No texto anterior sobre o Culto do Oculto, faltou fazer referência a uma informação que apenas encontrámos passados estes 20 dias, e que o título torna auto-explicativa.
Ao ler uma parte dos Diálogos da Vária História, de Pedro Mariz (1594), fomos confrontados com esta passagem (pag.14):
Entre as quais povoações não foi (segundo parece) a de menor estima esta nossa Coimbra, onde fabricou aquela torre de cinco cantos, que naquele alto vedes situada, a que ainda hoje chamam de Hércules. E deixou o seu nome, não somente a esses campos, que ao longo do Mondego se estendem, a que os Autores antigos chamam Hérculeos; mas também a toda a mais terra, e à mesma Cidade, que por eles é chamada de Hércules; sinal evidentissimo de ser por ele fundada; pois, como diz o outro, não é de todo falso, o que em muito tempo é divulgado por muitos, quando por outra mor certeza o contrário não aparece.
Pedro Mariz deixa um registo que coloca Hércules como autor da Torre pentagonal de Coimbra, que já tinha sido motivo do nosso texto anterior, mas que vimos associada a D. Sancho I... mais acaba por definir que Coimbra teria sido fundada por Hércules e teria levado o seu nome!
Arriscamos uma estória...
Desde Afonso Henriques haveria ordens para destruir a torre dos 5 cantos... o número 5 das nossas quinas surge aqui como factor anterior à nacionalidade afonsina.
Talvez o fundador, querendo preservar o registo, manda simplesmente disfarçar a situação fazendo uma outra torre quadrada, ao lado. A certa altura passa por ter sido o seu filho D. Sancho a fazer a outra ao lado (situação que já me tinha parecido invulgar...). D. Dinis continua o disfarce, mandando ele fazer uma torre pentagonal no Castelo do Sabugal, tornando assim a torre de Hércules exemplar não único!
A situação, como sabemos, complicou-se bastante na regência do Marquês... o que levou à terraplanagem e destruição da torre, com a desculpa da construção do Observatório Astronómico!
À falta de outra imagem... fica a outra Torre de Hércules - o célebre farol de La Coruña:
... e é claro que temos que dar alguma voz a Gaspar Barreiros, que se queixava da atribuição a Hércules de tudo o que era construção antiga na Hispânia.



























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