sábado, 20 de julho de 2019

50 anos depois

Um vídeo é suposto ser falso e o outro verdadeiro... qual? - depende da crendice.




No primeiro vídeo ouve-se:
"Cut!... So, I guess you wanna do it again!"

A questão é justamente:
So... I guess you never wanna do it again?

Há 10 anos atrás, se alguém me dissesse que não acreditava na ida à Lua, eu acharia que o sujeito era ignorante ou estava armado em parvo.
Passados 10 anos, e sem o mínimo ensejo de alguém repetir a senda de Kennedy, que desafiou a NASA a colocar um homem na Lua no espaço de 8 anos... pois, hoje passa-se o contrário!

Quando vemos a encenação do primeiro vídeo, vemos a velocidade a que o astronauta cai na Terra, mas também vemos a sua facilidade em mexer os braços e em movimentar-se.
Quando vemos a encenação do segundo vídeo, vemos a velocidade diminuída, que seria prevista para a queda na Lua, mas o que não seria previsto é que todos os movimentos ocorressem a uma velocidade reduzida, com dificuldade em mexer-se... quando sem grande atracção gravítica, os movimentos dos astronautas deveriam ser muito mais rápidos.

Talvez por falta de comparação, ou simplesmente porque se quis acreditar, esta piadola de 50 anos está aí jovial e pronta para viver mais 50 anos, mesmo depois dos astronautas (agora com quase 90 anos) terem morrido.


quarta-feira, 17 de julho de 2019

Nebulosidades auditivas (72)

Eurythmics (... "bom ritmo") era um duo formado por Annie Lennox e David Stewart, que foi coleccionando alguns sucessos bem conhecidos durante a década de 80. Enquanto produtor David Stewart esteve ligado a outros projectos musicais britânicos.
Neste "Beethoven" a composição sai fora do contexto mais conhecido da banda, mostrando como era possível antever caminhos de futuro nos anos 80, ou rotas abertas que não foram depois seguidas. 

Eurythmics (1987) - (I love to listen to...) Beethoven 

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Os pássaros (10) de Aristófanes

A propósito de um comentário, acerca da tradução que fiz em 2016 da obra de Aristófanes, ficou por definir a versão completa num único PDF, que fica agora aqui.



quinta-feira, 20 de junho de 2019

Nebulosidades auditivas (71)

And truth is:
... you can't hide from the truth, because the truth is all there is.

Roisin Murphy - The Truth (live at Ancienne Belgique 19.11.07) do projecto
Handsome Boy Modeling School (album So... How's Your Girl?, 1999) 

Roísín Murphy, que foi figura principal dos Moloko, aparece aqui numa participação especial, na melodia "The Truth".

Se apenas existisse verdade, não existiria falsidade. A verdade é o universo que nos une, enquanto a mentira e o engano fazem-nos desviar por caminhos de perdição, mostrando o que poderia ser, o que cada um gostaria que fosse... desviando e separando até ao ponto de regresso ao único caminho possível, até ao regresso do entendimento ao caminho da verdade. 

terça-feira, 18 de junho de 2019

Pan-demónio

Uma semi-surpresa nas últimas eleições, foi a eleição de um deputado do PAN (pessoas, animais e natureza), fazendo-se crer que tal ideologia teria qualquer coisa de novo.
Como é óbvio, o respeito pelos animais, etc, não é ideia nova... mas será menos conhecido que teve um dos maiores suportes no Partido Nazi. 

Goering proibe a vivisecção animal,
e os animais respondem com a saudação nazi.
A Alemanha nazi tornou-se pioneira em protecção dos animais, sendo o primeiro país a banir vivisecção animal em 1933, conforme se pode ver num panfleto nazi ilustrativo...


Aliás Goering ia mais longe, anunciando que havia a necessidade de leis para proteger os animais (na sua criação, transporte, etc) e mostrar simpatia pelo seu sofrimento, devendo isto ser leis de humanidade. 


Acresce que Hitler, a partir de 1938, tornou-se vegetariano convicto, e teria como um objectivo o fim da chacina animal para consumo humano, após a guerra.

Além de todas estas virtudes que o PAN enaltece, o líder nazi também promoveu que o tabaco e o álcool fossem banidos da sociedade alemã.


Portanto, em poucas palavras, Hitler estava completamente alinhado com a ideologia actual do politicamente correcto, pelo menos no que diz respeito à protecção de animais, ambiente, anti-tabagismo e até anti-alcoolismo. Quem sabe, seria talvez defensor das "alterações climáticas", caso o assunto fosse à época abordado.

Do lado do menos politicamente correcto, estava o destino que Goering preconizava para quem desrespeitasse as leis que protegiam os animais: campos de concentração. 
Portanto, a humanidade ideal nazi passava por tratar humanos abaixo de cão.

Agora, o PAN optou por algo semelhante. 
Num artigo de Daniel Oliveira, "Mendigo abaixo de cão", citamos o seu comentário certeiro (para variar) a propósito da caricata regulamentação animal que o PAN propôs à Assembleia Municipal de Lisboa:
Noutra norma, o regulamento pede para, quando se retira o animal ao seu dono, “ter em conta a dor ou sofrimento que pode ser causado ao animal resultante da sua ligação afetiva ao detentor ou a outros animais”. Não tem uma linha sobre a dor ou sofrimento causado ao dono. É como se os animais passassem a ocupar, no ordenamento jurídico, o lugar das crianças, com o seu bem-estar à frente do ser humano adulto. Na realidade, é assim mesmo que o PAN vê as coisas.
Atendendo ao grotesco caso do pitbull Zico, neste "progressismo" demente os animais estão mesmo acima das crianças, pois nem sequer a morte de um bebé os sensibilizou, conseguindo projectar na besta agressora a personificação de um anjo vítima da sociedade.

Nada disto surpreende quem estiver mais atento, porque demagogicamente é fácil proclamar-se "progressista" com ideias que têm milhares de anos. O respeito pelos animais, levado ao ponto do vegetarianismo, é uma filosofia que tem na Índia adeptos há milhares de anos. Aliás, já falámos aqui do caso Bisnau, em que a protecção da vida era levada mais longe, incluindo as árvores.
Os nazis inventaram um mito ariano com raízes indo-europeias, em que o aspecto vegan se encaixava bem, especialmente comparando com a prática kosher judaica, e similares árabes (ou até cristãs), onde os animais eram sangrados em sofrimento até à morte. O aspecto vegetariano vestia assim uma capa de superioridade ética e moral, na conduta animal, que acompanhava de mãos dadas com o lado negro do desrespeito pela vida humana.

Claro que as ideias de respeito e protecção dos animais e da natureza são excelentes.
Não será por serem defendidas por gente com fusíveis queimados, que passam a ser más.
Simplesmente também não é por idiotas defenderem boas ideias que passam a ser modelos sensatos.
Os nazis tiveram algumas excelentes ideias, mas também puseram a humanidade abaixo de cão.
Ora, quando o ganir canino toca mais que o choro humano, a ameaça à humanidade está presente.

Na melhor das hipóteses, estes grupos sociais resultam de malta que anda à procura de uma causa, de um grupo de fidelidade para socializar, e o pretexto de defender animais é apenas um entre muitos, como seria apanhar beatas, fumar charros, beber imperiais, ou evitar a extinção dos gambuzinos.
Na pior das hipóteses, têm mesmo os fusíveis queimados e não há recuperação racional possível.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Nebulosidades auditivas (70)

O triplo F português consistia em Futebol, Fado e Fátima... ou pelo menos assim foi entendido durante os anos 1960-70, na promoção popular que o regime de Salazar levava à população.
No futebol foram os anos gloriosos de Eusébio como estrela mundial, no fado projectava-se a figura de Amália internacionalmente, e finalmente o papa Paulo VI comparecia à comemoração dos 50 anos de Fátima. No entanto, convém notar que o F que Portugal procurava não era o do Fado, mas sim o do Festival. Era o Festival da Canção que fazia parar o país e aguardar a votação do júri, sempre penosa. 

Com o passar do tempo, o festival caíu quase no esquecimento, e a RTP chegou a desistir de participar. 
Até que algo misteriosamente Salvador Sobral, irmão de Luísa Sobral, trouxe o caneco de Kiev, em 2017, com uma canção engraçada, simples e menos boba que o cantor.
Salvador Sobral vence a Eurovisão em 13 de Maio de 2017

Em que data ocorre a final de Kiev?
- 13 de Maio de 2017.
Ou seja, na noite de sábado em que Fátima recebia o Papa Francisco, para a comemoração do centenário das aparições.
Acrescia ainda nesse mesmo dia, o Benfica de Eusébio, vencer o primeiro tetracampeonato. Não era uma competição internacional, mas essa tinha sido ganha em França, no ano anterior (Euro 2016).

O triplo F num só dia. Influência da Santa? Coincidência?
Haverá quem acredite que sim...
Já abordei o assunto no postal anterior FFF, e pouco há a acrescentar ao que Salvador disse:
« ... isto estava tudo comprado na verdade!»
Digamos que Saramago ganhar o Nobel da Literatura em 1998, 500 anos depois de Vasco da Gama ter aportado à Índia, também poderá ter sido coincidência. Haverá quem acredite que sim... Haverá ainda Lobo Antunes, que já se sabe não liga ao assunto, nem quer saber que passam agora 500 anos da saída de Magalhães. Talvez espere pelos 500 anos do lançamento dos Lusíadas, em 2072.

Voltando à actualidade. Em 2018 nem sei o que se passou no festival, organizado por cá - terá sido qualquer coisa sem qualquer interesse. Mas este ano, felizmente que o festival voltou a servir para alguma coisa menos trivial, aparecendo o desconcertante Conan Osiris. Goste-se ou não da desarmonia em tom cigano ou hindú, pelo menos ainda há quem se entretenha em valorizar o que é interessante e não óbvio.
Conan Osiris - Telemóveis (Festival RTP da Canção)

Apesar deste F ter falhado rotundamente nos F's festivaleiros, e de 2019 não ser ano de visita papal a Fátima... neste fim-de-semana, voltou a funcionar o F do futebol, com a conquista da Taça das Nações da UEFA

domingo, 5 de maio de 2019

Cair de Maduro (2) segundo assalto

Falando de joguetes sul-americanos, a situação venezuelana chegou ao ponto Zugzwang.
Zugzwang é um termo de xadrez, que significa que quem é obrigado a jogar, fica numa posição pior do que a que tinha anteriormente.

Foi praticamente isso que aconteceu a Guiado, ou melhor Guaidó, cuja situação política vai ficando cada vez mais frágil, a cada iniciativa que toma.
Ao contrário do que suspeitariam os analistas ocidentais, Nicolas Maduro foi resolvendo de forma muito subtil o "pequeno problema" de ter outro fulano reconhecido como presidente pela comunidade ocidentalizada. 
O que fez Maduro? - Não fez nada. 
Claro que muito terá feito nos bastidores, mas para além de convocar os seus apoiantes, não tomou nenhuma iniciativa drástica contra o impostor. 
O efeito de ter a comunidade internacional a reconhecer Guaidó, não afectou muito mais do que já estava, porque como os EUA declararam um embargo internacional à Venezuela, seria difícil criar dificuldades maiores do que as já existentes, exceptuando qualquer acção militar. 

Como Maduro não fez nada, Guaidó sentiu necessidade de convocar a "revolução", e no dia 29 de Abril procurou ter a população e os militares do seu lado. Se a população ainda foi aparecendo, os militares contavam-se pelos dedos... e então como manifestação do seu real poder, Maduro fez um desfile com centenas ou milhares de militares.


Não foi preciso mais nada, para que ficasse bem claro que Guaidó, apesar do ruidoso unânime apoio internacional, esse apoio conta pouco internamente, especialmente entre os militares. 

Surge assim a pergunta:
- Mas a questão é mesmo, para quê?
Não o prendendo, deixa cada vez mais claro que toda a força de Guaidó é externa, e de um forte, mas dividido sector interno, ligado à comunicação social. Não o prendendo, foi deixando-o numa posição cada vez mais frágil e irrelevante...

Convém lembrar que a Venezuela se orgulha de ser o primeiro país a abolir a pena de morte, e nesse aspecto o Regime Bolivariano de Chavez pode vangloriar-se de não seguir o exemplo dos EUA.
Além disso, mesmo que Chavez tivesse tentado um golpe de estado em 1992, tal como o tentou agora Guaidó, Chavez chegou ao poder por via eleitoral, com 56% nas eleições presidenciais de 1998. 
Maduro também acabou de ser reeleito presidente em 2018, mesmo que a oposição não queira reconhecer essa eleição.

Tivesse Guaidó conseguido agora manter a população em manifestações constantes, como aquelas que foram ocorrendo em Paris nos últimos 6 meses, pelos "coletes amarelos", e não deixaria de ter maiores perspectivas de conseguir alguma coisa. 
Estivesse Maduro na posição de Macron, e passaria por infligir fortes cargas policiais, fazer prisões indiscriminadas, etc... assim vamos apenas tendo as habituais fake news de uma imprensa ocidental que chega a ser ridícula, por ser tão condicionada.

quinta-feira, 25 de abril de 2019

Liberdade do silêncio

Parece que foi há muito tempo, mas foi apenas há uma semana que o despiste de um autocarro na Madeira tirou a vida a 29 turistas alemães.

Este terá sido o acidente rodoviário com o maior número de vítimas, depois da queda da Ponte Hintze Ribeiro, em 4 de Março de 2001 (acidente onde morreram 59 pessoas), e parece-me que será mesmo o acidente com maior número de vítimas em Portugal, que não se deveu à falha de uma estrutura.

17 de Abril de 2019 - Autocarro cai numa ravina madeirense - 29 mortos.

Sintoma da nossa comunicação social, foram 3 dias de luto, e 2 dias de notícias. 
Passados poucos dias, era como se aquele episódio tão dramático nem tivesse acontecido. 
A situação foi tão ridícula que, no próprio dia, a SIC e a TVI abriram o noticiário das 20h com a crise no abastecimento de combustíveis. Creio que só a RTP1 colocou o assunto na abertura do seu noticiário principal. 

Afinal, o que estava em causa? 
- O turismo na Madeira!
Esta situação ridícula já tinha ocorrido em 20 de Fevereiro de 2010, quando o Governo Regional da Madeira, com medo do impacto negativo no turismo, quis esconder a calamidade do chamado "Aluvião da Madeira", que provocou 47 mortos.

Poderia dizer-se que não há muito mais a noticiar, mas não é bem assim, quando até as causas do acidente estão por apurar (falou-se em falha de travões, ou acelerador preso), e é bem certo que as estradas da Madeira convidam a perigos deste genéro, ou talvez ainda piores. Começa logo por ser complicado aterrar na Madeira...

Não é que não haja interesse, e agora que se comemoram 45 anos de "liberdade", certamente que há toda a liberdade jornalística de investigar e indagar, claro que sim... mas desde que seja em silêncio!

Como se não fosse caricato, a Wikipedia portuguesa fez um pequeno artigo, mas houve logo quem se propusesse a eliminá-lo (para ficar, teve que passar por votação).

É um delírio ouvir a malta jovem (ou nem tanto), que nasceu após o 25 de Abril, dizendo que não souberam como era viver num país com censura! 
Novidade, para quem pensa o contrário - nunca deixaram de viver num país sob censura!

sexta-feira, 19 de abril de 2019

Nebulosidades auditivas (69)

PPK foi um grupo russo, formado pelas iniciais dos membros (Pimenov, Polyakov, Korzhov), que acabou por ficar famoso (atingindo o nº3 em Inglaterra) graças ao tema ResuRection (ou Resurrection), uma reformulação musical no estilo trance de um tema do filme Siberiade, de Eduard Artemyev. 

 ResuRection - PPK (2001)

Por razões desconhecidas, o tema acaba por ser associado ao produtor inglês Paul Oakenfold, com quem os PPK estabeleceram um contrato.
Este grupo russo, tal como as congéneres t.A.T.u., foram dos primeiros grupos russos a entrar na cena pop internacional (ou o que é o mesmo... na cena pop britânica e americana).
Na parte final do tema ouvem-se gravações do primeiro astronauta, o russo Yuri Gagarine. Para esse efeito, a historiografia internacional ainda não conseguiu alterar o registo pioneiro dos russos na exploração espacial. Aguardemos... sabendo o que já aconteceu, não seria a primeira vez que a história seria reescrita.

segunda-feira, 15 de abril de 2019

O negro do buraco negro (2)

No ano passado falei da inexistência de uma fotografia de um buraco negro.
A esse propósito escrevi:
É claro que da forma que o processo é feito, poderiam até tirar dali a cara do rato Mickey se quisessem, mas como alardearam demasiado a coisa, será menos fácil, mesmo com os ilustradores da NASA a ajudar.
Continuamos na mesma... mas há uns dias surgiu espalhafatosa, conforme previsto, o anúncio de uma tal imagem. A maior novidade é que não apareceu a cara do Rato Mickey, para se juntar a Pluto (que apareceu a sorrir em Plutão).
(Visão, 10 de Abril de 2019)

É uma imagem desfocada que, digamos, nem difere de imagens simuladas, apresentadas em 2018:

(Universe Today, 16 de Outubro de 2019)

Aquilo que os jornalistas mal explicam, porque provavelmente não entendem os detalhes, é que não se trata de fotografia nenhuma.
Continua a ser uma simulação computacional...
Simplesmente é suposto que as simulações lançadas pelo "Event Horizon Telescope" (que não é nenhum telescópio - começa logo aí o engano), que essas simulações correspondam mesmo a uma imagem fotográfica, baseada em informações parciais de diversos radiotelescópios.
  • A imagem está desfocada porque não passa de um juntar de imagens. 
  • A imagem do espaço não tem quaisquer estrelas, porque... deixo isso para os mais perspicazes!
A técnica em si tem algum suporte científico, mas os detalhes concretos e a sua implementação, estão longe de ser minimamente claros. Porquê? Porque nesse caso, e primeiro que tudo, já deveríamos ter outras imagens de grande ampliação de objectos conhecidos...
Pois, não tivémos! Esqueceram-se? Agora, é tarde demais.

Todo o assunto é um grande barrete, como tantos outros, que as Agências Espaciais estão dedicadas a nos mostrar para nos convencer de qualquer idiotice.
Neste caso, seria para convencer de que "buracos negros" existem mesmo... o que não deixa de ser curioso, porque essa existência nem era questionada antes, de tal forma a ideia tinha sido impigida com sucesso. Trata-se apenas de mais uma de imensas manobras publicitárias

Pessoalmente, e no que diz respeito à realidade, prefiro as velhas fotografias da nebulosa anelar M57:
Nebulosa M57 (na constelação de Lira), descoberta por Messier em 1779

É verdade, não tem o interior negro como o bréu... mas também não tem o redor negro como o bréu.
Há uma coisa que não deveria ser esquecida em imagens espaciais... ah, pois é - pequenos pontinhos de luz, a que se chamam - estrelas!

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Apanhados do Clima (2)

Esquecida a chuva e o frio do inverno, com a chegada da Primavera, veio a seca de notícias, ou notícias de uma pretensa seca que o país atravessava.
Assim, não era piada de 1 de Abril, mas podiamos ler no Público:
Situação de seca agravou-se em Março em Portugal - “Já começa a aparecer seca extrema no Algarve, entre Faro e Vila Real de Santo António”, avisa Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
Depois, continuava-se dizendo que o mês de Abril deveria continuar com tempo seco e se houvesse chuva não seria significativa.

Azar na previsão do IPMA. No dia seguinte começou o tempo a piorar, e confirmando o velho ditado popular "Abril, águas mil", praticamente desde aí não houve dia em que não chovesse, chegando ao ponto de haver autoestradas encerradas devido ao granizo. Além disso, logo a seguir a situação chegou ao ponto de haver neve generalizada nos pontos mais altos, e as estradas da Serra da Estrela estarem encerradas devido à queda de neve:

Não é inédito, mas não é habitual termos esta situação de nevões em Abril.
Não é inédito, as previsões pseudo-científicas erraram estrondosamente.
Não será inédito, os bruxos climáticos continuarão a fazer o seu vaticínio, e a manter credibilidade apesar de errarem sistematicamente as previsões.

Simplesmente nesta última semana a situação atingiu uma viragem tão ridícula e tão notória, que parecia que Zeus estava com vontade de castigar os bruxos, bruxinhas e bruxelas do clima.

Não se trata de vangloriar, é apenas constatar. Daqui a alguns dias, como é tradição, o tempo irá melhorar em Maio, e lá vão sair os bruxos debaixo das pedras, queixando-se do aumento de temperatura sazonal, e esperando que todos se tenham esquecido dos seus sucessivos erros.

Em conclusão... o clima continua a ser mais ou menos previsível até uma semana, mas às vezes nem isso. Dada esta simples constatação de prazo de validade, quem depois quiser acreditar em previsões climáticas para décadas ou séculos, pode também acreditar no cadomblé, orixás, tarólogos, cartomantes, ou nos promotores das alterações climáticas.

Quando houver razão para outra preocupação, as pessoas sérias irão preocupar-se... mas essas não são as que alardeiam a opinião da moda nos órgãos de comunicação, para benefício do seu visual na passerelle mediática.

segunda-feira, 18 de março de 2019

Apanhados do Clima

Na passada sexta-feira, decorreu uma daquelas pseudo-acções "espontâneas", muito bem organizadas, neste caso, servindo para arrastar jovens para uma inédita greve sobre "alterações climáticas".

Para quem gosta da história da carochinha, o pseudo-protesto arranjou uma protagonista sueca de 16 aninhos... que entretanto, e como se não bastasse a tonalidade kitsch da estação, nestas "pseudo-globalizações espontâneas", já a vemos como nomeada a candidata para o Nobel da Paz.

Portugal, é claro não deixou de agremiar a malta para o mesmo balir, neste caso em formato juvenil. 
O uso de cabritinhos para propagar ideologia tem uma longa tradição, que remonta aos balillas italianos, à juventude hitleriana, ou à mocidade portuguesa, para falarmos apenas no caso dito fascista, onde foi mais conhecido o empenho na lavagem de cérebro, desde tenra idade. 
É claro que na outra mão, na esquerda, teríamos as juventudes comunistas internacionais, e também é bem conhecido o uso de jovens na recruta fundamentalista islâmica, etc...

O que normalmente é claro, é que quando falham outros argumentos, a agremiação de membros jovens para um fanatismo de grupo, é um típico processo, já na fase perigosa e desesperada.

Em termos mais científicos, já falei sobre o assunto nos postais "Snowmageddon".
Mas, como a coisa já começa a atingir a formação da cabeça dos nossos petizes, talvez seja oportuno deixar aqui mais alguns dados objectivos.

Conforme argumentou Ivar Giaever, a manipulação de dados sobre o aumento de temperatura planetária é simplesmente baseado no uso de mais medições, cujo local é seleccionado. Se quisermos aumentar a temperatura em Portugal basta fazer novas medições no Alentejo, e se quisermos diminuir, basta fazer mais medições em montanha, na Serra da Estrela ou arredores.

Raramente vemos as temperaturas de uma cidade analisadas ao fim destes últimos anos.
Com base nos dados da Pordata, podemos ver concretamente o que se passou, antes dos dados serem tratados para a narrativa conveniente.

Por exemplo, pegando em Viana do Castelo, com medições desde 1970, vemos que o máximo foi em 1995 e 1997 com 16.2ºC e desde 2014 que a temperatura média anual é inferior a 15ºC.
Ora, como Viana do Castelo não está propriamente fechada numa estufa fria, vejamos o que foi acontecendo nas diversas estações metereológicas:
Variação da média das temperaturas máximas (Viana, Lisboa, Faro e Funchal) 
e da média das temperaturas mínimas (Bragança, Porto, Castelo Branco, 
Angra do Heroísmo), desde 1960 a 2018. [fonte: Pordata]

Podemos concluir da análise destes gráficos que houve um aumento preocupante da temperatura?
Claro que não. No máximo só se poderia inferir isso no caso do Porto e de Angra do Heroísmo, no que diz respeito a um pequeno aumento da temperatura mínima. Mas isso já não se conclui em Bragança ou em Castelo Branco.

Convém ainda notar que estes dados começam nos anos 1960, quando em 1970 se falava até num possível início de uma "Idade do Gelo"... ou seja, numa altura em que os valores observados da temperatura eram muito baixos. 

Se quisermos pegar em dados para Portugal inteiro, podemos ver uma compilação que apareceu no Público em 2013, para os meses de Verão, para concluir que não houve grande alteração. 
Em 1951 foram registados 22.9ºC e em 2013 aparecia 22.0ºC (com um máximo em 2005 de 23.4ºC). 

Só que quando falamos de dados em Portugal, falamos de que valores? 
Dos valores medidos só em Lisboa, Porto e Faro, ou falamos dos valores medidos em novas estações que foram sendo introduzidas? 
Faz sentido fazer uma média se juntarmos mais estações, mais no sul do que no norte?
É claro que se juntarmos mais estações no sul, a temperatura vai aumentar.
Da mesma maneira que se quisermos fazer uma média do peso dos portugueses, é natural que aumente se juntarmos indivíduos gordos, e diminua se incluirmos indivíduos magros. 
Estamos a falar deste tipo de truques básicos e rasteiros, que é praticado sem critério, e com uma pseudo-capa científica.

Portanto, quando se fala do aumento global, isso corresponde a uma efectiva e propositada falha de método científico de cálculo, que permite toda a especulação, com direito aos aproveitamentos comerciais que foram sendo instalados.

Que estas coisas apareçam agora com a vinda da Primavera, quando a temperatura começa de novo a subir, pois isso é só mais um hábito recorrente, que indicia bem toda a má fé aparente, e inerente ao processo.

Nem sequer estou a dizer que há ou deixa de haver algum aumento de temperatura. Com os dados que vejo, o que se pode concluir é que a temperatura tem-se mantido razoavelmente estável, e isso sim, é até surpreendente pela pouca variação.

Toda a especulação científica que se tem gerado, agora metendo as crianças ao barulho, que sabem pouco mais que nada, pois isso descreve-se apenas numa palavra - vergonhoso!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Nebulosidades auditivas (68)


Interstella 5555 - Aerodynamic - Daft Punk

Interstella 5555 - Veridis Quo - Daft Punk

Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem
... é uma pequena obra prima da animação japonesa (de Leiji Matsumoto) com a música dos Daft Punk (de Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter).

Uma interessante história conspirativa com um final surpresa:


Interstellar 5555  - Too Long - Daft Punk

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Cair de Maduro

Uma expressão figurativa antiga e bem conhecida é "cair de maduro", que funciona como um sinónimo colorido de inevitabilidade:

"Thesouro da lingua portugueza" (1873) de Frei Domingos Vieira

... mas há outros - no mesmo dicionário podemos ler expressões menos correntes:
- Cair do estado (perder um estado próspero);
- Cair o rabo a alguém de contente (estar alguém muito contente).

Tendo acabado de falar da estética dos uniformes nazis de Hugo Boss, é também interessante mencionar a estética do uniforme herdado de Hugo Chavez: 
... ou seja, o típico visual de quem vai de chanatas e fato-de-treino ao hipermercado.

Maduro perdeu estrondosamente as eleições parlamentares de 2015, coisa que nunca acontecera a Chavez, mas isso não o destituíria do cargo. 
Simplesmente, mudou a constituição, e foi esvaziando de poderes o parlamento venezuelano, sem nunca o ter banido. Depois voltou a convocar eleições no ano passado, em Maio de 2018, e foi reeleito com uma margem confortável, até porque a oposição apelando ao boicote, apenas terá facilitado a sua vitória, sem necessidade de extensivas fraudes. 

É claro que todo este processo tinha sido levado a cabo pelos EUA, com ajuda dos aliados sauditas, na baixa do preço do petróleo desde 2014-15, e aumentou a fragilidade de uma economia sujeita a prolongadas sanções económicas. 
Seria expectável que o descontentamento popular levasse justamente à derrota... o que aconteceu. 

A escandaleira foi, já se sabe, Maduro usar dos estratagemas ocidentais para quando o resultado das eleições não agrada... repetem-se! A UE iniciou essa beleza com múltiplos referendos (por exemplo, em 2008 a Irlanda rejeitou o Tratado de Lisboa, e voltou a votar em 2009, aceitando-o), ou a simples ausência da sua necessidade. A legalidade é sempre fabricada e é volátil quando convém...
Em 2015-16 haveria mais razões para a oposição venezuelana protestar, mas foi envolvida num cozido morno, e só despertou quando em 2018 Maduro foi reeleito.

Em Agosto de 2018 houve um incidente caricato na explosão de um drone... poderia até pensar-se em pretenso golpe auto-infligido, mas Maduro invocou culpados externos na Flórida. É claro que a situação venezuelana está num processo de degradação acentuado, e apenas se espera que Maduro caia de maduro, uma vez que a Rússia ou a China parecem demasiado distantes para lhe dar o apoio necessário.

Neste processo, fala-se da falta de liberdade de expressão... como se na Venezuela houvesse menos do que aqui. Ora, apesar das palestras aos passarinhos de Maduro, na VTV, há uma considerável liberdade de imprensa, vendo-se jornais declarando já Guiado como presidente interino, e será ardiloso assumir o contrário.

Ao mesmo tempo, a nossa comunicação social é uma paródia descomunal.
É claro que nem disfarça um completo condicionamento e unilateralidade. 
Nada de estranhar, porque, ou aprenderam com as propagandas ditactoriais, ou pretendem ensiná-las.

Não era necessário, mas a coisa foi ao ponto caricato de vermos transmissões "em directo", à tarde, de manifestações passadas à noite em Caracas:
- Ou seja, alguém se esqueceu de avisar que a diferença horária corre no outro sentido, e que a tarde em Lisboa corresponde habitualmente à manhã em Caracas!

Portanto, não é só de Maduro que se antecipa uma queda de maduro, é de todos os lindos meninos que acham que um simples ardil de falsificação ou manipulação da verdade, será sempre colhido como bom pela fruta verde. Uma velha luta entre a realidade e a alucinação... em que o caminho da alucinação tem sido sempre envolver-se numa alucinação alternativa, evitando a queda na realidade.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Snowmaggedon (7)

Todos os invernos é a mesma coisa... o tempo esquece-se que está sob alterações climáticas, tendo em bastidores um "aquecimento global",  e vai presenteando os incrédulos, como o secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, com neve nos desertos.

O ano passado falámos da neve no Saara, este ano parece que foi o deserto de Arizona, na zona do Grand Canyon a fazer das suas, com imagens notáveis:

Depois voltamos aos clássicos: