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segunda-feira, 27 de junho de 2011

Coimbra - Torre dos Cinco Cantos de Hércules

No texto anterior sobre o Culto do Oculto, faltou fazer referência a uma informação que apenas encontrámos passados estes 20 dias, e que o título torna auto-explicativa.
Ao ler uma parte dos Diálogos da Vária História, de Pedro Mariz (1594), fomos confrontados com esta passagem (pag.14):
Entre as quais povoações não foi (segundo parece) a de menor estima esta nossa Coimbra, onde fabricou aquela torre de cinco cantos, que naquele alto vedes situada, a que ainda hoje chamam de Hércules. E deixou o seu nome, não somente a esses campos, que ao longo do Mondego se estendem, a que os Autores antigos chamam Hérculeos; mas também a toda a mais terra, e à mesma Cidade, que por eles é chamada de Hércules; sinal evidentissimo de ser por ele fundada; pois, como diz o outro, não é de todo falso, o que em muito tempo é divulgado por muitos, quando por outra mor certeza o contrário não aparece.
Pedro Mariz deixa um registo que coloca Hércules como autor da Torre pentagonal de Coimbra, que já tinha sido motivo do nosso texto anterior, mas que vimos associada a D. Sancho I... mais acaba por definir que Coimbra teria sido fundada por Hércules e teria levado o seu nome! 

Arriscamos uma estória...
Desde Afonso Henriques haveria ordens para destruir a torre dos 5 cantos... o número 5 das nossas quinas surge aqui como factor anterior à nacionalidade afonsina.
Talvez o fundador, querendo preservar o registo, manda simplesmente disfarçar a situação fazendo uma outra torre quadrada, ao lado. A certa altura passa por ter sido o seu filho D. Sancho a fazer a outra ao lado (situação que já me tinha parecido invulgar...). D. Dinis continua o disfarce, mandando ele fazer uma torre pentagonal no Castelo do Sabugal, tornando assim a torre de Hércules exemplar não único! 
A situação, como sabemos, complicou-se bastante na regência do Marquês... o que levou à terraplanagem e destruição da torre, com a desculpa da construção do Observatório Astronómico!

À falta de outra imagem... fica a outra Torre de Hércules - o célebre farol de La Coruña:
... e é claro que temos que dar alguma voz a Gaspar Barreiros, que se queixava da atribuição a Hércules de tudo o que era construção antiga na Hispânia.

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O discurso de Kennedy

Num discurso em 1961, dirigido à imprensa americana, John Kennedy faz um memorável discurso, que muito tem sido recordado nos últimos tempos:
(Address before the American Newspaper Publishers Association, April 27, 1961)

O discurso é escrito no contexto da Guerra Fria, e Kennedy começa com uma nota histórica e humorística acerca do pedido de aumento de Karl Marx, então correspondente em Londres do New York Herald Tribune:
if only Marx had remained a foreign correspondent, history might have been different
Há por isso uma parte que pode pretender referir-se exclusivamente a uma ameaça comunista. No entanto, é claro que não era apenas esse o contexto, e isso torna-se evidente no 1º capítulo, após a introdução. 
Começa, colocando imediatamente o problema das Sociedades Secretas:
The very word "secrecy" is repugnant in a free and open society; and we are as a people inherently and historically opposed to secret societies, to secret oaths and to secret proceedings. We decided long ago that the dangers of excessive and unwarranted concealment of pertinent facts far outweighed the dangers which are cited to justify it.
Porém, o mais surpreendente acaba por ser a revelação de uma conspiração que se infiltrava como uma máquina eficiente combinando operações militares, diplomáticas, económicas e científicas. Poderia ser identificado à época como sendo o "comunismo"... mas Kennedy nunca o diz, e torna claro que uma infiltração interna já estaria consumada.
     For we are opposed around the world by a monolithic and ruthless conspiracy that relies primarily on covert means for expanding its sphere of influence--on infiltration instead of invasion, on subversion instead of elections, on intimidation instead of free choice, on guerrillas by night instead of armies by day. 
     It is a system which has conscripted vast human and material resources into the building of a tightly knit, highly efficient machine that combines military, diplomatic, intelligence, economic, scientific and political operations.
    
Its preparations are concealed, not published. Its mistakes are buried, not headlined. Its dissenters are silenced, not praised. No expenditure is questioned, no rumor is printed, no secret is revealed. It conducts the Cold War, in short, with a war-time discipline no democracy would ever hope or wish to match.
Vai mais longe, denunciando um encobrimento, que esconderia os erros e silenciaria os dissidentes. Ao mencionar a Guerra Fria relacionará à disciplina de guerra, mas é suficientemente ambíguo ao afirmar que é a mesma organização que conduz a Guerra Fria... provavelmente de ambos os lados.
Não deixa de ser interessante Kennedy sentir a necessidade de invocar Solon, e a antiga democracia grega, ciente que os mesmos perigos ameaçariam a democracia americana:
Without debate, without criticism, no Administration and no country can succeed--and no republic can survive. That is why the Athenian lawmaker Solon decreed it a crime for any citizen to shrink from controversy. And that is why our press was protected by the First Amendment ...

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A electricidade e a luz...

É bem conhecida a afirmação de Einstein que estabeleceu como dogma na sua teoria:
- nada se propaga mais rapidamente do que à velocidade da luz (no vácuo).

Haveria pouca evidência experimental relevante da sua teoria, mas a aceitação foi quase absoluta em termos da comunidade científica, em pouco tempo. Sem razão aparente, todos aceitavam um máximo de velocidade, como se tal fosse natural, e nunca se tivesse falado em nada mais rápido...

Não é bem assim. Fomos encontrar, num artigo de 1866 do Intelectual Observer, a seguinte tabela:
O que é surpreendente, é haver uma tabela com valores praticamente correctos para todas as velocidades, e aparecer uma velocidade superior à velocidade da luz... a "velocidade da electricidade":
464 000 Km/s.
Ora tem sido bastante desacreditada a velocidade da electricidade, dizendo-se que os "electrões são lentos" , e só que por efeito dominó, o resultado da velocidade será maior. Desconheço a base destes valores apresentados, nem tão pouco que experiências foram feitas para a medição, e sob que condições (por exemplo, se seria um valor máximo, ou médio...).
A actual pesquisa na internet não deu em nada... é como se tal coisa não tivesse sido nunca considerada.

Ao longo dos anos, manteve-se esta ideia da electricidade ser muito mais lenta que a luz, apesar de ser quase uma constatação prática sermos presenteados com velocidades altíssimas. Ninguém se lembra de ter um delay na resposta quando efectuava um telefonema para a Califórnia ou para a Austrália... e falamos de cabos não ideais, em condições de passagem por vários circuitos.

Porém, estas coisas vão mudando com os tempos...
e encontramos um artigo na Scientific American (18 Junho 2010):
Faster-than-light electric currents could explain pulsars

Acho que a introdução do artigo diz tudo:
Claiming that something can move faster than light is a good conversation-stopper in physics. People edge away from you in cocktail parties; friends never return phone calls. You just don't mess with Albert Einstein.
Não se trata exactamente do mesmo assunto... mas não é de deixar ficar surpreendido.
  • Primeiro, porque houve uma pretensa medição correcta acima da velocidade da luz.
  • Segundo, porque o dogma de Einstein acabou definitivamente com essas considerações.
  • Terceiro, porque apesar de evidências que tornam difícil continuar a aceitar o dogma de Einstein, as novas experiências que se vão realizando começam a desafiar o silêncio... e o politicamente correcto pode começar a estalar o verniz académico.
[Adição em 28/01/2011, a propósito do comentário de JM-CH]
Quando se assume a propagação de uma partícula, pois o fotão é aquele que temos como partícula elementar mais veloz... No entanto aqui não se trata de supor isso!
Como no caso do pêndulo de Newton:
A velocidade de propagação do sinal entre as 3 bolas estáticas, parece instantânea, pois é muito superior à velocidade do movimento da bola que embate. Essa é uma velocidade de propagação interna, que neste caso se propaga enquanto onda de choque à velocidade do som.
Da mesma forma, é diferente assumir-se a velocidade do fotão (que se move), relativamente ao sinal electrónico transmitido pelos electrões na camada superior dos átomos metálicos... e este poderá ser mais rápido. Tal como no pêndulo, o último electrão sai, quase instantâneamente... tudo depende da propagação do sinal, do choque, a nível intra-atómico. Estas considerações não fazem parte das teorias físicas estocásticas habituais a nível intra-atómico, pois aí o conceito de partícula é meramente estatístico.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

... e Vénus aqui tão perto!

Desde 1975... já lá vão mais de 35 anos que a nave russa Venera 9 enviou imagens da superfície venusiana, depois em 1982 tivémos as últimas das Venera 13 e 14:
Por grande azar das aterragens, as imagens foram sempre parecidas...
Desde há praticamente 30 anos que Vénus não teve mais visitas.
Os americanos nunca enviaram nenhuma sonda com o objectivo de tirar fotografias da superfície... ao passo que enviaram múltiplas sondas a planetas muito mais distantes.
O último interesse parece ter sido europeu, através da Venus Express que terá detectado actividade geológica, mas tal como a americana Magellan, não foi enviada nenhuma sonda à superfície.

Os argumentos são vários, desde há muito... o efeito de estufa CO2, colocará a temperatura da atmosfera acima de 400ºC. Coisa que parece não ter afectado muito as sondas russas, há 30 anos... A NASA, sempre gostou de nos presentear com a sua galeria artística, misturando imagens fabricadas com fotos.
Para além de ciência, a NASA preza muito a pintura, produzindo quadros de qualidade discutível, para ser apreciada pelo grande público:
Os artistas da NASA... uma "visão" de Vénus para o público recordar.

Afinal, para quê mostrar uma imagem correcta, se podemos desenhar um quadro bonito?
Não é bem desenhar a Lua com uma expressão facial, mas não anda longe!

A sonda Magellan em 1994 terá calado alguma suspeita de desinteresse por Vénus, mas de facto apenas produziu imagens por interpretação de dados. As imagens artificiais obtidas com o sistema SAR, mostraram-nos coisas semelhantes à Lua, Marte ou Mercúrio:


Afinal, apesar de ter uma densa atmosfera, pior que a da Terra, Vénus parece também sujeito ao grande impacto de meteoros... esse é aliás o problema de Mercúrio, que é uma lua com imensas crateras:

Em contraponto, colocamos aqui as notáveis imagens de Saturno e dos seus anéis, enviadas pela sonda Cassini. Uma das luas de Saturno, Dafne, tem a particularidade de orbitar no meio dos anéis...

imagens dos anéis de Saturno, e do satélite Janos

Quanto a Vénus, é certo que as nuvens mantêm o desinteresse e o melhor que se pode arranjar para o planeta mais perto da Terra, são imagems assim:

Vénus: imagem em cor real (Mariner 10), e em infravermelho (Galileo) 

É notável não haver uma imagem nítida, tirada pelo Hubble, ou similar, ao planeta mais perto da Terra... todas as restantes resultam de tratamento após simulações computacionais!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A locomotiva russa

Estávamos avisados para a diferente educação russa, que colocaria russos na invenção de muitas coisas que fomos habituados a atribuir a outros, normalmente na Inglaterra, França ou Alemanha. 
Porém, acabámos por não saber quem eram esses outros inventores... a educação russa terá ficado entre-muros e dificilmente cativará o mundo ocidental para acomodar os seus numa nova versão histórica de personalidades.

Fui surpreendido ao ler a pretensão de que a lâmpada eléctrica teria sido inventada por Alexander Ladygin, conforme se encontra neste artigo descritivo da North American Review:
É óbvio que o período das invenções singulares, na transição para o Séc. XX, trouxe várias disputas sobre a autoria dos inventos. Edison está no meio delas, na sua disputa com o genial Nikola Tesla, e aparece agora ligado à própria criação anterior da lâmpada eléctrica. O nome Ladygin era-me desconhecido, e nem tão pouco consta da wikipedia (ao contrário do nome do autor do artigo Emil Draitser).
No entanto, seria uma referência vulgar na escola soviética, tal como a Locomotiva dos Cherepanovs ser anterior à de R. Stephenson, conforme se pode ler no artigo.
 A locomotiva dos Cherpanovs - 
agora tida apenas como primeira locomotiva russa...
Agora, mais importante que esses esquecidos Cherepanovs, é uma promessa do hóquei, curiosamente denominado Cherepanov, Siberian Express
Os motores de busca não têm dúvidas de quem apresentar em primeiro lugar. 
Da mesma forma que quem procurar Cândido Costa será presenteado com um jogador do FC Porto, e não encontrará o escritor português. Estas coincidências repetem-se, e uma das que mais me surpreendeu foi a de Olavo Bilac
Acontece que esta própria relevância nada tem de estranho, sendo facilmente justificada.
Independentemente disso, condiciona a informação a que temos acesso.

A história só pode ser contada por quem tem capacidade de fazer ouvir a sua voz... as outras histórias ficam guardadas pelos mudos, condenadas ao progressivo desaparecimento.
A indiscutível presença espacial americana e russa poderá não passar de uma pequena lembrança quando os dados forem jogados de novo - Alea jacta est... e o que era deixa de ser, tal como aconteceu com as navegações portuguesas, ou outras anteriores.

O registo que nos parece perene e intemporal, é tão somente acaso da conjuntura política de cada época, procurando influenciar as gerações futuras.
Aquiles não existiria sem Homero, e sem o relevo que os escritores posteriores lhe consagraram.

A maior obra pode passar completamente esquecida e ser apropriada posteriormente, na altura considerada certa, e atribuída como recompensa a alguém conveniente. Lendo os textos portugueses à altura dos descobrimentos, percebe-se perfeitamente que os nossos autores adivinhavam esse esquecimento programado. Por outro lado, sabiam perfeitamente, e escreviam-no, que muito desse conhecimento português era apenas fruto de uma reedição de conhecimento antigo, aparentemente perdido.

Jorge Couto, terá ido para além do relato de Duarte Pacheco Pereira, e cruzando dados foi aceite a prova de que em 1498 este teria atingido o Brasil. Não há dúvida que Couto foi reconhecido pelo trabalho, tendo recebido vários prémios, e sendo nomeado para director da Biblioteca Nacional. Porém, esse trabalho ficará como um registo erudito, de divulgação limitada. 
A versão oficial propaga-se no ensino, com razões para além dos factos. Resta apenas continuar o excelente trabalho de disponibilizar digitalmente as obras nacionais... coisa que se afigurará difícil, sempre que as obras sejam complicadas. Encontrámos a obra de António Galvão na BNP publicada alguns meses depois de encontrarmos outra digitalização na internet... teríamos preferido encontrá-la primeiro em Portugal.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Ancoras de Wreck Beach

As imagens das ancoras de Wreck Beach, na Austrália falam por si:


Oficialmente são ancoras de dois navios naufragados: o Marie Gabrielle (1880) e o Fiji (1891).
O que fica à vista é que estas ancoras estão bem incrustadas no recife, coisa surpreendente para naufrágios ocorridos à pouco mais de 100 anos. Fica ainda à vista que os modelos destas ancoras não são muito típicos do séc. XIX, mas isto é apenas uma hipótese, já que não consegui encontrar nenhum estudo acerca da evolução das ancoras ao longo da história.
Tenho uma grande suspeita de que estas ancoras seriam muito semelhantes às dos navios dos séc. XVI, XVII, sendo que as ancoras do séc XVII, como esta de um navio sueco tinha já um traço bem mais moderno e diferente.

Por vezes em Portugal os pescadores encontram vestígios interessantes, a que cuidadosamente não se dá qualquer relevo.
Há mesmo em Tavira uma praia cheia de ancoras de navios (usados na pesca do atum...) que passa despercebida, excepto a quem visitar:
trata-se de um "cemitério de ancoras", e talvez uma adequada lápide à memória da navegação portuguesa.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Neu-SchwabenLand

Entre 1938 e 1939 a Alemanha nazi decide lançar-se num grande projecto científico de exploração da Antártida, no sentido de reclamar um território significativo. Chamou-lhe:
Neu-Schwabenland, ou seja "Terra Nova dos Suevos".
De entre tantos nomes, decidiram escolher uma pequena província do sul, Schwaben - Suévia, afinal ligada à origem dos suevos que se instalaram no Norte de Portugal / Galiza. À moda do norte, e se o acórdão ortográfico fosse mais longe, deveria escrever-se mesmo Suébia (mas não exageramos a ponto de relacionar com Suécia).


Para quem quiser a parte oficial da expedição, fica o link da wikipedia : New Swabia.
... para quem quiser conhecer as teorias mais conspirativas, sobre possíveis avanços da tecnologia nazi e a possível construção de Ovnis... pode seguir por aqui.

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Canhão da Nazaré (2)

Já nos referimos aqui sobre o Canhão da Nazaré.
A publicação desta imagem no Portugalliae:
e a inspecção mais atenta da batimetria disponível no Google Maps, permite no entanto concluir sobre a raridade de formações como o Canhão da Nazaré (ou outras próximas da Serra da Arrábida, ou do Cabo de Sagres). Pode eventualmente encontrar-se algo semelhante em grandes rios, como o Congo, o Indu, ou o Ganges, mas em pouco mais sítios.

O mais interessante é que uma formação submarina com aquele aspecto denota uma erosão própria de um rio que corre à superfície, sendo claro que quando os rios atingem o mar, a sua corrente ao espalhar-se no leito oceânico, dilui por completo a erosão que é típica em terreno ao ar livre.
Surge assim a hipótese de tal formação ter origem num poderoso rio (agora desaparecido... o Rio Alcobaça é demasiado modesto para uma tal erosão), que outrora desgastou aquele vale, tal como o Colorado que atravessa desertos em direcção ao Golfo da Califórnia, dando origem a tal Canyon.
Conforme é dito em Portugalliae  poderá ter havido um aumento do nível do mar, muito superior ao que se supõe, devido ao degelo após a glaciação. Nesse caso, e atendendo a que o Canhão da Nazaré corta significativamente o leito submarino, até mais de 1000 metros, podemos estar a falar de tempos, em que o Mediterrâneo pouco mais fosse do que um lago.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Moedas cartaginesas

Na mesma altura em que Alexandre Magno procurava conquistar todo o mundo conhecido, parecem ter-lhe escapado a existência de civilizações a Ocidente, que não fizeram parte do seu espólio registado de conquistas.
Em particular, falamos de Roma e Cartago.
Cartago é interessante, pois há várias referências a assinaláveis viagens de Hanon, nomeadamente a circum-navegação do continente africano, não apenas de historiadores antigos (como Heródoto), mas também de Duarte Pacheco Pereira ou António Galvão, navegadores experimentados, que terão tido oportunidade de ver ainda alguns vestígios mais esclarecedores, que suportassem as suas referências.
Podemos ver a importância que os cartagineses davam às suas navegações, por exemplo através de moedas:
1/8 de Shekel, cartaginês, c.

Numa dessas moedas, corre uma teoria de estar representado um possível mapa do mundo:

Uma interpretação da parte inferior da moeda, levou Mark McMenamin a sustentar tratar-se de um mapa mundo segundo os cartagineses... conforme se pode ler aqui ou aqui. A qualidade da parte inferior da moeda (seja para que efeito for), e a associação a continentes ou mares, vale o que vale, dentro do "vale tudo", e faria parecer os mapas portugueses autênticas cartografias milimétricas do mundo...
Faz melhor serviço às navegações cartagineses, todas as restantes provas documentais, do que propriamente associações sobre formas tão vagas.

domingo, 25 de julho de 2010

China UFO

O evento é de 7 de Julho...
Antigamente estas notícias de visionamentos de OVNIs eram habituais, com a devida moderação, mas apareciam rapidamente. Actualmente, parece que os jornalistas (portugueses e outros) já não se importam muito com estas coisas! Mesmo assim, apareceu qualquer coisa (timidamente) na TVI-24-online e depois uma pseudo-explicação (típica: míssil) no Correio da Manhã Online.
Para todos os efeitos, como levou ao encerramento de um aeroporto na China, dificilmente se encontram casos tão flagrantes de OVNIs - ou seja, tratou-se mesmo de um Objecto Voador Não Identificado pelas autoridades chinesas, que assim tomaram as devidas precauções!
Fotografia de OVNI na China (7 de Julho de 2010) (link)
 Vídeos relacionados apresentados em TV. (ex link)

Podemos falar que só no dia 16 ou 17 de Julho, é que foi conhecido no "Ocidente" (10 dias, certamente fruto da censura chinesa... é claro!), mas ainda mais impressionante é que deverá ter havido imensas notícias importantes que impediram a habitual divulgação disto entre nós (aqui a censura chinesa deve ainda ser mais forte!).

Outras fontes sobre a mesma notícia:
Ver também:

--

sábado, 10 de julho de 2010

Batimetria Google (Porto Rico)

Perto da ilha de Porto Rico, a Google Maps disponibilizou dados de batimetria com uma qualidade muito superior ao habitual... com todas as precauções devidas a serem dados tratados, as imagens não deixam de ser espantosas e intrigantes:
(clique na imagem para aumentar)
Notamos que é persistente ver-se um espaçamento de 5Km vertical (salientámos a vermelho 7 zonas numa extensão de 35 Km), ou então espaçamentos de 2Km na vertical. que pode ser explicado por má colagem de dados vindos de fontes distintas. Por outro lado, esta colagem de dados não é sistematicamente assim... se por um lado apresenta este padrão regular, ele é pronunciado nuns casos e noutros é inexistente. Mesmo sem informações adicionais, é suficientemente estranho.

Por outro lado, os padrões submarinos são complexos e nalguns casos podem sugerir até "formas antropomórficas ou biomórficas" com alguma imaginação... basta experimentar explorar a zona com suficiente zoom. Note-se que estes padrões são muito diferentes dos que habitualmente vemos em areias, dunas, e formações geradas por movimentos de fluidos nos desertos:
Típico padrão de dunas no deserto (prox. golfo da California, Google Maps)

A batimetria do Golfo do México (na zona onde ocorreu o "acidente da BP") mostra ainda formações estranhas, pela presença de um sistemático quadriculado em várias direcções... 
(nota: no canto inferior direito, a imagem perde a alta resolução de batimetria, que evidencia no restante... muito poucas zonas do globo têm ainda esta batimetria de alta resolução no Google Maps)

Pela sua dimensão exagerada, a zona onde foram primeiro notadas estas tendências quadriculadas foi na Irlanda, conforme se poderá ver facilmente aqui:


Referimos ainda os outros apontamentos sobre imagens, com padrões, do Google Maps, já aqui colocados:


sexta-feira, 9 de julho de 2010

Triamgo Bermudas

Nos mapas antigos é possível encontrar uma ilha denominada Triamgo nas Bahamas:
Livro de Marinharia, de João de Lisboa, início Séc. XVI
(assinalamos Triamgo num rectângulo verde)

Ao analisar a batimetria disponível no Google Maps, reparamos haver exactamente duas linhas rectas, no fundo submarino, entre as Bahamas e a Bermuda, conforme se pode observar:
tornamos isso mais evidente, colocando a amarelo as depressões que se evidenciam, e a branco uma extensão dessas rectas, que acidentalmente se cruzam nas Bermudas, dando assim ideia de um triângulo, com vértices nas Bermudas, em Triamgo (actualmente Mayaguna, que foi a famosa ilha de piratas) e em Great Abaco, ambas no arquipélago das Bahamas.

A costa da Florida foi denominada Terra de Bimini (mapa de Jorge Reinel, 1519) e esse nome ainda se mantém associado a outras ilhas a noroeste, e esteve associado a um mito da fonte da juventude...
Podemos encontrar vestígios submarinos denominados "Estrada de Bimini" a baixa profundidade, próximo de Bimini
(img) img

Há, é claro, uma explicação científica para esta estrutura peculiar, que ainda assim aparenta ser única e se estende por 800 metros.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Canhão da Nazaré

Perto da Nazaré há um bem conhecido vale submarino denominado "Canhão da Nazaré".
 Canhão da Nazaré   (img

Perto das Berlengas/ Farilhões a depressão submarina atinge profundidades entre 1 e 2 Km.
 
 Berlenga  (img) ;     Farilhões  (img)

O nome Nazaré está relacionado com o mito do aparecimento de Nª Srª da Nazaré a D. Fuas Roupinho (almirante de D. Afonso Henriques), e foi local de peregrinação de Vasco da Gama, antes e depois da viagem à India, conforme se atesta num padrão do Sítio da Nazaré
Apesar de não haver nenhum registo antigo de conhecimento desta particularidade submarina (a mais pronunciada na Europa), temos dois nomes maiores das "navegações" nacionais ligados ao mito de Nª Srª da Nazaré.
A vila da Pederneira, antigo porto principal, acabou por dar lugar, já no séc. XIX, à povoação na praia que ficou com o nome de Nazaré, sendo actualmente apenas um bairro num ponto mais alto na povoação.

Ver ainda: http://www.cm-nazare.pt/

___________
Nota (Agosto 2014): imagens repostas - links perdidos.

sábado, 3 de julho de 2010

Cambra

Uma das zonas que parece preservar alguma beleza natural da primitiva flora lusitana é o Vale do Rio Cambra.
O nome foi mudado, no Séc. XIX passou-se a chamar Rio Caima, mas algumas das povoações ligadas ao mítico rio mantiveram a sua ligação ao nome Cambra. 
O Vale de Cambra apresenta ainda a bela cascata da Frecha da Mizarela, notando que Frecha significa Flecha.

Por outro lado, Cambra é um nome associado à região de Câmbria (Umbria) na Inglaterra, mas também de forma mais estranha, ao Rio Gâmbia, por derivação da designação primitiva - Gambra.

Mizarela, é uma estranha designação que "vai aparecendo":
1. Cascata da Frecha de Mizarela (Rio Caima, Vale de Cambra)
2. Ponte da Mizarela (Rio Rabagão, Gerês) 
3. Ponte da Mizarela (Rio Mondego, próximo da Guarda) 

Temos ainda uma curiosa descrição em 1862:


Fonte alta — Ao meio dia da cidade da Guarda e a distancia d'uma légua, está a povoação de Porcas, e ao sul d'ella e mui proximo, um pequeno monte ou serrania, que bem se pode dizer ser uma das ramificações das cordilheira da serra da Estrella. Ha n'elle uma singularidade que me não consta existir em nenhum outro monte, ou serrania da Europa, e talvez do mundo conhecido: nascem alli aguas que tomão diversas direcções: umas correm para o sul, vão encor trar-se e confundir-se com as aguas do rio Zezere, perto de Belmonte, e de lá correm para o Tejo; dirigem-se outras para o norte em busca do Mondego, que encontrão proximo á ponte da Mizarela; d'alli correm até á Figueira da Foz; outra emfim, encaminhão-se para o nascente até encontrarem o Côa e todas juntas demandão o rio Douro, a que se unem perto de Villa Nova de Foscôa, d'onde vão até á foz do Porto.

Este monte singular, e sem rival, manda suas aguas para tres dos portos principaes de Portugal, a saber: Lisboa, Figueira da Foz e Porto, ajudando primeiro a fertilizar as margens dos rios a que vão unir-se.

André da Fonseca Corsino. 11 de JANEIRO 1862
  
Com esta indicação vinda de há 150 anos... fomos procurar o tal "monte singular", com a ajuda do Google Maps. Não sinalizámos com certezas o dito monte, mas não faz mal... encontrámos algo mais surpreendente:

Na imagem, as setas vermelhas apontam para formas sinusoidais primitivas, que lembram inscrições tipo nazcas.
Num círculo rosa podemos ver outras formas que podem também ter origem humana, nomeadamente formas circulares e ângulos rectos nalgumas rochas em redor.

_____________
Nota (25.08.2014):
O texto foi editado. O título passou a ser Cambra e não "Cambra... e desenhos no solo"...  já que esta interpretação de "desenhos no solo" é ainda demasiado especulativa.
As imagens foram reunidas numa única, pois os links perdem-se...

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Aguas Radium

Perto da Torre de Centocellas (Centum Cellas), Belmonte, encontramos ruínas de umas termas datadas do início do Séc. XX, mas envoltas em vários mistérios. Ficaram conhecidas como Águas Radium (conforme panfleto da época), pelas suas propriedades relacionadas com a presença de elementos radioactivos na água.
O seu mistério, agora prende-se com as fabulosas ruínas (conforme imagens 1-7 em baixo), mas também com a sua história que envolve a eventual presença da Madame Curie, e todo o secretismo, que as tornava quase desconhecidas aos locais. Informação complementar:
Imagens retiradas do Site:
http://www.geocaching.com/
1
2
3
4
5
6
7

Repare-se na Imagem 5 onde, junto à janela se nota a presença de duas camadas de pedra, sugerindo uma construção posterior que encobriria uma construção mais antiga.
Os arcos da janela simulam (ou serão?) uma construção medieval, pelo que não será de excluir toda uma influência de outras arquitecturas no edifício. Independentemente de tudo isso, são magníficas ruínas, bem enquadradas no espaço da serra, e sugerindo até inspiração na arquitectura da Torre de Centocellas.

Nota posterior (17/06/2016):

domingo, 27 de junho de 2010

Cidade Submarina em Cuba

Ao largo de Cuba foi recentemente encontrada uma cidade submarina, a grande profundidade, conforme pode ser visto num programa mexicano (Fronteras del Conocimiento)

Conforme se pode ver na reportagem, as imagens são fiáveis, mas de má qualidade (quando comparadas com as de Yonaguni) devido à sua profundidade (aprox. 600 metros).
No entanto, a imagem submarina de um topo de pirâmide, e a estrutura revelada pela batimetria, são bastante elucidativas.

Nota adicional (2014): 
Ver o link que rebate esta suposta descoberta:
http://badarchaeology.wordpress.com/2012/10/28/an-underwater-city-west-of-cuba/
onde é dito :
After the initial flurry of excitement, once scientists began to look critically at the data, especially the sonar images, the story could be seen to be nothing more than hype. For anyone outside the small band of “alternative researchers” and New Age true believers, the story simply died for lack of evidence. But when did a lack of evidence ever stop woo-woos making unsupported claims?
Se este "achado" nunca me convenceu, muito menos convence o "mau servicinho" no "badarcheology", mas é bom para o direito ao contraditório, quando faz sentido.

Atlantis

No Google Earth, encontramos com dados de batimetria fiáveis (confirmado), a seguinte estrutura ao largo da Madeira:

- mais precisamente:
Imagem 1 (acentuando o contraste)
Imagem 2 (revelando pequenos contrastes)

A explicação oficial inicial (p.ex. Atlant is? No, it Atlant isn't) - de que se trataria do rasto do navio que traçou a batimetria fica excluída... poderia ser na Imagem 2, mas não na Imagem 1 (ver portugalliae e aqui).

Sinkhole Guatemala

No decurso das batalhas napoleónicas na Europa, ocorreu também uma Guerra em 1812, entre os EUA e a Inglaterra. Já no final dessa guerra, e depois do Tratado de Ghent deu-se a batalha de Sinkhole entre os índios de Black Hawk (aliados ingleses) e as tropas dos EUA (parcialmente apoiantes napoleónicos).

Isto a propósito do nome Sinkhole que designa os estranhos buracos circulares que apareceram recentemente na Cidade da Guatemala.

Já existia, é claro o Great Blue Hole, não muito longe, em Belize
... mas estes ocorreram numa grande cidade!
Primeiro, em Fevereiro de 2007:

depois, em Junho de 2010:
Artigos relacionados:
2010 - http://www.dailymail.co.uk/
2007 - http://www.msnbc.msn.com/