sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Havia um avião - Reunião 515 dias

Na sequência de dois textos anteriores "Aviam Avião":


parece-me que podemos iniciar uma série sob o tema "Havia um Avião".

As palavras chave que foram escolhidas para as notícias de ontem (5 de Agosto), sobre a descoberta de um resto de uma asa de um Boeing, foram notoriamente duas:
- Reunião
- 515 dias
Que uma palavra seja "Reunião", parece inevitável, já que o destroço seria encontrado nas Ilhas de Reunião. Já dar eco ao número 515 dias parece-me menos vulgar, até porque ninguém se lembrou de dar foco ao número exacto de 131 dias, passados entre o primeiro e o segundo acidente dos aviões da Malaysia Airlines. 

Só refiro isto, porque para quem leu algumas coisas esotéricas e cabalísticas, o número 515 é daqueles que não passa completamente despercebido.

Num estranho "artigo científico" de 1989 (!), Lima de Freitas dá algumas pistas sobre este número. O artigo chama-se 

... e parece mais um artigo de blog do que um artigo científico (mas, enfim, à época não haviam blogs). Na introdução diz o seguinte:
After stressing the fact that the paradigm of the mirror is common to oriental as well as western traditional metaphysical and religious speculation, he comes to mention the mysterious use of the number 515 by means of which Dante Alighieri, in his Divine Comedy, prophesies the advent of God's Envoy. 
e acaba quase no mesmo estilo (sendo um verdadeiro mistério a aceitação do artigo naquela revista, ou talvez não, lendo os manos):
All this is very much in the spirit of Dante. I think for the reasons above and because of other clues, that the "Apparition of Christ to the Virgin", the masterpiece of (probably) Master Jorge Afonso now in the Janelas Verdes Museum of Lisbon, commissioned by Queen Leonor in the first quarter of the sixteenth century, exhibits the cipher 515, with the same intention and meaning that Dante gave to it two centuries before. This belief of mine grew stronger when I realised that, at the entrance of the church of Templars in Tomar - the centre of the Templar Order in Portugal and one of the most important monuments in Europe - the Master who built the porch engraved in the stone - once again! - the cipher 515.
Só por curiosidade natural fui ver o tal quadro de Jorge Afonso:
Aparição de Cristo Ressuscitado à Virgem, de Jorge Afonso
(detalhe, onde se evidencia o 1515)
Peço imensa desculpa, mas dada a curvatura dos 5, o que leio ali não é 1515, mas sim ISIS.

Eu sei, comecei este artigo apenas com a intenção de cumprir calendário com a notícia do avião desaparecido, e já chegámos à variante do Estado Islâmico... o ISIS, de 1515 para 2015, com quinhentos anos de diferença. Sem comentários!

No entanto, a oportunidade da menção que o mação Lima de Freitas faz ao 515 de Tomar (não seria apenas o ano da obra?), permite agora falar da Igreja de Santa Maria dos Olivais, que o José Manuel fez referência num comentário (... até essa altura apenas associava Stª Maria dos Olivais à freguesia lisboeta dos Olivais), e ao seu pentagrama associado:
Igreja de Santa Maria dos Olivais, igreja matriz dos templários com um pentagrama
E acrescento que no retábulo de Jorge Afonso, parece-me que o velho Adão coberto apenas com a parra, segura uma maçã e nenhum pomander... esse de 1505:

Todo este interlúdio para realçar que quando se lança um número como 515 para as notícias, as mentes cabalísticas, plenas de espírito esotérico, não serão totalmente insensíveis, e não o lerão da mesma forma que o comum dos mortais (já tivemos o 115 como número de emergência, mas passou a 112, provavelmente por causa destas confusões...).

Só um pequeno acrescento relativamente a estes delírios correntes.
O 1 é visto como a unidade divina, assim com o 3 é visto como a sua trindade, e o 5 é entendido como sendo o número do homem (o que se compreende pelos cinco dedos, e não só - ver texto Abraçadabra). Portanto, escrever 515 é como entender uma passagem de homem (5) ao divino (1) e o regresso como homem (5). O habitual uso de 3 dígitos teria a ver com o número de eras (era do Pai, do Filho, e do Espírito Santo).  Mas, passando a 4 dígitos e de forma semelhante, 1515 seria equivalente, mas começando antes pela parte divina. Na mesma pseudo-lógica, devemos entender 2 como a dualidade (por exemplo, feminino e masculino) e 0 como o vazio, a ausência. Portanto, 2015 poderia ser entendido como sequência iniciada numa dualidade, desaparecida, da qual emerge parte divina, e depois humana. 
Mas enfim, tudo isto serviria para rir, se não fosse para chorar.

Voltando ao assunto de interesse.
Passado um ano sobre o desaparecimento do MAS 17, a BBC juntou o que se tinha "apurado" neste artigo:
... e uma das coisas que se pode reparar nesta figura
Partes recuperadas do avião abatido na Ucrânia (MAS 17, em 17 de Julho de 2014)
... é que foi recuperado pouco do avião "destruído pelo míssil". Uma boa parte parece ter-se evaporado ou volatilizado. Assim, digamos que há muito por recuperar daquele avião, e não sendo normal que tenha entrado em órbita e caído na ilha da Reunião, eu não estaria assim tão seguro disso.

Uma teoria que circulou o ano passado é que o vôo MAS 370 teria sido desviado para a base americana de Diego Garcia, no Oceano Índico. Os proponentes desta teoria poderiam ter ficado mais convencidos com o aparecimento de destroços na Ilha da Reunião, pois essa base está bem mais próximo do local de recolha do destroço. Ainda assim, devido a toda a teoria de correntes que poderiam ter levado os destroços da asa, tudo é possível, ou como se diz no título da revista Wired:
e conclui com esta certeza - "Well, at least we know the plane’s not hiding in Kazakhstan."

Mas eu não estaria assim tão certo que o Cazaquistão será um local a excluir das buscas, seja pelo que falta do MAS 370, seja pelo que falta do MAS 17... insistindo que não é claro que o que falta não seja exactamente o mesmo!
Portanto, o que temos agora é apenas mais música sobre uma parte de uma asa...

Asas - GNR

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Aditamento (9/08/2015):
Por via desta notícia cheguei a uma teoria avançada também no ano passado, uns quatro dias depois de ter colocado aqui a hipótese do MH17 e MH370 serem o mesmo, e que também seguia na mesma linha:

Aliás convém salientar que isto nada tem de especial, já que a semelhança dos dois aviões deveria automaticamente disparar a pergunta - se seriam o mesmo ou não? Tão preocupados estavam os jornalistas em serem politicamente correctos, que ninguém se atreveu a comentar ou estranhar essa semelhança. O que só fez tornar tudo ainda mais suspeito.

A minha suspeita não se fundava em dados muito objectivos, mas o site em questão compilou alguns:

1. A missing window on the wreckage, which appeared in some pictures over the internet.
2. The flag does not properly align to the window, as compared to recent pictures of the original MH17 (no new information here).
3. Rebel leader describes the MH17 victims: rotten corpses, drained of blood (no new information here). 
4. ALL the videos were created before MH17 was allegedly shot down (no new information here).
5. Flight MH17 was cancelled, according to flight radar screen (no new information here).
6. Invalid and pristine passports at the crash site
...
É relevante, e foi uma informação veiculada logo nos dias seguintes, que o voo MH-17 tinha sido dado como cancelado.

domingo, 2 de agosto de 2015

Um discurso de Balfour... cem anos depois

Arthur Balfour foi primeiro-ministro inglês, mas ficou mais conhecido pela declaração de 1917 que prometeu a criação de um estado judaico na Palestina. 


aqui comentámos a Declaração de Balfour, nomeadamente a célebre carta enviada a Rothschild.

No entanto, é instrutivo ver o discurso proferido por Balfour dois anos antes, a 4 de Agosto de 1915, ou seja, há 100 anos. O discurso chama-se "Um ano depois" e enquadra-se na situação da 1ª Guerra Mundial, tendo passado um ano sobre o início das hostilidades com a Alemanha.
Não vou entregar-me a invectivas contra os nossos antagonistas, pois suponho que a maior parte deles fez o que lhes foi dito, simplesmente porque lhes foi dito.
Boa razão.
Suponho que os seus caudilhos se iludiram na crença de que a Alemanha e os alemães eram tão bons, tão excepcionais, que o ser dominado por um alemão era o maior privilégio de que uma raça inferior poderia gozar neste perverso mundo.
A transcrição do discurso aponta para risos na plateia... passados 100 anos, é de perguntar se há ainda governante da "zona euro" que se ria hoje dessa piada! 

O discurso continua apelando ao espírito britânico, enquanto "campeões imemoriais da liberdade", em continuar a luta contra a Alemanha em território francês. 

Desde a invasão normanda que a Inglaterra nunca se desligou do território francês, e sempre esteve atenta ao que se passava em território europeu, sendo-lhes conhecida a frase de preocupação jocosa aquando de nevoeiro no Canal da Mancha - "o continente está isolado".

É preciso recuar mais 100 anos, para a Batalha de Waterloo de 1815, para entendermos que a França passou definitivamente a dever obediência à Loja de Londres, ou se quisermos, à City de Londres.
Na realidade não foi a França que pagou os custos das guerras napoleónicas, esse financiamento foi cobrado em dívidas aos estados ibéricos, Portugal e Espanha, pela ajuda fornecida pela Inglaterra. A partir de 1815 não mais a França ousou espirrar contra a Inglaterra, foi protegida, e o seu arqui-rival e inimigo, passou a funcionar num entendimento mais que cordial, mesmo antes da Entente Cordiale
A Alemanha iria passar a funcionar como inimigo de serviço durante as décadas seguintes.

A excepção a essa ajuda britânica à França ocorre durante as Guerras Franco-Prussianas, já que Bismarck foi suficientemente hábil para provocar o suicídio diplomático da França.
O que fez Bismarck?
Informou os franceses de que planeava anexar a Áustria, ou o império Austro-Húngaro, e que se por seu turno, os franceses decidissem anexar a Bélgica, teriam igualmente o reconhecimento alemão. 

À França pareceu-lhe bem a ideia, de onde ambos os reinos sairiam a ganhar territórios... tal como hoje pareceu bem propor um directório da "zona euro", juntando-se à Alemanha, e cooptando o Benelux para a farsa, excluindo os restantes países!

Só que à época, a ideia de Bismarck era apenas lançar a corda onde a França se apressou a colocar o pescoço. Quando os exércitos prussianos avançaram sobre a França, e desfilaram depois vitoriosos por Paris, a Inglaterra não mexeu palha... porque a Rainha Vitória foi informada por Bismarck dessa anuência francesa à anexação belga - caso tanto mais grave quanto a Rainha Vitória tinha origem familiar na casa alemã de Hanover, e era sobrinha afectuosa do rei belga.

No entanto, a própria Alemanha ao exibir na invasão francesa uma tal supremacia europeia, apressou-se a chamar as atenções inglesas contra o seu crescimento. É nesse contexto que a 1ª Guerra Mundial poderia antever-se antes de ocorrer - a Inglaterra precisava de parar a Alemanha e a França pretendia uma certa vingança contra a invasão de Bismarck. 
As reparações de guerra que a Alemanha exigira à França, foram depois muito pioradas na vingança francesa pelo Tratado de Versalhes, o que acabou por levar a nova invasão de Paris, a nova vingança, desta vez pelos exércitos de Hitler. Só o bom senso americano do Plano Marshall permitiu parar esta escalada de vinganças, resultantes de pesadas reparações de guerra sobre o perdedor.
Porém, passadas umas décadas e parece que as manias de humilhação e subjugação económica persistem, motivadas por interesses diversos, que aqui não interessa repetir.
Afinal depois da 1ª Guerra Mundial, com o impacto da divulgação dos Protocolos de Sião, a teoria da conspiração ganhou adeptos em todos os governos nacionalistas, e não é difícil encontrar referências anti-semitas nos ideólogos do fascismo alemão, ou do fascismo italiano... ou como Julius Evola referiu:
Whether or not the controversial Protocols of the Learned Elders of Zion are false or authentic does not affect the symptomatic value of the document in question, that is, the fact, that many of the things that have occurred in modern times, having taken place after their publication, effectively agree with the plans assumed in that document, perhaps more than a superficial observer might believe.

Interessa como último ponto o financiamento do Império Alemão e Austríaco à revolução bolchevique em Moscovo, no decurso da 1ª Guerra Mundial.

A ideia alemã era simples.
A Alemanha estava com duas frentes de guerra. Uma a ocidente onde defrontava franceses e ingleses, e outra a oriente onde se batia contra os exércitos russos do Czar Nicolau. A deposição da monarquia russa, e o estabelecimento do comunismo, seriam bem vindos pelos alemães, se essa mudança de governo significasse o fim das hostilidades numa das frentes... podendo assim deslocar todos os seus exércitos para a frente ocidental.

New York Times (1918)
Lenine foi financiado directamente por alemães e austríacos, conforme parece ser atestado por inúmera documentação entretanto conhecida. Dificilmente revoluções internas têm sucesso sem mãozinha externa, ao contrário do que é supostamente propalado.

Porém, este plano alemão, cuja consequência lateral foi implantar um longo regime comunista na Rússia... acabou por sair duplamente furado. 
Primeiro, porque essa vantagem alemã foi rapidamente anulada com a automática entrada dos americanos na 1ª Guerra Mundial. Se estavam descansados pela frente oriental, passaram a ter o dobro dos problemas na frente ocidental, e em breve perderiam a guerra.
Segundo, porque foi o regime comunista que permitiu a maior ofensiva contra a Alemanha no curso da 2ª Guerra Mundial, tendo sido os russos comunistas a tomar Berlim. 

Diversas situações, em que os ventos semeados passaram à força de tempestades contra os próprios.

sábado, 18 de julho de 2015

Pelotão e Carontonha

Plutão ou Pluto?
Jornais "sérios" não confundem o nome do planeta (Plutão) com o nome do cão do Mickey (Pluto).
Antes de ser desclassificado, Plutão aparecia na lengalenga dos 9 planetas, e por isso o erro não ocorre nos dias de hoje. Poucos associam Plutão à versão romana da divindade dos infernos, Hades.

Charon é Caronte!
História completamente diferente é a da lua de Plutão, Caronte, cujo nome deriva apropriadamente do barqueiro infernal.
Nalguns jornais online como ExpressoSol, RenascençaObservadorVisão, TSF, etc... isto só para mencionar alguns (que entretanto poderão fazer o favor de corrigir), o nome "Charon" poderia ser afinal "Maria Alice", ou até ser "Sharan" (o que daria jeito de publicidade a calhambeques alemães, numa altura em que se vende soberania a estrangeiros por meia-dúzia de euros). Assim, não foi traduzido com a devida referência a Caronte, ficando a palavra inglesa correspondente, "Charon".

Neste reino em que os incompetentes são condecorados com coleiras de obediência para debitarem banalidades nas televisões, nada é de estranhar.
Houve traduções que não pegaram, ou se perderam, mas não é a mesma coisa escrever Frankfurt em vez da tradução perdida, que era Francoforte. Como essa cidade alemã é a sede do Banco Central Europeu, e capital financeira da zona Euro, faria mais sentido traduzi-la hoje como "Euroforte", ou talvez ainda "Eurofoste" numa certa antevisão do rumo que este circo europeu leva.

Há outras designações que são igualmente fruto do domínio da língua inglesa, como "Beijing" que já se vê escrito aqui e ali, como se o nome português "Pequim" tivesse ficado um incómodo. E isto não é o mesmo que usar New York em vez de Nova Iorque, já que York raramente se escreve Iorque.

Neste caso é simplesmente mais caricato, porque um qualquer Malaca Casteleiro, munido da aura de indigência maçónica, poderia querer-nos educar Charon ao som do "Acordo Ortográfico" e assim escrever "Charom". E se isto parece estranho, basta notar que "ÓTICA" sem "P" diz respeito aos ouvidos e não aos olhos. Assim, passámos a ter "ÓPTICAS", empresas que na pressa de serem "boas alunas" mudaram de actividade para "ÓTICAS", passando literalmente a dedicar-se aos ouvidos.

Quanto à campanha publicitária levada a cabo pela NASA, das "fotos de Plutão"... como muito boa gente reparou, pareciam mesmo inspiradas no personagem da Disney.

Ah! Mas que descrentes que somos... aposto que também repararam que todas as imagens eram a preto-e-branco! Já sabemos das poupanças da NASA em revelar a cores, que gasta muita tinta, e os tinteiros a cores saem mais caros no orçamento da agência desinformativa.
Porém, desta vez a NASA não se deixou apanhar, e zás, colocou mesmo imagens coloridas, ainda que com pior definição... que isto não é para abusar!


Ah! Afinal são imagens a cores... mas, azar, assume-se serem "cores falsas"!
Homessa, não arranjam uma câmara que tire fotos com cores verdadeiras?
Não há pachorra, para tantos problemas técnicos... assumindo que há "técnicos" na NASA.

Depois, as imagens são "surpreendentes", "fantásticas", e outros adjectivos publicitários para colar à notícia, e não volto aqui a repetir toda a absoluta desconfiança necessária para este tipo de coisas.
Depois, convém notar que à distância a que Plutão e Caronte são supostos estar, o Sol aparece como um ponto estelar brilhante. Ainda assumindo que seja mais brilhante que uma Lua cheia (o que nem é nada claro... ver p.ex. comentários aqui e aqui) ainda assim seria apenas um ponto de luz intenso, como uma estrela muito mais brilhante que as restantes - não teria aspecto de um disco de luz (alguém perguntava nos comentários mencionados... e que tal a câmara registar isso? - esta malta, é só exigências! Coitada da NASA, tinha que colocar duas ópticas)
Em suma, o que é facto, é que não é suposto haver o mesmo tipo de luz em Plutão do que aquele que temos quando fotografamos planetas-asteróides como Ceres... e que produzem até imagens piores. Bom, mas afinal, para quem é (a populaça), pouco interessa, interessa só manter o espectáculo noticioso a rodar. Vistas as fotos dos berlindes, eu até diria que se poderia notar um projector de luz... mas, deve ser impressão minha.

Tudo isto interessa muito pouco, ou quase nada.
Como já aqui insisti, dado o nível de desconfiança na sociedade, poderiam até colocar fotografias de uma estação espacial alienígena, com marcianos a acenar, e ficávamos na mesma. A partir de certo ponto de incoerência, qualquer informação é absolutamente irrelevante. A única coisa relevante é a atitude que as pessoas têm com base nela...

Talvez valha a pena esclarecer isto.
Nos dias que correm, o que impede termos um desembarque alienígena, com homenzinhos verdes simpáticos a quererem o melhor para a humanidade, e a ajudar-nos? O que impede termos um planeta cor-de-rosa, cheio de crianças alucinadas a acreditarem em cavalos voadores, em fadas, etc?
O que impede isso, são basicamente duas coisas.
1) Gente a mais. 2) Pessoas desconfiadas.
O problema de gente a mais está a tentar ser controlado... e tudo será feito para inverter a espiral demográfica. Ou seja, há demasiada gente para uma ilusão credível com efeito.
O problema mais irresolúvel, é o da malta desconfiada. Porque, a malta que constrói a tecnologia, é malta que sabe, é malta que não é tão facilmente controlável, e é malta de quem os mandantes dependem para construir e consertar os bonecos que vendem. E é essa malta que acaba por impedir que os mandantes apareçam como deuses face aos restantes mortais. Quando houver menos gente, e os desconfiados forem exterminados, então a humanidade iria perceber (de novo) o inferno que seria ser governada directamente por "deuses" ou "aliens".

De tempos que não reza a história, ficaram-nos as palavras que usamos.
Comecei com Plutão e Caronte, e vou terminar com eles.
Entre "pelotão" e "plutão" a diferença fonética é pequena. Se Plutão nos remete para os infernos, a palavra "pelotão" é militar, e esteve ligada apropriadamente a "pelotões de fuzilamento"... onde esse pelotão poderia bem ser visto como emanação infernal de Plutão. É claro que há outra justificação, ligada ao jogo da pelota, mas até por aí a coisa não seria pacífica, se nos lembrarmos do destino dos jogadores de pelota aztecas e maias, também convidados a conhecer Plutão.

Por outro lado, de Caronte conhecemos melhor o antigo hábito de colocar moedas nos olhos dos mortos, para o serviço do banqueiro, perdão, do barqueiro dos infernos (nessa época, não seriam nem euros, nem dólares).
Tal como hoje se escreve "Charon" por referência a Caronte, menos me custa a crer que a palavra que pode estar na origem de "Carantonha" seja talvez "Carontonha", referindo-se ao mau aspecto de Caronte. É claro que a diferença é pequena, mas substancial.
Para a declinação de "medo" usamos "medonha", e se a origem fosse "cara" (conforme é pretendido), ficaria mais facilmente "caronha". Como "carantonha" se associa ao uso de máscara, parece-me plausível que nos tenha ficado de Caronte a tal "carontonha", passando o "a" a "o", por hábito da população, ou simplesmente por acordos ortográficos de despistagem...

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Ceres spotting

Já há uns quatro anos, falei no texto "Moon Spots" sobre o registo antigo (Séc. XIX) do avistamento de "estranhas luzes" na Lua. Apareceram em várias revistas da época:

Bom, surgiu entretanto, há uns dias atrás, a notícia da NASA que revelava a existência de luzinhas... agora não na Lua, mas sim no maior planeta-asteróide, ou seja Ceres. As imagens são atribuídas à sonda Dawn, que teria conseguido a notável proeza de ter realizado uma viagem de vários anos pela Cintura de Asteróides sem ter colidido com nenhum dos muitos milhares de corpos de dimensão grande (... e milhões de dimensão mais pequena). 

Imagem das duas luzes numa cratera de Ceres
(sonda Dawn, NASA)

As imagens, como habitual, são a preto-e-branco. A NASA sempre foi poupada com estas coisas, e portanto não gosta de gastar dinheiro com imagens a cores. 
Habituados às fotografias digitais, os jovens de hoje não entendem que fotografias a cores eram coisa bem mais cara do que revelá-las a preto-e-branco. Assim, a NASA mantém-se poupada na revelação, e segue a tradição do preto-e-branco.
Seja como for, esta notícia da luzinha em Ceres já vem de Janeiro (ver aqui), só que então estava mais desfocada, porque a sonda Dawn era suposto estar bem mais longe do asteróide... fazia por isso sentido apresentar uma imagem desfocada.

Só que ainda assim, parece que as coisas já não são o que eram, e a notícia das luzinhas em Ceres não teve grande impacto, pelo que aparece agora nova revelação - uma formação piramidal:
À esquerda - um zoom da cratera que exibe as luzinhas!
À direita - (em baixo) uma formação com aspecto de pirâmide (ou será aspecto de lapa?).

Com tanto mistério, a NASA pede agora ao povo para ajudar, apresentando explicações para o fenómeno das luzinhas, e insere a hipótese de "Aliens" como uma das possibilidades a votação!
Portanto, depois do sucesso do Canal História com as teorias "Aliens", vemos agora a NASA a seguir o mesmo caminho.

De facto, como tudo o que sai da NASA, devemos colocar sérias dúvidas à sua veracidade, mas aqui temos como ponto favorável à história o mesmo tipo de fenómeno ter sido avistado no Séc.XIX, à época, apenas na Lua.


Para terminar deixo aqui a fotografia de outras duas luzinhas, essas bem à vista de qualquer um de nós. Segue então uma imagem de Júpiter e Vénus que tirei hoje, 30 de Junho de 2015:

São também duas luzinhas...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Aproximação joviana-venusiana

Reparando no céu ao entardecer, vemos durante estes dias uma aproximação cada vez maior de Júpiter a Vénus, e que irá ter o seu momento mais próximo nos pôr-de-sol de 30 de Junho e 1 de Julho de 2015.

Há uns dias já se viu um belo triângulo formado pela Lua, Júpiter e Vénus, conforme registado nesta foto:

... e sem nuvens, veremos Júpiter como um ponto brilhante muito perto da ainda mais brilhante Vénus, o que irá ocorrer nesta terça-feira. Por isso, será bom perder um momento e olhar para o céu logo a seguir ao pôr-de-sol.
Conforme se pode ler aqui

quando a Lua reaparecer em quarto-crescente, em 18 ou 19 de Julho, mais oportunidades de ver uma nova conjunção dos três corpos. Em contraponto, para quem acorda cedo, e conseguir encontrar Mercúrio de madrugada, verá uma conjunção com Marte no dia 16 de Julho.



Mitologicamente não foi registada muita interacção entre Júpiter e Vénus (ou entre Zeus e Afrodite), mas nos céus não é invulgar vermos a aproximação entre Júpiter e Vénus, os corpos mais brilhantes do céu (excluindo obviamente o Sol e a Lua). 
Irá repetir-se em 2016, e já aqui a tinhamos registado em 2012.

sábado, 20 de junho de 2015

Uma FÍFIA até à Lua

É possível à bola que anima o futebol entrar em órbita?
O enfadonho circo mediático, que basicamente já não surpreende ninguém, conseguiu produzir agora uma conexão notável. 
A bola caída na lama ucraniana, foi argumento para um verdadeiro pesadelo russo... mas não pela perda de vidas no conflito, mas sim pela eventual suspensão do próximo Mundial, na Rússia, em 2018.

A resposta superou as expectativas... se o menino Barack quer tirar a bola ao menino Vladimir, então o menino Vladimir diz que os americanos não foram à Lua. 
Pronto! Toma lá, que já almoçaste!

(Moscow Times, 16 Junho 2015)

Imagem de bola de futebol degradada e lamacenta... simulando um quarto minguante.

Perante esta jogada na secretaria, Vladimir (Markin), o porta-voz russo do Comité de Investigação da Rússia, apostou no contra-ataque: (cf. notícia do Diário de Notícias):
... os "procuradores dos Estados Unidos auto-declararam-se os supremos árbitros dos assuntos internacionais de futebol"... pelo que não seria descabido que a comunidade internacional investigasse eventos suspeitos do passado dos EUA, nomeadamente o desaparecimento das imagens originais da chegada à Lua em 1969 e até dos cerca de 380 quilos de pedra lunar que foram recolhidos pelos astronautas ao longo das missões no satélite terrestre.
"Não estamos a dizer que eles não viajaram e simplesmente fizeram um filme sobre isso. Mas todos estes artefactos científicos - e talvez culturais - são parte do legado da Humanidade e o seu desaparecimento sem rasto é uma perda comum. Uma investigação irá revelar o que aconteceu"... disse Vladimir Markin.
Pois, uma coisa é o sofrimento das populações, ou mesmo as sanções económicas e arresto de bens de "oligarcas", outra coisa completamente diferente é a suspensão do próximo Mundial na Rússia.
Os segredos que os Estados guardam, que sabem uns dos outros, são só usados como chantagem em situações de verdadeira emergência.
Desde a sanção aos Jogos Olímpicos de Moscovo em 1980, e depois da resposta a Los Angeles em 1984, que não se viam este tipo de ameaças de boicotes olímpicos, que animaram aquele período "quente" da Guerra Fria.


terça-feira, 5 de maio de 2015

Nebulosidades auditivas (26)


Vanishing Point - New Order


Grow up children, don't you suffer at the hands of one another
If you like a sleeping demon, listen can you hear him weeping
Tears of joy and tears of sorrow; He buys love to sell tomorrow

My life ain't no holiday, I've been through the point of no return
I've seen what a man can do, I've seen all the hate of a woman too

Feel your heartbeat lose the rhythm; He can't touch the world we live in
Life is short but love is strong; There lies a hope that I have found
And if you try you'll find it too; Remember why I'm telling you

My life ain't no holiday; I've been through the point of no return
I've seen what a man can do; I've seen all the hate of a woman too
And they gave him away, like in ' Whistle Down The Wind'
By the look on his face; He never gave in.

_________
(*) Whistle in the wind - "Try unsuccessfully to influence something that cannot be changed".


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Snowmageddon

Para quem já esqueceu todas as antevisões inquestionáveis sobre o aquecimento global, fica aqui uma recente imagem de Chicago, que bateu o recorde de temperatura mínima, anteriormente registado em 1936.
Chicago com - 22ºC, novo recorde para temperatura mais baixa (The Telegraph).
O jornal The Telegraph chama "Snowmageddon" aos mais recentes recordes de queda de neve, e de baixas temperaturas, registados neste final de inverno nos EUA.

Sim, a narrativa mudou, agora por razão das evidências já não se fala tanto em "aquecimento global", fala-se mais em "alterações climáticas", conforme bem notou a Amélia Saavedra no ano passado... alteração climática é também fazer mais frio no Inverno do que no Verão, algo que talvez se pense ser novidade para alguns mais cépticos.

Congeladas as revelações do espião Snowden, temos agora o Snowmageddon para expiar as insinuações climáticas.

Pela velha nova Europa, fazendo jus ao nome, Junkers tentou "esquentar" a narrativa com um mea culpa de ex-junkie do Eurogrupo... mas reconhecimentos de erros que mantêm os errantes, são mais do mesmo. São mais de uma Europa com muitos actores à espera de guião que os desembarace da palhaçada que foram criando. 
Não é preciso questionar a seriedade de Juncker, que ele encarregou-se de explicar
para que nunca haja dúvidas sobre a qualidade da narrativa que nos vai sendo impingida pelos mais respeitáveis dirigentes, comentadores, e em geral, todos os actores que prestam serviço na comunicação social.

No entanto, e seguindo previsões de outra temperatura, parece que vêm mesmo aí "tempos quentes".

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Alguns Filmes de 2014

Coloco aqui um registo de alguns filmes que saíram e vi em 2014... porque sempre serve para não me esquecer de que os já vi!
Apesar da maioria deles não correr pela passadeira vermelha, destinada a outros compromissos, vemos que o Pau Santo (Hollywood) não deixa de investir em argumentos interessantes e em apresentá-los de forma apelativa. 

1. Edge of Tomorrow (No limite do amanhã)

Sob a sigla "Live, die, repeat", parte do argumento pode ser encontrado, em múltiplos aspectos, na comédia "Groundhog day", de que já aqui falei. No entanto, a simples ideia de que à morte segue um acordar na mesma realidade, mas numa versão paralela, é suficientemente interessante para poder ser novamente explorada e sobretudo ensinada.
A maior novidade será atribuir a uma entidade alienígena a responsabilidade dessa repetição temporal... mas é aí que as coisas começam a patinar, e as falhas lógicas no argumento sucedem-se.
Nesse aspecto, o filme será um simples aguardar do desenvolvimento habitual da história para um final de sucesso.
Uma pequena dica para melhor argumento - a entidade que controla um tempo está sujeita a outro, e por isso nunca haveria um verdadeiro retrocesso.

2. Noah (Noé)

Pegar num tema bíblico normalmente não levaria a grandes surpresas, mas este filme tem algumas surpresas. A que se destaca seria a vontade divina de levar Noé a salvar a Arca com os animais, mas não com o propósito de salvar o Homem. O objectivo explorado no filme, é a vontade de aniquilar a espécie humana, e a obstinação de Noé em cumprir esse desígnio.
Afinal os humanos teriam trazido consigo um caos cuja única reparação para a potência divina era a sua aniquilação. Mas quando a ordem tenta aniquilar o caos, mais tarde ou mais cedo, é a ordem que soçobra na sua trivialidade e inconsequência. O filho de uma lógica nunca pode questionar o que o pariu, ou o que lhe dá consistência. - A sua maior potência será compreender.

3. Lucy
Sobre Lucy já aqui falei, ainda antes de ver o filme... e é claro que quando se pretende subir na potência do super-herói, tudo se resumiria à execução da sua vontade. Ou seja, tudo terminaria no caos do seu pensamento, já que nada mais se lhe oporia. E se o seu pensamento nada tivesse de caótico, seria simples maquinaria natural, e nem pensamento seria.
Independentemente disso, o filme está bem feito, e é interessante. A sintonia, a maior compreensão dos sinais externos, que negligenciamos ou entendemos como coincidências, é bem notado como passo seguinte no entendimento.

4. Transcendence (Transcendência)
Também falei deste filme antes de o ver... e do que me lembro, não tenho muito a acrescentar! Não é mau, mas também não me lembro de nada de especial. Partilha com Lucy a ideia de que o maior poder computacional se associa a maior inteligência... Passar a consciência humana para um suporte electrónico computacional, finito, isso é um mero detalhe (impossível) que faz parte da história e do folclore científico desta época.

5. I Origins 

Um filme que não vi divulgado no circuito comercial. O reconhecimento pela íris ocular é uma alternativa à impressão digital. Um fotógrafo que colecciona fotos de íris acaba por encontrar uma criança com a mesma íris que a namorada falecida, e numa alusão a uma reincarnação a criança indica o temor pelo evento que motivou à morte da amiga. Uma certa obsessão do fotógrafo pelo número 11 remete em certa medida para o filme "Número 23", mas aqui numa forma distinta, numa certa sintonia entre o exterior e o indivíduo.

6. Maze Runner (Correr ou morrer)

Um grupo de adolescentes é aprisionado num jardim rodeado por um enorme labirinto, desenvolvendo uma sociedade própria, onde a hierarquia óbvia coloca os novos elementos, chegados com amnésia, no degrau mais baixo. Fora do jardim, o labirinto é povoado por organismos cibernéticos letais. A interrogação dos jovens sobre o contexto é o ponto principal do argumento. 
A razão que acaba por levar uns a desconfiar dos outros, prende-se com um argumento semelhante ao do Cubo. No final revela-se um enredo de experiência psicológica em larga escala.

Poderíamos ver neste filme analogias com uma situação em que a Terra serviria de prisão de uma jovem humanidade, se ao querer escapar do seu jardim terreno, no espaço, deparasse com ameaças letais, de origem desconhecida.

7. Divergent (Divergente)

Um filme que nos leva a visões distópicas de sociedades futuras, pós-apocalípticas. A ideia de separação social determinada por uma avaliação de carácter, e não tanto pela família, será a novidade. Divergente é a protagonista, por não se enquadrar em nenhum grupo, e por essa quebra da ordem ser vista como ameaça pelos amantes da ordem estabelecida. 
O ponto mais interessante será a indução de um cenário ilusório, para determinar a reacção do avaliado. A capacidade da protagonista perceber a ilusão, questionando a sua consistência, é talvez o ponto mais relevante.
Ninguém pode ser preso a um universo inconsistente... à protagonista bastou o toque de uma unha para quebrar toda a ilusão. 

8. Maleficent (Maléfica)

Maléfica é uma interessante reviravolta na história da Bela Adormecida, que torna a conhecida má-da-fita na boa-da-fita. Um bom exercício educacional, para evitar as simplificações narrativas, em que há maus-porque-sim. A virtude principal é conseguir manter ainda assim a consistência com a história conhecida, e não é demasiado simplista em remeter para o rei o papel de novo vilão.

9. Mr. Peabody & Sherman

Por vezes é preciso ver filmes de crianças, ainda mais pequenas, e há uns que surpreendem por serem bastante agradáveis - foi o caso deste Mr. Peabody, com a sua revisitação de momentos históricos.


10. «47 Ronin»
Há um registo histórico sobre os samurais em 47 Ronin, que já fez três versões em filme. Saiu ainda no Natal de 2013, não é um mau filme, mas nada tem de muito especial (pelo menos distingue-se muito de coisas mesmo muito mázinhas - Hercules, 300- Rise of an Empire).


segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Nebulosidades auditivas (25)

Red or Blue Pill?
Syriza - Pílula vermelha ou azul? 

A metáfora da escolha entre a realidade vermelha e um sonho azul foi explorada no filme Matrix, e tem a virtualidade de ser aplicável a diversas situações análogas. 
De forma politicamente correcta, ilustraria a dependência de drogas, onde o sonho azul sai do consumo de alucinogénios que evitam temporariamente a dura realidade. Essa forma é politicamente correcta se ignorarmos que os traficantes de droga já foram Estados, nomeadamente a Inglaterra que forçou a venda de ópio à China, no Séc. XIX. Esta foi uma maneira de equilibrar contas, quando o consumo excessivo de produtos chineses ameaçava ruir a economia europeia - que pouca coisa conseguia vender à China. A população chinesa tornou-se fortemente dependente de ópio, ameaçando a estrutura social. Todo o tráfico não se baseia apenas na persuasão, e quando é necessário recorre-se à intimidação. Pequim acabou por cair em 1900 com uma coligação de oito honoráveis potências.

Dir-se-ia que isso são histórias passadas, mas não é bem assim.
Os traficantes de sonhos evoluíram e deixaram o ópio e outros alucinogénios para negociatas secundárias. 
O novo negócio passou a ser "o sonho tornado realidade". 
Que nome tem este ópio? 
- Chama-se "crédito".
É claro que o crédito não tem mal, tal como o ópio pode servir como medicação.
O problema está, é claro, no seu consumo indiscriminado, e na sua dependência.
O desgraçado que nasce malfadado numa realidade agreste, vê no crédito a possibilidade de antecipar no presente uma realidade que só poderia ter no futuro.
É claro que este desejo de riqueza imediata também se verifica noutro aspecto - o jogo.

Porém, voltemos ao crédito.
O crédito é uma porta rápida para tornar realidade velhos sonhos, e não oferece problema até ao momento em que é cobrado. O contrato protege o indivíduo da cobrança antecipada, mas há outra forma de enredar o vício - vários créditos e uma perspectiva favorável de futuro. Quando a situação passa a ser gerida no limite, como se o futuro fosse sempre risonho, qualquer falha traz o caos, e os futuros azuis passam a realidades vermelhas.
Poderia pensar-se que quem gere os créditos é quem fabrica os tijolos que consolidam os sonhos.
Poderia ser, mas normalmente não é.

Passamos ao problema mais acima, onde uns Estados acumulam dívidas e outros créditos.
Não são as formigas que negoceiam directamente com as cigarras.
Entre a formiga e a cigarra está um banco, ou instituição de crédito.
Porquê? Porque quem gere o negócio não quer ter perdas.
Se as cigarras não pagam, quem sofre o débito são as formigas. Quem está pelo meio, apenas tem que gerir a credibilidade da fábula de Esopo, fazendo de uns formigas e dos outros cigarras. Tirando algumas excepções, são todos formigas, e as verdadeiras cigarras controlam a narrativa, controlando a comunicação social e a gestão do mercado de sonhos.

Assim, quando o BCE anunciou a compra de dívida dos estados, apenas estava a dourar uma pílula azul de maior quantidade, pronta a lançar mais crédito, pronta a financiar mais sonhos, para que as formigas pintadas de cigarras, e as cigarras pintadas de formigas, continuassem a bancar a fábula.

Ora, o Syriza até pode cantar de alto, como uma cigarra, e dizer que simplesmente não tem que pagar às formigas pintadas de cigarras... mas será que está pronto a engolir a pílula vermelha e entrar no mundo das formigas ameaçadas por um simples espezinhar? Será que conseguirá convencer as suas cigarras a tornarem-se formigas? 
Muito depende do pé que está sobre as formigas chinesas e das cigarras pintadas de formigas alemãs.
Enquanto todos alinharem no jogo dos negociantes da fábula, do dinheiro fabricado pela imaginação perversa, todos saem a perder. Nem é preciso nomear quem gere o jogo, apenas interessa conhecer que a aplicação das suas regras é judiciosa.

Tsipras surpreendeu-me ao passar o tema "London Calling", dos Clash, no seu comício de vitória.
Ficamos à espera para saber se esta Nike terá a elegância da de Samotrácia, ou ficará apenas notada pela falta de cabeça.
London Calling - The Clash

London calling to the faraway towns, Now war is declared and battle come down
London calling to the underworld, Come out of the cover, you boys and girls

London calling, now don't look at us, 
Phony Beatlemania has bitten the dust
London calling, see we ain't got no swing, Except for the reign of that truncheon thing

The ice age is coming, the sun's zooming in, 
Meltdown expected, the wheat is growing thin
Engines stop running but I have no fear, Because London is drowning and I live by the river

London calling to the imitation zone, 
Forget it brother, you can go at it alone
London calling to the zombies of death, Quit holding out and draw another breath

London calling and I don't wanna shout, 
But while we were talking I saw you nodding out
London calling, see we ain't got no high, Except for that one with the yellowy eyes

The ice age is coming, the sun's zooming in, 
Engines stop running, the wheat is growing thin
A nuclear error but I have no fear, Because London is drowning and I, I live by the river

Now get this, London calling, yes, I was there too, And you know what they said? Well, some of it was true, 
London calling at the top of the dial, And after all this, won't you give me a smile? London Calling

I never felt so much alike, alike, alike....

Joe Strummer, o líder mítico dos Clash, viu-se depois em carreira a solo, tocando temas antigos, acompanhado dos Mescaleros, e queixando-se a uma multidão alemã (alheada...) de que em Londres era pior, a assistência nem perto do palco estava. 
Citando-o apropriadamente :
Rock into this, please, Mein Herren...

Straight to Hell - Joe Strummer and the Mescaleros

I have got the shoe... Cinderella!

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Nebulosidades auditivas (24)

Esta série das "nebulosidades auditivas" já fez 4 anos, e tendo começado com Kate Bush, regressa à voz de Kate com a curiosa presença de Hugh Laurie no vídeo. O agora famoso "Dr. House", aparecia como actor razoavelmente secundário, vestindo a bata branca com o número 57, ao lado do "professor Jerry Coe", ou melhor, "Jericho".
Experiment IV (Kate Bush)

Music made for pleasure, music made for thrill
It was music we were making here until
They told us what they wanted was a sound that could kill someone from a distance

O vídeo parece hoje algo grotesco, e a história de investigações feitas com um propósito benigno, mas que visavam um propósito maligno, era bem conhecida naquela época, tão marcada pelas ameaças de armas nucleares. 
Claro que nada mudou. Lembro-me de, alguns anos depois, ter visto acidentalmente o desenho de um míssil, num computador de uma amiga. Perguntei-lhe se não tinha vergonha de estar a contribuir para o desenho de uma arma de grande destruição... A resposta foi simples - não seria um míssil de ataque, seria apenas defensivo. 
Não era ingenuidade, era apenas a resposta dada por um funcionário que cumpre a sua função, e se alheia da sua responsabilidade no processo. 
É claro o caminho das pedras compensa, porque haverá sempre quem faça, e é melhor sermos "nós" os primeiros, a ficar com os louros, e com a vantagem, do que "eles". E é esta simples divisão entre "nós" e "eles" que gera a espiral infindável da competição letal. 
Até porque qualquer arma, uma vez feita, não sabe a diferença entre "nós" e "eles". 
Pode até ser feita para ser personalizada ao toque, ficando inactiva a "outros"... só que isso é apenas a visão das crianças poderosas, que exigem o brinquedo sem saber como funciona. 
E o funcionamento pretendido é simples - fazer o máximo com o mínimo esforço.
Pensar-se como um agente instabilidade que está a ser potenciada... pois isso é o medo, mas apenas o medo pessoal, o medo de que a instabilidade saia fora do controlo dos "seus". Porém, a instabilidade não tem dono, não é criada, é apenas descoberta. Uma vez descoberta, ou é coberta, ou lançada ao caos... porque potenciar a instabilidade, é apenas potenciar o caos.

I just pray that someone there can hit the switch

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Charlies e Charlots. Para ser, parecer.

A manifestação de domingo em Paris impressionou pelas imagens de milhões de pessoas reunidas, no que foi considerada a maior manifestação em França. O motivo bem conhecido - o atentado que vitimou desenhadores e outros trabalhadores do Charlie Hebdo.

Bom, e em ligação a essa manifestação, que superou expectativas, quem era colocado a "comandar" uma frente da manifestação?
- "Líderes europeus", entre outros:

Muitos de nós viram ou seguiram estas imagens, vendo os "líderes a liderar" uma grande multidão.

Será que aquela frente da manifestação, que os "líderes lideravam", era mesmo grande, como apareceu em todas as imagens difundidas pelos grandes órgãos de comunicação?
Bom...
... pois, afinal parece que não era:

Ou seja, sejamos claros, o que houve entre os "líderes", foi uma manifestação privada, à parte.

O número de "figurantes" agrupado seria exactamente o suficiente para iludir um grande número de pessoas, nos planos televisivos térreos, extensamente difundidos. 
Portanto, mais uma vez, entre tantas outras vezes, os "nossos líderes" decidiram fazer passar a população por Charlots. 
Não tinham necessidade disso, seria perfeitamente compreensível que, por razões de segurança, não estivessem próximos de uma manifestação enorme e dificilmente controlável. No entanto, quiseram passar outra imagem, uma imagem ilusória, ao estilo de qualquer mago de circo. 
No final de contas, se a população escrevia "Je suis Charlie", distantes, noutro lado, ficaram os que preferiram ficar como Charlots, neste circo informativo global.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

L'Hebdo

Em 1970 terá ocorrido em França uma tragédia marcante - um violento incêndio que vitimou 146 jovens, a quase totalidade dos 152 que se encontravam no Club 5-7. Assistiam a um concerto de uma banda em ascensão, denominada Storm, cujos membros também pereceram... um problema recorrente - o fecho das saídas terá impedido a saída dos jovens.
Os jornais da época terão usado descrições e títulos menos apropriados, como "dancing em chamas", ou "baile trágico"... e, o então já satírico L'Hebdo Hara-kiri, decide também fazer o seu título, na mesma ocasião em que o "herói nacional", Charles de Gaulle, presidente cessante, morre em Colombey:
Baile trágico a Colombey (*) - 1 morto (Charles de Gaulle)
Esta provocação sobre o "mau gosto" dos títulos jornalísticos foi um certo hara-kiri do L'Hebdo, que por ordem do Ministério do Interior francês foi encerrado. 
Renasceria alguns meses mais tarde com o nome "Charlie Hebdo" e se este "Charlie" é remetido para o ícone da banda desenhada, Charlie Brown, é também claro que o nome Charlie se referia mais à morte do anterior jornal, motivado pela morte de Charles, de Gaulle.

Apesar das diversas vicissitudes, críticas e ameaças, os fundadores foram carregando o projecto satírico, que juntava a pertinente crítica política e social ao simples "mau gosto". Ao "mau gosto" instituído por unanimismo, como são exemplo estes títulos sobre o desaparecimento do Boeing da Air France:
imagens daqui
Quem se lembraria de associar as 228 vítimas a abstenções nas eleições europeias?... e no entanto, muito provavelmente seria uma crítica velada ao jornalismo de "bom gosto", que por essa altura encheria primeiras páginas com o problema da abstenção eleitoral para o parlamento europeu (órgão perfeitamente simbólico da corte dos poderes instituídos na Europa), descurando outras notícias mais relevantes.

Assim, o atentado ocorrido ontem foi sem dúvida um corte impiedoso na liberdade de se exprimir fora de um molde, do molde do "politicamente correcto", que tanto tem servido os poderes instituídos como arma de censura. 
Como curiosa consequência, o site do jornal Charlie Hebdo foi silenciado... ou seja, em vez de se manter algum ponto de acesso aos conteúdos, "alguém" pensou ser mais apropriado colocar uma frase icónica: "Je suis Charlie"
Que Charlie? o de Gaulle, ou o Brown?
Portanto, um politicamente correcto "Je suis Charlie" sobrepôs-se ao trabalho politicamente incorrecto que era ali feito. Se o objectivo dos atacantes era silenciar o conteúdo incómodo do jornal, não o desligaram da internet, mas esta decisão apareceu a complementar a tarefa.

Por isso, a frase "não estávamos lá dentro" aplicada ao avião que se despenha, é uma capacidade de autocrítica social sarcástica perante a tragédia alheia. Tragédia com que os próprios viviam como ameaça, e cujo cartoon seguinte aparece como premonitório
... e não foi preciso chegar ao fim de Janeiro para que fossem vítimas dos personagens que caricaturavam.
Há um confronto entre "o medo do que pode acontecer" e "o medo do que acontece". O medo do que pode acontecer é fonte para muito do medo que acontece, porque com isso se legitima a violência preventiva. Os jornalistas do Charlie Hebdo desafiaram o medo do que poderia acontecer, e só assim se pode viver sem medo. O medo do que acontece, não é medo, é simplesmente uma reacção natural.
Até que o medo surja como facto inevitável, não devemos viver sob o medo imaginado, porque o medo imaginado nada resolve, só alimenta mais medo imaginado. 
Devemos evitar que o que não existe ganhe existência através da sua implantação pelo medo. 
O dragão, o papão, que assusta os adultos, são estes actos tresloucados, irracionais, e o facto de eles vitimarem quem os desafiava, nada prova - a resposta ensinada é simples - não fomos nós... e os que restam, enquanto houver quem resista aos medos, garantem que esses fantasmas não se implantarão.

(*) Uma coincidência linguística sobre este título de Colombey ocorrerá em Columbine...

domingo, 14 de dezembro de 2014

Nebulosidades auditivas (23)

As pessoas que procuram ter uma visão global do contexto têm sempre razões de preocupação.
No tempo da Guerra Fria isso era claramente simbolizado pela "bomba", ou seja, o arsenal de bombas nucleares ao dispor no clique de um botão nas duas potências mundiais.

De forma algo simplista, todos os problemas pareciam reduzir-se à dualidade entre Leste e Oeste, e era muito frequente pensar-se que faltava apenas um entendimento ao nível dessas potências para resolver os problemas mundiais. Assim, em 1989, com a queda do Muro de Berlim, argumentava-se um "fim da História", segundo o publicitado Francis Fukuyama.

A questão do conflito nuclear era adquirida desde a infância, e filmes como Day After  (1983) ajudavam a manter o medo sobre os efeitos de um inverno nuclear.
Um episódio pouco conhecido no Ocidente é revelador do acentuar do problema com a sucessão de Leonid Brezhnev. Andropov tinha sido particularmente duro na revolta húngara, e com o cowboy Ronald Reagan do outro lado, não se esperavam boas notícias.
No espírito da época, uma criança, Samantha Smith, escreve a seguinte carta a Andropov em 1982:
Dear Mr. Andropov,
My name is Samantha Smith. I am ten years old. Congratulations on your new job. I have been worrying about Russia and the United States getting into a nuclear war. Are you going to vote to have a war or not? If you aren't please tell me how you are going to help to not have a war. This question you do not have to answer, but I would like to know why you want to conquer the world or at least our country. God made the world for us to live together in peace and not to fight.
Sincerely,
Samantha Smith
Alinhando pela oportunidade publicitária, Andropov responde, e convida Samantha Smith a visitar a URSS, o que ocorre com grande sucesso para a publicidade soviética em 1983.
Depois, é sabido que a saúde de Andropov pouco durou, Chernenko idem (tomara posse já internado), e o poder soviético só estabilizou com a confirmação de Gorbashev, em 1985, claramente empenhado em mudar o sistema comunista e na aproximação ao ocidente.
Como os aviões têm conhecida tendência a despenhar-se, a incómoda criança americana que visitara os russos irá perecer também em 1985 - Samantha tinha 13 anos.

As manifestações e medo pela ameaça mundial soviética tiveram as suas épocas. O problema começara com o rápido desenvolvimento russo. Em 1949 detonavam a primeira bomba nuclear, e depois, durante a liderança de Nikita Kruschev, suplantariam os americanos em todo o projecto espacial.
O sucesso espacial russo está intimamente ligado ao nome de Nikita... começou e terminou consigo. A sua deposição e danação de memória, a partir de 1965, apresentou o declínio soviético com Brezhnev. A propalada vitória americana na simulada "Guerra das Estrelas" de Reagan, é mais um dos mitos ocidentais... Andropov, logo em 1983, teria anunciado o fim do programa soviético de armas espaciais!

Talvez tenha havido um curto tempo em que dois líderes quiseram ter efectivo poder sobre as potências que comandavam - foi o tempo de Kennedy e Kruschev... foi o tempo da crise dos mísseis em Cuba. Kennedy desapareceu em 1963 e Kruschev foi afastado em 1965. Os poderes de bastidores prepararam uma ascensão diferente, menos incómoda às suas manipulações. O "reinado" de Brezhnev mergulhou a Rússia numa progressiva corrupção passiva, e só a sua sucessão preocupava o lado ocidental. Acabadas as dilacerantes guerras da Coreia e do Vietname, a transição dos anos 70 para os anos 80, trazia esse espectro de uma Rússia ameaçadora, com Andropov.

Parece então que o efeito da dissuasão nuclear ganhou outra seriedade. Nas décadas anteriores havia a possibilidade de conflito, mas não era encarado como um conflito de proporções catastróficas mundiais. A acumulação de armamento nuclear tornara entretanto a ameaça como apocalíptica.

"The Wall", foi o album dos Pink Floyd lançado em Novembro de 1979, e serviu de símbolo para a queda do Muro de Berlim, em Novembro de 1989. Foram 10 anos certinhos que marcaram a década.
Mas o período mais quente terá ocorrido até 1983, até ao momento em que Andropov foi afastado.
Entre 1980 e 1983 o mundo precipitava-se nas sombras, antevendo um 1984 Orwelliano...

Exemplo desse espectro catastrofista é o tema "Let's all make a bomb" dos Heaven 17.

a que se deve adicionar o tema "We don't need no fascist groove thang"


Reagan's president elect
Fascist god in motion
Generals tell him what to do
Stop your good time dancing
Train their guns on me and you
Fascist thang advancing

Os anos 80 iriam contar com um alinhamento de Thatcher e Reagan na política internacional, permitindo libertar as correntes legislativas que prendiam os monstros financeiros.
Os perigos dos monstros financeiros eram bem conhecidos - tinham estado na origem de duas guerras mundiais e a sua libertação foi uma jogada arriscada. Era essa a paranóia anunciada, contava-se com uma não resposta do outro lado, lançando o medo generalizado.
Contava-se que a libertação de regulação ao poder económico permitisse criar monstros privados que se encarregariam da destruição dos estados. O objectivo previsto seria a aniquilação económica dos estados soviéticos, mas uma vez o monstro libertado sem regulação, nenhum poder estatal estaria a salvo desse poder libertado.

Criou-se assim rapidamente o tempo dos yuppies, numa conversão de hippies em agentes financeiros pouco escrupulosos. A única ligação terá sido a sua dependência a drogas, as mortalhas de erva dariam lugar às linhas de coca. O mundo aceleraria a um ritmo sem paralelo, puxado pelo monstro da competição interminável. A música foi bem reflexo disso - os artistas apareciam e desapareciam a um ritmo de um consumo incessante. Ainda hoje servem os nossos ouvidos as novidades que no início dos anos 80 ficavam velhas ao fim de poucas semanas.

Se alguém pensou em prender o monstro capitalista no final da Guerra Fria, iria verificar que era tarde demais. O monstro capitalista que puxara o desenvolvimento industrial inglês e americano no Séc. XIX, estava de novo desregulado, pronto a consumir todos os poderes para se poder alimentar, libertando-se dos travões morais sobre a exploração do trabalho, até sucumbir na sua própria lógica insana.