segunda-feira, 21 de março de 2016

Os pássaros (6) de Aristófanes

As peças de Aristófanes concorriam a festivais exibidos em Atenas, em particular "as Aves" terá concorrido ao Festival de Dionísio, onde obteve o segundo prémio (outro festival era Lenaia). Assim, em várias alturas, Aristófanes usa os pássaros para se dirigirem ao público, ou intimidarem os juízes do concurso, como será feito nesta passagem. 
Aristófanes, numa representação antiga.
A forma liberta como Aristófanes se dirige aos juízes, mostra que não havia especial vontade de lhes agradar, mas muito mais uma vontade de convocar ao público, e dessa forma obter talvez uma pressão sobre os juízes. 
O julgamento democrático poderia ocorrer enquanto o público não deixasse que uma casta ficasse liberta de aferição, e decidisse a seu belo prazer. O efeito de uma comédia ultrapassava claramente qualquer apreciação erudita, desde que o escritor conseguisse ridicularizar com sucesso os alvos caricaturados... essas imagens iriam permanecer no discurso corrente, atingindo os visados como farpas. 
Numa sociedade em que o "peso da imprensa" não se faria sentir como hoje, tragédias, e especialmente comédias, seriam uma forma indirecta de exercer um agudo comentário crítico à actuação política. De tal forma que Platão parece ter indiciado Aristófanes como um dos culpados pela condenação de Sócrates. Porém, como podemos ver neste trecho, o próprio Aristófanes seria crítico da perseguição feita a Diágoras de Melo, pelo simples facto de este se ter revelado ateu, recusando os deuses, e ficando assim ostracizado e com a cabeça a prémio em Atenas.

(em edição)
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As Aves 
(de Aristófanes)

continuação de (5), (4), (3) , (2) , (1)
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(após a fuga do inspector)

1º Coro: Daqui em diante, é a mim, que tudo vejo e que tudo domino, que todos mortais oferecerão os seus sacrifícios e solenes preces. Porque o meu olhar engloba a Terra, preservando os frutos em flor, destruindo mil pragas de insectos, devorando os germes que saem do cálice, e nas árvores os frutos que assim se corrompem; destruo os que funestamente assolam os amenos jardins levam a raiva do seu contacto funesto, todas as criaturas rastejantes que tombam sob a minha asa.

Líder do 1º Coro: Hoje, mais que nunca, se proclama este édito: 
- "Um talento a quem matar o ateu Diágoras de Melo, e se alguém matar um dos tiranos mortos, também receberá um talento". 
Nós também, nós queremos promulgar o seguinte decreto: 
- "Se algum de vós matar Filócrato, o avestruciano, receberá um talento. Se o trouxer vivo, receberá quatro, pois é ele que vende no mercado, o espeto de sete tentilhões por um óbulo. Tortura os tordos, inchando-os para parecerem maiores, enfia as próprias penas nas narinas dos melros; junta os pombos presos numa rede, para que sirvam de chamariz a outros."
É isto que queremos anunciar. E se alguém mantém pássaros presos no seu quintal, é melhor soltá-los já, pois prenderemos os que desobedecerem, e esses irão servir de chamariz para prender outros homens.  

2º Coro (cantando): Feliz é na verdade a raça alada! Não necessita de casacos no inverno, e no verão os raios luminosos não nos provocam um calor sufocante. Mas, é junto aos prados floridos que habitamos, no meio da folhagem, que a divina cigarra, emite o seu canto ao calor do meio-dia, invernamos em cavernas profundas, convivendo com as ninfas da montanha, enquanto na primavera desfrutamos das bagas brancas, do mirtilho nos jardins das Cáritas [Graças].  

Líder do 2º Coro: Aos juízes, queremos dar uma palavra sobre a vitória no prémio em disputa:
- "Se nos forem favoráveis, iremos dar-lhes mais benefícios do que Páris recebeu:
-- Primeiro, as corujas de Laurium, que os juízes desejam acima de tudo, irão viver convosco, farão ninho nas vossas bolsas, e aí vão depositar as moedas;
-- Depois, sereis acolhidos como deuses nos templos, visto que elevaremos com empenas as vossas casas, à altura das águias.
-- Se tiverem algum cargo público, e pretenderem a pilhagem, dar-vos-emos garras de falcão;
-- Querendo fartar-se num jantar na cidade, lhes daremos um estômago como um papo.
- Mas, se vos virais contra nós, e nos recusais o prémio, pois arranjai tampas de metal, como as que usam para cobrir as estátuas. Tomai cuidado. No dia em que saírem com as vossas alvas túnicas, todos os pássaros vos irão cobrir de excremento.

Pistétero: Pássaros, o sacrifício é propício! Mas, não vejo nenhum mensageiro vindo do muro, para nos dizer o que se está passando... Ah! Aí vem um, extenuado como se tivesse corrido o Alfeu  [110 Km nos antigos Jogos Olímpicos].
1º Mensageiro (andando às voltas): Onde, onde, está ele? Onde, onde está? Onde está o nosso líder Pistétero?
Pistétero: Eis-me aqui!
1º Mensageiro: O muro está terminado!
Pistétero: Uma boa nova!
1º Mensageiro: É a mais magnífica obra de arte! A parede é tão ampla que os gabarolas Proxenides e Theogenes poderiam passar um pelo outro nas suas quadrigas, mesmo se fossem puxados por garanhões do tamanho do Cavalo de Tróia.
Pistétero: Muito bem!

1º Mensageiro: O seu comprimento é de 100 estádios, medi-o eu mesmo!
Pistétero: Por Poseidon, isso é que se chama grande! E quem construiu tal obra gigantesca?
1º Mensageiro: Os pássaros! Não estava lá mais ninguém. Nem o trolha Egípcio, nem pedreiros, nem carpinteiros. Os pássaros fizeram tudo sozinhos. Nem podia acreditar nos meus olhos. Trinta mil grous com um fornecimento de pedras para as fundações, vieram da Líbia [África]. Foi tudo cinzelado pelos bicos dos frangos d'água. Dez mil cegonhas ocuparam-se dos tijolos, maçaricos, borrelhos, tarambolas, ocuparam-se de levar a água.
Pistétero: E quem levou a argamassa?
1º Mensageiro: As garças em cochos de pedreiro.
Pistétero: Mas como conseguiram pôr a argamassa nos cochos?
1º Mensageiro: Oh! Isso foi mesmo uma invenção surpreendente. Os gansos usaram as suas patas como espátulas, enterraram-nos na pilha de argamassa e depois soltaram-na nos cochos.
Pistétero: Ah! E que uso não se pode dar às patas?
1º Mensageiro: Deveria ter visto como, contra a cintura, os patos levavam os tijolos. Para completar a história, as andorinhas voaram com os bicos cheios de argamassa, e como se transportassem as crias, traziam as colheres de pedreiro nas suas costas.
Pistétero: Depois disto, quem quer pagar a trolhas ou mercenários? Mas, diga-me, quem fez a marcenaria?
1º Mensageiro: Mais uma vez, os pássaros. Os pelicanos, carpinteiros inteligentes, esquadrilharam as portas com os seus bicos, de tal forma que se pensaria estarem usando machados num canteiro naval. Agora todo o muro está bem unido em toda a parte, é patrulhado com sineta na mão e as tochas estão acesas nas torres. Agora vou rapidamente tomar banho... a si de fazer o restante.
Líder do Coro: Não está surpreso com a conclusão tão rápida?

Pistétero: Sim, por todos os deuses. Não dá para acreditar. Mas eis como chega outro mensageiro, vindo do muro... e tem a cara ferida!
2º Mensageiro: Alas! Alas! Alas! Alas! Ai de mim...
Pistétero: O que se passa?
2º Mensageiro: Ocorreu uma terrível revolta. Um deus enviado por Zeus passou pelas nossas portas, e penetrou no Reino dos Ares, sem o conhecimento dos Gaios, que guardavam durante o dia.
Pistétero: Um acto terrível e criminoso. De que deus se tratava?
2º Mensageiro: Não sabemos, apenas sabemos que tem asas.
Pistétero: Mas por que razão não enviaram patrulhas contra ele?
2º Mensageiro: Despachámos 30 mil falcões da legião dos Arqueiros Montados. Todas as aves com garras de gancho estão no seu encalço - o francelho, o milhafre, o abutre, a coruja, a águia, elas cortam o ar, que até ressoa com o bater das suas asas. Estão procurando em todo o lado pelo deus, que não pode estar longe. De facto, se não me engano, está vindo de lá. 
Pistétero: Às armas, às armas, todos, com fundas e arcos. Assim, todos os nossos soldados, prontos para atirar e atacar! Alguém me dê uma fisga!

Coro (cantando): Guerra, uma guerra terrível está irrompendo entre nós e os deuses! Venham, que cada um guarde o Ar, filho de Érebo, no qual flutuam as nuvens. Tomem atenção para que nenhum imortal nele entre sem que vós sabeis.
Líder do coro: Assegurem-se de todos os ângulos com o vosso olhar. Oh! Como se estivesse perto um génio alado, acho que podemos ouvir o som de asas. 

(continua)




sexta-feira, 18 de março de 2016

Lava já, tu!

(... ou maçons & trolhas) 
(... ou polvo vs. lula)

Há por vezes a ideia de que a maçonaria recorre a métodos subtis para exercer o seu poder, mais através da influência, do que de alguma acção directa visível. Bom, essa ideia é essencialmente errada. Qualquer estrutura de poder, quando luta pela sobrevivência, não hesita nos meios e nos métodos. Sem protecção do verniz, o pedreiro mação apresenta-se com a subtileza de um trolha.

Com uma difícil coordenação entre tanta loja maçónica brasileira, podemos ver ainda a maçonaria no seu estado bruto, conduzida por trolhas.
Ora, a maçonaria, que terá apoiado a ascensão do sindicalista Lula até à presidência, parece ter decidido o fim da presidência de Dilma Rousseff, num habitual processo de usar os meios de comunicação social e manipulação da legalidade, sempre invocando um pretexto nobre, mas neste caso nem sequer iludindo que se trata de um ataque pessoal.
Vejamos esta prosa e moto brilhante:

(ler alertatotal.net - em Abril de 2015)

Esta envolvência directa, sem esconder o alvo - Dilma Rousseff, é tão ridícula quanto seria...
... uma carta da mafia de Chicago a queixar-se da insegurança nas ruas da cidade;
... uma carta do partido Nazi queixando-se das perseguições ao judeus;
... etc.

Já em 2014 a maçonaria brasileira tinha deixado bem claro que contaria com Sérgio Moro, o juiz espalhafatosamente empenhado no processo "Lava jato":

Grande elogio da maçonaria brasileira ao juiz Sérgio Moro
(do site da Grande Loja Maçónica de Minas Gerais)

Portanto, é daquelas situações em que os trolhas se encarregam de dar nas vistas, para que não haja dúvidas onde está o "olhão"...
Ora, como "passar o Brasil a limpo"?...
- Lava já, tu, com a "Lava Jato".

Isto é tão ridículo, que mete dó - mas funciona porque não é preciso que todos alinhem, basta mobilizar uma minoria actuante, e desorientar a maioria passivamente.  Aqui parecem ainda revelar conhecer a carência do juiz - grande prestígio e reconhecimento púbico.

Nem está em causa que o juiz esteja com agenda política, nem está em causa que haja corrupção no PT, afinal como já havia antes, e em pior grau, nos outros partidos. Ao que me explicaram brasileiros informados, o "esquema mensalão" era uma prática comum, e o PT apenas fez o mesmo que outros faziam, para facilitar a aprovação de leis que precisavam passar em Brasília.
Para esses brasileiros, "não se poderia distinguir a corrupção da incompetência", porque simplesmente ninguém ia preso por incompetência, mas ia por corrupção. Assim, bastaria ao político assumir uma vergonhosa incompetência, que escapava da acusação de corrupção... e como bem sabemos, depois essa incompetência permite obter lugares ainda mais altos.
Ser um incompetente desavergonhado tem sido uma profissão de sucesso.

Também nem estará em causa que o processo judicial esteja a ser bem conduzido... afinal, um ponto forte da maçonaria é promover líderes com pontos fracos, para melhor dispor deles, e Lula seria uma excepção se não fosse assim. Quanto a Dilma... à falta de melhor, será acusada de não querer que o "velho" fosse preso ligeiramente por "falsidade ideológica"(!!), arriscando pagar por toda a corrupção do país - corrupção que foi uma das bases de poder da própria maçonaria, para além de chantagem, assassínio, e outras armas com longo registo histórico documental... antigo, é claro.

Foi pouco noticiado, porque já se sabe que os aviões "caem que nem tordos", especialmente quando transportam políticos indesejáveis... foi esse o caso do candidato do PSB, Eduardo Campos, que prometia disputar a eleição de 2014 com Dilma.
Eduardo Campos, 49 anos, mais uma vítima de "acidentes aéreos",
na campanha de 2014, o seu jato ardeu como lava incandescente.
Se relativamente ao caso de Sá Carneiro e Amaro da Costa, ainda se vai falando das suspeitas de atentado, o caso de Eduardo Campos parece que nem deixou rasto de investigação... O mais que soube é que o avião quando caiu já iria em chamas, segundo uma testemunha: «"Vi todo o trajeto, posso garantir, já desceu em chamas... não dava para ver que era um avião, vi só uma bola de fogo vindo, já estava em chamas, sem brincar, parecia um asteróide", disse o comerciante Sergio Campos, 42 anos, testemunha ocular do acidente.»

Portanto, parece que a notícia da queda do jato foi lavada da memória. O candidato que seguia nos primeiros lugares das sondagens, não mereceu a atenção dos brasileiros.
Rapidamente, mal Dilma foi reeleita, entraram os processos de impeachment... a investigação sobre a queda do jato não interessava, interessava lavar a jato.

Como diziam os trolhas - "Mudança já!", mas referiam-se àquela mudança necessária a que tudo fique na mesma, e por isso há candidatos levados ao colo e outros lavados do mapa.

A mim, que não percebo nada disto... quando já só vejo trolhice, parece-me desespero puro.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Os pássaros (5) de Aristófanes

Aristófanes vai nesta parte da peça ridicularizar o astrónomo ateniense Meton, que ficou conhecido pelo "ciclo metónico", reproduzido no Mecanismo de Anticítera:
A Máquina de Antícitera simulava o ciclo metónico.
O ciclo metónico, é uma relação quase equivalente entre 235 ciclos lunares (meses) e 19 ciclos solares (anos), que nem terá sido descoberta por Meton, mas a que ficou associado o seu nome. A sua utilidade mais notória era a previsão de eclipses... já que uma quase completa coincidência dos ciclos ao fim de 19 anos, permitia antever a repetição dos eclipses nesse período de tempo (com um erro de 1h30m apenas). Assim, já os magos caldeus impressionavam a população com a sua capacidade de prever a ocultação do Sol.
Porém, tirando essa utilidade de esclarecer que o movimento dos astros era previsível, conforme mostrado no século anterior, por Thales de Mileto (... e daí a resposta que Aristófanes dá por Pistétero), na prática não se veria outra grande utilidade para a população.

Lembrei-me de um artigo que vi no Expresso:
(de Rogério Martins, que entretém na RTP2 com um programa chamado "Isto é Matemática").

A maçonaria entretém-nos com os seus mistérios místicos - no sentido de mistelas misturadas, e o tema incluía ainda o grande pintor português Almada Negreiros, levando ao conceito de Bauhütte (... construção do telhado), que era supostamente um código medieval de pedreiros para determinar um ponto que verificava a lengalenga:
Um ponto que está no círculo. E que se põe no quadrado e no triângulo. Conheces o ponto? Tudo vai bem. Não o conheces? Tudo está perdido.
Segundo o descrito nesse artigo, servia isto para aferir se um pedreiro vindo de outras paragens pertencia à Ordem, ou se era apenas um trolha sem conhecimentos secretos de maçonaria.
Almada Negreiros terá tido interesse no assunto, e mostra-se que ele procurou dar uma "solução" para o "enigma", apresentando um desenho que está incluso no painel "Começar" da Gulbenkian.
Interpretação de Almada Negreiros para o Bauhütte
Ora, ocorre que há uma infinidade de maneiras simples de interpretar a "solução" da lengalenga, uma das quais remete apenas para um ponto que esteja nas três figuras. A partir daí é apenas dar importância a um não-problema, escolhendo a solução mais a gosto do comprador...
Podemos ligar isto ao habitual exemplo do "Homem de Vitrúvio", pintado por Leonardo da Vinci:
Quadrado e Círculo nas proporções de Vitrúvio
por Leonardo da Vinci.
... mas não é a mesma coisa, porque a informação de Vitrúvio é pertinente e relevante, acerca das dimensões humanas, enquanto o desafio do Bauhütte é simplesmente uma charada em forma de desafio - algo a que só se dá importância se reconhecermos valor no proponente.
Como exemplo, notamos que o próprio quadrado e círculo apresentados por Da Vinci tocam-se no ponto do solo, assim como todos os objectos se equilibram sempre num mesmo ponto de contacto comum no solo. Isso seria uma resposta perfeitamente válida... bem como muitas outras:



Serve isto para explicar a maneira como Aristófanes correu com Meton à pancada, tomando-o como um charlatão e impostor... não tanto porque algum do seu conhecimento não fosse interessante, mas muito mais porque Meton pretendia dar relevo de utilidade ao seu ofício, quando naquela situação já não tinha nenhum relevo, nem nenhuma utilidade.
Um dos maiores problemas com certos grupos/actividades, é ganharem um grande protagonismo, já que depois dificilmente aceitam que essa actividade deixa de ter qualquer relevo, e se reduz apenas a um enquadramento histórico limitado ao círculo de manos. Ao invés disso, procuram que seja o seu círculo a limitar o enquadramento histórico... mas nem nisso há novidade!

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As Aves 
(de Aristófanes)

continuação de (4), (3) , (2) , (1)
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(entra Meton, com instrumentos de topografia.)

Meton: Eu vim para vos...
Pistétero (interrompendo): Outra praga! O que vem cá fazer? Qual é o seu plano? Qual é o propósito da sua viagem? Qual a razão dos esplêndidos coturnos?
Meton: Venho para parcelar o ar em lotes e definir as ruas.

Pistétero: Em nome dos deuses, quem é você?
Meton: Quem sou eu? Meton, conhecido em toda a Grécia e em Colonus.
Pistétero: O que são essas coisas?
Meton: Ferramentas para medir o ar. Sabei na verdade, que o ar tem precisamente a forma de uma fornalha. Com esta régua curva, caindo do alto, e ajustando o compasso... entende?
Pistétero: Nem um pouco...
Meton: Com a régua recta eu comecei a trabalhar para inscrever um quadrado dentro deste círculo; em seu centro estará a Ágora, à qual levam todas as ruas rectas, convergindo para este centro como uma estrela, que envia seus raios como linhas rectas de todos os lados.

Pistétero: Este homem é como Thales... Meton?
Meton: O que quer de mim?
Pistétero:  Eu quero dar-lhe uma prova de minha amizade. Use as pernas!
Meton: Porquê? Que tenho eu a temer?
Pistétero:  Tal como em Esparta, ocorre a xenelasia. Estranhos são conduzidos para o exterior, pela chuva espessa de chineladas.
Meton: Está sua cidade em sedição?
Pistétero:  Não, certamente não!
Meton: Qual é o problema então?
Pistétero:  Concordamos em varrer todos os charlatães e impostores para longe de nossas fronteiras.
Meton: Então, eu estou indo...
Pistétero (batendo em Meton):  Temo que seja tarde. Este trovão termina a tua trova.
Meton: Oh, ai! oh, ai! Que desgraça.
Pistétero:  Não fui avisando?  Agora, levanta o teu levantamento de terreno noutro lugar. 

(Meton foge, e imediatamente chega um inspector)

Inspector: Onde estão os proxenes?
Pistétero: Quem é este Sardanapalo? 
Inspector: Venho como inspector, nomeado por sorteio, para vigiar Nefelococugia.
Pistétero: Na qualidade de inspector? E quem te envia aqui? 
Inspector: Um decreto de Teleas.
Pistétero: Pretendes ensacar o teu salário, nada fazer e sair? 
Inspector: Sim, de facto é isso. É urgente que esteja em Atenas para a Assembleia, pois estou encarregue dos interesses dos Fárnaces. 
Pistétero (batendo-lhe): Leva-o então. Segue o teu caminho. Este é o teu salário.
Inspector: O que significa isto?
Pistétero: Esta é a assembleia onde tens que defender os Fárnaces. 
Inspector: Testemunhas! Ele bateu num inspector!
Pistétero: Não sai com as suas urnas? Inacreditável, mandam-nos inspectores sem que tenhamos ainda sacrificado aos deuses. 

(O Inspector esconde-se, e chega um Vendedor de Decretos)

Vendedor de Decretos: "Se um Nefelococugiano fizer mal a um Ateniense..."
Pistétero: Qual problema vem agora? Que maldito papiro é esse? 
Vendedor de Decretos: Sou um negociante de decretos e vim vender-lhe novas leis.
Pistétero: Quais?
Vendedor de Decretos: "Ordem aos Nefelococugianos de adoptarem os mesmos pesos, medidas e decretos que os Olofixianos".  
Pistétero (batendo-lhe): Então recebes já o decretado aos Otofixianos.
Vendedor de Decretos: Auu! O que está fazendo?
Pistétero: Agora saia daqui com os decretos! Estou pronto para mostrar-lhe uns mais graves!

(O Vendedor de Decretos parte, e volta o Inspector...)

Inspector: Eu condeno Pistétero, pelos ultrajes, ao mês de Muniquia.
Pistétero: A sério? Tu ainda andas por aqui?
Vendedor de Decretos: "E se alguém correr com os magistrados, não os recebendo conforme diz a estela..."
Pistétero (correndo para ele): Patife! Também tu regressaste?
Inspector: Ai de vós! Terei você condenado a uma multa de 10 mil dracmas.
Pistétero: E eu esmagarei as suas urnas!
Inspector: Lembra-se daquela noite em que defecou na estela onde se publicam os decretos?
Pistétero: Aqui, aqui! Vem-me apreender!  (o Inspector foge...) Então não queres ficar?
Sacerdote: Vamos para dentro, onde sacrificaremos o bode aos deuses.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

Nebulosidades auditivas (31)

O eco da rosa ...


Pink Floyd Echoes - Live at Pompei (1972)



Echo and the Bunnymen - The Killing Moon (1984)

Umberto Eco (1932-2016)

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Os pássaros (4) de Aristófanes

Nesta fase, Aristófanes procede à nomeação da cidade dos pássaros, como "Nefelococugia", e opto por não escrever "Nephelococygia", já que a transliteração do upsilon como ipsilon, é mudar o som "u" para o som "i". É tradicional, mas é propositadamente errada. Em inglês, é usado opcionalmente o termo "cloud cuckoo land", que se refere a uma utópica "terra do nunca" nas nuvens (nefelo).
Também, como resultado da má transliteração dizemos cócix (para o osso), saindo de cocyx, e do abandono do ipsilon na escrita portuguesa, quando do grego se deveria desde logo ter escrito cocux ou ainda mais correctamente, cocus, para o nome grego desse osso. Assim, a composição do nome relaciona o termo "nefelo" ligado a nuvem, com o termo "cocygia" ligado ao cócix.

Interessante é a ligação do esparto a Esparta... que é feita pelo próprio Aristófanes.
Distribuição geográfica do esparto.
Interessante, pois esparto (stipa tenacissima) é uma planta típica da região ibérica e moura, e assim bastante afastada da sua relacionada cidade grega. 
O esparto foi desde há muito usado na produção de diversos artigos, como cordas, cestos, ou até alpargatas, e conforme é mencionado na wikipedia, há registo do uso diverso do esparto na Caverna dos Murcielagos que datam de há 7000 anos. Seria, por exemplo, usado para fazer tapetes pelos iberos, enquanto os gregos e romanos o importariam para fazer cordas de navios.
A planta tendo essa particularidade de se dar apenas numa zona muito restrita, cresce aí selvagem de forma abundante, como vemos nos nossos campos. 
As múltiplas possibilidades de uso do esparto (chamado "atocha" em Espanha), fazem mesmo uma certa cultura de auto-suficiência com os diversos uso desse matéria, versátil, mas pouco confortável. Tudo isso condiz com uma certa "cultura espartana", que depois se viu implantada em Esparta.
Sendo apenas coincidência(!), Aristófanes aproveitou para usá-la na sua peça... e se ele sabia da distribuição geográfica particular dessa planta, pois isso é uma questão mais complicada.

Ainda relativamente a Nefelococugia, diversos comentadores vieram a identificar tal realização, de colocar uma barreira entre homens e deuses, feita pelas aves, como o projecto ateniense colocado na Sicília. E se a Sicília estava no meio, seria o meio entre a Grécia, e outro sítio qualquer... que estaria a Ocidente!

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As Aves 
(de Aristófanes)


continuação de (3) , (2) , (1)
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Pistétero e Euelpide regressam, agora com asas.

Pistétero: Olá! O que é isto? Por Zeus, nunca vi nada tão engraçado!
Euelpide: O que te faz rir?
Pistétero: As tuas pequenas asas. Sabes a que pareces? Um esboço de um ganso!
Euelpide: E tu pareces um melro, com a cabeça depenada!
Pistétero: Nós pedimos esta transformação, e como diz Ésquilo: "Não são penas emprestadas, são as nossas penas!"
O esparto (stipa tenacissima)
encontra-se na Ibéria e Marrocos
Euelpide: O que falta fazer?
Pistétero: Primeiro daremos à nossa cidade um nome grandioso, e depois sacrificaremos aos deuses.
Euelpide: Concordo.

Poupa: Que nome daremos à nossa cidade?
Pistétero: Quereis que esse grande nome se inspire na Lacónia? Devemos dar-lhe o nome de Esparta?
Euelpide: Por Héracles! Chamar Esparta à minha cidade? Eu nunca usaria esparto na minha cama.
Pistétero: Então que nome sugeres?
Euelpide: Um nome inspirado nas nuvens e nas regiões etéreas, algo bem conhecido.

Pistétero: Gostam de Nefelococugia?
Poupa: Oh! Excelente nome! Um pensamento brilhante!

Euelpide: Nephelococcygia é lá onde está toda a riqueza de Theogenes 
e a maior parte de Aeschines?

Pistétero: Não, é mais a planície de Phlegra, onde os deuses apagaram o rasto do orgulho dos filhos da Terra.

Euelpide: Oh! Uma cidade esplêndida! Mas que deus será o patrono? Para quem teceremos o peplos?
Pistétero: Por que não Atena Polias?
Euelpide: Oh! Uma cidade bem policiada por uma divindade feminina armada da cabeça aos pés, enquanto Cleisthenes fiava no tear!

Pistétero: Quem então deve guardar o Pelargicon?
Poupa: Um pássaro de estirpe persa, que em toda parte é proclamado o mais bravo de todos, um verdadeiro pintainho de Ares.
Euelpide: Oh! Pintainho nobre, é um deus bem adaptado para viver nos rochedos.
Pistétero: Vem, tu! Voa para ajudar os trabalhadores que estão construindo a parede; transporta os escombros, despe-te para misturar argamassa, cai da escada, se quiseres, coloca sentinelas, mantém o fogo latente sob as cinzas, faz a ronda de sino na mão, e adormece aqui; então despachas dois arautos, um acima para os deuses, outro abaixo para a humanidade, e depois volta aqui.

Euelpide: Quanto a ti, fica aqui, e possa uma praga levar-te! (Afasta-se.)
Pistétero: Vá, amigo. Vá para onde o mando, pois sem si minhas ordens não podem ser obedecidas. Quanto a mim, quero sacrificar ao novo deus, e irei chamar o sacerdote que deve presidir à cerimónia. Escravos! escravos! Tragam a cesta e a bacia.

Coro (cantando) Eu faço como fizer, eu desejo o que quiser, e imploro-o a enviar orações poderosas e solenes aos deuses, imolando uma vítima como símbolo de nossa gratidão. Vamos cantar a Pítia, cantar em honra do deus, e que Chaeris acompanhe as nossas vozes.

Pistétero (para o tocador de flauta): Chega! Por Herácles, o que é isso? Eu já vi muitas coisas prodigiosas, mas eu nunca vi um corvo amordaçado. 
(para o Sacerdote, que chega) Sacerdote, é chegada a hora! Sacrifício para os novos deuses.

Sacerdote: Começo, mas onde está o homem com a cesta? Ore à Héstia das aves, o milhafre, que preside à lareira, e a todos deuses e deusas - pássaros que habitam o Olimpo...
Pistétero: Oh! Falcão, o guardião sagrado de Sunium, oh, deus pelágico das cegonhas!
Sacerdote: Para o cisne de Delos, para Leto, a mãe das codornizes, e para Artemis, pintassilgo (acalanthide)...
Pistétero: Não há mais Artemis Colaenis, do rei Colaenus, mas sim Artemis Acalanthide, do pintassilgo.
Sacerdote:  A Sabazios, o tentilhão, e a Cibele, a avestruz, mãe dos deuses e a humanidade ...
Pistétero: Oh! avestruz soberana Cibele, mãe de Cleocritus!
Sacerdote: ... para conceder saúde e segurança aos Nefelococugianos, como aos moradores em Quios ...
Pistétero: Os moradores de Chios! Ah! Estou muito contente que deveriam assim ser mencionados em todas as ocasiões.
Sacerdote: ... para os heróis, os pássaros, para os filhos de heróis, a Porfírio, o pelicano... a perdiz, o pavão, a coruja, o pato, a garça, o albatroz, a sombria, o chapim ...
Pistétero: Pare! Pare! Deixa-me louco com a sua lista interminável. Desgraçado, a que festa sagrada está convidando abutres e águias marinhas? Não vê que um único milhafre poderia facilmente levar todos de uma só vez? Afasta-te de nós todos; eu saberei como completar o sacrifício por mim. 
Sacerdote: É imperativo que eu cante outro hino sagrado para o rito da água benta, onde invoco os imortais, ou pelo menos um deles, desde que haja um pouco de comida adequada à oferta; mas pelo que vejo aqui, na forma de presentes, só há pêlos e cornos...

(Chega um poeta)
Pistétero: Enderecemos os nossos sacrifícios e orações aos deuses alados. 
Poeta: Oh, musa! Celebremos em hinos a feliz Nefelococugia.
Pistétero: O que temos aqui? De onde você veio?, diga-me. Quem é você?
Poeta: Sou um cantor de hinos, cuja língua é mais doce que o mel, um zeloso servo das musas, como dizia Homero.
Pistétero: Ou seja, é um escravo... e ainda usa o cabelo longo?
Poeta: Não, mas segundo Homero todos os poetas são zelosos servos das Musas.

Pistétero: Na verdade o seu zelo no manto roto é bastante sagrado!... mas, que mau vento o trouxe?
Poeta: Compus versos em honra de Nefelococugia, uma esplêndida série de ditirambos e de parténias dignas de Simonides.
Pistétero: E quando compôs isso? Há quanto tempo?
Poeta:  Oh, há muito tempo, sim, há muito tempo, que eu canto em honra desta cidade.
Pistétero: Mas estamos comemorando agora a sua fundação com este sacrifício. Venho de a baptizar.
Poeta: A palavra das Musas é rápida, voa como os mensageiros. Oh! tu nobre fundador da cidade de Aetna, tu, cujo nome recorda os sacrifícios sagrados, faz-nos esse dom como o teu coração generoso sugere. (Estende a mão.)
Pistétero: Este maldito poeta vai-nos dar música se não nos livrarmos dele com algum presente. (Para o acólito do sacerdote) Você, que tem uma pele sobre a túnica, tire-a! Vamos dá-la ao hábil poeta. (Para o poeta) Venha, tome esta pele; está a olhar para mim tremendo de frio.
Poeta: A minha Musa vai aceitar de bom grado este presente... mas escute estes versos de Píndaro.
Pistétero: Oh! Que é uma praga! É impossível livrar-nos dele...
Poeta:  Por entre os nómadas citas vagueia Straton, que nem tem uma veste ligeira para se cobrir. Ele parte sem glória, vestindo apenas a pele de um animal, sem uma túnica. Entende-me?
Pistétero: Entendi que quer uma túnica. (Para o acólito) Tire a sua, devemos ajudar os poetas .... (Para o poeta) Você, agarre na túnica e saia.
Poeta: Eu vou, e eis os versos com que me dirijo a esta cidade: "Febo do trono de ouro, celebra esta cidade enregelada; viajarei pela planície frutífera e congelada. Tra la la! Tralala! " (Afasta-se.)
Pistétero: O que você está-nos a cantar sobre geadas? Dê graças à túnica, não devia queixar-se. Ah! por Zeus! Eu não acredito como este homem amaldiçoado poderia tão cedo conhecer o caminho para a nossa cidade. (Para um escravo) Venha, tome a água benta e circunde o altar. 
Sacerdote: Vamos manter o silêncio! 

(Entra um cresmólogo - recitador de oráculos.)

Oráculo: Não deixem a cabra ser sacrificada.
Pistétero: Quem é você?
Oráculo: Quem sou eu? Um recitador de oráculos.
Pistétero: Fora!
Oráculo: Homem miserável, não insulte o sagrado. Porque há um oráculo de Bacis, que se aplica exactamente a Nefelococugia.
Pistétero: Por que não o revelou antes de fundar a minha cidade?
Oráculo: O espírito divino era contra.
Pistétero: Bom, acho que não há nada a fazer senão ouvir os termos desse oráculo.
Oráculo: "Mas quando os lobos e os velhos corvos habitarem em conjunto entre Corinto e Sicião ... "
Pistétero: Mas o que têm os Corintíos a ver comigo?
Oráculo: Deste modo Bacis designa as regiões do ar. "Devem primeiro sacrificar a Pandora uma cabra de tosão branco, e ao profeta que primeiro revelar tais palavras deveis dar uma boa capa e novas sandálias."
Pistétero: Diz aí sandálias?
Oráculo: Olhe para o papiro. "E além disso uma taça de vinho e uma boa parte das entranhas da vítima ".
Pistétero: Das entranhas diz-se o quê?
Oráculo: Olhe para o papiro. "Se fizer o que eu digo, jovem divino, será uma águia entre as nuvens; se não, não será nem rola, nem águia, nem pica-pau."
Pistétero: Diz tudo isso?
Oráculo: Olhe para o livro.
Pistétero: Este oráculo não se assemelha de forma alguma àquele a quem Apolo ditou: "Se um impostor irritar durante um sacrifício, e exigir uma parte da vítima, aplique-lhe nesse instante uma vara nas costelas".
Oráculo: Estás a divagar...
Pistétero: Olhe para o papiro. "E não o poupe, mesmo sendo uma águia vinda das nuvens, seja o próprio Lampon ou o grande Diopithes".
Oráculo: Diz isso?
Pistétero: Olhe para o papiro... e desapareça.
Oráculo: Oh! infeliz miserável que eu sou. (Afasta-se.)
Pistétero: Desaparece com as tuas profecias para outros lugares. 

(continua)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Snowmageddon (3)

A situação ficou tão ridícula que desde 2010, contrariando as mui certas e mui doutas previsões de "aquecimento global", praticamente todos os anos, se batem uns ou outros recordes de temperaturas baixas, grandes nevões, etc.
Já sabemos que devido a essas inconsistências evidentes, mudou-se a retórica - essa arma da política, e deixou-se de falar em "aquecimento global", usando-se o termo redudante "mudanças climáticas", mas à mesma para referir o efeito de estufa, o aumento de temperatura, etc. A metereologia passou a ser mero disparate político, sem qualquer conexão com a realidade... ou melhor, a realidade ajusta-se melhor se a palestra for dada no Verão.

Agora, a tempestade Jonas deixou Nova Iorque debaixo de um intenso nevão, que foi aproveitado até para snowboard nas ruas de Manhattan. Se havia conferências sobre "aquecimento global", ficaram (de)retidas na neve.

Winter Storm Jonas proves global warming fears exaggerated (theRebel.media)

Como diziam os sujeitos deste apontamento noticioso:

- ... yeah, we had a bad decade so far, with big mega blizzards hitting, and the global warming activists, as you pointed out are trying to have it both ways now.

- ... it was nice and warm a few weeks ago in the Northeast and across most of North America... so the global warming activists were saying: "you see, it's a very warm winter: that's proof of warming". Now a big snow storm, and they say: "you see, that's a proof of climate change".

Quando Al Gore, e outros, falavam no início dos anos 2000, as previsões apontavam normalmente para 2020, que era então um ano distante, e como lembrava o jornalista - era suposto por esta altura contarmos às crianças sobre a recordação da neve em Nova Iorque.

Bom, mas pelo menos esta encenação ridícula pode servir para baixar a emissão de poluentes, o que tem esse lado positivo, ainda que isso também traga várias facetas de perseguição e inquisição ao cidadão, que se verá sujeito a legislação mais apertada, que tornará os produtos mais caros, e a sua vida cada vez mais controlada para limitar a sua "pegada ambiental".