terça-feira, 25 de abril de 2017

A revolução do dia de São Marcos

Há poucas semanas, morreu um dos capitães envolvidos no 16 de Março de 1974... tratava-se do capitão Virgílio Varela, e conforme consta da notícia da sua morte, ficando então preso, o próprio foi avisado que em breve estaria livre:
"No dia 9 de abril, na prisão, veio um soldado oferecer-se para me cortar o cabelo. Achei estranho, não era habitual. Sentei-me na cadeira e o barbeiro sussurrou-me ao ouvido: 'O compadre do meu capitão diz que vai jantar consigo no dia dos seus anos'. O meu compadre era o capitão Alberto Ferreira e sabia bem o dia dos meus anos: 27 de abril", afirmou.
A coluna das Caldas avançou para Lisboa, a 16 de Março, tal como a coluna de Santarém, depois veio a avançar para Lisboa no dia 25 de Abril, liderada por Salgueiro Maia, possibilitando o jantar aos compadres no dia 27, conforme prometido.
Agora, há uma diferença assinalável, que creio ter passado desapercebida aos promotores do golpe das Caldas - o dia de São Marcos, padroeiro de Veneza, era a 25 de Abril.

A sublevação das Caldas pode ter sido uma precipitação de oficiais que não terão entendido que o golpe caseiro estava a ser urdido, com calma e ponderação, muito fora das suas fronteiras. Uma coisa teria sido a não participação e demissão de Spínola e Costa Gomes, no dia 15 de Março, após a convocação da "Brigada do Reumático" (ver cronologia), outra coisa eram planos feitos a longo termo.
Assim, as forças saídas das Caldas, sem ninguém a acompanhar o golpe, voltam para trás, para o quartel, onde assumem uma posição defensiva...

... até à rendição negociada entre o brigadeiro Serrano e os majores Casanova e Monge, o que levaria à prisão cerca de 200 insurrectos:
Imagens do livro "Portugal en revolución" (1977) de Avelino Rodrigues, Cesário Borga, Mário Cardoso.

Bom, mas talvez uma melhor descrição dos preparativos que se faziam nos bastidores, e que levaram a que revolução estivesse planeada para Abril, e não pudesse ocorrer em Março, possa ser entendida pela descrição feita na revista espanhola "Gaceta Ilustrada" em Maio de 1974 (transcrição retirada daqui):
“Discretamente, ao amanhecer do dia 25 de Abril, as unidades militares da NATO, chegadas no dia anterior ao porto de Lisboa, deixam o Tejo com rumo ao Atlântico e regressam às suas bases. Trata-se de navios, incluindo submarinos, de alguns dos onze países atlânticos que deveriam tomar parte no grande exercício aeronaval “Dawn Patrol 74”, programado para o dia 26, no Mediterrâneo e na costa atlântica, com operações submarinas, de defesa aérea e de assalto de forças inimigas. Aviões ingleses e norte-americanos, destacados para as manobras, encontram-se estacionados na base do Montijo, a trinta quilómetros de Lisboa. Mas um pouco antes da Junta derivada do golpe anunciar a mudança de regime, através da televisão, as manobras atlânticas foram anuladas: os navios portugueses que estavam no alto mar puderam assim voltar ao Tejo e ancorar pacificamente em frente a Lisboa. Às quatro horas da tarde, o comando da Marinha estava em condições de proclamar a sua adesão à Junta de Salvação Nacional.
  Esta foi uma das muitas manobras secretas, ocorridas nos bastidores, que acompanharam a queda do regime de Caetano. Nos dez dias que precederam o golpe ocorreram outros factos determinantes que agora estamos em condições de revelar. Estes factos provam que o Golpe de Estado conseguira o seu objetivo antes da noite do 25 de Abril; do mesmo modo mostram quais eram os apoios internacionais de que gozava o general Spínola.”
  “No plano internacional, o general Spínola volta a reativar os contactos internacionais que já tinha solicitado, quando conjuntamente com Caetano pensava em reformas.”
  “Nos primeiros dias de Abril, os seus pontos de contacto nas capitais mais importantes do Ocidente obtêm as mesmas respostas. Os financeiros: “Sim, seria bem-vinda uma solução política do problema colonial português”; os políticos: “Sim, uma liberalização controlada do regime português facilitaria a sua integração na Europa.”
  “Em Roma, monsenhor Pereira Gomes, chefe da ala liberal da igreja portuguesa, defende o plano de Spínola, perante o cardeal Villot. Pereira recebe estímulo do Santo Padre, muito preocupado quanto à paz e bem-estar dos seus filhos africanos. A tensão entre o Vaticano e Lisboa por causa das atrocidades de guerra em Moçambique e da expulsão dos missionários deu os seus frutos
.”
Portanto, vemos que para além da presença de grandes forças da NATO, as negociações envolviam o seu aspecto ecuménico, com o Vaticano dando a benção revolucionária.
Outro aspecto, é ainda a reunião do grupo Bilderberg, que dará a benção dos cravos, e da finança internacional:  
"Resta apenas o problema da NATO: Spínola promove o contacto com o próprio Secretário da Nato, Joseph Luns, [através] de um dos seus amigos da Finança — o Director dos Estaleiros Navais Portugueses, Lisnave, Thorsten Anderson — que participa em Megève, França (de 19 a 21 de Abril) numa misteriosa reunião de importantes homens da política, da diplomacia e do mundo dos negócios internacionais reunidos num igualmente misterioso clube: o Clube de Bilderberg. 
De 19 a 21 de Abril, Megève é zona vigiada pela polícia francesa como se o visitante fosse um Chefe de Estado. De facto, no Hotel Mont Arbois, propriedade de Edmond Rothschild, reúne-se a flor e a nata da política e das Finanças ocidentais. A reunião é discreta, à porta fechada: os jornalistas não falarão dela; mas é ali que será decidido o destino do mundo ocidental. Desde 1954, e do dia da primeira reunião no Hotel Bilderberg, na cidade holandesa de Oosterbeek, sob a presidência do Príncipe Bernardo da Holanda, que os homens mais influentes do Ocidente se reúnem anualmente para estudar a situação 'política e financeira e estudar ou aprovar programas para o futuro'.
Bastam os nomes dos participantes daquele ano na reunião do Clube para que possa compreender-se a sua importância. São os seguintes: Nelson Rockefeller, Governador do Estado de Nova York; Frederick Dant, Secretário Norte-Americano do Comércio; General Andrew Goodpaster, Comandante das Forças Aliadas na Europa; Denis Healey, Ministro da Fazenda inglês; Joseph Luns, Secretário Geral da NATO; Richard Foren, Presidente da General Electric na Europa; Helmut Schmidt, Ministro da Fazenda alemão, actualmente chanceler, após a demissão de Brandt; Franz Joseph Strauss, definido como homem de negócios alemão; Joseph Abs, Presidente do Deutsche Bank; Guido Carli, Governador do Banco de Itália; Giovanni Agnelli, Presidente da Fiat; Eugénio Cefis, Presidente da Montedison e além destes Thorsten Anderson, homem de negócios português que sonda Joseph Luns sobre as possíveis reacções da NATO perante a possível mudança de regime em Lisboa.
A resposta de Luns, certamente positiva, vem a ser confirmada pelo comportamento, já citado no início, dos navios da NATO defronte da capital portuguesa durante as primeiras horas do golpe de Estado. A sua presença actuou como um silencioso dissuasor contra quem, entre os generais ultras, tivesse tentado opor resistência a Spínola. Os generais sabem da presença dos navios e sabem muito bem interpretar a sua saída de Lisboa na madrugada de 25 de Abril. É evidente que a NATO julga saber quem são os iniciadores do movimento, conhece o seu programa e aprova-o. A reunião do Clube de Bilderberg cumpriu os seus objectivos e neste momento Spínola tem o caminho livre
".
No livro "Os planos Bilderberg para Portugal", Rui Pedro Antunes dá a este episódio o nome:
- "Nem Abril escapou a Bilderberg" (pág. 176)

... mas sejamos claros, é óbvio que nada terá havido de muito significativo decidido em Megève, França, 5 dias antes da revolução ocorrer. Há muito que estava planeada a passagem da NATO por Lisboa, e a única questão seria ter o "ok" definitivo à operação... o resto seria a festa de flores.
Por isso, até o soldado que cortou o cabelo ao capitão Virgílio Varela, sabia a 9 de Abril que a revolução tinha já a data marcada - que seria o dia de São Marcos, tão caro aos banqueiros venezianos.

_____________
Nota adicional (28 de Abril de 2017):
Festa del bocolo (do botão de rosa vermelha) - Veneza, 25 de Abril de 2014

Acerca do dia 25 de Abril, de cravos, papoilas, bilderberg, etc... ver também:

domingo, 9 de abril de 2017

Nebulosidades auditivas (49)


Chained to the rhythm (2017) Katy Perry

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pano de fundo

Num artigo de ontem, do Sunday Express é feita a seguinte questão:


... que é como quem diz, nem sequer se deram ao trabalho de mudar o pano de fundo das imagens, quando diziam que filmavam de sítios muito diferentes:
As montanhas no fundo destas duas imagens da Apollo 15 são idênticas.

A NASA argumenta que apesar das imagens terem sido tiradas com quilómetros de distância, o pano de fundo era o mesmo, porque estava muito distante... Parece-me que tinha sido mais fácil dizerem que tinham sido tiradas do mesmo sítio (do estúdio), uma atrás do módulo lunar, outra à frente... e que se tinham enganado a classificá-las na localização, mas cada um é livre de usar as desculpas mais parvas que tem à mão.

Mars bugs
Ok, mas onde é que são feitas as filmagens, agora para os rovers de Marte?
A pergunta em inglês tem mais piada: "Where on Earth are the pictures from?"
Já tinha sugerido que a Antárctida poderia ser uma boa localização...
Afinal parece que alguém descobriu (ou digamos, suspeita...) que as filmagens se processam numa ilha canadiana do Árctico. É mais perto!
Um artigo é do mesmo Sunday Express, mas pode ser encontrado noutros "tablóides".


citando a notícia:
The shocking conspiracy theory echoes the long-held belief NASA faked all the moon landings footage, and no man has ever set foot on the lunar surface.
The so-called Mars "truthers" claim NASA is actually filming all its alleged Martian footage from Devon Island in Canada.
A large uninhabited island, NASA has previously admitted the scene “resembles the Mars surface in more ways than any other place on Earth”.
Truther Harold Saive claims NASA’s Mars Exploration Rovers – robots which are supposedly scouring the Martian landscape for signs of water, and possibly alien life – never reached their target.
Instead, they allegedly “fell short” – and landed on Devon Island, where confirmed NASA has a base to test out rovers.
Portanto, a NASA confirmou que tem na ilha de Devon uma base para testar rovers, e que por acaso a paisagem aí é a que mais se assemelha ao que vemos da paisagem marciana...
E também há bicharocos que parecem confirmar ter chegado a Marte antes da NASA (de entre uma lista de "anomalias" que a CNN resumiu):

- Uma delas será o famoso "esquilo marciano", que numa viagem sem precedentes, rumou até Marte, ou pronto... se calhar, foi só até à Ilha de Devon:

(uma outra hipótese engraçada, de incondicionais crédulos é tratarem-se de cobaias lançadas em Marte... sem capacete)


Pano de fundo lunar
Ainda antes das missões espaciais, nos anos 1950, artistas como Chesley Bonestell desenhavam a Lua com montanhas íngremes, para corresponder às sombras que eram vistas da Terra (algo que também já tinha feito Nasmyth no Séc. XIX)... algumas delas muito pontiagudas.
Eis uma imagem de Bonestell, onde ele coloca uma escalada a uma íngreme montanha, e agora imagine-se... tudo isto à noite, à luz do reflexo da Terra (que presumo ser o disco branco).

Ora, ora, mas as missões nunca ocorreriam à noite, quando poderiam vislumbrar o céu estrelado, ou a Via Láctea, como se mostraria no desenho. Ocorreriam sempre sem estrelas no céu... Seja, por missões tripuladas, seja por missões não tripuladas, nunca nos foi dado ver estrelas no céu lunar, ou aliás de um modo geral, em qualquer imagem de um céu estrelado (excepto se alegadamente obtida pelo telescópio Hubble).
Um outro facto curioso é que ao ocorrerem de dia, os astronautas teriam que aguentar temperaturas de 200 graus Celsius, um pequeno detalhe para a NASA, que argumenta que os fatos eram brancos e reflectiam a luz solar... já se vê que os problemas de raios ultra-violeta, ou outra radiação mais letal emitida pelo Sol, nunca foi problema... especialmente se as filmagens fossem em Devon Island.
Acresce que diz-se ainda que as filmagens ocorreram com a Lua em quarto crescente, e com o propósito de ter os astronautas entre as temperaturas de -200ºC à noite (temperatura que não causaria tantos problemas), e as temperaturas de 200ºC do lado iluminado, seria aconselhado terem sido realizadas sempre no lusco-fusco... só que isso não impediu que a maioria das fotografias tivessem sombras pequenas, não correspondendo minimamente às sombras alongadas, se estivessem com o Sol na linha do horizonte.
Enfim... qualquer análise que não seja superficial, mostra que o público alvo da divulgação da NASA tem duas ou três características principais - infantilidade, pouco conhecimento técnico ou muita credulidade. Ou ainda, muito mais que isso, ninguém gosta de ser apelidado de lunático por vigaristas.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Zeunice

Eunice significa: Boa (Εὐ) vitória (νίκη).
Zeus de Artemiso (foto na wikipedia). Vitória (Nike) de Samotrácia (foto na wikipedia)
Repare-se na sombra da estátua da Vitória.

estátua da Vitória (Nice), encontrada em Samotrácia, e que encima uma escadaria do Museu do Louvre, será a que facilmente considero como a mais bela estátua esculpida. 
Juntei a esta uma outra bela estátua de bronze, encontrada no Cabo Artemísio, que provavelmente  retrata Zeus... simplesmente porque reparei na sombra projectada pela Nice, e os contornos dessa sombra na foto fizeram-me lembrar a outra.
Curiosamente, enquanto a sombra de uma asa faz lembrar um braço estendido, a sombra da outra asa, fez-me lembrar o perfil do rosto nas estátuas de Zeus.
É claro que suprimi o braço direito que arremessaria um raio, pois a sombra sugere mais que um braço esquerdo segura um livro. 
Curiosamente, ainda... se à estátua de Vitória lhe falta a cabeça, ela pareceu desenhar-se na sombra.

Ora, este postal não seria sobre as estátuas, nem sobre Eunice - uma ninfa nereida, ou uma das jovens oferecidas ao Minotauro (em conjunto com Timóteo), nem sobre a mãe de São Timóteo, que também se chamava Eunice. Porém, dadas as circunstâncias passou a ser...


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Nebulosidades auditivas (48)

George Michael - Cowboys and Angels
... no reino dos óculos escuros (vídeo por Kate Cat , "Hollywood" - Alex Malka)



domingo, 15 de janeiro de 2017

Snowmageddon (4)

Vender frigoríficos a esquimós...
Tarefa de grandes vendedores, tem sido basicamente passada para os apologistas do "aquecimento global", durante os últimos frios invernos, conforme temos vindo a repetir aqui desde o inverno de 2014/15. 
Se seria ineficaz a um vendedor de frigoríficos anunciá-lo com a vantagem do frio a esquimós, também aos vendedores do "aquecimento global" passou a ser conveniente anunciá-lo como "alteração climática"... dado o frio que se foi sentido. Sendo que uma alteração climática, seria alteração das estações, e só faria o mínimo sentido se tivéssemos visto invernos muito mais quentes e verões muito mais frios.  

Depois dos recentes "Snowmageddon" (ou Snowpocalypse) nos EUA, que seriam afinal uma boa venda para um "arrefecimento global", publicitado nos anos 70 (conforme relembrámos), foi agora a Europa atingida com vagas de frio polar que gelaram as praias gregas:

More people die as European chill maintains its grip  (Sky News, 9 de Janeiro de 2017)

O que vemos não é areia branca, mas sim neve, em praias gregas, neste inverno.
Como a vaga de frio polar afectou a  Europa central, incluindo até Itália, Grécia e Turquia.


Apesar da vaga de frio lhes afectar a vista, como cataratas congeladas, não é de esperar que nada mude nas mentalidades mais empedernidas que o gelo mais duro. 
Os vendedores de banha-da-cobra têm sempre um rol de argumentos contra a realidade.

Porém, ao ver o antigo mapa nazi de NeuSchwabenLand a linha dos gelos há 80 anos (a vermelho) indicava menos gelo do que a linha dos gelos actual (a azul):
Linha de gelos no mapa nazi (a vermelho) era geralmente mais recuada do que actualmente (a azul).
Ou seja, ao contrário do que é propalado, o gelo terá aumentado bastante nos últimos 80 anos.

Portanto, se a linha dos gelos aumentou, de um modo geral, a conversa que serviu para sustentar o "arrefecimento global", nos anos 1970, tinha mais pernas para andar que o teatro do "aquecimento global", em cena nos últimos 20 anos.

Pós da verdade
Curiosamente, acusando o mundo de estar a viver numa época de "pós-verdade", por via de resultados eleitorais (Brexit, Donald Trump, ...), que iam contra o politicamente correcto (Trump criticou as teorias de aquecimento global), e no sentido de teorias de conspiração.... são agora os fortes críticos das teorias de conspiração a inventar e divulgar a nova "teoria de conspiração":
- A Rússia estará por detrás da eleição de Trump...
... e não só! 
Já se diz que o Sr. Putin, afinal o grande conspirador sentado em Moscovo, mexe os cordelinhos, fazendo os americanos eleger Trump, fazendo os ingleses votarem no Brexit, e prepara-se para fazer os franceses eleger Marine Le Pen... tudo parte de um grande plano conspirativo.

Estes teóricos do politicamente correcto, são os mesmos que caricaturavam as "teorias da conspiração" como coisas de maluquinhos, mas que agora inventam sem problemas a sua "teoria da conspiração" em que Putin condiciona Trump, e espante-se.... por haver vídeos sexuais deste com prostitutas russas. Pois, e Putin também é capaz de condicionar a política italiana com os vídeos pornográficos da ex-deputada, Cicciolina.
Não que Trump ou Putin sejam figuras muito agradáveis, mas os agentes dos pós da verdade politicamente correcta, estão a entrar em parafuso, e a cair nos limites do ridículo!

Temperatura de Casino
Bom, mas o que a maioria do povo não saberá é que o negócio da Temperatura entrou nas Bolsas há praticamente 20 anos. Para isso é preciso notar na definição de "Derivados de Temperatura" (Weather derivatives):
Weather derivatives are financial instruments that can be used by organizations or individuals as part of a risk management strategy to reduce risk associated with adverse or unexpected weather conditions. (in wikipedia)
A ideia não deixa de fazer sentido. O aumento ou baixa de temperatura tem repercursões económicas directas. O aumento do calor, ou do frio, faz disparar o consumo de electricidade/gás, pelo simples ligar de aquecedores, ou ar condicionado. Com mais calor, bebe-se mais cerveja... por isso o custo de produção é diferente se for atempada a vaga de calor, e as companhias protegiam-se com as seguradoras, para eventuais falhas de produção, etc...
Em 1996 foi feito o primeiro contrato sobre Temperatura entre companhias eléctricas, para caso de necessidade suplementar no mês de Agosto de 1996. A ideia espalhou-se rapidamente e em 1997 havia já múltiplas transacções de negócios envolvendo "previsão de temperaturas". Em 1997 o vice-presidente Al Gore começou a envolver-se directamente no assunto e em Dezembro de 1997 foi assinado o Protocolo de Quioto, para controlar a emissão de CO2
Em 1999 já havia uma bolsa de valores em Chicago dedicada às transacções sobre a variação dos valores da temperatura. Pouco depois, em 2001, Al Gore, na sua candidatura, apareceu como grande estrela, paladino da luta contra o aumento de temperatura global.

Apostando no controlo do CO2 imposto pelo Protocolo de Quioto, os fabricantes de automóveis passaram a desenvolver tecnologia de controlo de poluentes para incorporar nos veículos (além do conversor catalítico), o que era também vantajoso para manter fora competidores sem acesso a essa tecnologia e que poderiam fazer veículos baratos (caso de países em desenvolvimento, como Índia ou China). Por exemplo, a UE legislou em 2001 sobre o controlo de emissões.
Toda uma enorme negociata passou a depender do clima... e o clima era bom para apostadores, porque batia certo com o politicamente correcto - baixar a emissão de poluentes.

Não significa isto que a aposta seja num aumento de temperatura... porque se há agora a moda do "aquecimento global", financiada por múltiplos interesses, os maiores especuladores tanto podem ter interesse em aumentar ou baixar a temperatura.
Simplesmente havendo grande interesse financeiro em jogo, apostando num sentido ou no outro, todo o resto dos argumentos são mera retórica decorativa, destinada a não revelar diversos propósitos subjacentes.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Nebulosidades auditivas (47)

De um filme apropriado a uma época, "Merry Christmas, Mr Lawrence" (1983), tendo David Bowie como actor, surgiu uma bela composição de Ryuichi Sakamoto (também aí actor), a que David Sylvian (vocalista dos Japan) deu uma letra que serviu contextos ambíguos, tão próprios da época que se seguiria.
Forbidden Colours - Ryuichi Sakamoto & David Sylvian

Porém, da discografia dos Japan, e em particular do álbum Oil on Canvas, que ouvi incessantemente, fica sempre este inesquecível - Methods of Dance, especialmente adequado a uma dança em que as coreografias estão completamente desfasadas...

Methods of Dance - Japan (1983)

Here's a new design
The cut and style you know so well, spins across the floor
It's the same routine
One last word before you go. Why should I ask for more?
Then out of the blue, you are here by me
(Moving) Taking my chance
(Learning) Methods of dance, Methods of dance
It's such a price to pay
Your sense of doubt inside my mind, oh but never asking why
No second chances now
I could be sure if I were to live, at your speed of life
Then out of the blue, you are here by me
(Moving) Taking my chance
(Learning) Methods of dance, Methods of dance

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Nebulosidades auditivas (46)

O chamado ambiente de "gravidade zero" tem estado cada vez mais disponível, com algumas companhias privadas de aviação a fazerem vôos parabólicos, onde contrariam a força de gravidade, permitindo o mesmo tipo de experiência que a NASA usa para treino de astronautas.
Neste vídeo, vemos uma banda musical, pouco conhecida, que decidiu fazer umas brincadeiras num desses vôos, que durante alguns segundos, subindo e descendo a pique, em trajectória parabólica, permitem simular a ausência da gravidade. O resultado não é tão bom quanto o "profissional", mas é suficientemente esclarecedor.
Ok Go - Upside Down & Inside Out (2016)
- ver ainda a produção do vídeo (onde inside-out se ajusta ao chamado "vôo vómito")

Falar em "gravidade zero" é um erro de linguagem.
A gravidade da Terra nunca deixa de estar presente... simplesmente em vôos orbitais, a velocidade é de tal forma elevada que o efeito dessa atracção terrestre é compensado. O processo não é assim o mesmo do que aquele que é experimentado nestes aviões de descida, mas os resultados são idênticos.

Os vôos orbitais em torno da Terra, dentro da segurança da cintura de Van Allen, têm velocidades muito elevadas. Por exemplo, a Estação Espacial Internacional é suposta fazer uma volta à Terra em hora e meia, estando 45 minutos em dia, e 45 minutos em noite.
Para velocidades mais pequenas, a órbita teria que ser mais elevada, podendo ser geoestacionária a uma altitude suficientemente elevada (aí o dia teria 24 horas e não apenas 1h30).

O problema é a radiação solar, e por isso a Estação Espacial (ISS), ou outras imagens que se vejam de astronautas, têm que estar dentro do espaço de segurança dado pela Cintura de Van Allen, o que implica - vôos orbitais muito baixos. Ou seja, um astronauta não tem uma imagem da Terra à distância, conforme é habitual passar-se essa ideia... tem uma imagem que não é substancialmente diferente da que vemos quando voamos em grande altitude num avião. É claro que é ainda melhor que os pilotos de caças em vôos suborbitais, mas não é muito diferente.
Para ter uma imagem à distância, teria que estar muito fora da Cintura de Van Allen, o que implicaria estar numa nave espacial sujeita à radiação letal emitida pelo Sol, nomeadamente todo o tipo de Raios X.


Imagens de satélites geostacionários:


domingo, 11 de dezembro de 2016

Nebulosidades auditivas (45)

Talvez uma das melhores "bocas" dos últimos tempos, foi a resposta da equipa de Trump às recentes acusações da CIA de que "a Rússia teria interferido na eleição", ao lembrar que (a CIA) se trata da mesma malta que também dissera que o Iraque tinha armas de destruição massiva:

“These are the same people that said Saddam Hussein had weapons of mass destruction,” 
said a statement from his transition team. (The Independent, 10 de Dezembro 2016)

Um sinal de que não parece fácil a transição dos "segredos de estado" para a nova administração Trump, ou de que algum pessoal do Tea Party pode ter umas contas politicamente incorrectas a ajustar, nomeadamente Ron Paul, que sempre foi contra a intervenção no Iraque e o Patriot Act.

Weapons of mass distortion (The Crystal Method, 2004)

Cheap thrills (Sia featuring Sean Paul, 2016)

domingo, 4 de dezembro de 2016

Byrd - voando sobre niños polares

Richard Byrd numa
entrevista "Longines"
O almirante Richard E. Byrd será o mais consagrado explorador norte-americano, pelas suas viagens de avião sobre o Pólo Norte em 1926 e sobre o Pólo Sul em 1929. Pelo meio ainda participou na competição de cruzar o Atlântico, em 1927, onde foi suplantado por Charles Lindbergh (realizando o mesmo feito, praticamente um mês mais tarde).

Byrd fará parte de expedições americanas à Antárctida, a primeira (1928-30), onde chegaria ao Pólo Sul de avião, outra em 1934, e ainda em 1939-40, numa altura em que os alemães nazis tinham acabado de reclamar o território que denominaram "Neuschwabenland" - Nova Terra dos Suevos.  

Porém a expedição mais importante será a que ocorre após a 2ª Guerra Mundial, denominada Operação Highjump, entre 1946-47.
Não há propriamente grande registo do que se teria passado com NeuSchawbenLand, e poderia esta intervenção ser vista como uma forma dos EUA se assegurarem do que restava ali, das anteriores expedições nazis.

Bom, e o que poderia haver lá?
- Uma base de discos voadores, construídos pelos alemães.
Haunebu II - um projecto nazi de Disco Voador (ver mais)
Parecendo ficção científica, ou teoria da conspiração... ao longo das décadas seguintes foram aparecendo afirmações e documentação (não reconhecida oficialmente, como é claro), de que teriam havido planos para a sua construção. Essa informação chega ao público pelo Prof. Giuseppe Belluzo, antigo ministro de Mussolini, num artigo do jornal "il Giornale d'Italia" em 1950, onde diz que discos voadores tinham sido projecto italiano e alemão desde 1942.

Entendendo que o disco voador pode consistir essencialmente num motor orientado na vertical, em que as pás não servem para uma propulsão na horizontal, mas sim na vertical, o projecto não traz nada de assim tão extraordinário, do ponto de vista aerodinâmico... notando que agora há à venda, em qualquer hipermercado, bastantes drones que usam a mesma ideia, usando quatro motores na vertical para maior estabilidade. Aliás uma ideia análoga à que também foi usada nos helicópteros (com a diferença que a carga ficaria por baixo, e não por cima das pás). Por isso, nem será de estranhar que o projecto existisse, nem que tivesse sido depois acarinhado secretamente por americanos (ou russos), levando a estranhos avistamentos nos céus.

O seguinte documentário russo começa por levantar a questão da expedição científica de Byrd, ser acompanhada de um enorme porta-aviões, e de um número de operacionais militares, mais adequado a uma intervenção militar do que a uma mera expedição científica. Associam assim as perdas humanas, não a lamentáveis acidentes, mas a uma eventual resposta germânica, na base Neuschwabenland... onde também se conjectura que os líderes nazis se poderiam ter refugiado.

https://www.dailymotion.com/video/x4si3zh      (youtube cancelado)
Men in Black - Documentário Russo - (The Secret UFO Operation 
UFO Base Entrance In Antarctica - Inner Earth Base)

Depois, o documentário vai especulativamente mais longe, não necessariamente na velha teoria da "Terra Oca", mas na possibilidade de se formarem portais estelares, conhecidos como "wormholes", de entrada e saída destas naves. 
A teoria da "Terra Oca" não é propriamente uma novidade, e desde ser considerada como um modelo para o "inferno" cristão, como oposição ao "céu", até ser usada mesmo como teoria por alguns pensadores do Séc. XVII como Anasthasius Kircher, tem muitas formulações... que podem ir desde pequenos abrigos subterrâneos, a autênticos mundos alternativos - mas aí sem grande suporte científico. No entanto, dado que estamos praticamente limitados a "pequenos" buracos na crosta terrestre, no máximo de uma dúzia de quilómetros, ficamos muitíssimo longe do raio terrestre com aproximadamente 6500 quilómetros.

Circula uma versão de um diário atribuído a Byrd, "The inner earth - my secret diary" que daria conta de um contacto numa viagem de avião em 1947 no Árctico (mas deveria ser Antárctico, no quadro da operação Highjump). Esse pseudo-diário é suposto dar conta de um contacto com um "mestre" de uma civilização ariana baseada no interior da Terra, O mais natural, conforme foi apontado, é que se trate de uma falsificação... dado que há frases retiradas de um filme de 1937 (Lost Horizon). Assim, se o filme diz:
«I see in the great distance a new world starting in the ruins … But in hopefulness, seeking it’s lost and legendary treasures, and they will all be here, my son, hidden behind …”»
... o diário diz quase o mesmo:
«We see a great distance a new world stirring from the ruins of your race, seeking its lost and legendary treasures, and they will be here my son, safe in our keeping…»

Continua a parecer-me mais plausível que uma sociedade secreta se esconda à nossa vista, do que haver necessidade de a procurar no interior da Terra, ou até no espaço exterior.

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Luzes sísmicas

No sismo da passada semana, na Nova Zelândia, foi notícia difundida o aparecimento de luzes sob os céus de Christchurch.
Mysterious green and blue flashes appeared as New Zealand earthquake struck
(metro.co.uk 2016/11/14)
Curiosamente, do Sismo de 28 de Fevereiro de 1969 (ocorrido às 2h40m UTC, ou 3h40m na hora nacional?), poderá ter havido registo de luzes no céu. Sendo criança pequena à época, tenho uma memória difusa de que ao sair de casa havia uma luz no horizonte, semelhante a esta da Nova Zelândia... algo que li em outros relatos
"Pode não estar associado mas se perguntares a muitos dos algarvios da orla costeira, todos afirmam o mesmo, tempo abafado, os roncos vindos do mar e a cor esquisita do céu.
Isto sendo resposta a alguém que duvidava da mudança de cor no céu, e que por acaso eu sempre tinha associado a ser próximo da alvorada, mas será algo excluído, com o sismo às 3h40m da manhã.

O fenómeno terá sido bem observado durante o sismo de L'Aquila em 2009, e em muitos outros, conforme artigos na wikipedia (inglesa ou francesa).
No caso do sismo de Fukushima de 2011, o fenómeno foi até associado ao efeito HAARP, algo que terá induzido um maior cepticismo, ao ponto de muitos rejeitarem este tipo de observações, mesmo havendo um registo fotografias de longa data. Continua a ser bastante fácil considerar apenas as observações que são "politicamente correctas".

Porém, o fenómeno é de um modo geral aceite e já levou a diversas hipóteses (artigo BBC), que dizem respeito não apenas a luzes no céu, mas também a outro tipo de luzes, nomeadamente as que se enquadram nos chamados raios globulares, com registo pré-histórico.

O que me parece mais natural, ainda que precisasse de outros dados para sustentar isso como hipótese, é que a vibração do solo por efeito do terramoto, induzindo também uma vibração da atmosfera, permita a observação de raios em alta atmosfera, ou troposfera, quer podendo antecipar luzes da manhã, quer ver luzes da troposfera, normalmente só vistas nos pólos, ou círculos polares, pelo fenómeno das auroras (boreais ou austrais).

sábado, 12 de novembro de 2016

A guiar da beira em inversão

Sintoma notório de insanidade social, é termos meia-dúzia de jornalistas e advogados com medo de serem mortos pela polícia... quando estão fechados numa casa com o suposto homicida e psicopata mais perigoso do país!
Independentemente das histórias construídas, desde a história do próprio, à anterior história do "psicopata", que psiquiatras de serviço então asseguravam «É um indivíduo que, mesmo encurralado, não se irá entregar e que, sem capacidade para ter um filtro, não vai parar de fugir ou mesmo de cometer novos crimes se preciso for para escapar», já parece que o nível de credibilidade das histórias, anda tanto pelas ruas da amargura, que nenhuma consistência na narrativa interessa. Pergunta-se, e quem faz a avaliação psiquiátrica, dos psiquiatras?
O espaço dos opinadores profissionais, mediáticos, é um espaço onde se podem dizer todos os disparates hoje, que amanhã não interessa, porque todos se esqueceram, e ninguém é culpabilizado por ter feito uma avaliação errada, simplória, mal intencionada ou bacoca.
Assim que se cria a ideia de que a resposta natural de uma corporação policial à morte de um agente, é procurar o primeiro suspeito a tiro, está o passo dado para gastos de recursos, medo nas populações, e inviabilizar a solução mais simples - aguardar que o suspeito se entregue. Tal como será óbvio que se a justiça usar a já habitual inversão do ónus da prova, alinhando na narrativa conveniente, que é mantida a todo o custo, mais fará para que ninguém se entregue.

Como se não bastasse este exemplo, vemos também o estado de negação mediático que foi induzido a nível mundial contra a eleição de Donald Trump, quando haveria mais que razões para antever a sua vitória como provável. No entanto, como chegámos ao ponto de ser politicamente incorrecto desconstruir uma história idealizada e fabricada no circo mediático, surge a necessidade de alimentá-la até ao fim, quando a realidade torna a negação impossível. Algo semelhante terá acontecido com o Brexit, ou até com a eleição do Syriza... tudo encarado como improvável, até que aconteceu. E não é problema de sondagens, ou populismo, é simplesmente tentar tapar o Sol com as peneiras. 

Não se trata de simpatizar com personagens duvidosos, em histórias completamente diferentes, mas simplesmente de ver uma semelhança de comportamento mediático, em ímpetos quase imparáveis, de alimentar uma narrativa conveniente na opinião pública, até à exaustão, até ao ponto de parecer insano quem ousar dizer o contrário, quem ousar questionar o politicamente correcto, por mais evidente que a coisa se vá tornando. E invariavelmente, mesmo errando todas as análises e todas as previsões, estes Zandingas ou Mayas mediáticas, continuam a ocupar o seu espaço de insanidade corporativa, a alimentar contradições, como se não tivessem sido apanhados vezes sem conta a manipular opiniões públicas, sem qualquer base factual.

Nesse mundo idealizado, Zeinal Bava é um gestor de sucesso, o BES um banco sólido, o Syriza nunca ganhará eleições na Grécia, a Inglaterra mantém-se fiel à UE, este Verão de S. Martinho está a ser escaldante, Hillary Clinton terá cilindrado Trump nas eleições, e os jornalistas e advogados do psicopata de Aguiar da Beira foram todos chacinados. Se nada disto corresponder à realidade que vê, pois será tempo de mudar de canal.


quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Nebulosidades auditivas (44)

The Lady is a Tramp - Frank Sinatra
ou ainda 
Lady and the Tramp (Dama e o Vagabundo)
ou ainda, os mass media e a construção do desconcertante,
Trump vs Hillary: Hilariante
 a desconstrução do politicamente correcto.

sábado, 29 de outubro de 2016

O futuro do passado (1)

Uma boa maneira de não esquecer como a nossa percepção das coisas vai mudando, sem que muitas vezes tomemos consciência disso, é olhar para as previsões feitas no passado do que seria o futuro.
Afinal estamos no futuro do passado, e podemos ajuizar agora se essas previsões faziam ou não faziam sentido...

Por exemplo, para quem teve a oportunidade de ver durante a infância uma parte da evolução da exploração espacial, seria algo inacreditável que não existissem hoje viagens regulares à Lua, até em voos comerciais. Porém, a atenção foi facilmente manipulada. 
Primeiro, o programa Apollo foi descontinuado em 1973, mas para evitar a ideia de uma regressão, foi inventado o Space-Shuttle, que invocava um propósito entendível - recuperar as naves espaciais, que doutra forma se perdiam em cada expedição. 

Porém, desde 1981 nem sequer foi feita nenhuma tentativa de levar um Space-Shuttle a orbitar a Lua, e o projecto foi-se revelando cada vez mais uma simples distracção, até que teve os seus dias finais em 2011. Então Obama decidiu declarar Marte como próximo objectivo até 2030, mas claro que se tratava apenas de manter o público com uma ideia de continuação do interesse na exploração espacial.
Afinal de contas, já nos bons velhos da pretensa exploração lunar, se tinha determinado que o objectivo Marte poderia ser alcançado em 1988:

Portanto, de acordo com as previsões nos anos 70, e que ninguém se atreveria a classificar de "lunáticas"... o objectivo marciano ser colocado a menos de 20 anos de distância, parecia completamente razoável, tal como parecerá o anúncio de Obama.
Só que 1988 passou, em 1989 caiu o Muro de Berlim.... e as coisas mudaram para ficarem exactamente na mesma! Passaram ainda mais 30 anos em cima disso... e nada!

O que mudou então nas passadas previsões de futuro?
Num artigo da revista Gizmodo intitulado 
o autor M. Novak foi recolher de uma rubrica dos anos 50, chamada "Closer than we think", a previsão para o futuro próximo, que estaria ali ao virar da esquina. 

1) Carro solar... era assim uma ideia corrente já nos anos 1950, como é hoje, mas demora a despontar para um desenvolvimento efectivo, desde que me lembro.

2) Casas em redomas de vidro... esta ideia praticamente desapareceu! No entanto quem via ficção científica, sabe que era bastante popular ver em antevisões futuristas.

3) Super-colheitas... uma ideia num tempo em que a ecologia e o politicamente correcto do meio-ambiente, ainda não tinham invadido os discursos, pareciam aceitáveis plantações geneticamente modificadas, usando radiações. Pelo menos, aqui parece ter sido bom não enveredar por este caminho, ou talvez estivessemos agora também geneticamente modificados!



4) Armazéns robotizados... uma ideia simples, ter robots a gerirem grandes armazenamos, o que praticamente pode considerar-se alcançado, sem grande dificuldade.

5) Educação por botões... uma espécie de educação à distância, com menos professores, onde os alunos seguiam as aulas por vídeos e respondiam pressionando botões, adequando a progressão, é uma ideia basicamente simples, com a diferença que no passado sempre se descurou a evolução dos computadores.

6) Máquinas ambulantes... uma ideia bizarra, destinada a evacuação em emergências, talvez já com algum receio de perigos de bombas nucleares, ideias de quem passou pela "Guerra Fria", com o espectro de um holocausto nuclear a qualquer momento.


sábado, 8 de outubro de 2016

Méee (5) - lógica do facho

O caso diz respeito a uma cidadã, e a notícia de hoje do Correio da Manhã é a seguinte:
Mulher presa por chamar criminosos a polícias e juízes Uma investigadora, de 50 anos, está detida na cadeia de Tires a cumprir três anos de prisão por injúria e difamação a vários juízes, procuradores e polícias, entre eles o ex-PGR Pinto Monteiro, a procuradora Maria José Morgado e o diretor da PJ Almeida Rodrigues. Maria de Lurdes Rodrigues foi condenada em 2000 e a sentença transitou em julgado em 2012, após uma batalha judicial que incluiu tentativas de internamento psiquiátrico. Esteve contumaz e está presa em Tires desde 29 de setembro. O caso está a gerar uma onda de indignação nas redes sociais, onde amigos da investigadora exigem a sua libertação imediata. O processo teve início em 1996, quando contestou a perda de uma bolsa de estudo em Cinema - na altura era Manuel Maria Carrilho ministro da Cultura. Quando o Supremo Tribunal Administrativo não lhe deu razão, acusou um juiz de corrupção. Pinto Monteiro, Maria José Morgado e Almeida Rodrigues foram acusados pela mulher de "darem cobertura a crimes" de quem a despejou de casa em 2008, apelidando-os de "gang de criminosos que roubam e pilham".
... mas o CM não é propriamente a melhor fonte neste caso, apesar do assunto estar sob silêncio de todos os outros jornais, exceptuando noticiários online:


... que remetem para uma notícia de 2013 do Diário de Notícias, onde se poderia ler o pseudo-fundamento da acusação:
No acórdão que confirma a prisão efetiva refere-se que ao apelidar "as magistraturas e a polícia, em suma, o sistema judicial, de gangues, de organizações criminosas, sem leis, valores e princípios, que roubam e pilham e dão cobertura a pilhagens, a arguida atuou de forma desrespeitosa e despudorada para com a Justiça, as suas magistraturas e os seus mais altos representantes, concretamente para com a magistratura do Ministério Público, ofendendo as pessoas que a dirigem". O facto de se ver privada da sua habitação e dos seus bens "não justifica minimamente as palavras escritas na carta endereçada à Procuradoria-Geral da República e dirigidas ao procurador-geral da República".
Este acórdão (e os carneiros acordam?) revela os contornos Kafkianos do processo de "delito de opinião". A única lógica decisória é a do facho. 
O "facho" remete para um símbolo da Antiga Roma, o "fasces", que esteve na origem da designação de "fascismo", usada por Mussolini, mas o fasces fez/faz parte do símbolo de várias instituições:
Símbolo fasces em moeda americana
Citando a wikipedia:
O termo fascismo é derivado da palavra em latim fasces, um feixe de varas amarradas em volta de um machado, foi um símbolo do poder conferido aos magistrados na República Romana de flagelar e decapitar cidadãos desobedientes. Eram carregados por lictores e poderiam ser usados para castigo corporal e pena capital a seu próprio comando. Mussolini adotou esse símbolo para o seu partido, cujos seguidores passaram a chamar-se fascistas.
O simbolismo dos fasces sugeria "a força pela união": uma única haste é facilmente quebrada, enquanto o feixe é difícil de quebrar. Símbolos semelhantes foram desenvolvidos por diferentes movimentos fascistas.
Portanto, quem desafia o facho, a união corporativa, apanha com toda a sua ira e impunidade.
Afinal, como o sistema judicial não admite julgamento externo, é inimputável. 

Convém lembrar que a nossa Constituição proíbe partidos com ideologia fascista, mas é perfeitamente tolerante com instituições de prática fascista, que aliás acarinha condescentemente. Aí se enquadra o respeitinho exigido a todos os que se dirigem à "autoridade".  
Como se poderá deduzir, não interessa se há alguma razão racional, porque há uma razão irracional, própria de qualquer bestiário, sem inteligência humana.

A força fascista, proclamada na união de muitos, em oposição à fraqueza de um só, está bem ilustrada neste caso. Não interessam outros argumentos, porque é uma simples luta de um organismo acéfalo que sobrevive enquanto corpo mantendo não a sua racionalidade, mas sim a coesão de grupo. Algo que não é apenas comum ao fascismo, foi igualmente usado e abusado noutras tendências políticas, nomeadamente no comunismo. É algo também característico de gangues, de claques, etc...

Terem aconselhado a investigadora a seguir tratamento psiquiátrico, para escapar à prisão, depois de lhe terem sido arrestados bens e casa, mostra bem os aspectos despóticos Orwellianos que vingam nas nossas instituições.

A investigadora está já presa em Tires.
Porém, a simples imbecilidade não liberta acusadores de se embrenharem numa perigosa prisão moral, de que dificilmente se conseguirão escapar, sem muito aconselhamento clínico, e ajuda dos próprios acusados. 
Até cair de rastos e implorar misericórdia, pela sua fraqueza racional, o facho não sucumbe sem exibir toda a sua força irracional.