sábado, 28 de maio de 2011

Ararat e as cavernas do vulcão

Buffon, na sua História da Terra, no Séc. XVIII, fala das cavernas do Ararat, que seriam de origem vulcânica, suspeitando assim que o monte Ararat seria um vulcão extinto.

É especialmente curioso, porque a equipa NAMI, de Hong-Kong, iniciou há poucos anos uma exploração no monte Ararat, em colaboração com exploradores turcos, que levou a essas cavernas de que já falava Buffon. Não sabemos se já tinham sido feitas explorações prévias, mas parece certo que Buffon sabia do que falava... antes de serem comuns as escaladas e o montanhismo.

A expedição de Hong-Kong escalou, entrou em várias cavernas, e a mais de 4000m de altura, já tinham sido encontrados vestígios de construções de madeira, algo fossilizadas, pela equipa turca.

Panda Lee, da equipa chinesa, disse o seguinte:
“In October 2008, I climbed the mountain with the Turkish team. At an elevation of more than 4,000 metres, I saw a structure built with plank-like timber. Each plank was about 8 inches wide. I could see tenons, proof of ancient construction predating the use of metal nails. We walked about 100 metres to another site. I could see broken wood fragments embedded in a glacier, and some 20 metres long. I surveyed the landscape and found that the wooden structure was permanently covered by ice and volcanic rocks. Prior to my expedition, the Turkish team had excavated the site to expose the structure.”
É claro que imediatamente surgiu a controvérsia (ver aqui), directamente assumindo que toda a estrutura tinha sido inventada, construída num Verão para ser descoberta num Inverno...
Parece difícil assumir que há algo de tão fraudulentamente bem feito, sem uma colaboração institucional importante... tanto quanto seria do interesse institucional de outros denunciá-lo como tal!

Um ponto a priori que parece não preocupar estas investigações no Ararat, é que o facto de serem descobertas construções de madeira no topo do monte não implicam directamente qualquer relação directa com a Arca de Noé... poderia tratar-se apenas de algum retiro monástico antigo.

A esta observação junta-se o relato de Buffon, do final do Séc. XVIII, que mostra um conhecimento antigo dessas cavernas... a equipa de Hong-Kong poderá ter formalizado uma redescoberta, mas deparou com a opacidade clássica do condicionamento direccionado da informação nos mass-media ocidentais.

domingo, 22 de maio de 2011

Tiahuanaco liliputiano

Num recente documentário (sugerido no facebook de Maria da Fonte) fui surpreendido pelas dimensões especialmente reduzidas do que se vê hoje nas portas de Tiahuanaco.

nada fazia suspeitar que as dimensões do monumento sejam afinal estas:

O "great monolithic gate-way" conforme designado por Squier, será agora uma porta de dimensões reduzidas, onde um turista terá dificuldade em caber.
Na ilustração de Squier houve o cuidado de colocar pessoas para uma comparação das dimensões.
Já tinhamos referido que a porta estava separada, e que teria sido recolocada... porém não suspeitámos que a recolocação afectasse também as dimensões do monumento! Não são muito comuns as imagens com pessoas posando na porta do monumento... que parece uma grande porta para liliputianos!

Ou seja, tudo leva a suspeitar que em Tiahuanaco podemos estar em presença de uma réplica de dimensões reduzidas - o original, esse poderá estar algures nalguma colecção privada, destinada a olhos seleccionados.

terça-feira, 17 de maio de 2011

O halo de Ourém

O ano de 1917 ficou particularmente marcado por vários acontecimentos interessantes...
A nível nacional será conhecido pelas "aparições de Fátima", mas a nível internacional é marcado decisivamente pela Revolução de Outubro, ocorrida em Novembro, na Rússia. 
Nesse mesmo mês de Novembro de 1917 é assinada a declaração de Balfour, que define o contexto de Jerusalém e Palestina, após a tomada britânica que ocorrerá em Dezembro. É aqui colocada essa carta de Balfour dirigida a Lord Rotschild, da Federação Zionista, sobre o objectivo de formação do estado judeu.


Misturamos aqui coisas aparentemente diversas, mas que estavam de alguma forma previstas nos denominados Protocolos de Sião, de 1897... bem como alguns dos acontecimentos que se lhe foram sucedendo ao longo do Século XX.

As previsões de Fátima, nomeadamente a antecipação, por alguns meses, do domínio comunista na Rússia, quase poderiam ser repetidas por alguém que tivesse tido acesso a esses protocolos. Assim, o sucesso dessas previsões acabou por estar intimamente ligado ao próprio sucesso no cumprimento dos protocolos.

Algo fascinante na questão de Fátima é a adopção do nome árabe, sendo Fátima nome da filha de Maomé!
A região tinha sido denominada Ourém, pois segundo a lenda local teria havido uma Fátima, jovem árabe, que se teria casado com um cavaleiro de Cristo, circa 1170. Tendo deixado o nome Fátima, ao tornar-se cristã pelo casamento, passou a chamar-se Ouriana (ou Oriana)... de onde teria vindo o nome Ourém para a vila. Após a morte de Gonçalo Hermiges, seu esposo, cavaleiro de Cristo, recolheu-se ao Mosteiro de Alcobaça.
Fátima não existia, nem enquanto aldeia, à época dos "milagres de 1917"... as terras da zona talvez mantivessem o nome de Fátima, e Vilhena Barbosa, no Séc. XIX, refere a existência de uma igreja paroquial, nas vizinhanças de Ourém:
Nossa Senhora dos Prazeres de Fátima

Portanto, muito antes de 1860 (altura do relato de Vilhena Barbosa), já existia uma igreja a Nossa Senhora de Fátima... o nome "Prazeres" era acrescentado à época.
Não sei se há outro caso em que um nome tipicamente relacionado com Maomé é usado no culto católico, mas como já foi referido no blog Portugalliae no Canadá haveria várias referências a Fátima, nomeadamente num município das Iles-de-la-Madeleine, Québec, do Séc. XVIII...
A dimensão que este culto atingiu ultrapassou claramente fronteiras, e é bem conhecida a importância que o Papa João Paulo II atribuiu a esta questão. A formação do culto com o nome Fátima não deixa de poder estar ligada a uma presença ibérica dos Fatimidas, xiitas, na única linha que assegurou a descendência de Maomé, pelo casamento da filha com Ali (ver wiki).
A utilização deste nome meses antes da tomada de Jerusalém, e da Declaração de Balfour, que levou à formação do Estado de Israel, e à segregação palestiniana... acontecimento quase simultâneo com a Revolução Bolchevique na Rússia, contida nas previsões de Fátima, não deixa de ser um marco de intersecção de factos dispersos.

Porém, como bem sabemos, Fátima ficou ainda no imaginário popular, pelo chamado Milagre do Sol, ocorrido em 13 de Outubro de 1917, durante 10 minutos.
O artigo da Wikipedia, a que remeti é bastante detalhado e com boa base bibliográfica - desconheço se há outro fenómeno da mesma natureza presenciado por quase 100 mil testemunhas...

Devido a essa tradição de fenómenos solares, e estando a ler Plínio, pareceu apropriado colocar no dia 13 de Maio, no blog Alvor-Silves, uma descrição antiga dessas observações místicas. Tal publicação acabou por ocorrer mais tarde, devido aos problemas com o Blogger, que teve os serviços suspensos até à tarde desse dia.

Mas... é sempre surpreendente ser depois notícia do dia seguinte o aparecimento de um halo, em Fátima, nesse dia 13. Não sendo um fenómeno raro, cuja explicação científica é resultado da refracção atmosférica local, deverá ter constituído motivo de espanto, mesmo para os peregrinos! Tivesse ocorrido no ano anterior, altura da visita papal, e teria um significado completamente diferente para o pontificado do sucessor de João Paulo II. Há coincidências... mas nem sempre favorecem o papado.
O halo solar em Fátima/Ourém, em 13/05/2011,
no Jornal de Notícias, do dia seguinte (imagem)

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Moon Spots

Num texto da Phil. Trans. Royal Soc. London do final do Séc. XVIII, referem-se observações lunares que reportavam o avistamento, mesmo à vista desarmada, de luzes na zona da sombra da Lua.

Pontos onde foram vistas luzes na sombra da Lua, em 1794.

Se o ponto na primeira imagem já dificilmente poderia ser entendido como o reflexo de uma montanha ou cratera mais alta - que naturalmente faria surgir um ponto de luz na zona obscura, é praticamente impossível que o ponto de luz na segunda imagem possa ser explicado dessa forma... está demasiado no interior!

Estas observações de 1794 parecem ter sido corroboradas por observadores distintos, e mereceram a inclusão na famosa revista científica britânica... iniciada em 1665 (três anos depois do casamento de Carlos II e Catarina de Bragança).
É claro que sendo observações casuais, de um episódio que no primeiro caso durou pouco mais de 5 minutos, segundo o relato, podem-se levantar todo o tipo de dúvidas... 

No entanto, como se afirma na mesma revista, já anteriormente Cassini e Herschel, em observações com telescópios, tinham avistado luzes na sombra lunar. Estas luzes tinham uma magnitude reduzida comparadas com estas que tinham sido observadas a olho nu. 

Qualquer explicação luminosa, numa altura em que os primeiros balões de Montgolfier acabavam de levantar voo, seria na altura levada para eventuais erupções vulcânicas... já que na altura se poderiam associar as crateras a vulcões, hipótese que foi sendo afastada, até que o assunto deixou de ter referência.

Só passados mais de 150 anos é que as explorações espaciais deram os primeiros passos, e levaram às primeiras explorações astronáuticas da Lua.
A esse propósito é imperdível o fantástico documentário da ARTE France:
"Dark side of the moon" - documentário (jocoso) de William Karel

... um "documentário" que relacionaria Kubrick com as imagens da chegada à Lua!
O documentário explora a ideia de que as imagens da ida à Lua seriam falsas... apesar da ida à Lua ter sido real. Não se teriam obtido imagens, e foram usados os estúdios onde Kubrick teria acabado de fazer o "2001, Odisseia no Espaço". 

Os entrevistados são bem conhecidos: Rumsfeld, Haig, Kissinger, e Walters... e apesar de haver um suposto tom jocoso, nem há nenhuma revelação no final, e é dificilmente entendivel o mau gosto de fazer Vernon Walters morrer entre estas entrevistas da Arte, de ataque cardíaco.
Porquê?
Porque Vernon Walters morre mesmo em 2002, antes da estreia do filme, que deveria comemorar o 2001...

A decisão sobre a credulidade, cabe ao crédulo... e pode optar-se sempre pelos vídeos  Mythbusters  (Discovery Channel), que num tom jocoso infantil mostram como as "teorias da conspiração" não fazem nenhum sentido, e que tudo o que nos dado a acreditar é verdadeiro.

terça-feira, 10 de maio de 2011

Naumaquias

Quando pensamos nos circos romanos, há alguma tradição em associar os combates de gladiadores, invocando muitas vezes celebrações de vitórias em batalhas.
O que talvez não seja tão conhecido é que chegou a ser popular a evocação de batalhas navais... o que implicava alguma engenharia surpreendente para a criação de piscinas internas, onde se simulavam combates com embarcações. Esses espectáculos navais eram designados Naumaquias  e em Mérida ainda é possível encontrar o fosso onde se colocaria a base para a piscina artificial.
Anfiteatro de Mérida, onde eram exibidas Naumaquias.

O mais interessante é o já primitivo conceito de pavilhão multi-usos... quando vemos hoje em dia as adaptações que estes pavilhões sofrem para acomodar as diferentes representações, percebemos com as naumaquias que o conceito é afinal bem antigo. A primeira naumaquia registada é de César, mas usando o Tibre como cenário, o seu uso em cenário de anfiteatro romano é posterior, iniciado com Nero.
A alternância entre espectáculo aquático e terrestre dará uma ideia da sofisticação de engenharia presente à época romana.
Ao contrário do que é habitual educar-se, não houve uma lenta evolução do génio humano... houve sim uma poderosa restrição desse mesmo génio, destinado a ficar confinado a uma lamparina para que a lâmpada não fosse revelada. 

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Cydonia & Sidonia

Habitualmente o nome Sídon, referente à antiga cidade Fenícia, perdeu a sua ligação à designação que era comum na Hispania.
 Sídon era conhecida como Sidónia.
Aliás compreende-se que a terminação fonética própria das línguas hispânicas levasse a essa alteração.

Ao mesmo tempo, existiu uma cidade em Creta denominada Cydonia, associada à actual Chania. Teria sido fundada por um rei Cydon lendariamente filho de Hermes e de uma filha do rei Minos.
É claro que escrever Cydon ou Sidon faz toda a diferença, ainda que foneticamente sejam equivalentes.

Johannes Carion refere que os Fenícios, vindos da Síria a Espanha, em busca de ouro e metais, teriam edificado no ano de 815 a.C. a cidade de Sidonia, no interior (... entre Cadiz e Granada). Fala ainda da vinda de Nabucodonosor, e de que depois disso os Turdetanos andaluzes ter-se-iam revoltado contra os Fenícios, tendo destruído a Sidonia espanhola.

Parece agora evidente que o nome Medina-Sidonia, usado pelos duques espanhóis da Andaluzia ligava essa herança antiga de uma Sidónia desaparecida. Quanto ao nome Medina, significando cidade em árabe, denota a influência prolongada do controlo islâmico na Andaluzia.

É especialmente curioso notar que Tiro teria sido formada por colonos vindos de uma Sidonia mais antiga... teria sido viagem curta para cidades situadas a 30 quilómetros. Aliás, em Sídon são visíveis ruínas do tempo das Cruzadas, mas não anteriores.
Não será pois de excluir que a mais antiga Cydonia cretense, cujo nome é ainda usado para a deusa Atena, estivesse numa eventual origem mais antiga de Tiro, que depois migraria de regresso à Hispânia.

Sobre Tiro, há uma curiosa suspeita sobre a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro - um impressionante morro carioca:
Pedra da Gávea (ver)

A suspeita diz respeito a uma possível presença fenícia, atestada pela interpretação de eventuais inscrições numa das faces da rocha:



possível inscrição na pedra da Gávea (ver)

A inscrição referia-se então a Bazedir, filho de Jetubal, de Tiro, na Fenícia... o que baterá certo com outros registos do séc IX a.C.

De Tiro até ao Brasil, não é nenhuma viagem impossível de fazer para marinheiros fenícios... só as concepções de limitações posteriores é que tornaram tais viagens como irrealizáveis na concepção medieval e moderna.

Para terminar, e apenas por acidente de percurso... alguém se lembrou de chamar Cydonia à zona de Marte onde foi descoberta a chamada "face":
É perfeitamente claro que as sombras podem ter levado a uma ilusão óptica, que entretanto foi esclarecida com novas imagens... imagens essas que, se retiraram o acidente facial, deixaram mais claro um acidente natural da formação parecer um escudo.
Mas as formações na Cydonia marciana não se resumem a essa face mais conhecida, toda a região aparenta ter outras formas piramidais que têm suscitado diversas suspeitas:


quarta-feira, 6 de abril de 2011

O discurso de Kennedy

Num discurso em 1961, dirigido à imprensa americana, John Kennedy faz um memorável discurso, que muito tem sido recordado nos últimos tempos:
(Address before the American Newspaper Publishers Association, April 27, 1961)

O discurso é escrito no contexto da Guerra Fria, e Kennedy começa com uma nota histórica e humorística acerca do pedido de aumento de Karl Marx, então correspondente em Londres do New York Herald Tribune:
if only Marx had remained a foreign correspondent, history might have been different
Há por isso uma parte que pode pretender referir-se exclusivamente a uma ameaça comunista. No entanto, é claro que não era apenas esse o contexto, e isso torna-se evidente no 1º capítulo, após a introdução. 
Começa, colocando imediatamente o problema das Sociedades Secretas:
The very word "secrecy" is repugnant in a free and open society; and we are as a people inherently and historically opposed to secret societies, to secret oaths and to secret proceedings. We decided long ago that the dangers of excessive and unwarranted concealment of pertinent facts far outweighed the dangers which are cited to justify it.
Porém, o mais surpreendente acaba por ser a revelação de uma conspiração que se infiltrava como uma máquina eficiente combinando operações militares, diplomáticas, económicas e científicas. Poderia ser identificado à época como sendo o "comunismo"... mas Kennedy nunca o diz, e torna claro que uma infiltração interna já estaria consumada.
     For we are opposed around the world by a monolithic and ruthless conspiracy that relies primarily on covert means for expanding its sphere of influence--on infiltration instead of invasion, on subversion instead of elections, on intimidation instead of free choice, on guerrillas by night instead of armies by day. 
     It is a system which has conscripted vast human and material resources into the building of a tightly knit, highly efficient machine that combines military, diplomatic, intelligence, economic, scientific and political operations.
    
Its preparations are concealed, not published. Its mistakes are buried, not headlined. Its dissenters are silenced, not praised. No expenditure is questioned, no rumor is printed, no secret is revealed. It conducts the Cold War, in short, with a war-time discipline no democracy would ever hope or wish to match.
Vai mais longe, denunciando um encobrimento, que esconderia os erros e silenciaria os dissidentes. Ao mencionar a Guerra Fria relacionará à disciplina de guerra, mas é suficientemente ambíguo ao afirmar que é a mesma organização que conduz a Guerra Fria... provavelmente de ambos os lados.
Não deixa de ser interessante Kennedy sentir a necessidade de invocar Solon, e a antiga democracia grega, ciente que os mesmos perigos ameaçariam a democracia americana:
Without debate, without criticism, no Administration and no country can succeed--and no republic can survive. That is why the Athenian lawmaker Solon decreed it a crime for any citizen to shrink from controversy. And that is why our press was protected by the First Amendment ...

domingo, 27 de março de 2011

Outras pirâmides

Na sua pesquisa pelas raízes americanas, Thomas Jefferson terá devotado bastante interesse a montes artificiais, dos quais os mais interessantes estão na área do Illinois, nomeadamente Cahokia
Cahokia - Monk Mound - Illinois
(a escada de cimento substituirá agora uma anterior escada de madeira.)

Não foi dada a devida atenção a estas construções, que fariam talvez parte de uma cultura índia da bacia do Mississipi.

De forma semelhante, também foram negligenciadas durante bastante tempo as pirâmides chinesas.
Trata-se de um conjunto enorme de pirâmides, de grandes dimensões, que pode ser visualizado no Google Earth:

É ainda muito interessante a pirâmide em degraus de Zangkunchong, de origem provavelmente coreana, ainda que situada na China.

Links com informação adicional:


quarta-feira, 2 de março de 2011

Demostenes

Tenho falado contra coincidências... mas às vezes existem!
Reparei no quadro de Heraclito e Demócrito, por engano, já que procurava Demóstenes, para falar sobre o discurso do imperador, digo "Discurso do Rei", filme ganhador de Oscares.

Apenas vi o resumo do filme, no entanto, parte do argumento pareceu-me uma história copiada parcialmente duma outra, bem conhecida, de Demóstenes. Também ele teria um problema de gaguez, de infância.
É contado que Demóstenes terá usado (aqui por sua iniciativa) seixos da praia que colocava na boca, para se forçar a falar em condições difíceis. Demóstenes tornou-se um orador aclamado na sua defesa de Atenas contra a iminente invasão de Filipe II (Filipe II... da Macedónia)... pai de Alexandre Magno.

Demóstenes terá mesmo participado na batalha fulcral da derrota grega, em Caironéia (usamos o termo directo do grego e não o nome adaptado em português, por razões fonéticas), em 338 a.C. Esta cidade antes denominada Magola Mpalomeno, foi também palco duma derrota fulcral de Mitradata VI, rei do Ponto, perante os exércitos romanos de Sula, e, 86 a.C., e que terminou no fim do reino do Ponto.
O leão de Caironéia, em memória dos 300 homens do Bando Sagrado de Tebas, monumento construído em 300 a.C. e que foi reencontrado em 1818. Note-se a semelhança deste "bando" de tebanos com o também bando de 300 espartanos, imortalizado nas Termópilas.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tasmânia - Muralhas de Jerusalém

Num comentário antigo foi referida a existência na Tasmânia de um Parque Natural, denominado

e um outro chamado
 
... mas também interessante é sem dúvida o "Campo de Adão"... ou melhor, Adamsfield:
Esta estrutura torna-se apenas visível a uma certa altitude... provavelmente nem é notada por quem visite o parque. Sob certa forma é semelhante à Estrutura de Richat, uma formação circular, que está localizada bem no meio do Saara:
Tem o epíteto de "olho de África" e foi anunciado pela observação da missão espacial Gemini, em 1965.

Ainda uma estrutura circular curiosa é o Lago Bosomtwe, no Ghana. Essa orografia é vísivel pelas montanhas circundantes que fazem um lembrar um lago numa cratera vulcânica.
 (As fotografias foram obtidas do Google Maps)

Como se pode verificar de algumas fotografias, há vários resorts de luxo nesse lago, num sítio improvável, e de alguma forma semi-secreto... ao ponto do nome Bosomtwe não aparecer nem na wikipedia.


domingo, 20 de fevereiro de 2011

Romanas Maiúsculas

Sabemos que os gregos usavam letras maiúsculas (... ou será majúsculas?!) e minúsculas.
No entanto, o que nos chegou dos romanos aparece sempre escrito em maiúsculas... as minúsculas que usamos são essencialmente fabrico posterior, de influência gótica.
Analisando algumas interessantes imagens de inscrições romana em Pompéia, podemos ver uma diversidade de escrita corrente, algumas da qual dificilmente legíveis para leigos.
É perfeitamente natural que houvesse uma variedade de caligrafia popular, para além do standard majúsculo que nos chegou.

A informação relevante sobre este assunto vi-a num vídeo de David Icke, que a certa altura faz uma observação notável... Toda a correspondência que nos é dirigida pelos bancos, e outras empresas, aparece sempre escrita com o nosso nome e endereço em maiúsculas.
Ou seja, temos correspondência dirigida assim:
      FULANO BELTRANO
      RUA DA AVENIDA, 33 
e não na forma como a escrevemos habitualmente
      Fulano Beltrano
      Rua da Avenida, 33

Isto passaria por ser acidental, se não fosse sistemático... e a explicação de Icke é interessante. Somos tratados não enquanto pessoas, mas enquanto empresas unipessoais... bens sujeitos a transacção.

A este detalhe junto a herança romana, com a sua ausência institucional de minúsculas. Algo que foi mantido ainda durante todo o período medieval. As inscrições que vemos em igrejas, ou epitáfios, adoptaram sempre a forma maiúscula, mesmo muito depois da queda do império romano. Afinal, o latim manteve-se instucionalmente como língua oficial durante a Idade Média.

Como aditamento curioso, reparamos muitas vezes nas caixas de comentários de jornais, e outros, em comentários escritos em maiúsculas... que passam por serem feitos por pessoas com vontade de se exprimir efusivamente com o Caps Lock ligado. Porém, o conteúdo dos comentários é muito semelhante, usa clichés típicos, e faz suspeitar que se tratam de comentários institucionais, patrocionados pela inteligência de serviço.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

Coca Cola do Dragão

Porque às vezes estas coisas acontecem... a apropriada nova publicidade da Coca-Cola, lançada no início deste mês de Fevereiro no Youtube, e já com mais de 13 milhões de visitas, poderia ser chamada
Coca-Cola Siege

Quanto à outra Cola do Dragão...
teve 168 visitas desde Julho...

Sobre a utilização destas curiosas variantes, nomeadamente o anúncio "Dracola", já tinha feito um comentário aqui há uns meses atrás, que cada um poderá reler agora conforme queira:

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Alinhamento piramidal (via alvor-silves)

Conforme referido no blog alvor-silves as duas grandes pirâmides de Gizé estão alinhadas, e sendo aí referido a afirmação de G. Magli, face ao alinhamento a Baalbec, podemos extrapolar a linha, e seguir ainda a linha perpendicular. 
No sentido desse alinhamento corresponder a uma possível indicação de um antigo equador... 
se o admitirmos, o aspecto desse outro alinhamento terrestre seria este:
... ou seja, temos uma perspectiva em que o clima teria forçosas alterações. 
A zona europeia mais a norte corresponderia à Galiza, Bretanha, Irlanda e Grã-Bretanha, Noruega.
A Islândia (Thule) e a Gronelândia (Ultima Thule), teriam climas amenos, e o pólo norte ficaria próximo de Washington! A América do Norte faria o papel de uma enorme Antártida, enquanto esta faria o papel de uma luxuriante América do Sul!
A inclinação axial da rotação terrestre é de 23º face à normal órbita. Esta alteração corresponderia ao dobro, ou melhor 45º, e a uma rotação não inclinada face à órbita. Pode já ter acontecido? Poderá corresponder a uma transição brusca, quando o eixo de rotação ultrapassa uma exagerada inclinação?

Curiosamente, um dos dois pontos, onde se intersectam o actual equador e este meridiano de Gizé (que poderia referir um antigo equador) está em São Tomé e Príncipe, mais propriamente, no (ou próximo do) Ilhéu das Rolas 
Esta é uma boa imagem, pois mostra o mapa, apontando justamente na direcção do meridiano de Gizé...

sábado, 5 de fevereiro de 2011

Axum e Lalibela

Talvez na linha da tradição egípcia, a Etiópia resistiu à pressão muçulmana, fez obeliscos, e foi alvo da lenda europeia enquanto Terra do Prestes João, factor muito citado nos textos à época dos descobrimentos.

Apesar do seu controverso transporte por Mussolini para Roma, e demora na devolução recente (longo processo finalizado entre 2002 e 2008) são pouco conhecidos os enormes e surpreendentes obeliscos de Axum, na Etiópia:
Este obelisco estaria fraccionado aquando do transporte para Itália, e foi ainda danificado por um relâmpago em 2002, quando foi decidido devolvê-lo. Tem 24 metros de altura e datará do Séc. III.
As suas inscrições em relevo sugerem motivos e corte de rocha que encontramos, por exemplo, em Tiahuanaco...

Também surpreendente, e claramente prova da primeva presença cristã na Etiópia, é a insólita igreja de Lalibela. Quando a defesa e a estrutura da igreja é esculpida a partir da própria rocha, num conjunto uno:


quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

A electricidade e a luz...

É bem conhecida a afirmação de Einstein que estabeleceu como dogma na sua teoria:
- nada se propaga mais rapidamente do que à velocidade da luz (no vácuo).

Haveria pouca evidência experimental relevante da sua teoria, mas a aceitação foi quase absoluta em termos da comunidade científica, em pouco tempo. Sem razão aparente, todos aceitavam um máximo de velocidade, como se tal fosse natural, e nunca se tivesse falado em nada mais rápido...

Não é bem assim. Fomos encontrar, num artigo de 1866 do Intelectual Observer, a seguinte tabela:
O que é surpreendente, é haver uma tabela com valores praticamente correctos para todas as velocidades, e aparecer uma velocidade superior à velocidade da luz... a "velocidade da electricidade":
464 000 Km/s.
Ora tem sido bastante desacreditada a velocidade da electricidade, dizendo-se que os "electrões são lentos" , e só que por efeito dominó, o resultado da velocidade será maior. Desconheço a base destes valores apresentados, nem tão pouco que experiências foram feitas para a medição, e sob que condições (por exemplo, se seria um valor máximo, ou médio...).
A actual pesquisa na internet não deu em nada... é como se tal coisa não tivesse sido nunca considerada.

Ao longo dos anos, manteve-se esta ideia da electricidade ser muito mais lenta que a luz, apesar de ser quase uma constatação prática sermos presenteados com velocidades altíssimas. Ninguém se lembra de ter um delay na resposta quando efectuava um telefonema para a Califórnia ou para a Austrália... e falamos de cabos não ideais, em condições de passagem por vários circuitos.

Porém, estas coisas vão mudando com os tempos...
e encontramos um artigo na Scientific American (18 Junho 2010):
Faster-than-light electric currents could explain pulsars

Acho que a introdução do artigo diz tudo:
Claiming that something can move faster than light is a good conversation-stopper in physics. People edge away from you in cocktail parties; friends never return phone calls. You just don't mess with Albert Einstein.
Não se trata exactamente do mesmo assunto... mas não é de deixar ficar surpreendido.
  • Primeiro, porque houve uma pretensa medição correcta acima da velocidade da luz.
  • Segundo, porque o dogma de Einstein acabou definitivamente com essas considerações.
  • Terceiro, porque apesar de evidências que tornam difícil continuar a aceitar o dogma de Einstein, as novas experiências que se vão realizando começam a desafiar o silêncio... e o politicamente correcto pode começar a estalar o verniz académico.
[Adição em 28/01/2011, a propósito do comentário de JM-CH]
Quando se assume a propagação de uma partícula, pois o fotão é aquele que temos como partícula elementar mais veloz... No entanto aqui não se trata de supor isso!
Como no caso do pêndulo de Newton:
A velocidade de propagação do sinal entre as 3 bolas estáticas, parece instantânea, pois é muito superior à velocidade do movimento da bola que embate. Essa é uma velocidade de propagação interna, que neste caso se propaga enquanto onda de choque à velocidade do som.
Da mesma forma, é diferente assumir-se a velocidade do fotão (que se move), relativamente ao sinal electrónico transmitido pelos electrões na camada superior dos átomos metálicos... e este poderá ser mais rápido. Tal como no pêndulo, o último electrão sai, quase instantâneamente... tudo depende da propagação do sinal, do choque, a nível intra-atómico. Estas considerações não fazem parte das teorias físicas estocásticas habituais a nível intra-atómico, pois aí o conceito de partícula é meramente estatístico.