domingo, 27 de março de 2011

Outras pirâmides

Na sua pesquisa pelas raízes americanas, Thomas Jefferson terá devotado bastante interesse a montes artificiais, dos quais os mais interessantes estão na área do Illinois, nomeadamente Cahokia
Cahokia - Monk Mound - Illinois
(a escada de cimento substituirá agora uma anterior escada de madeira.)

Não foi dada a devida atenção a estas construções, que fariam talvez parte de uma cultura índia da bacia do Mississipi.

De forma semelhante, também foram negligenciadas durante bastante tempo as pirâmides chinesas.
Trata-se de um conjunto enorme de pirâmides, de grandes dimensões, que pode ser visualizado no Google Earth:

É ainda muito interessante a pirâmide em degraus de Zangkunchong, de origem provavelmente coreana, ainda que situada na China.

Links com informação adicional:


quarta-feira, 2 de março de 2011

Demostenes

Tenho falado contra coincidências... mas às vezes existem!
Reparei no quadro de Heraclito e Demócrito, por engano, já que procurava Demóstenes, para falar sobre o discurso do imperador, digo "Discurso do Rei", filme ganhador de Oscares.

Apenas vi o resumo do filme, no entanto, parte do argumento pareceu-me uma história copiada parcialmente duma outra, bem conhecida, de Demóstenes. Também ele teria um problema de gaguez, de infância.
É contado que Demóstenes terá usado (aqui por sua iniciativa) seixos da praia que colocava na boca, para se forçar a falar em condições difíceis. Demóstenes tornou-se um orador aclamado na sua defesa de Atenas contra a iminente invasão de Filipe II (Filipe II... da Macedónia)... pai de Alexandre Magno.

Demóstenes terá mesmo participado na batalha fulcral da derrota grega, em Caironéia (usamos o termo directo do grego e não o nome adaptado em português, por razões fonéticas), em 338 a.C. Esta cidade antes denominada Magola Mpalomeno, foi também palco duma derrota fulcral de Mitradata VI, rei do Ponto, perante os exércitos romanos de Sula, e, 86 a.C., e que terminou no fim do reino do Ponto.
O leão de Caironéia, em memória dos 300 homens do Bando Sagrado de Tebas, monumento construído em 300 a.C. e que foi reencontrado em 1818. Note-se a semelhança deste "bando" de tebanos com o também bando de 300 espartanos, imortalizado nas Termópilas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tasmânia - Muralhas de Jerusalém

Num comentário antigo foi referida a existência na Tasmânia de um Parque Natural, denominado

e um outro chamado
 
... mas também interessante é sem dúvida o "Campo de Adão"... ou melhor, Adamsfield:
Esta estrutura torna-se apenas visível a uma certa altitude... provavelmente nem é notada por quem visite o parque. Sob certa forma é semelhante à Estrutura de Richat, uma formação circular, que está localizada bem no meio do Saara:
Tem o epíteto de "olho de África" e foi anunciado pela observação da missão espacial Gemini, em 1965.

Ainda uma estrutura circular curiosa é o Lago Bosomtwe, no Ghana. Essa orografia é vísivel pelas montanhas circundantes que fazem um lembrar um lago numa cratera vulcânica.
 (As fotografias foram obtidas do Google Maps)

Como se pode verificar de algumas fotografias, há vários resorts de luxo nesse lago, num sítio improvável, e de alguma forma semi-secreto... ao ponto do nome Bosomtwe não aparecer nem na wikipedia.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Romanas Maiúsculas

Sabemos que os gregos usavam letras maiúsculas (... ou será majúsculas?!) e minúsculas.
No entanto, o que nos chegou dos romanos aparece sempre escrito em maiúsculas... as minúsculas que usamos são essencialmente fabrico posterior, de influência gótica.
Analisando algumas interessantes imagens de inscrições romana em Pompéia, podemos ver uma diversidade de escrita corrente, algumas da qual dificilmente legíveis para leigos.
É perfeitamente natural que houvesse uma variedade de caligrafia popular, para além do standard majúsculo que nos chegou.

A informação relevante sobre este assunto vi-a num vídeo de David Icke, que a certa altura faz uma observação notável... Toda a correspondência que nos é dirigida pelos bancos, e outras empresas, aparece sempre escrita com o nosso nome e endereço em maiúsculas.
Ou seja, temos correspondência dirigida assim:
      FULANO BELTRANO
      RUA DA AVENIDA, 33 
e não na forma como a escrevemos habitualmente
      Fulano Beltrano
      Rua da Avenida, 33

Isto passaria por ser acidental, se não fosse sistemático... e a explicação de Icke é interessante. Somos tratados não enquanto pessoas, mas enquanto empresas unipessoais... bens sujeitos a transacção.

A este detalhe junto a herança romana, com a sua ausência institucional de minúsculas. Algo que foi mantido ainda durante todo o período medieval. As inscrições que vemos em igrejas, ou epitáfios, adoptaram sempre a forma maiúscula, mesmo muito depois da queda do império romano. Afinal, o latim manteve-se instucionalmente como língua oficial durante a Idade Média.

Como aditamento curioso, reparamos muitas vezes nas caixas de comentários de jornais, e outros, em comentários escritos em maiúsculas... que passam por serem feitos por pessoas com vontade de se exprimir efusivamente com o Caps Lock ligado. Porém, o conteúdo dos comentários é muito semelhante, usa clichés típicos, e faz suspeitar que se tratam de comentários institucionais, patrocionados pela inteligência de serviço.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Coca Cola do Dragão

Porque às vezes estas coisas acontecem... a apropriada nova publicidade da Coca-Cola, lançada no início deste mês de Fevereiro no Youtube, e já com mais de 13 milhões de visitas, poderia ser chamada
Coca-Cola Siege

Quanto à outra Cola do Dragão...
teve 168 visitas desde Julho...

Sobre a utilização destas curiosas variantes, nomeadamente o anúncio "Dracola", já tinha feito um comentário aqui há uns meses atrás, que cada um poderá reler agora conforme queira:

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Alinhamento piramidal (via alvor-silves)

Conforme referido no blog alvor-silves as duas grandes pirâmides de Gizé estão alinhadas, e sendo aí referido a afirmação de G. Magli, face ao alinhamento a Baalbec, podemos extrapolar a linha, e seguir ainda a linha perpendicular. 
No sentido desse alinhamento corresponder a uma possível indicação de um antigo equador... 
se o admitirmos, o aspecto desse outro alinhamento terrestre seria este:
... ou seja, temos uma perspectiva em que o clima teria forçosas alterações. 
A zona europeia mais a norte corresponderia à Galiza, Bretanha, Irlanda e Grã-Bretanha, Noruega.
A Islândia (Thule) e a Gronelândia (Ultima Thule), teriam climas amenos, e o pólo norte ficaria próximo de Washington! A América do Norte faria o papel de uma enorme Antártida, enquanto esta faria o papel de uma luxuriante América do Sul!
A inclinação axial da rotação terrestre é de 23º face à normal órbita. Esta alteração corresponderia ao dobro, ou melhor 45º, e a uma rotação não inclinada face à órbita. Pode já ter acontecido? Poderá corresponder a uma transição brusca, quando o eixo de rotação ultrapassa uma exagerada inclinação?

Curiosamente, um dos dois pontos, onde se intersectam o actual equador e este meridiano de Gizé (que poderia referir um antigo equador) está em São Tomé e Príncipe, mais propriamente, no (ou próximo do) Ilhéu das Rolas 
Esta é uma boa imagem, pois mostra o mapa, apontando justamente na direcção do meridiano de Gizé...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Axum e Lalibela

Talvez na linha da tradição egípcia, a Etiópia resistiu à pressão muçulmana, fez obeliscos, e foi alvo da lenda europeia enquanto Terra do Prestes João, factor muito citado nos textos à época dos descobrimentos.

Apesar do seu controverso transporte por Mussolini para Roma, e demora na devolução recente (longo processo finalizado entre 2002 e 2008) são pouco conhecidos os enormes e surpreendentes obeliscos de Axum, na Etiópia:
Este obelisco estaria fraccionado aquando do transporte para Itália, e foi ainda danificado por um relâmpago em 2002, quando foi decidido devolvê-lo. Tem 24 metros de altura e datará do Séc. III.
As suas inscrições em relevo sugerem motivos e corte de rocha que encontramos, por exemplo, em Tiahuanaco...

Também surpreendente, e claramente prova da primeva presença cristã na Etiópia, é a insólita igreja de Lalibela. Quando a defesa e a estrutura da igreja é esculpida a partir da própria rocha, num conjunto uno:


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A electricidade e a luz...

É bem conhecida a afirmação de Einstein que estabeleceu como dogma na sua teoria:
- nada se propaga mais rapidamente do que à velocidade da luz (no vácuo).

Haveria pouca evidência experimental relevante da sua teoria, mas a aceitação foi quase absoluta em termos da comunidade científica, em pouco tempo. Sem razão aparente, todos aceitavam um máximo de velocidade, como se tal fosse natural, e nunca se tivesse falado em nada mais rápido...

Não é bem assim. Fomos encontrar, num artigo de 1866 do Intelectual Observer, a seguinte tabela:
O que é surpreendente, é haver uma tabela com valores praticamente correctos para todas as velocidades, e aparecer uma velocidade superior à velocidade da luz... a "velocidade da electricidade":
464 000 Km/s.
Ora tem sido bastante desacreditada a velocidade da electricidade, dizendo-se que os "electrões são lentos" , e só que por efeito dominó, o resultado da velocidade será maior. Desconheço a base destes valores apresentados, nem tão pouco que experiências foram feitas para a medição, e sob que condições (por exemplo, se seria um valor máximo, ou médio...).
A actual pesquisa na internet não deu em nada... é como se tal coisa não tivesse sido nunca considerada.

Ao longo dos anos, manteve-se esta ideia da electricidade ser muito mais lenta que a luz, apesar de ser quase uma constatação prática sermos presenteados com velocidades altíssimas. Ninguém se lembra de ter um delay na resposta quando efectuava um telefonema para a Califórnia ou para a Austrália... e falamos de cabos não ideais, em condições de passagem por vários circuitos.

Porém, estas coisas vão mudando com os tempos...
e encontramos um artigo na Scientific American (18 Junho 2010):
Faster-than-light electric currents could explain pulsars

Acho que a introdução do artigo diz tudo:
Claiming that something can move faster than light is a good conversation-stopper in physics. People edge away from you in cocktail parties; friends never return phone calls. You just don't mess with Albert Einstein.
Não se trata exactamente do mesmo assunto... mas não é de deixar ficar surpreendido.
  • Primeiro, porque houve uma pretensa medição correcta acima da velocidade da luz.
  • Segundo, porque o dogma de Einstein acabou definitivamente com essas considerações.
  • Terceiro, porque apesar de evidências que tornam difícil continuar a aceitar o dogma de Einstein, as novas experiências que se vão realizando começam a desafiar o silêncio... e o politicamente correcto pode começar a estalar o verniz académico.
[Adição em 28/01/2011, a propósito do comentário de JM-CH]
Quando se assume a propagação de uma partícula, pois o fotão é aquele que temos como partícula elementar mais veloz... No entanto aqui não se trata de supor isso!
Como no caso do pêndulo de Newton:
A velocidade de propagação do sinal entre as 3 bolas estáticas, parece instantânea, pois é muito superior à velocidade do movimento da bola que embate. Essa é uma velocidade de propagação interna, que neste caso se propaga enquanto onda de choque à velocidade do som.
Da mesma forma, é diferente assumir-se a velocidade do fotão (que se move), relativamente ao sinal electrónico transmitido pelos electrões na camada superior dos átomos metálicos... e este poderá ser mais rápido. Tal como no pêndulo, o último electrão sai, quase instantâneamente... tudo depende da propagação do sinal, do choque, a nível intra-atómico. Estas considerações não fazem parte das teorias físicas estocásticas habituais a nível intra-atómico, pois aí o conceito de partícula é meramente estatístico.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

... e Vénus aqui tão perto!

Desde 1975... já lá vão mais de 35 anos que a nave russa Venera 9 enviou imagens da superfície venusiana, depois em 1982 tivémos as últimas das Venera 13 e 14:
Por grande azar das aterragens, as imagens foram sempre parecidas...
Desde há praticamente 30 anos que Vénus não teve mais visitas.
Os americanos nunca enviaram nenhuma sonda com o objectivo de tirar fotografias da superfície... ao passo que enviaram múltiplas sondas a planetas muito mais distantes.
O último interesse parece ter sido europeu, através da Venus Express que terá detectado actividade geológica, mas tal como a americana Magellan, não foi enviada nenhuma sonda à superfície.

Os argumentos são vários, desde há muito... o efeito de estufa CO2, colocará a temperatura da atmosfera acima de 400ºC. Coisa que parece não ter afectado muito as sondas russas, há 30 anos... A NASA, sempre gostou de nos presentear com a sua galeria artística, misturando imagens fabricadas com fotos.
Para além de ciência, a NASA preza muito a pintura, produzindo quadros de qualidade discutível, para ser apreciada pelo grande público:
Os artistas da NASA... uma "visão" de Vénus para o público recordar.

Afinal, para quê mostrar uma imagem correcta, se podemos desenhar um quadro bonito?
Não é bem desenhar a Lua com uma expressão facial, mas não anda longe!

A sonda Magellan em 1994 terá calado alguma suspeita de desinteresse por Vénus, mas de facto apenas produziu imagens por interpretação de dados. As imagens artificiais obtidas com o sistema SAR, mostraram-nos coisas semelhantes à Lua, Marte ou Mercúrio:


Afinal, apesar de ter uma densa atmosfera, pior que a da Terra, Vénus parece também sujeito ao grande impacto de meteoros... esse é aliás o problema de Mercúrio, que é uma lua com imensas crateras:

Em contraponto, colocamos aqui as notáveis imagens de Saturno e dos seus anéis, enviadas pela sonda Cassini. Uma das luas de Saturno, Dafne, tem a particularidade de orbitar no meio dos anéis...

imagens dos anéis de Saturno, e do satélite Janos

Quanto a Vénus, é certo que as nuvens mantêm o desinteresse e o melhor que se pode arranjar para o planeta mais perto da Terra, são imagems assim:

Vénus: imagem em cor real (Mariner 10), e em infravermelho (Galileo) 

É notável não haver uma imagem nítida, tirada pelo Hubble, ou similar, ao planeta mais perto da Terra... todas as restantes resultam de tratamento após simulações computacionais!

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A locomotiva russa

Estávamos avisados para a diferente educação russa, que colocaria russos na invenção de muitas coisas que fomos habituados a atribuir a outros, normalmente na Inglaterra, França ou Alemanha. 
Porém, acabámos por não saber quem eram esses outros inventores... a educação russa terá ficado entre-muros e dificilmente cativará o mundo ocidental para acomodar os seus numa nova versão histórica de personalidades.

Fui surpreendido ao ler a pretensão de que a lâmpada eléctrica teria sido inventada por Alexander Ladygin, conforme se encontra neste artigo descritivo da North American Review:
É óbvio que o período das invenções singulares, na transição para o Séc. XX, trouxe várias disputas sobre a autoria dos inventos. Edison está no meio delas, na sua disputa com o genial Nikola Tesla, e aparece agora ligado à própria criação anterior da lâmpada eléctrica. O nome Ladygin era-me desconhecido, e nem tão pouco consta da wikipedia (ao contrário do nome do autor do artigo Emil Draitser).
No entanto, seria uma referência vulgar na escola soviética, tal como a Locomotiva dos Cherepanovs ser anterior à de R. Stephenson, conforme se pode ler no artigo.
 A locomotiva dos Cherpanovs - 
agora tida apenas como primeira locomotiva russa...
Agora, mais importante que esses esquecidos Cherepanovs, é uma promessa do hóquei, curiosamente denominado Cherepanov, Siberian Express
Os motores de busca não têm dúvidas de quem apresentar em primeiro lugar. 
Da mesma forma que quem procurar Cândido Costa será presenteado com um jogador do FC Porto, e não encontrará o escritor português. Estas coincidências repetem-se, e uma das que mais me surpreendeu foi a de Olavo Bilac
Acontece que esta própria relevância nada tem de estranho, sendo facilmente justificada.
Independentemente disso, condiciona a informação a que temos acesso.

A história só pode ser contada por quem tem capacidade de fazer ouvir a sua voz... as outras histórias ficam guardadas pelos mudos, condenadas ao progressivo desaparecimento.
A indiscutível presença espacial americana e russa poderá não passar de uma pequena lembrança quando os dados forem jogados de novo - Alea jacta est... e o que era deixa de ser, tal como aconteceu com as navegações portuguesas, ou outras anteriores.

O registo que nos parece perene e intemporal, é tão somente acaso da conjuntura política de cada época, procurando influenciar as gerações futuras.
Aquiles não existiria sem Homero, e sem o relevo que os escritores posteriores lhe consagraram.

A maior obra pode passar completamente esquecida e ser apropriada posteriormente, na altura considerada certa, e atribuída como recompensa a alguém conveniente. Lendo os textos portugueses à altura dos descobrimentos, percebe-se perfeitamente que os nossos autores adivinhavam esse esquecimento programado. Por outro lado, sabiam perfeitamente, e escreviam-no, que muito desse conhecimento português era apenas fruto de uma reedição de conhecimento antigo, aparentemente perdido.

Jorge Couto, terá ido para além do relato de Duarte Pacheco Pereira, e cruzando dados foi aceite a prova de que em 1498 este teria atingido o Brasil. Não há dúvida que Couto foi reconhecido pelo trabalho, tendo recebido vários prémios, e sendo nomeado para director da Biblioteca Nacional. Porém, esse trabalho ficará como um registo erudito, de divulgação limitada. 
A versão oficial propaga-se no ensino, com razões para além dos factos. Resta apenas continuar o excelente trabalho de disponibilizar digitalmente as obras nacionais... coisa que se afigurará difícil, sempre que as obras sejam complicadas. Encontrámos a obra de António Galvão na BNP publicada alguns meses depois de encontrarmos outra digitalização na internet... teríamos preferido encontrá-la primeiro em Portugal.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Giroflé, Girofla

Giroflé-Girofla é uma ópera bufa (com tudo o que o cómico pode delatar) de 1874 de Charles Lecocq.
No enredo temos um Don Bolero com dificuldades financeiras, que procura contornar com a ajuda da esposa Aurora, casando por conveniência as filhas gémeas: Giroflé e Girofla. Casam-se com os credores do pai - um rico comerciante, e um chefe mouro, que o ameaçara de morte. Porém, com o rapto de uma delas, a outra vê-se numa situação cómica de ubiquidade, procurando substituir a irmã, para que o marido dela, líder mouro, não note a sua ausência.

Giroflée-Girofla é ainda uma canção de denúncia e resistência contra a subida de Hitler ao poder, composta em 1937.
Que tu as la maison douce
Giroflée Girofla
L'herbe y croît, les fleurs y poussent
Le printemps est là.
Dans la nuit qui devient rousse
Giroflée Girofla
L'avion la brûlera. (...)
Giroflé-Giroflá é finalmente mais conhecida como canção infantil. A letra francesa é razoavelmente diferente, próxima do enredo da ópera. No caso português ficou limitada ao jardim Celeste e à busca da Rosa.

Bom... e o que é afinal o Giroflé?
Cravo - especiaria (Girofle, em francês) 

Vendo as coisas a esta distância, talvez isto fosse um post mais apropriado para o 25 de Abril... no entanto há coisas que aparecem nos nossos espíritos, por santas campanhas repetitivas que soam como campaínhas.

A ópera de Lecocq poderia reflectir uma dualidade francesa na partilha colonial do mundo que ocorreria na conferência de Berlim, dez anos mais tarde (1884). Os intervenientes em dívida, e a contemplar no casamento poderiam bem incluir um rico comerciante europeu e um chefe mouro... o Giroflé, esse vem ainda hoje de Madagascar. Porém, Don Bolero, era claramente  um personagem espanhol.

Depois, para além da posição ambígua tomada aquando da ascensão de Hitler, a simples transcrição da canção infantil para o caso português terá sido simples e fortuita... é óbvio que o cravo com se quis marcar a revolução de 25 de Abril nada a tinha a ver com especiarias, nem a canção se chamava Oeillet, Oeillat...

O cravo, cujo nome vulgar é ainda Oeillet Giroflé, era cantado pelas crianças, ainda antes de 1974 (data em que a ópera fazia cem anos).
Uma pequena manifestação subtil de coordenação de vontades, para além da vontade reinante...
Não indiciando certamente nenhum prelúdio de acontecimento, que registo ficou desta admirável coincidência?
Passado pouco tempo, outra palavra "o crava" entrou rapidamente no jargão, e em espírito irónico falava-se na "revolução dos cravas". Uma simples mudança no final... Girofle, Girofla!

E em tempo de cravas, continuaremos a ouvir as crianças a cantar:
Giroflé, Giroflá... o que foste lá fazer? Fui lá buscar uma rosa...

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Entre a calma e o insólito

As notícias sobre a morte insólita de centenas de pássaros, vieram acrescentar mais polémica à quantidade acumulada de mistérios. De facto, as tentativas de explicações oficiais são por vezes banais e dirigidas a indigentes, e nada mais fazem do que adensar o mistério.
Entretanto, o Pravda continua as notícias na linha especulativa:


(imagem que ilustra a primeira noticia)

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

SETI e as 3 naves espaciais para 2012

O título da notícia no Pravda é este:
Normalmente isto seria um título de ficção científica, e não do conhecido jornal russo Pravda.

No entanto, nestes tempos é difícil perceber até que ponto isto é um problema nosso ou do Pravda e da sua avaliação das fontes de investigadores do projecto SETI (na página do SETI nada é dito)...
imagem que ilustra o artigo do Pravda

O texto do artigo
The spaceships were detected by HAARP search system. The system, based in Alaska, was designed to study the phenomenon of northern lights. According to SETI researchers, the objects are nothing but extraterrestrial spaceships. They will be visible in optical telescopes as soon as they reach Mars's orbit. The US government has been reportedly informed about the event. The ships will reach Earth in December 2012.
The date of the supposed space contact with extraterrestrial civilization brings up thoughts about the Mayan calendar, which ends on December 21, 2012. Is it just a coincidence? Most likely, though, SETI researchers mistake the wish for the reality: fifty years of constant monitoring of space have not yielded any results.
O Pravda faz ainda outro artigo sobre visitas UFO ao sul da Rússia... e será de ter em atenção outros artigos do Pravda sobre a controvérsia com o sistema HAARP (artigos de 2003; 2010), sendo claro que chegaram a vê-lo como uma ameaça à Rússia.

No entanto, informação semelhante (e mais antiga), sobre este avistamento pode ser encontrada aqui:
big-spaceships-fly-to-earth

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Nebulosidades auditivas (2)

Set the controls for the heart of the sun (Pink Floyd, 1968):

Witness the man who raves at the wall
Making the shape of his question to Heaven
Whether the sun will fall in the evening
Will he remember the lesson of giving
Set the controls for the heart of the sun
Concerto (1972) em Pompeia... onde a ira do Vesúvio fez guardar cor e arte, doutra forma perdida.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Eclipse now

Hoje, a partir das 6h30 da manhã (TMG) ocorrerá um eclipse total da Lua (o último total tinha sido observado em 2008).
  eclipse lunar de 21/12/2010 (wikipedia)
Entrada em plena Cauda do Dragão - nó descendente.

A maior curiosidade com o eclipse de hoje é a rara proximidade com o solstício de Inverno.
Ocorre no mesmo dia, pela primeira vez em 372 anos (ver notícia); ou seja desde 1638, altura em que Richelieu se aliava à Suécia e se desenhava a Europa de Vestfália (assinada 10 anos depois).

Num episódio pouco conhecido, os suecos chegaram mesmo a fundar a Nova Suécia, perto de Delaware, perdida para a Nova Holanda, em 1655, ambas estas colónias seriam rapidamente incorporadas no crescente império britânico (Tratado de Westminster, 1674).

Refere ainda esta notícia que se avizinha um 2011 como ano pródigo em eclipses...  

fotos da efeméride astronómica