domingo, 22 de setembro de 2019

Móbil de Pipi e Tintins

Pipi
Pipi das meias altas ("Pippi meialonga" no Brasil) é o nome de uma personagem de uma autora sueca, Astrid Lindgren, desenhada como "menina invulgar, a mais forte do mundo, com sardas na cara, e tranças vermelhas". Os livros foram publicados há 70 anos entre 1946-48 na Suécia.

No entanto, aqueles que como eu viram e gostaram da Pipi das meias altas a preto-e-branco na RTP no início dos anos 70, viram a versão feita pela TV sueca, que apareceu vinte anos depois dos livros, ou seja em 1969. Comemoram-se agora 50 anos:

A série foi um sucesso internacional, e ao que parece que se quis recuperar a personagem fazendo uma nova série de episódios, agora em formato reality show. 
À esquerda a activista Greta Thunberg, à direita a actriz Inger Nilson, fazendo de Pipi. 
Interpretações de meninas de tranças, em 2019 e em 1969.

Só quem não nasceu antes dos anos 70, ou anda muito distraído, é que não repara nas semelhanças entre a personagem de ficção de 1969, e a ficção feita personagem em 2019. 
Sim, não havia nenhum episódio intitulado  "Pipi salva o planeta ou salva o clima", mas as proezas ficcionadas de Greta, de uma menina independente a desafiar o mundo adulto, estão ao nível de Pipi:
A série Pipi da Meias-Altas, na RTP em 1973 (inclui a canção Giroflé, Giroflá)

Parecerá que uma relação entre Greta e Pipi não existe, mas leia-se de novo, e perceber-se-à que a relação entre Greta e Pipi, vai para além das tranças no cabelo.
Ok, mas e o que tem isto a ver com Tintins?

Tintin
O personagem do escritor belga Hergé, começou a sua publicação em 1929, ou seja há 90 anos, e a revista Tintin começou a publicação em 1946, ao mesmo tempo que saía Pipi na Suécia.
Curiosamente, Hergé baseia-se nos foguetes alemães V2, para colocar Tintin na Lua, em bandas desenhadas entre 1952-53, e é assim um Tintin (com 40 anos) que em 1969 recebe Armstrong na Lua:
Cartoon de Tintin, ilustrativo ficcionado da chegada americana à Lua.

Ou, dito de outra forma, terá sido esta a maneira que Hergé encontrou de lembrar a Neil Armstrong que Tintin já havia estado na Lua... bom, e do ponto de vista ficcionado, realmente a prioridade ficaria em si.

De que forma Tintin e Pipi se relacionam? Pelo nome completo da Greta:
Greta Tintin Eleonora Ernman Thunberg.
Greta, para além de ser candidata ao Nobel, é já membro da Royal Scottish Geographical Society, uma distinção difícil quando é pelo reconhecimento do trabalho científico, mas muito rápida em casos maçónicos convenientes.
Dir-se-ia que a realidade foi apanhada no meio da alucinação LCD dos baby-boomers, depois hippies dos anos 60, e yuppies dos anos 80.

sábado, 21 de setembro de 2019

Nebulosidades auditivas (74)

The revolution will not be televised (Gill Scott Heron, 1970)

domingo, 8 de setembro de 2019

Brexit... e a volatilidade dos mercados

Há uns anos atrás, venderam-nos a história de que os mercados eram seres muito sensíveis.
As bolsas de valores seriam sensíveis a tudo, porque os investidores eram alarmados por notícias que iam num ou noutro sentido, respondendo de forma imprevisível.
Qualquer coisinha que se fizesse, ui, ui, era preciso imenso cuidado... porque iria agitar os mercados.
As nações pareciam ter ali uma flor de estufa que, à primeira corrente de ar, constipava-se.

Isso era dantes... até ao momento em que os "mercados" decidiram avançar com o Brexit.
É claro, há quem pense que foi uma decisão do eleitorado inglês... e também terá sido, mas toda a propaganda foi sendo desenvolvida no sentido de antecipar o previsível resultado. Culpar-se-à Putin disso, como de tantas outras coisas, enquanto "malvado de serviço" neste conto de fadas, mas provavelmente não será necessário sair de Londres, ou melhor da City de Londres.

Se fossemos um público mais exigente, com jornalistas e comentadores não vegetativos, já teríamos colocado a questão de nexo nesta história. Desde que foi anunciado o Brexit, quantas voltas e reviravoltas deu a situação política inglesa? Cameron saiu, entrou May, que negociou e renegociou com a UE, e agora é Boris Johnson que balança na corda bamba.
De acordo com o nexo de mercados imprevisíveis, voláteis com as incertezas políticas, já teríamos a libra a desvalorizar-se, a dívida inglesa a disparar nos mercados, etc...
No entanto, para além de uma tímida descida/correcção da libra na altura da votação do Brexit, desde aí, por mais caótica que fosse a situação política inglesa, os mercados passaram de seres hipersensíveis, a seres maduros, não influenciáveis com o completo caos político inglês. Para espanto de praticamente todos os analistas, já tinham sido insensíveis ao caos político espanhol... porque tinham que se preparar para serem ainda mais insensíveis, face ao que se antevia no Reino Unido.

Portanto, temos agora neste conto de fadas que nos é servido pelos noticiários, a fase dos "mercados maduros", mantendo a economia europeia estável, apesar da total incerteza nas futuras relações da UE com o UK.
Dir-se-ia que isto é assim, porque foi definido que o Brexit iria funcionar de qualquer maneira, e por isso os investidores, que não são voláteis, mas são obedientes e bem treinados, respondem de forma previsível, conforme é estabelecido pela City de Londres, e às vezes por Wall Street (quando é preciso convencer os americanos de que têm uma palavra importante).

De resto, acerca da forma como o UK encarava a UE, é histórica esta sátira da série "Yes, Minister":


Minister Hacker: Does the Foreign Office realize what damage this will do to the European idea?
Sir Humphrey: Well, I'm sure they do, that's why they support it.
Minister Hacker: Surely, the Foreign Office is pro-Europe isn't it?
Sir Humphrey: Yes and no... if you forgive the expression. The Foreign Office is pro-Europe because it is really anti-Europe. The civil service was united in its desire to make sure that the Common Market didn't work. That's why we went into it.

Minister Hacker: Who told you that?
Sir Humphrey: Minister, Britain has had the same foreign policy objective for at least the last 500 years: to create a disunited Europe. In that cause we have fought with the Dutch against the Spanish, with the Germans against the French, with the French and Italians against the Germans, and with the French against the Germans and Italians. Divide and rule, you see. Why should we change now, when it's worked so well?

Minister Hacker: That's all ancient history, surely?
Sir Humphrey: Yes, and current policy. We had to break the whole thing up, so we had to get inside. We tried to break it up from the outside, but that wouldn't work. Now that we're inside we can make a complete pig's breakfast of the whole thing: set the Germans against the French, the French against the Italians, the Italians against the Dutch... The Foreign Office is terribly pleased; it's just like old times.

Minister Hacker: But surely we're all committed to the European ideal?
Sir Humphrey: Really, minister...
Minister Hacker: If not, why are we pushing for an increase in the membership?
Sir Humphrey: Well, for the same reason. It's just like the United Nations. In fact, the more members it has, the more arguments it can stir up, the more futile and impotent it becomes.
Minister Hacker: What appalling cynicism!
Sir Humphrey: Yes... we call it diplomacy, minister.

quarta-feira, 28 de agosto de 2019

Nebulosidades auditivas (73)

Comemoraram-se, há duas semanas, os 50 anos do Woodstock de 16-18 de Agosto de 1969.
Esteve ainda considerado um Woodstock 50 em 2019, mas a organização falhou na sua realização.

Foi entretanto relembrado que o Woodstock de 1969 teve uma organização problemática, que uma grande parte das bandas recusou ou cancelou, e que o espectáculo apenas se realizou porque havia mesmo vontade de o fazer... algo que parece ter falhado neste Woodstock 50. 

O Woodstock terá sido lamacento ou imundo, mal organizado, mas o que interessou para o mito foi uma das maiores junções hippies, com bandas e música de qualidade, num ambiente artificial de "paz e amor". Se não eram as melhores ou as mais populares bandas, o próprio festival acabou por servir de cartão de visita para a posterioridade.
Dadas as circunstâncias, as interpretações mais ou menos caóticas, como as dos The Who, ou a de Jimmy Hendrix, tornaram-se maiores do que é dado ver, talvez porque se apressou a exacerbar o evento para o campo da imaginação. 
Woodstock 1969 - The Who : "My Generation"

O que é certo é que durante os anos seguintes, Woodstock era uma palavra que resumia a mística hippie dos anos 60, ligada ao movimento esotérico da "Era de Aquário". 
No início dos anos 80, a geração seguinte sentia-se órfã de um evento semelhante. Em 1979, o lançamento do musical "Hair" de Milos Forman, baseado no musical da Broadway de 1968, chamado "Hair: The American Tribal Love-Rock Musical", serviu para relembrar que esse espírito hippie tinha existido, e tinha sido perdido.
Afinal, os jovens com 20 anos nos 1960's tinham passado a 40 anos em 1980, e os hippies eram agora yuppies, que dos charros de erva nos jardins tinham passado às linhas de coca nos gabinetes.
Também ao movimento hippie estava associada a guerra do Vietname, ou outras guerras coloniais, mas o revivalismo purificado gosta apenas de recordar o seu lado cor-de-rosa.
Hair (filme de 1979) - Age of Aquarius

O equivalente ao Woodstock para os anos 80 terá sido o Live Aid, e isso mostra bem as diferenças.
O pretexto foi uma causa humanitária muito louvável... terminar com a fome em África, em particular na Etiópia. Infelizmente a sociedade ocidental usa estes cinismos na forma superlativa, quando na prática o que era difícil era alinhar na passerelle uma boa quantidade de prima-donas musicais, que boicotariam a presença se não achassem ter o devido destaque no alinhamento.

Já tinha sido experimentado o Band Aid no Natal de 1984, e no início de 1985 o USA for Africa.
Duas iniciativas deprimentes na sua superficialidade, sendo muito pior a americana que a inglesa.
Interessava aos ingleses ser amigo de Bob Geldof e aos americanos estar nas boas graças de Michael Jackson, para não ficarem de fora do clube do chá das 5, do evento de caridade. Prince não constou do USA for Africa, como também Michael Jackson acabou depois por se auto-excluir do Live Aid.

O Live Aid de 1985 teve assim dois palcos, um inglês em Wembley, com 70 mil espectadores, e um palco americano no JFK stadium de Filadélfia, com 90 mil espectadores. O evento foi de tal forma publicitado que envolveu a transmissão TV em directo a potencialmente 2 mil milhões de pessoas.
Em 13 de Julho de 1985, a maioria dos jovens do planeta tinha a televisão ligada no Live Aid.

O alinhamento inglês prometia um bom espectáculo, onde Bono tentou brilhar de forma exagerada e artificial (como passou a ser seu timbre), mas de facto, o que prendeu a atenção e valeu a tarde perdida em frente ao televisor, foi o momento em que Freddie Mercury actuou e interagiu com o público, em especial no final da canção Radio Gaga.
Ao pé da actuação de Mercury, os outros artistas ficaram pouco mais que vulgares...
Life Aid 1985 - The Queen : "Radio Gaga"

Depois, é claro, uma coisa são as intenções da malta jovem (que também não eram muito mais do que assistir ao espectáculo), mas as intenções da ajuda à Etiópia rapidamente revelaram naquilo em que redundaram... leia-se "Live Aid: The Terrible Truth" para entender que a maioria do dinheiro angariado foi canalizado directamente para que o regime do país mais pobre de África, a Etiópia, conseguisse o exército mais sofisticado desse continente. 
Os vendedores de armas ingleses e americanos agradeceram a candura dos seus jovens.

É claro que tudo isto se voltaria ainda a repetir, no Live 8, em 2005, de forma muito menos estrondosa, ao comemorar os 20 anos do Live Aid, recuperando a prima dona organizativa, Bob Geldof, que esteve meio-adormecida nas décadas seguintes. Neste caso, o evento teve um toque mais caricato incluindo no desfile Kofi Annan (secretário-geral da ONU), Bill Gates e até Brad Pitt ou David Beckham.

"No more excuses..." foi então o moto usado, e só admirará não terem ainda convencido o Geldof a juntar os amigos para salvar o planeta do "aquecimento global". Pode estar para breve...

O Live Aid, ou o Live 8, não foram mais do que institucionalizações cínicas do legado jovial do Woodstock que, pretendendo terem uma finalidade profilática planetária, não passaram de uma reunião de amigos, apadrinhados pelas editoras e afinal pelo próprio sistema que criticavam...

sábado, 3 de agosto de 2019

Liberdade do silêncio (2) ... mais caladinhos que ratinhos

O silêncio continua...

Passaram 3 meses, em 17 de Julho, após o acidente com o maior número de vítimas mortais, ocorrido em Portugal neste ano. Falamos do acidente do autocarro na Madeira, no Caniço:



O artigo é do dia seguinte, 18 de Abril, onde também se lia:


... e depois disso, o longo silêncio!

Em condições normais, após 3 meses, deveria saber-se praticamente tudo... mas neste país, e na Alemanha, não se sabe rigorosamente nada. 
Falou-se num inquérito, etc. e tal, mas o que se sabe: - zero, zero, zero!

Não é só esse o problema. O problema principal, é que ninguém quer saber.
Não há uma linha escrita na imprensa sobre o assunto há mais de 3 meses.
Nunca foi publicado nada sobre o inquérito, mesmo que fosse preliminar, e não oficial.
Não houve um jornalista interessado em saber - como está o inquérito, qual o prazo, etc... ninguém se interessou em saber se as condições para se repetir um acidente daquele tipo estariam afastadas.
Ninguém quis saber, ninguém quer saber, e já vimos em 2017 que as tragédias se podem repetir.

Após Abril, não se encontra nada escrito na internet sobre este acidente, nem em português, nem em inglês, nem em alemão. Foi como se o acidente nem sequer tivesse acontecido...

Depois, há quem se atreva a dizer que seria impossível haver silêncio sobre certas coisas...

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

Não há cérebro B

Quem passear pelo país, poderá ver o exemplo típico do despudor demagógico num cartaz do Bloco de Esquerda, que é agora "politicamente correcto":
"Não há planeta B" - nem um grau a mais, nem uma espécie a menos
O cartaz deve ser convenientemente modificado para
"Não há cérebro B" - nem um grau a mais para esta mesa

No total desplante demagógico, num jogo de corda, de um lado aparece uma velha geração num planeta cinzento, e do outro uma nova geração, basicamente de crianças, com um béu-béu a ajudar  (para satisfazer e chamar o eleitorado PAN), num planeta verducho.

Escusado será dizer que a ideia e concretização do cartaz não veio de ninguém com menos de 20  ou 30 anos, e assim quem fez e promoveu o cartaz estaria do lado "cinzentão". Os líderes do BE não são eternamente jovens, e azar, Francisco Louçã já tem 62 anos, e até as superpromovidas manas Mortágua já têm mais de 30 anos.

O que vemos neste cartaz é todo um receituário de falácias.
Trata-se de um simples plano de regressão civilizacional, onde ficamos mais escravos do que somos.
Começando pelas pás eólicas, o BE terá esquecido que não havia qualquer necessidade delas, e o intuito de introduzir a energia eólica foi dar prebendas a correlegionários do regime, que arranjaram enormes rendas à custa de aumentarem a factura de electricidade do cidadão comum.
A situação é tanto mais ridícula, que continuamos a ter só entradas de 220 volts, quando a maioria dos aparelhos eléctricos modernos trabalharia com 12 volts, sendo necessários transformadores que desperdiçam energia sob a forma de calor, para fazer a conversão. 
Quem fala disto? Ninguém! Ninguém, porque não interessa baixar o consumo, não interessa baixar as rendas de quem vive de não fazer coisa nenhuma, no sector eléctrico. Produz-se 3 vezes mais energia para completo desperdício, mas não deixamos de pagá-la.
Depois é toda a história macaca do colectivismo, com comboios e autocarros... que são na prática os maiores poluidores. O preço dos transportes públicos é ridiculamente alto, ao ponto de ser mais barato a pessoa deslocar-se de carro, já para não falar da maior conveniência, mesmo pagando o estacionamento.
O transporte colectivo vive da ideia do rebanho de carneiros, que segue em manada, guiado pelo pastor. É um conceito contrário à liberdade individual. 
Como ponto de liberdade individual, o que temos? - A bicicleta! Mas não são bicicletas quaisquer, são as bicicletas de aluguer, negociadas pelas novas empresas de oportunismo e clientelismo.
É uma mudança de mentalidade, onde a bicicleta, que era nossa propriedade vulgar desde que crescemos, passa a ser um artigo de aluguer, para dar rendimento a mais uns tantos escroques.
O carro é claro, é um bem maléfico...

Do outro lado, vemos a poluição industrial... como se as bicicletas, os autocarros, os comboios, etc, nascessem nas árvores! Como se os carros eléctricos não tivessem baterias com poluentes mais perigosos que os outros existentes...
Acresce ainda o símbolo da energia nuclear, uma das mais limpas e ecológicas, que foi decidido depois fazer parte das energias malévolas, já que os EUA quiseram parar o desenvolvimento de centrais nucleares, que era feito pela França e Alemanha. É claro que as centrais nucleares são um problema, um risco, como seriam as hidroeléctricas, se fossem deixadas sem manutenção, sujeitas a uma inundação por colapso da barragem.

Mas a ideia mais ligeirinha é beatificar o esforço político dos jovens - necessariamente mais manipuláveis e menos conhecedores da perversidade humana, colocando-os contra a geração dos pais e avós, para quem já destinaram o lar de terceira idade. Não é novidade que o nazismo, através da juventude hitleriana, ou o salazarismo, através da mocidade portuguesa, tentaram usar o raciocínio juvenil, ou melhor, a falta dele, para conduzir as suas campanhas. Não é novidade também que o comunismo fez a mesma coisa. Sempre a falta de conhecimento juvenil foi usada para a crendice e militância, não é novidade usar-se isso agora para as campanhas "ecológicas"... enfim, como se as campanhas ecológicas não tivessem começado nos anos 50, ou seja há mais de 70 anos, estando tão velhas quanto os mais velhos.

Na realidade, o problema principal desta esquerda frugal é a típica falta de cérebro, valendo o ditado que "de boas intenções está o inferno cheio". Qualquer energúmeno que pretenda passar por intelectual, não tem que ter um cérebro funcional, basta colocar-se do lado da corda onde é suposto ficar a intelectualidade. A situação chegou rapidamente ao ponto limite - os intelectuais têm um nível de inteligência que roça o analfabetismo puro. Não é assim de espantar que iluminárias do BE tenham feito campanhas contra o "machismo" da língua portuguesa, querendo mudar o "Cartão de cidadão" para "Cartão da cidadania", e estejam prontos para outras manifestações... em que a única coisa que transparece é a completa ausência de cérebro.

sábado, 20 de julho de 2019

50 anos depois

Um vídeo é suposto ser falso e o outro verdadeiro... qual? - depende da crendice.




No primeiro vídeo ouve-se:
"Cut!... So, I guess you wanna do it again!"

A questão é justamente:
So... I guess you never wanna do it again?

Há 10 anos atrás, se alguém me dissesse que não acreditava na ida à Lua, eu acharia que o sujeito era ignorante ou estava armado em parvo.
Passados 10 anos, e sem o mínimo ensejo de alguém repetir a senda de Kennedy, que desafiou a NASA a colocar um homem na Lua no espaço de 8 anos... pois, hoje passa-se o contrário!

Quando vemos a encenação do primeiro vídeo, vemos a velocidade a que o astronauta cai na Terra, mas também vemos a sua facilidade em mexer os braços e em movimentar-se.
Quando vemos a encenação do segundo vídeo, vemos a velocidade diminuída, que seria prevista para a queda na Lua, mas o que não seria previsto é que todos os movimentos ocorressem a uma velocidade reduzida, com dificuldade em mexer-se... quando sem grande atracção gravítica, os movimentos dos astronautas deveriam ser muito mais rápidos.

Talvez por falta de comparação, ou simplesmente porque se quis acreditar, esta piadola de 50 anos está aí jovial e pronta para viver mais 50 anos, mesmo depois dos astronautas (agora com quase 90 anos) terem morrido.


quarta-feira, 17 de julho de 2019

Nebulosidades auditivas (72)

Eurythmics (... "bom ritmo") era um duo formado por Annie Lennox e David Stewart, que foi coleccionando alguns sucessos bem conhecidos durante a década de 80. Enquanto produtor David Stewart esteve ligado a outros projectos musicais britânicos.
Neste "Beethoven" a composição sai fora do contexto mais conhecido da banda, mostrando como era possível antever caminhos de futuro nos anos 80, ou rotas abertas que não foram depois seguidas. 

Eurythmics (1987) - (I love to listen to...) Beethoven 

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Os pássaros (10) de Aristófanes

A propósito de um comentário, acerca da tradução que fiz em 2016 da obra de Aristófanes, ficou por definir a versão completa num único PDF, que fica agora aqui.



quinta-feira, 20 de junho de 2019

Nebulosidades auditivas (71)

And truth is:
... you can't hide from the truth, because the truth is all there is.

Roisin Murphy - The Truth (live at Ancienne Belgique 19.11.07) do projecto
Handsome Boy Modeling School (album So... How's Your Girl?, 1999) 

Roísín Murphy, que foi figura principal dos Moloko, aparece aqui numa participação especial, na melodia "The Truth".

Se apenas existisse verdade, não existiria falsidade. A verdade é o universo que nos une, enquanto a mentira e o engano fazem-nos desviar por caminhos de perdição, mostrando o que poderia ser, o que cada um gostaria que fosse... desviando e separando até ao ponto de regresso ao único caminho possível, até ao regresso do entendimento ao caminho da verdade. 

terça-feira, 18 de junho de 2019

Pan-demónio

Uma semi-surpresa nas últimas eleições, foi a eleição de um deputado do PAN (pessoas, animais e natureza), fazendo-se crer que tal ideologia teria qualquer coisa de novo.
Como é óbvio, o respeito pelos animais, etc, não é ideia nova... mas será menos conhecido que teve um dos maiores suportes no Partido Nazi. 

Goering proibe a vivisecção animal,
e os animais respondem com a saudação nazi.
A Alemanha nazi tornou-se pioneira em protecção dos animais, sendo o primeiro país a banir vivisecção animal em 1933, conforme se pode ver num panfleto nazi ilustrativo...


Aliás Goering ia mais longe, anunciando que havia a necessidade de leis para proteger os animais (na sua criação, transporte, etc) e mostrar simpatia pelo seu sofrimento, devendo isto ser leis de humanidade. 


Acresce que Hitler, a partir de 1938, tornou-se vegetariano convicto, e teria como um objectivo o fim da chacina animal para consumo humano, após a guerra.

Além de todas estas virtudes que o PAN enaltece, o líder nazi também promoveu que o tabaco e o álcool fossem banidos da sociedade alemã.


Portanto, em poucas palavras, Hitler estava completamente alinhado com a ideologia actual do politicamente correcto, pelo menos no que diz respeito à protecção de animais, ambiente, anti-tabagismo e até anti-alcoolismo. Quem sabe, seria talvez defensor das "alterações climáticas", caso o assunto fosse à época abordado.

Do lado do menos politicamente correcto, estava o destino que Goering preconizava para quem desrespeitasse as leis que protegiam os animais: campos de concentração. 
Portanto, a humanidade ideal nazi passava por tratar humanos abaixo de cão.

Agora, o PAN optou por algo semelhante. 
Num artigo de Daniel Oliveira, "Mendigo abaixo de cão", citamos o seu comentário certeiro (para variar) a propósito da caricata regulamentação animal que o PAN propôs à Assembleia Municipal de Lisboa:
Noutra norma, o regulamento pede para, quando se retira o animal ao seu dono, “ter em conta a dor ou sofrimento que pode ser causado ao animal resultante da sua ligação afetiva ao detentor ou a outros animais”. Não tem uma linha sobre a dor ou sofrimento causado ao dono. É como se os animais passassem a ocupar, no ordenamento jurídico, o lugar das crianças, com o seu bem-estar à frente do ser humano adulto. Na realidade, é assim mesmo que o PAN vê as coisas.
Atendendo ao grotesco caso do pitbull Zico, neste "progressismo" demente os animais estão mesmo acima das crianças, pois nem sequer a morte de um bebé os sensibilizou, conseguindo projectar na besta agressora a personificação de um anjo vítima da sociedade.

Nada disto surpreende quem estiver mais atento, porque demagogicamente é fácil proclamar-se "progressista" com ideias que têm milhares de anos. O respeito pelos animais, levado ao ponto do vegetarianismo, é uma filosofia que tem na Índia adeptos há milhares de anos. Aliás, já falámos aqui do caso Bisnau, em que a protecção da vida era levada mais longe, incluindo as árvores.
Os nazis inventaram um mito ariano com raízes indo-europeias, em que o aspecto vegan se encaixava bem, especialmente comparando com a prática kosher judaica, e similares árabes (ou até cristãs), onde os animais eram sangrados em sofrimento até à morte. O aspecto vegetariano vestia assim uma capa de superioridade ética e moral, na conduta animal, que acompanhava de mãos dadas com o lado negro do desrespeito pela vida humana.

Claro que as ideias de respeito e protecção dos animais e da natureza são excelentes.
Não será por serem defendidas por gente com fusíveis queimados, que passam a ser más.
Simplesmente também não é por idiotas defenderem boas ideias que passam a ser modelos sensatos.
Os nazis tiveram algumas excelentes ideias, mas também puseram a humanidade abaixo de cão.
Ora, quando o ganir canino toca mais que o choro humano, a ameaça à humanidade está presente.

Na melhor das hipóteses, estes grupos sociais resultam de malta que anda à procura de uma causa, de um grupo de fidelidade para socializar, e o pretexto de defender animais é apenas um entre muitos, como seria apanhar beatas, fumar charros, beber imperiais, ou evitar a extinção dos gambuzinos.
Na pior das hipóteses, têm mesmo os fusíveis queimados e não há recuperação racional possível.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Nebulosidades auditivas (70)

O triplo F português consistia em Futebol, Fado e Fátima... ou pelo menos assim foi entendido durante os anos 1960-70, na promoção popular que o regime de Salazar levava à população.
No futebol foram os anos gloriosos de Eusébio como estrela mundial, no fado projectava-se a figura de Amália internacionalmente, e finalmente o papa Paulo VI comparecia à comemoração dos 50 anos de Fátima. No entanto, convém notar que o F que Portugal procurava não era o do Fado, mas sim o do Festival. Era o Festival da Canção que fazia parar o país e aguardar a votação do júri, sempre penosa. 

Com o passar do tempo, o festival caíu quase no esquecimento, e a RTP chegou a desistir de participar. 
Até que algo misteriosamente Salvador Sobral, irmão de Luísa Sobral, trouxe o caneco de Kiev, em 2017, com uma canção engraçada, simples e menos boba que o cantor.
Salvador Sobral vence a Eurovisão em 13 de Maio de 2017

Em que data ocorre a final de Kiev?
- 13 de Maio de 2017.
Ou seja, na noite de sábado em que Fátima recebia o Papa Francisco, para a comemoração do centenário das aparições.
Acrescia ainda nesse mesmo dia, o Benfica de Eusébio, vencer o primeiro tetracampeonato. Não era uma competição internacional, mas essa tinha sido ganha em França, no ano anterior (Euro 2016).

O triplo F num só dia. Influência da Santa? Coincidência?
Haverá quem acredite que sim...
Já abordei o assunto no postal anterior FFF, e pouco há a acrescentar ao que Salvador disse:
« ... isto estava tudo comprado na verdade!»
Digamos que Saramago ganhar o Nobel da Literatura em 1998, 500 anos depois de Vasco da Gama ter aportado à Índia, também poderá ter sido coincidência. Haverá quem acredite que sim... Haverá ainda Lobo Antunes, que já se sabe não liga ao assunto, nem quer saber que passam agora 500 anos da saída de Magalhães. Talvez espere pelos 500 anos do lançamento dos Lusíadas, em 2072.

Voltando à actualidade. Em 2018 nem sei o que se passou no festival, organizado por cá - terá sido qualquer coisa sem qualquer interesse. Mas este ano, felizmente que o festival voltou a servir para alguma coisa menos trivial, aparecendo o desconcertante Conan Osiris. Goste-se ou não da desarmonia em tom cigano ou hindú, pelo menos ainda há quem se entretenha em valorizar o que é interessante e não óbvio.
Conan Osiris - Telemóveis (Festival RTP da Canção)

Apesar deste F ter falhado rotundamente nos F's festivaleiros, e de 2019 não ser ano de visita papal a Fátima... neste fim-de-semana, voltou a funcionar o F do futebol, com a conquista da Taça das Nações da UEFA. 

domingo, 5 de maio de 2019

Cair de Maduro (2) segundo assalto

Falando de joguetes sul-americanos, a situação venezuelana chegou ao ponto Zugzwang.
Zugzwang é um termo de xadrez, que significa que quem é obrigado a jogar, fica numa posição pior do que a que tinha anteriormente.

Foi praticamente isso que aconteceu a Guiado, ou melhor Guaidó, cuja situação política vai ficando cada vez mais frágil, a cada iniciativa que toma.
Ao contrário do que suspeitariam os analistas ocidentais, Nicolas Maduro foi resolvendo de forma muito subtil o "pequeno problema" de ter outro fulano reconhecido como presidente pela comunidade ocidentalizada. 
O que fez Maduro? - Não fez nada. 
Claro que muito terá feito nos bastidores, mas para além de convocar os seus apoiantes, não tomou nenhuma iniciativa drástica contra o impostor. 
O efeito de ter a comunidade internacional a reconhecer Guaidó, não afectou muito mais do que já estava, porque como os EUA declararam um embargo internacional à Venezuela, seria difícil criar dificuldades maiores do que as já existentes, exceptuando qualquer acção militar. 

Como Maduro não fez nada, Guaidó sentiu necessidade de convocar a "revolução", e no dia 29 de Abril procurou ter a população e os militares do seu lado. Se a população ainda foi aparecendo, os militares contavam-se pelos dedos... e então como manifestação do seu real poder, Maduro fez um desfile com centenas ou milhares de militares.


Não foi preciso mais nada, para que ficasse bem claro que Guaidó, apesar do ruidoso unânime apoio internacional, esse apoio conta pouco internamente, especialmente entre os militares. 

Surge assim a pergunta:
- Mas a questão é mesmo, para quê?
Não o prendendo, deixa cada vez mais claro que toda a força de Guaidó é externa, e de um forte, mas dividido sector interno, ligado à comunicação social. Não o prendendo, foi deixando-o numa posição cada vez mais frágil e irrelevante...

Convém lembrar que a Venezuela se orgulha de ser o primeiro país a abolir a pena de morte, e nesse aspecto o Regime Bolivariano de Chavez pode vangloriar-se de não seguir o exemplo dos EUA.
Além disso, mesmo que Chavez tivesse tentado um golpe de estado em 1992, tal como o tentou agora Guaidó, Chavez chegou ao poder por via eleitoral, com 56% nas eleições presidenciais de 1998. 
Maduro também acabou de ser reeleito presidente em 2018, mesmo que a oposição não queira reconhecer essa eleição.

Tivesse Guaidó conseguido agora manter a população em manifestações constantes, como aquelas que foram ocorrendo em Paris nos últimos 6 meses, pelos "coletes amarelos", e não deixaria de ter maiores perspectivas de conseguir alguma coisa. 
Estivesse Maduro na posição de Macron, e passaria por infligir fortes cargas policiais, fazer prisões indiscriminadas, etc... assim vamos apenas tendo as habituais fake news de uma imprensa ocidental que chega a ser ridícula, por ser tão condicionada.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Liberdade do silêncio

Parece que foi há muito tempo, mas foi apenas há uma semana que o despiste de um autocarro na Madeira tirou a vida a 29 turistas alemães.

Este terá sido o acidente rodoviário com o maior número de vítimas, depois da queda da Ponte Hintze Ribeiro, em 4 de Março de 2001 (acidente onde morreram 59 pessoas), e parece-me que será mesmo o acidente com maior número de vítimas em Portugal, que não se deveu à falha de uma estrutura.

17 de Abril de 2019 - Autocarro cai numa ravina madeirense - 29 mortos.

Sintoma da nossa comunicação social, foram 3 dias de luto, e 2 dias de notícias. 
Passados poucos dias, era como se aquele episódio tão dramático nem tivesse acontecido. 
A situação foi tão ridícula que, no próprio dia, a SIC e a TVI abriram o noticiário das 20h com a crise no abastecimento de combustíveis. Creio que só a RTP1 colocou o assunto na abertura do seu noticiário principal. 

Afinal, o que estava em causa? 
- O turismo na Madeira!
Esta situação ridícula já tinha ocorrido em 20 de Fevereiro de 2010, quando o Governo Regional da Madeira, com medo do impacto negativo no turismo, quis esconder a calamidade do chamado "Aluvião da Madeira", que provocou 47 mortos.

Poderia dizer-se que não há muito mais a noticiar, mas não é bem assim, quando até as causas do acidente estão por apurar (falou-se em falha de travões, ou acelerador preso), e é bem certo que as estradas da Madeira convidam a perigos deste genéro, ou talvez ainda piores. Começa logo por ser complicado aterrar na Madeira...

Não é que não haja interesse, e agora que se comemoram 45 anos de "liberdade", certamente que há toda a liberdade jornalística de investigar e indagar, claro que sim... mas desde que seja em silêncio!

Como se não fosse caricato, a Wikipedia portuguesa fez um pequeno artigo, mas houve logo quem se propusesse a eliminá-lo (para ficar, teve que passar por votação).

É um delírio ouvir a malta jovem (ou nem tanto), que nasceu após o 25 de Abril, dizendo que não souberam como era viver num país com censura! 
Novidade, para quem pensa o contrário - nunca deixaram de viver num país sob censura!

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Nebulosidades auditivas (69)

PPK foi um grupo russo, formado pelas iniciais dos membros (Pimenov, Polyakov, Korzhov), que acabou por ficar famoso (atingindo o nº3 em Inglaterra) graças ao tema ResuRection (ou Resurrection), uma reformulação musical no estilo trance de um tema do filme Siberiade, de Eduard Artemyev. 

 ResuRection - PPK (2001)

Por razões desconhecidas, o tema acaba por ser associado ao produtor inglês Paul Oakenfold, com quem os PPK estabeleceram um contrato.
Este grupo russo, tal como as congéneres t.A.T.u., foram dos primeiros grupos russos a entrar na cena pop internacional (ou o que é o mesmo... na cena pop britânica e americana).
Na parte final do tema ouvem-se gravações do primeiro astronauta, o russo Yuri Gagarine. Para esse efeito, a historiografia internacional ainda não conseguiu alterar o registo pioneiro dos russos na exploração espacial. Aguardemos... sabendo o que já aconteceu, não seria a primeira vez que a história seria reescrita.