razões antigas seria natural que tivesse sido assim popularizado antes.

Por outro lado, há efectivamente ligações a palavras e a imagem do Qoppa lembra-nos a taça (copa) e as próprias copas das árvores... tal como o símbolo Qoph pode lembrar a chave de "cofre". Afinal o próprio processo de fecho envolve uma entrada na fechadura, onde se insere a chave, tal como o Q pode ser visto na forma "IO".

Só que, ainda que haja intenção humana na representação consciente, há um arrasto inconsciente que surge das ligações abstractas. Porque o simbolismo de chave e fechadura transcende a mera posse casual. De forma semelhante, há interpretações para além da imagem literal num tronco que ramifica em copa, ou num pé que sustenta o conteúdo da taça. Essas interpretações são, por exemplo, biológicas e estruturais.

Se liguei a questão OU a uma dualidade universo fechado/aberto com solução É, o acento passou aqui para uma entrada no fecho O... e é essa a questão QU. Biologicamente, a evolução foi feita com chaves de DNA, transportadas por cabecinhas espermatozóides, na forma de Q com rabinho nadador. De entre todas as possibilidades, apenas um levava a chave que abria o duro fecho da fechadura, formando o OVO. Até aqui a palavra "ovo" remete à simbologia de junção de dois "o" (poderia ser também "OUO"), um de cada progenitor.

Por outro lado, na imagem do tronco que deriva em copa, encontramos ainda a imagem estrutural de uma árvore que ramifica na sua descendência. Ora, se é do tronco comum da árvore que surgem nos ramos os frutos, semente para nova descendência, também é do tronco fálico que é emitida a semente para a nova descendência.
Com uma diferença considerável... cada árvore é apenas elemento masculino.
Onde está o elemento feminino na reprodução (assexuada) das plantas?
Podemos vê-lo como sendo toda a Terra.
Nesse sentido a Terra é o candidato a enorme útero por onde vagueia o sémen das plantas na Primavera. Ainda neste sentido, a Terra seria ao mesmo tempo mãe e mulher.
Quando a evolução se tornou sexuada definiu o género feminino como útero substituto, e a Terra envolveu-se na reprodução na forma das suas filhas. Primeiro, com os répteis, as filhas mantinham um papel distante, e a grande autonomia do ovo gerado deixava ainda a Terra como grande útero onde os ovos cresciam até à eclosão. A ligação de parantesco nos répteis é praticamente inexistente.
Depois, especialmente com os mamíferos, a Terra simulou um útero interno, deu a cada filha um estatuto de "pequena Terra", criando um laço único de parentesco - a forte ligação mãe-filhos. Nalguns mamíferos e nas aves essa ligação definiu um conceito familiar, extensivo ao elemento masculino.

Essa foi uma diferença brutal... os filhos não nasciam sem passado, passaram a viver com uma ligação ao passado, que cada vez se foi cimentando mais, especialmente com os hominídeos. O conceito familiar terminou com a individualidade, e começou a definir um conceito de grupo.
Esse grupo ligava ao passado, e começando apenas com a família, foi remetendo a uma estrutura mais complicada, que cada vez detinha maior herança do passado, para benefício dos jovens. Esta herança social era substancialmente diferente de outras manifestações - por exemplo, entre abelhas ou formigas, onde cada indivíduo poderia ser visto como uma parte desconexa de um ser maior - todos partilhando o mesmo material biológico.

Porém, ao definir-se esse grupo social, definiu-se uma nova estrutura animal, com aspectos monstruosos.
Quando antes um indivíduo nascia dentro da mesma espécie, estava praticamente dentro de condições semelhantes face aos outros. Porém, quando os grupos se definiram dentro da espécie humana, as condições passaram a poder ser dramaticamente diferentes... como se tratassem de espécies diferentes.
Uma criança escrava nascia como presa, enquanto o filho de um patrício nasceria como predador.

E, no entanto, apesar de tudo isto... a Terra continua a ser mãe das filhas e dos filhos. O útero materno não deixa de ser apenas parte de um útero terrestre muito maior, que define as entidades que aí sobrevivem.
É claro que há a herança reptiliana... a ideia que saímos formados de um ovo que ninguém cuidou, que somos autossuficientes. E por momentos esquecemos que o ar que respiramos é pouco mais que um líquido amniótico que nos mantém vivos dentro do útero terreno.

Por isso, convém não esquecer o significado da taça... e não há aqui nenhuma taça para os reptilianos armados em T-Rex. A taça que existe é formada por uma base sólida onde se sustém a nossa fluidez. O pé dessa taça está preso às raízes terrenas, e convirá não deixar que a fluidez de sonhos pouco consistentes arraste todo o conteúdo para fora dessa base sustentada.

terça-feira, 4 de março de 2014

Pontes de Alma

1) Rio Alma. Alma é um pequeno rio da Crimeia.

2) Batalha de Alma
Se o rio parece pequeno de corpo, ficou grande de Alma pela batalha de 20 de Setembro de 1854, que opôs uma aliança de Ingleses, Franceses e Turcos contra os Russos, na célebre Guerra da Crimeia.
Jacques de St Arnaud morrerá alguns dias depois de ter conseguido esta vitória afrancesada sobre os russos.

3) Ponte de l'Alma
Em comemoração da vitória na Crimeia, Napoleão III inaugurou dois anos depois a Ponte de Alma sobre o Sena, em Paris. 
(foto da antiga ponte, circa 1900)

4) Túnel de l'Alma, 31 de Agosto de 1997... (Death of Diana, Princess of Wales conspiracy theories)
 
Harrods de Londres - Monumentos a Diana Spencer e Dodi Al Fayed. 
Praça de l'Alma 
(tocha da liberdade serve de homenagem a Diana)


5) Almas Mortas 
Lembro-me bem do título deste livro de Gogol, que estava na estante, como tantos outros, que ali ficariam sem ser abertos, e ainda hoje não despertarem a menor das curiosidades. 

6) Dead Souls 
A contrario, foi com alguma facilidade que a voz de Ian Curtis fabricou um mito que ainda resiste
Joy Division - Dead Souls

Someone take these dreams away, 
That point me to another day, 
A duel of personalities, 
That stretch all true realities. 

That keep calling me, 
They keep calling me, 
Keep on calling me, 
They keep calling me. 

Where figures from the past stand tall, 
And mocking voices ring the halls. 
Imperialistic house of prayer, 
Conquistadors who took their share. 

7) Napoleon & Rio Alma
A junção dos nomes Napoleão e Rio Alma, não ocorreu apenas numa batalha com milhares de mortos na Crimeia... fortuitamente aparece ligada a uma estátua nas Filipinas.
Magdangal : poema de Rio Alma e escultura de Napoleon Abueva 

8) Alma e Maçã
Pode ler-se na página da wikipedia:
Alma is the Crimean Tatar word for an "apple". 

Tartária, já se sabe, foi um nome que chegou a servir para toda a região siberiana... identificando os territórios desde a Crimeia (chamada "Pequena Tartária") até às paragens mongóis da mítica Cataio, confundida ou não com a China. Tudo isso seria a Grande Tartária, chamado mesmo Império. 
De alguma forma, perdeu-se muito do registo de uma cultura que se equivaleria ao Império Russo, e que foi depois substituído na sua extensão por este mesmo. Quase que ficaram apenas expressões como "molho tártaro", "bife tártaro", etc...

9) Crimeia e Big Apple 
Foi na Crimeia que se realizou a conferência que decidiu o modelo de governação global após a Segunda Guerra, através do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Cada uma das potências vencedoras teria o seu direito de veto na Big Apple, Nova Iorque, sede da ONU. 
O próprio destino dos tártaros da Crimeia ficaria ali decidido, forçado a uma migração para o Uzbequistão, acusados por Estaline de terem apoiado a invasão alemã.
Conferência de Yalta na Crimeia

10) Caronte, Aqueronte, Almas e Tártaros
Aqueronte era um afluente do rio Estige em que o barqueiro Caronte levava as Almas para o Tártaro - o inferno na mitologia grega.
Caronte leva as Almas para o Tártaro.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

The Ego has landed

13 de Setembro de 1999... para quem não sabe, a Lua deixou a órbita terrestre, e navega pelo espaço.
Essa antevisão de futuro aparece agora como lembrança do passado.

Espaço 1999 foi uma série de culto dos anos 70, produção de 1973-74, da ITV inglesa e da RAI italiana, estreou em 1975 (em Portugal em 1977, creio).
Nos Pinewood Studios, onde Kubrick tinha realizado o "2001 Odisseia no Espaço", Gerry e Sylvia Anderson iriam produzir uma "série de culto" dos anos 70 e seguintes, depois de se terem estreado com UFO, uma série sobre abdução para efeitos de transplantes de órgãos (trama depois abordada de forma notável no filme de 2005, "A Ilha").

Nesta produção europeia, havia uma significativa evolução de cenários futuristas, relegando quase para fantasia grosseira a anterior, e mais famosa série, Star Trek (1966-69).
Martin Landau (John Koenig), Barbara Bain (Helena Russell)
com os produtores Gerry e Sylvia Anderson.  

É claro que o tempo não perdoa, e as calças boca-de-sino típicas dos anos 70 marcam um desses aspectos de antevisão de moda falhada. 
Porém o mais interessante é relembrar como algumas concepções mudaram muito na passagem entre os anos 70 e 80, sendo mais impressionante o conceito de computador. Quando não vivemos a época é difícil perceber a mudança de mentalidades, e quando a vivemos esquecemo-nos facilmente.
Um computador antes de 1980 era uma caixa com luzes coloridas ou com fitas magnéticas. 
A entrada e saída era feita com cartões e papelinhos. Nos episódios de Espaço 1999 não temos nenhum écran de computador, temos sim écrans televisivos. Quando muito, os computadores falavam (caso de HAL em 2001), ou então mandavam recadinhos em papel... nada de écrans. E isto era suposto ser normal.
Quando nos anos 1970 apareceram os primeiros relógios digitais, ou calculadoras, que hoje custam 1 euro, foi uma novidade imensa. Só quando em 1980 apareceu o primeiro Sinclair e pouco depois o ZX Spectrum, é que o público percebeu que o écran da televisão podia ser usado para leitura de computador. Os walkie-talkies eram aquilo que mais se aproximava de um telemóvel, mas a ideia de ter um pequeno aparelho móvel de comunicação (como os do Capt. Kirk), era mesmo ficção. Poder ver a cara do outro num pequeno écran, como no caso dos comunicadores da Base Alfa, era ainda muito futurista. 
Por um lado olhamos para trás e vemos como estavam distantes dos nossos olhos tecnologias que se vieram a impor como naturais - mas só foram vistas como naturais, simples, depois de explicitadas. No entanto as ideias eram conhecidas de quase todas as pessoas ligadas ao meio.
Sou daqueles que não viu grande interesse na internet, mas essa ideia existia. Logo com os ZX Spectrum o pessoal podia passar programas com um telefone e gravador... A questão era a dissociação com o aspecto comercial. Não liguei à internet, mas passados 5 anos já tinha feito um "facebook" para comunicar com os amigos. Era algo muito simples de fazer, muita gente o fez, e o facto da ideia ter sido apenas popularizada 10 anos depois, dando protagonismo a um qualquer miúdo, é apenas um conto de fadas de Hollywood. 
No entanto, se computadores e telemóveis pareciam coisas complicadas nos anos 70, mas naturais nos anos 80, a possibilidade de ter uma Base Alfa na Lua em 1999, era algo perfeitamente aceite como possível nos anos 70, e já vista como improvável nos anos 80. 

Em 1973-74, estávamos ainda em rescaldo do programa lunar Apollo, e o nome "Águias" dado às naves, seria influência do módulo lunar "Eagle", registada na célebre frase da Apollo XI: 
"The Eagle has landed
(curiosamente também nome do último filme de Sturges, 1976, que invoca um duplo de Churchill).

A guiar o Águia estava Alan, guia australiano, e a guiar a reflexão científica estava o Prof. Victor Bergman, isto na 1ª série, já que na 2ª série (1976) entraria a célebre Maya, com a faculdade da metamorfose.

Águia e Maya já teriam há muito justificado esta menção a 1999, noutra altura até mais apropriada, e tendo em atenção este episódio "Another Time, Another Place", a colisão de dois universos representados na Lua, poderia ter sido tema há dois meses atrás, ou há mais de dois anos atrás (na imagem que a guia pousou uma águia com água pelo bico).

As coincidências são para ser tratadas como empatia entre observador e observado, com culpas e desculpas remetidas a ambos. 
Retomamos aqui o artigo sobre o Soma, citando A. Sramana sobre essa bebida:
Astrologicamente, Soma é o regente invisível da Lua, que representa também o símbolo da ilusão, da Deusa Maya. Soma é o Deus misterioso que desperta a natureza mística e oculta da humanidade.
(...) Hoje em dia essas plantas são chamadas enteógenas, que significa: capaz de suscitar a experiência de Deus em si mesmo. (...) O seu uso desperta na consciência a sensação inefável de fazer parte da
Totalidade. Esta não é uma abstração e sim uma verdade que se encontra nas camadas mais profundas do nosso ser.
Se há psicotrópicos que levam ao mais íntimo confronto do Ego consigo, com a totalidade, etc... o que é certo é que essas imagens íntimas podem servir de inspiração a muita arte, religião, filosofia e ciência.
Não é a mesma coisa transmitir depois essa informação à população por palavras, por quadros, por música... pode-se tentar sugerir, mas é completamente diferente, até que o outro sinta o mesmo.
As ideias são colocadas à porta, mas não é nada claro que o receptor abra essa porta para as recolher, porque simplesmente pode nem se aperceber que há ali uma porta.

Falta o clique... e esse clique pode ocorrer no final de um episódio do Espaço 1999 (pois!), no final de um filme, pela leitura de um livro, etc. Por isso, o efeito de inspiração introspectiva que o Soma desperta poderá ser obtido doutras formas, beneficiando de forma indirecta da inspiração de outros.
Passar do cinema à simulação de realidades virtuais é tentação à condução de realidades feitas por outros, e não é o caminho do próprio.
Beneficiará mais em "ví-deos", colocando-se a meio caminho, entre a sua percepção e o convite alheio.
Porque a visão é estereoscópica, e deu-os olhos, um olhar interior, e um olhar exterior. Vi-são dual. Se há convite à união ou totalidade, conforme é dito, isso é um erro - porque não se pode igualar o que é distinto... dois não podem ser um, efectivamente. Só o podem ser como ideia potencial, sempre inacabada, sempre incompleta.

Era hábito na primeira série de Espaço 1999 abordar de forma simples temas com um complexo significado filosófico. Poderíamos ver facilmente alusões à "alegoria da caverna" platónica, ao problema da imortalidade, etc... Os produtores cinematográficos e televisivos, desde a estreia da Twilight Zone, em 1959, empenharam-se em desafiar à reflexão filosófica.

Numa modelação simplificada, quando somos forçados a esquecer átomos, moléculas, etc... todo um complexo caos, que parte do universo decide que as bolas do Euromilhões saem para o Fulano X e não para o Y? Um grão de poeira, um sopro de ar, basta isso para alterar dramaticamente a vida, a muitos quilómetros de distância?
Onde ficariam os milhões de universos alternativos, onde calha a combinação Y e não a X?
Ora, cada micro-evento destes passa-se 25 vezes a cada segundo, e de entre as múltiplas alternativas, sabemos que estamos presos a uma única versão. Em parte é decisão nossa, no sentido em que sabemos justificar escassas acções conscientes, mas isso é uma minúscula parte, quando comparamos com tudo aquilo que nos escapa por completo.

Neste episódio Another Time, Another Place, vemos o confronto entre duas versões alternativas do universo, mas a questão é o que determina uma versão e não outra qualquer?
Por muito que melhoremos a modelação, teremos que ter afastados o nosso melhor modelo da realidade que presenciamos?

A minha perspectiva acerca disso é muito simples...
Teremos o maior caos possível dentro da mínima ordem.
A ordem será a necessária para que tudo seja explicável, e o caos será o suficiente para que não seja possível fazer isso completamente em tempo algum.
As razões já foram aqui apresentadas.
Por isso, e como os processos físicos vão sendo condicionados, pouco a pouco, com o nosso conhecimento da verosimilidade, o maior factor caótico de instabilidade não virá da natureza, respeitando os seus propósitos implícitos.
A maior instabilidade estará no pensamento. Ou seja, curiosamente a tendência parecerá ser permitir o maior número de pensamentos alternativos, sem que essa divergência condicione uma convergência saudável, mínima.

Do ponto vista informativo, de um universo que cria informação constante, não apenas por criar... interessa criar o maior número de observáveis distintos, e o maior número de observadores que interpretem consistentemente o resultado... procurando relações a um nível cada vez superior.
O nihilismo avançou com a ideia caótica de que tudo era equivalente, tudo era indiferente. Isso é uma influência de um mundo de sonhos sem referência de realidade. Só que até os sonhos precisam de uma realidade para existirem... até a noção de vazio precisa de alguém que a pense.
Para haver verdade só pode existir um universo.
Havendo dois ou mais universos, seria possível ser num e não-ser noutro. Havendo só um, isso é contraditório. É a unicidade universal que determina a contradição.
As outras ramificações da árvore de possibilidades são apenas ideias, sonhos, fora deste tempo, deste universo.

To be or not to be... ou como escrevi levemente há uns tempos:
1 01 A? - One or not one, hey?
2 02 B? - To or not to be?
3 03 C? - Tree or not tree, see?
4 04 D? - For or not for thee?
Gimme 5!

A alternativa OU, está explícita geometricamente nas letras O e U.
O - é o universo fechado.
U - é o universo aberto.

O fecho do universo num aquário é uma possibilidade impossível.
A capacidade reprodutiva é conceptualmente imparável a qualquer tempo. Se o universo fosse um aquário com um peixinho laranja, automaticamente haveria um universo superior com uma infinidade de aquários com peixinhos laranja, e depois com peixinhos de todas as cores e feitios, etc...
O universo que é único é o universo aberto, que acolheu a árvore de possibilidades sem se fechar, engolindo tudo no único acordo possível, que equilibra as bifurcações dos ramos com as das raízes.
É para esse acordo que acordamos.
Com a ligação conjuntiva E vemos É 3.
O U ... E 3 ... W M
(símbolo de Touro, Mercúrio+) (oito) (símbolo de infinito) 

Nestes símbolos, sim bolas ou bolos, vemos como a geometria das letras tem co-reias de ligação, e só mencionamos as mais evidentes (p.ex. outras S Z 2 5).
Por isso, as somo e assumo que sumo e soma podem ter outros significados, inclusive somar e sumir.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Sumo

Sendo a Soma uma bebida na tradição hindú, algo comparável à Ambrosia grega, na sua versão mais superlativa remeteria ao Sumo. 
A palavra sumo passou a designar indistintamente uma bebida, mas também o topo de uma hierarquia.
O caso religioso mais conhecido é o do Sumo Pontífice, fazendo hoje um ano que Bento XVI abdicou dessa função. Há um ano, o tema neste blog acabara de ser outro... o Abraçadabra, e se alguma relação se estabelecia com bebidas, era com o leite de cabra, Almateia, ou com pequenas cabras, que como diminuitivo de capri, passavam a capelas. Já se sabe que o "ch" desviou-se do "c" qual chapelada, e no francês e inglês temos "chapelles" e "chapels".

Já aqui vimos que o prefixo "su" indicara o superlativo, como o monte Sumero se sobreporia ao anterior monte Mero, central na cosmologia budista e antes na hindú.
Também no Xintoísmo o Sumo tornou-se uma palavra importante, ligada a evocações de lutas de deuses transportadas para o círculo terrestre, ou seja o ringue, chamado dohyo, onde há quatro direcções associadas a cores e espíritos (norte-negro-tartaruga, oeste-branco-tigre, sul-pássaro-vermelho, este-dragão-azul). 
Como vemos, dragões azuis e águias vermelhas, não serão novidade... ainda que o pássaro possa ser fénix, e o tigre ser o unicórnio Qilin.

Vem isto a propósito de um texto sobre a bebida "Soma", referida num comentário de Maria da Fonte, e que transcrevemos mais abaixo (xamanismoancestral.com.br).
A ligação ao transcendente tanto se poderia manifestar directamente com os alucinogénios, como a bebida Soma, como doutra forma mais indirecta... através da casualidade no resultado de um jogo. Os lutadores, e espectadores de Sumo, batem palmas, de forma a atrair a atenção dos deuses no combate e assim poderem prescrutar alguma intenção pelo resultado. Quando um lutador menos favorito saísse vitorioso de um combate, era provável que se pudesse inferir daí uma intervenção superior.
Havia assim um convite a que os deuses, ou espíritos, se pudessem manifestar no círculo da realidade terrestre... da única forma possível efectivamente - ou seja, através da interpretação da improbabilidade como não sendo algo casual, sendo sim causal.
Esta é assim uma visão mitológica muito próxima da que era usada também pelos gregos, atribuindo personificações e consciência a acontecimentos que vemos como casuais, e que já referimos nalguns textos anteriores. É completamente distinta da visão alternativa, sugerida por visões... que ora transporta para a profundidade da ligação da consciência ao universo, ora transporta para visões inspiradas, que libertariam um génio criador, de temas com mais ou menos futuro! 
Essa última faceta está muito bem descrita nas linhas que se seguem, e que passamos a citar:

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Levitar sonoro

Num vídeo que chegou à caixa de comentários do blog alvor-silves, de uma conferência de Michael Tellinger, acerca de estruturas na África do Sul:

... começa por falar-se do som e de algumas propriedades.

1) É colocada a questão de ultrassons permitirem aquecer água... 
Qual é a novidade?
Há certas coisas que me espantam sempre, e uma delas é não se fazer uma simples consulta à internet.
Antigamente poderia aceitar-se alguma falta de informação, mas com o Google, Wikipedia, Youtube, houve milhares e milhares de pessoas que colmataram voluntariamente essa falta informativa. 
Há quem insista em não pesquisar... tudo bem, pode não ser fácil sempre, nem sempre as palavras chave funcionam. Mas vejamos este caso, que já conhecia. 
Tentamos "Ultrasound heating", o tema em questão, e zás:
onde se lê:
The first large scale application of ultrasound was around World War II. Sonar systems were being built and used to navigate submarines. It was realized that the high intensity ultrasound waves that they were using were heating and killing fish. This led to research in tissue heating and healing effects. Since the 1940s, ultrasound has been used by physical and occupational therapists for therapeutic effects.
Portanto, de facto, desde 1940 que se sabe que os ultrassons permitem aquecer água... não há nenhum conhecimento secreto. Pelo contrário, há terapias a serem desenvolvidas, usando o aquecimento dos ultrassons, e aplicam-se na próstata e outros tumores.
Por isso, estas coisas deixam-me espantado pelo orador e a passividade da assistência.
Tudo o resto vai do estilo conferência TED "bate-punho", até chegar ao lado místico, para apimentar.
Este é só um exemplo, que até é razoável até certa altura... depois perde-se a paciência!
Há tópicos que chamam a atenção... Atlântida, Pirâmides, Maias, Incas, Stonehenge, etc. junta-se tudo com ETs, Anunaki, etc., e temos 90% dos vídeos deste género no youtube.

Temos vantagens e desvantagens nisto. As vantagens são que no meio de tanta desinformação acaba por haver informação relevante, mesmo. As desvantagens é que a maioria das pessoas não conseguirá distinguir o trigo do joio... Isso também se passa comigo, como é óbvio, mas por isso mesmo é importante partilhar e trocar opiniões e informações.

2) Outra questão diferente, e esta é mais pertinente, é a da levitação por ultrassons.
Felizmente aqui o orador fez pesquisa no Youtube e partilha um vídeo ilustrativo, mas há muito outros, com experiências reais em laboratório. Deixo aqui mais um:

E neste assunto, faz todo o sentido a associação a velho conhecimento.
Temos um exemplo rudimentar com uma tigela tibetana:
... não será muito espectacular, mas dá para ver que a ideia estava presente no Tibete, um sítio aliás bem popularizado pela "levitação". Talvez não chegasse ao ponto de levantar monges, mas talvez fosse suficientemente impressionante para criar esse mito.

Portanto, mesmo no meio de uma conferência especulativa, acabamos por ser alertados para ideias a que não tínhamos dado relevo... seja porque fazem parte do discurso, seja porque o discurso nos levou a pensar nelas. A informação tem esse aspecto sugestivo, que não é menos importante.

Soar e suar
Não suava quem soava bem... o aspecto do trabalho físico versus intelectual esteve sempre em causa - uns soavam ordens e os outros suavam trabalhos, nem sempre suaves, nem sempre na sua vez.
O soar chega a confundir-se com o ser, quando soo que sou.
O som passou a ser o meio de comunicação privilegiado por uma boa parte dos animais, em particular mamíferos e aves.
Para vós, a voz, o vocal. No bucal estava a foz de um sopro de cordas, onde a língua servia uma língua, e no agir, uma linguagem inspirada no acordo fonético. Esse acordo serviria a ligação social.

O som permitiu a arte, mas é pura matemática... uma expressão em que se nota como a simplicidade da base pode levar a uma enorme complexidade no resultado. Com apenas sete notas musicais se escreveram partituras que nos tocaram desde os tempos mais infantis...

O que se ouve dessa criança passada que fez sonhos? - Dó de ser ré de mim, que faz sol lá em si, dó se o acordo desperta dor.

sábado, 28 de dezembro de 2013

Patas

Pelo meio da evolução, interessa perceber o que pode ter levado a umas soluções e não a outras.
Por estranho que possa parecer, há evidência biológica para respostas geométricas. Um caso típico é a divisão que levou aos Tetrapodes, ou seja, 4 patas, que junta todos os vertebrados terrestres e aves (incluem-se aí as asas, que saem de patas).
Os insectos, aranhas, escorpiões e crustáceos, com múltiplas patas, caem noutra parte do reino animal - os Artrópodes - a solução com número maior de patas trouxe uma curiosidade - nenhuns são vertebrados.

Talvez mais engraçada é uma grande divisão animal que separa os "Protostomas" dos "Deuterostomas"... já que há uma escolha embrionária primitiva, relativamente ao tubo digestivo:
Protostomas - Abrir primeiro a boca (artrópodes, moluscos);
Deuterostomas - Abrir primeiro o ânus (vertebrados, estrelas do mar).

O ovo fecundado começa a subdividir-se, e de alguma forma replicando a geração universal, a sucessão 1, 2, 4, 8... duplicará células aparentemente semelhantes, mas que irão ter funções muito diferentes.
Uma primeira fase do processo consiste na definição da "parede" que separa o interior do exterior... essa "parede" é a pele, representada na blástula do embrião.
No caso dos animais, devido à necessidade de alimentação, define-se logo o tubo digestivo, pela gástrula, que unirá "furos" na blástula... por um lado a boca, por outro lado o ânus.
Onde abre primeiro? - uma grande separação entre os animais é feita nesta opção. Em todos os vertebrados, o tubo digestivo abre primeiro pelo ânus... algo que é bastante diferente dos insectos, moluscos, etc... onde o tubo digestivo abre primeiro pela boca.

Esta divisão inicial centrada no tubo digestivo, mostra bem a importância vital da alimentação na constituição dos organismos primitivos. A alimentação revelará a essência atómica da vida. Comer podia ser um processo mecânico, mas vai ao fundamento químico atómico. Ou seja, a ingestão de outros organismos poderia simplesmente consistir num aproveitamento das suas células, para benefício do organismo que ingere. Qual a necessidade de destruir por completo as células da presa, se grande parte desse processo remete à construção de novas células no predador? Em certas tribos havia até a ideia de ligar a ingestão de órgãos para benefício dos mesmos órgãos... porém, como sabemos, o processo é bem mais radical e os nutrientes aproveitados estão ao nível molecular básico, até atómico. Ao predador interessam as moléculas, os átomos, ou a energia, e estruturas mais complexas da presa são completamente destruídas no fluxo pelo tubo digestivo.
Se o processo parece brutal pela redução da presa a simples nutrientes, não deixa de ser revelador de que a vida animal é independente da destruição doutras formas de vida, apenas recolhe os nutrientes dessa forma.
Uns seres vivos tornaram-se em autênticas fábricas de nutrientes para outros, sendo o caso mais paradigmático o das plantas. Mas este tipo de estrutura é suficientemente abstracta, e espelha-se até socialmente. Uma grande população serve como fábrica de nutrientes para uma elite predadora. É claro que a classificação predador e presa no processo humano remete a conceitos muito mais sofisticados do que a simples sobrevivência, ou a mera competição num determinado objectivo.

Voltando à questão embrionária.
Definido um corpo central, percebemos que há basicamente duas possibilidades - a radial e a não radial.
A opção radial não privilegia nenhuma direcção. 
Assumindo uma direcção preferencial, começaram a definir-se os corpos bilaterais, que seguiam a direcção do tubo digestivo - da boca à cauda. Portanto, foi a questão do tubo digestivo, a questão da comida que definiu essa orientação preferencial, e vemos que nos vertebrados a coluna segue exactamente essa direcção, que é também a direcção de locomoção.
Uma ameba pode ser vista como um corpo radial, onde nem sequer estão definidos membros... o número de extremidades é flexível e variável. O movimento do corpo amorfo é possível em todas as direcções, mas isso implica uma grande complexidade a programar a estrutura... só para controlar o movimento!
Assim, a complexidade do DNA nas amebas pode estar ligada justamente a uma complexidade estrutural que permite definir movimentos e formas arbitrárias. Isso deixa de acontecer quando a estrutura fica rígida, e ao indivíduo são permitidas poucas hipóteses de movimento. Por exemplo, os vertebrados tetrapodes ficaram reduzidos a deslocamentos fixos, com apenas quatro "patas".

Portanto, solução simples na codificação do movimento no DNA seria definir um número fixo de direcções. 
A solução pôde ser radial, mas com um número limitado de raios, de patas, que saem do corpo central, no caso dos artrópodes. 
No caso dos moluscos, as extremidades servem apenas a locomoção, e são o mais próximo do radial, tudo o resto fica preso ao corpo central (p.ex. tubo digestivo e olhos - que no caso de bivalves distribuem-se pela várias direcções). Dentro dos artrópodes, as aranhas têm uma solução parecida. Já os insectos desenvolveram uma solução diferente onde, das oito ramificações saídas do corpo central, uma das extremidades definiu a cabeça para onde migram os olhos e cérebro, e a outra extremidade tomou funções digestivas e reprodutivas, ficando as restantes 6 para as patas. Mais do que as aranhas que têm até 8 olhos, os insectos adquiriram uma direcção preferencial, com dois olhos, e estabeleceu-se uma bilateralidade não vertebrada. 

Os vertebrados começaram por definir o tubo digestivo como direcção, como no caso dos peixes, onde o número de membros não estaria completamente definido, e de soluções com múltiplas barbatanas, chegámos aos peixes pulmonados, tetrapodes, de onde se pensa terem surgido os vertebrados terrestres.
Esses vertebrados terrestres definiram 6 componentes onde, para além das quatro patas, uma das componentes definiria uma "pouco útil" cauda, e uma essencial cabeça.
Hominídeos e humanos dispensaram o prolongamento na cauda, o cócix limita o "six", reduzindo a 5 as componentes que também são replicadas nos dígitos (5 dedos). Ainda assim, do ponto de vista geométrico, o "macaco que perde a cauda" é um passo menos surpreendente do que o das cobras... que dispensaram as 4 patas, aparecendo como uma variante de tetrapode com uma única direcção preferencial, enquanto as aves evoluíram duas das suas patas em asas. 
O caso das aves é especialmente paradigmático porque apesar da significativa redução de direcções, a sofisticação do controlo das asas permite complexos movimentos de voo. Seria já a nível de um cérebro evoluído que se processaria o controlo de movimentos, não passando pela codificação directa no DNA. Por muito rápido e inerente que seja o processo, pode fazer sentido dizer que as aves aprendem a voar, e que alguns mamíferos aprendem a andar... algo que não se verifica com répteis.

Este ponto final é especialmente importante... a reprodução diversificada pela combinação de genes atingiria um certo limite crítico ao remeter codificações ao cérebro. A sofisticação do cérebro avançaria mais rapidamente do que a codificação genética. O contexto na formação do cérebro do indivíduo iria ultrapassar a vantagem da codificação genética incorporada pelo parentesco biológico.
Chegados esse ponto, a menos de transformação genética "mágica", o cérebro de indivíduos semelhantes passa a ser muito mais funcional pelo contexto educacional do que por resultado do património genético. As variações genéticas só a curso de inúmeras gerações poderiam ser eficazes, enquanto um cérebro flexível rapidamente se adaptaria a novos contextos... foi esse o caso humano.