PPK foi um grupo russo, formado pelas iniciais dos membros (Pimenov, Polyakov, Korzhov), que acabou por ficar famoso (atingindo o nº3 em Inglaterra) graças ao tema ResuRection (ou Resurrection), uma reformulação musical no estilo trance de um tema do filme Siberiade, de Eduard Artemyev.
ResuRection - PPK (2001)
Por razões desconhecidas, o tema acaba por ser associado ao produtor inglês Paul Oakenfold, com quem os PPK estabeleceram um contrato.
Este grupo russo, tal como as congéneres t.A.T.u., foram dos primeiros grupos russos a entrar na cena pop internacional (ou o que é o mesmo... na cena pop britânica e americana).
Na parte final do tema ouvem-se gravações do primeiro astronauta, o russo Yuri Gagarine. Para esse efeito, a historiografia internacional ainda não conseguiu alterar o registo pioneiro dos russos na exploração espacial. Aguardemos... sabendo o que já aconteceu, não seria a primeira vez que a história seria reescrita.
Por razões que ninguém faz esforço de entender, há coisas feitas em Portugal com uma qualidade surpreendente, e cujos protagonistas são praticamente desconhecidos. Depois, é claro, há outros, os mais conhecidos, que pouco mais são que filhos dos pais, sobrinhos dos tios, afilhados dos padrinhos, em geral, os úteis inúteis.
André Tentúgal, que não é conhecido pelo nome, nem do projecto "We Trust", lançou uma série de músicas que entraram no ouvido como se lá estivessem sempre estado. Certamente a maioria das pessoas já ouviu uma destas músicas sem dar conta que se tratava de uma banda portuguesa.
Deixo aqui três exemplos.
We Trust (2015) - "The Future"
We Trust (2011) - "Time (Better not stop)"
We Trust (2015) - "We are the ones"
Esperava-se que, com o tempo, a coisa não pudesse continuar a ser ignorada, como se nada se passasse... mas não é apenas um caso português, longe disso!
O mundo da música tem patronos muito bem definidos que vão decidindo o que é, e o que não é popular - chamam a isso "play lists" às quais a rádio não tem autorização de escapar.
A Antena 3, com a desculpa de passar uma maioria de produção nacional, foi tentando fazer o percurso alternativo, mas isso apenas fez algumas músicas conhecidas, e não os seus autores.
Nem interessa que os grupos sejam populares em franjas muito específicas de jovens, ou outros ouvintes... o que interessa é que feito esse percurso, parece que nunca chega a autorização de cima, para poderem sair do nível de quase anonimato.
Os "We Trust" aparentemente terminaram em 2016, sem que tivesse dado conta disso.
Neste caso, nem sequer se tratam de bandas cuja carga simbólica é naturalmente repelida, como é o caso dos Mão Morta, são simples autores que procuram o sucesso, e não pretendem mudar as consciências. Como prova disso, André Tentúgal parece que vai concorrer ao Festival da Canção de 2019...
Na sequência do incêndio que destruiu a cidade de Paradise, CA, uma pequena cidade de 25 mil habitantes, que foi praticamente consumida pelo fogo, muitos foram aqueles que comentaram a ironia do nome.
Afinal, biblicamente, consumir-se em chamas seria algo mais indicado para uma cidade chamada Inferno, do que de uma cidade chamada Paraíso... o que mostra bem a insensibilidade da condução do fogo perante a fé dos povos.
Enquanto o número de desaparecidos parece baixar para 700, as alterações climáticas não deixam de apoquentar a região. Tanto foram responsáveis pela seca, como são agora responsáveis por previstas chuvas que podem levar a inundações. Se há coisa que sabíamos sobre o clima, antes de aparecerem as imagens de satélite, é que dificilmente se poderia prever.
"Paradise Burning" é o nome de uma canção dos Ill Scarlet, um grupo canadiano com fortes influências californianas. Aliás a letra da canção segue assim:
Don't know what to do, don't know how we made it
This California weather, the summer in December
(...)
I'm just slipping away down the coast
And I'm so far away from home
Never returning; Paradise burning
Os Aerosmith, uma banda de Boston, também ligada à Califórnia, no tema "What it takes", têm um refrão com referências similares:
Let go. Let go. Let go. I don't wanna burn in paradise.
Ora, isto é um tipo de coincidências expectável. Procurei, porque antevi ser bastante provável ter aparecido uma referência a "paradise burning" nalguma letra de alguma canção... já era menos expectável que houvesse alguma ligação à California. Portanto, nem sempre é difícil encontrar coincidências, e nem sempre estas revelam algo de estranho ou conspirativo.
Surgiu agora num anúncio e nunca me lembro de a ter ouvido antes. Mas há melodias que estavam no ar quando éramos crianças, e que talvez por isso colam ao ouvido como se estivessem estado sempre presentes.
Música electrónica foi um nome inicial, depois foi-se chamando "dance", "house", "techno", "rave", e agora será mais conhecida pelo nome "trance". Há distinções para os puros de ouvido, mas neste campo, eu continuo a classificar como faria há trinta anos atrás - para mim, é tudo música electrónica, sucessora dos velhinhos Kraftwerk.
Trago aqui um vídeo do tema "Domino" do DJ Oxia (Olivier Raymond)
... mas em termos musicais, prefiro a versão alargada da remix feita por Morten Granau:
Oxia - Domino (Morten Granau remix)
(4:00) we wanted... a new life... a new world... to us that was freedom
E lembrei este vídeo porque vai buscar a velha ideia do monolito, como solução misteriosa do início e futuro da humanidade, conforme presente no filme 2001 Odisseia no Espaço, mas agora numa versão "douradinha" :
Isto porque não vi ainda muito difundida a ideia (óbvia) de que os telemóveis actuais copiam o design do monolito que aparecia no filme. Fui procurar e encontrei um blog onde se fala um pouco do assunto (aparentemente há cópia até na proporção das dimensões):
O papel do monolito no filme "2001 Odisseia no Espaço"
Isto é apenas um apontamento de curiosidade, sem nenhuma intenção especulativa. É claro que podem dizer que Kubrick era um visionário, que antevia os telemóveis, ou que nos queria revelar o futuro que se preparava para nós, etc... Nada disso me parece fazer sentido, ou teríamos visto os macacos a partilharem imagens de bananas num fuçaboca qualquer.
Estou convencido que da mesma forma que o desenho do monolito era apelativo para o espectador, o desenho do telemóvel também o procura ser para o utilizador, e daí a cópia... mas é razoavelmente estranho todos os fabricantes terem optado por um formato único.
Como idolatração rápida de um objecto, de facto o telemóvel é um caso de expansão e dependência impressionante, pelo que visto à distância de 50 anos em que o filme foi feito, revê-lo acaba por trazer uma outra ideia, agora crítica sobre o próprio monolito, propagador de uma monocultura.
Porque todos os outros têm ouvidos a menos. (António Sérgio, Som da Frente, Rádio Comercial)
Faleceu hoje Ricardo Camacho, um dos principais elementos dos Sétima Legião, e produtor de vários outros projectos (António Variações, Xutos e Pontapés, etc.)
No princípio dos anos 80, quando começavam a aparecer as bandas rock nacionais em catadupa, os Sétima Legião foram o principal projecto alternativo, com uma sonoridade claramente influenciada pelos Joy Division / New Order, mas indo também buscar influências tradicionais - neste tema a gaita de foles e o bombo. Essas influências tradicionais seriam depois exploradas pelos Madredeus, que alcançaram um significativo sucesso internacional.
"Pois que Deus assim o quis" - Sétima Legião - do álbum "A um deus desconhecido". (concerto 30 anos - 2012, Coliseu de Lisboa)
Talvez porque o ponto fraco dos Sétima Legião fosse o vocalista (um caso em que usar a palavra cantor seria um manifesto exagero), Ricardo Camacho apontou como favorito este tema instrumental.
Logo a seguir, podemos ver Ricardo Camacho dedicar o tema "Glória" a António Sérgio, falecido uns anos antes. Para benefício do ouvinte, fica a voz em versão de estúdio.
Glória - Sétima Legião - A um deus desconhecido (1982)
A morte não te há-de matar, nem sorte haverá de eu viver, sem amar sem te ter, sem saber se rezar Amor oxalá seja amar, ter prazer sem poder nem sequer te tocar Os deuses não te hão-de levar, sem que eu der a mão p'ra ser par, sermos dois a partir, e depois a voltar Não vais-me deixar sem o céu, ser o chão onde vão se deitar os mortais E a Glória será não esquecer, memória de tanto te querer, sem razão meu amor, com paixão sem morrer Talvez ao luar, possas ver o olhar, que lembrar fez nascer Português
Acontece, mais frequentemente do que seria expectável... apagam-se as luzes dos candeeiros da rua quando passam os transeuntes.
Não é caso de um candeeiro particular, nem de nenhuma cidade em particular.
Acontece tanto, que a pessoa pode ser levada a pensar que tem alguma interferência com o sistema, ou até que alguém está a gozar consigo. Há quem não ligue, ou nem se aperceba do assunto, mas o fenómeno está espalhado, conforme podemos ver neste artigo (e comentários a ele):
ou ainda, neste vídeo. A explicação que encontramos no artigo, é totalmente insuficiente, aplicável talvez num ou noutro caso. Não se tratam de lâmpadas de sódio que estão em fim de vida, e começam a falhar intermitentemente, por vezes estão mesmo associadas ao simples passar do transeunte, ou não estão associadas a coisa nenhuma. Aliás, sempre me lembro de haver um ou outro candeeiro onde isto ocorria. A razão pela qual se mantem este tipo de lâmpadas de sódio, e não se passa para LED, como todos somos aconselhados a fazer em nossas casas... com tanta preocupação energética, pois é uma outra incógnita interessante, espalhada pelo mundo!
Durante vários anos, o candeeiro do lado esquerdo da minha casa, tinha a candura de apagar quase sempre que eu chegava à varanda, depois voltava a acender, apagando de novo, etc... depois o da rua nas traseiras começou a fazer a mesma coisa. Creio que no final do ano passado isso acabou, até que neste mês começou a falhar o da frente do lado direito. Enquanto escrevia isto, apagou várias vezes, enquanto ia à varanda fumar. Houve outro no início da rua, que se apagava quando alguém passava, mas depois ficou bom! Noutra cidade, onde costumo passar fins-de-semana, o mesmo tipo de ocorrência com um candeeiro em frente, e com dois na praça ao lado. A minha mulher faz o esforço de não achar nada disto estranho.
Uma outra ocorrência bizarra - nunca me lembro de ver tantas gaivotas em certas cidades - não costeiras, quanto aconteceu nos últimos anos. Aliás, antes havia o ditado "gaivotas em terra, tempestade no mar"... Perguntei sobre isto, e disseram-me que era devido às lixeiras (... como se não existissem lixeiras antes)!
Bom, mas o que é certo é que as gaivotas já disputavam o território com os pombos, e menos polidas que estes roubavam comida das esplanadas de forma espalhafatosa. Uma gaivota pousava sistematicamente em cima do candeeiro do lado esquerdo. Quando deixava o carro por baixo, tinha um presente. Numa outra casa, a quase 10 Km da costa, pousavam no telhado, e não havia noite que não ouvisse o seu constante grasnar. Agora, subitamente, de um ano para o outro, ou foram todas exterminadas, ou acabou a tempestade no mar... porque já não as vejo.
Do tempo em que as coisas começaram a ficar estranhas, ou em que passei a dar outra atenção à sua estranheza, fica uma canção dos Keane:
O filho de Afrodite é Eros, mais conhecido por Cupido, enquanto filho de Vénus, na vertente romana.
Aphrodite's Child foi o nome da banda de Vangelis e Demis Roussos, que faria um considerável sucesso entre 1968 e 1972. Esse nome foi escolhido pelo representante da Mercury Records, e a ligação entre Mercúrio e Vénus, é próxima... ainda que Mercúrio ou Hermes, tenham maternidade em Maia (na vertente romana ou grega).
Com a Grécia mergulhada na Ditadura dos Coronéis, em 1967, a caminho de Londres, Vangelis (Evangelis) e Demis (Artemios) ficaram retidos em Paris, apanhados pelo Maio de 1968, de que se comemoram agora 50 anos.
O seu primeiro sucesso, "Rain and Tears" (uma adaptação de um tema barroco do Séc. XVII do compositor alemão Pachelbel), tornou-se um sucesso ligado aos protestos de 1968, segundo Demis Roussos, porque "rain and tears" lembrava aos jovens o gás lacrimogéneo usado pela polícia.
Aphrodite's Child - Rain and Tears (1968)
Face à figura magra que aparece no vídeo, pode não ser fácil reconhecer Demis Roussos, sendo mais volumosa a presença de Vangelis no teclado (de óculos escuros).
Ambos tiveram um sucesso enorme. Especialmente Vangelis, já que Demis Roussos, tendo um sucesso estrondoso na sua carreira a solo nos anos 70, não se adaptou bem à dinastia song que reinaria a partir dos anos 80. Fora desses circuitos mais juvenis, Demis Roussos tornou-se numa estrela incomparável para a geração de 40/50, eclipsando o circuito que distribuía então a música francesa e italiana - e que dominava uma certa distribuição discográfica europeia (neste caso a Philips).
Demis Roussos - Forever and Ever
Não era difícil ouvir dizer que a sua voz era "divina", de tal forma as musas do monte rodopiante deixaram ali a sua marca. Mas, a partir dos anos 80 e 90, já praticamente só repetia os seus sucessos dos anos 70, e os delicados trinados que as musas lhe tinham deixado já não entravam numa cultura musical onde a bateria dominava.
Nesse aspecto, foi Vangelis muito mais bem sucedido, não porque abusasse da batida... aliás quer um, quer outro, não desdenharam a herança das puras melodias, mas especialmente porque se soube enquadrar bem no circuito anglo-saxónico, especialmente em bandas sonoras que lhe valeram prémios em Hollywood, nomeadamente o Óscar com "Chariots of Fire" (e o que é esse filme, sem a música?)...
Figura muito mais discreta do que espalhafatosa, ao contrário de Demis, aparece num vídeo da sua colaboração com o vocalista dos Yes, Jon Anderson. O álbum The friends of Mr. Cairo é um exemplo menos conhecido da genialidade de Vangelis.
Mas, mesmo para os personagens mais abençoados pelas musas, Mercúrio pode ser hermético na divulgação do seu trabalho, e se Demis Roussos já nos deixou, Vangelis continua a produzir, ainda que não tenha necessariamente a divulgação que se esperaria, e que é tão bem gerida pelos mercadores dos nossos ouvidos.
Fica aqui o seu último trabalho de 2016, de nome Rosetta, a propósito da missão da ESA, que redundou no "estrondoso" sucesso de que aqui falámos (aliás ainda hoje deveríamos estar extasiados com as imagens que transmite do calhau onde caíu).
Antes de os anos 80 serem confundidos com a década de 80, sabia-se que o período mais significativo de afirmação da música popular, e das discotecas, ia aproximadamente da segunda metade da década de 1970 à primeira metade da década de 1980.
Um filme marcante do disco-sound foi Saturday Night Fever, de 1977, que contou integralmente com música dos Bee Gees.
Talvez porque se queira esquecer um tempo em que os bigodes eram populares, os pêlos no peito eram requisito de qualquer macho, tempos em que se usavam calças com boca de sino, e camisas com desproporcionadas golas pontiagudas, talvez por isso, sejam menos considerados.
Mas, o estilo de vida que veio a tornar-se corrente nas décadas seguintes, foi formado ainda nos anos 70, tendo como ponto alto da juventude as saídas ao sábado noite em direcção à discoteca da moda... discotecas que basicamente foram inventadas nessa altura, seguindo mais ou menos o modelo da discoteca que se via em Saturday Night Fever, e distinguindo-se das anteriores "boites". A principal diferença é que a música aumentava para níveis ensurdecedores, o número de mesas e cadeiras era reduzido praticamente a zero, e a decoração era focada na pista de dança. Segundo as mães, os filhos iriam todos ficar surdos cedo... mas a maior conquista da discoteca foi tirar a má conotação das boites - sítio pouco recomendável para boas meninas.
Em Portugal, a transição dos anos 70 para os anos 80 foi enorme... nas mesmas aldeias em que nos anos 70 praticamente só víamos burros e mulas, no final dos anos 80, com os subsídios vindos da CEE (... para desmantelar a agricultura), abundavam os Mitsubishis Pajero e os Toyotas Land Cruiser. Se Portugal mudou pouco na última década, teve uma transformação enorme entre os anos 70 e os anos 80, que se viu especialmente em pequenas vilas e aldeias. O estilo de vida citadino, que era um modelo dos olhares campestres, foi invadindo o país. Os emigrantes, que faziam vista nos verões com os seus carrões, foram regressando, percebendo que os conterrâneos já viviam melhor que eles, e os putos que aos 15 anos já trabalhavam, passaram a frequentar universidades - coisa que antes era só para "ricos".
A discoteca, enquanto espaço agregador de centenas de pessoas, e a música enquanto ponto alto da criação e recriação humana, tornou-se ainda mais popular, porque ninguém sabia dançar... simplesmente mexia-se! Os que se armavam em John Travolta, eram tão raros, que passavam por ridículos.
A música ganhou um papel tão grande na vida das pessoas, que um ponto central na casa era a "aparelhagem"... algo que foi desaparecendo com o aparecimento do Youtube.
Se há 30 anos investi numa boa aparelhagem, e assim pensava quase toda a malta, especialmente aqueles que distinguiam o som do vinil do som dos CDs (havia muita gente com excepcional orelha)... agora ouço apenas música no computador, e deixei de a comprar.
Sim, o computador pode ter som Bang & Olufsen, mas não é a mesma coisa, ainda que não sinta a falta das 8 colunas distribuídas pela sala.
Bee Gees (1976) - You should be dancing (Saturday Night Fever, 1977)
Recupero aqui a voz de falsete de Barry Gibb, um pouco a propósito da voz de falsete que os media internacionais estão a fazer a propósito da Síria...
Finalmente, vi na RTP3, o Major-General Carlos Branco fazer uma análise sensata da situação, colocando o assunto dentro dos novos objectivos prioritários da defesa norte-americana, que passou a ter Rússia e China como principais preocupações, relegando o terrorismo para segundo plano. E as coisas são de tal forma, que estranhamente apenas um investigador do ISCTE estava no registo de falsete dos media internacionais, acusando sistematicamente os restantes de estarem a fazer voz da propaganda do regime sírio (... talvez por avença da Fundação Luso-Síria).
Um registo a não perder, mostrando que há pessoas com cabeça nas nossas forças armadas:
Tendo ficado esclarecido quanto aos novos planos de fazer a Rússia novo inimigo global, do "mundo livre", nada melhor que regressar aos anos 70, com o mesmo mote de entretenimento... you should be dancing, yeah!
Nobody does it better, makes me feel sad for the rest...
Carly Simon, uma das minhas vozes preferidas, começava assim o tema do filme "The spy who loved me", da saga James Bond, aqui com Roger Moore, e Barbara Bach como "Bond girl" (e que depois se casaria com Ringo Starr).
Carly Simon - Nobody does it better (James Bond - "The spy who loved me", 1977)
É interessante que no final desta introdução, M diz "Send me an agent, AAA"...
Fala-se bastante em AAA, enquanto rating de crédito de agências financeiras, edurante a "crise" também em Eurobonds (European Bonds) como possível solução. O nome Bond também significa "obrigação" e as três letras são um sistema da sua classificação.
Assim, uma alusão a AAA e Bond, é uma piada subtil, certamente propositada.
Note-se que tal como 007 seria o código de James Bond, aqui AAA seria o código de Miss Moneypenny (nomenclatura igualmente económica).
Estes filmes faziam especial sentido no tempo da Guerra Fria, em que o espião de Sua Magestade fazia melhor que os espiões americanos, contra russos e outros "malvados", de serviço.
A ideia de ver os russos no papel de "inimigos de serviço", deixou de estar na moda, até ao momento em que Vladimir Putin arranjou uma esquema "democrático" de se manter indefinidamente no poder.
Putin, com 18 anos no poder, distancia-se assim de Angela Merkel, apenas com 13 anos consecutivos.
Mesmo assim, Putin teve que usar Medvedev para alternar como presidente, enquanto o cargo de chanceler alemão não tem limitações no tempo.
Enquanto isso, pelos Estados Unidos passaram 4 presidentes (Clinton, Bush, Obama, Trump), e pelo Reino Unido 4 primeiros ministros (Blair, Brown, Cameron, May)... bom mas a recordista de tempo no cargo é claramente Isabel II, com 66 anos enquanto rainha.
Isto, a propósito da história absurdo-caricata de relações internacionais, envolvendo uma tentativa de assassinato do ex-espião Sergei Skripal, e que afectou também a sua filha.
Quando se tratou do envenenamento de Litvinenko, com Polónio 210, no ano de 2006, a situação também teve um grande mediatismo internacional, mas nada que se assemelhe à desproporcionada escalada global que agora envolveu expulsão de diplomatas, pela maior parte dos países europeus:
Países que expulsaram diplomatas russos devido ao caso Skripal (info)
Esta situação começa por ser caricata, porque nenhum faleceu, e a filha parece estar a recuperar bem.
Não tem nenhum precedente.
Ou seja, nunca em simultâneo tantos países decidiram expulsar diplomatas.
Que o Reino Unido tomasse uma atitude, seria expectável, mas enfim... tudo fraquíssimo, pois não exibiu provas publicamente. Que isso levasse à expulsão de diplomatas russos do UK, enfim...
Que, por arrasto, Trump quisesse assumir uma posição anti-Rússia, enfim... percebe-se porque tinha sido acusado de ganhar as eleições com expedientes informáticos russos... whatever!
Agora que, sabe-se lá porquê, mais 20 países tenham querido fazer o mesmo, só faz sentido se estivermos a jogar o jogo "Follow the leader".
Das múltiplas acusações que têm vindo a ser lançadas contra a Rússia, e houve muitas, especialmente desde a anexação da Crimeia... podiam ter escolhido muitos pretextos, mas este pseudo-envolvimento numa tentativa de assassinato, não faz sentido.
Skripal foi acusado de traição e preso em 2006, justamente no ano em Litvinenko morreu.
Em 2010 a Rússia fez uma troca de prisioneiros espiões com os EUA e UK, pelo que Skripal não teria grande interesse para os russos (nem deveria ter para os britânicos, que não o vigiavam).
Tendo isto acontecido na semana anterior à reeleição de Putin, tal acto só o desfavoreceria... e os eventuais interessados nisso seriam opositores internos ou externos.
Com "provas" de ligação à Rússia, que fazem lembrar as provas de armas de destruição massiva no Iraque, ou seja - que são invocadas mas não são conhecidas... a posição inglesa tornou-se aberrante, mas não tão aberrante quanto a de todos os carneirinhos que a seguiram.
Acresce a toda esta situação as acusações de que o Facebook permite usar informação pessoal dos utilizadores... e parece que estamos a viver num mundo de crianças, que acreditavam no Pai Natal, e que não sabiam que podem ser manipuladas ou enganadas.
Provavelmente as acusações à Rússia de interferências no Brexit, na eleição de Trump, nas eleições da Catalunha, e em qualquer outra em que os resultados sejam diferentes dos esperados, resumem-se a essa notável descoberta sobre o Facebook.
As coisas chegaram a um ponto em que já faltam os bons argumentistas para a narrativa dos media internacionais, sendo vendidas agora histórias da carochinha, sem sentido nenhum.
Em fim, enfim, outro vídeo da Carly Simon, apropriadamente com uma letra infantil Itsy bitsy spider:
Este texto é também sobre Stephen Hawking, que faleceu há uns dias.
O uso de sintetizadores foi popularizado no final dos anos 60 - por exemplo, era famoso o órgão de Ray Manzarek nos Doors. No entanto, bandas que usassem exclusivamente sintetizadores, só apareceram com o movimento New Wave, na transição do final dos anos 70 para o início dos anos 80, quando passaram a fazer sucesso as baterias electrónicas. Como a fartura deu em excesso, no final dos anos 80, voltou-se à formação tradicional de bandas pop.
Pioneiros na música electrónica, minimal repetitiva, levando o conceito até ao limite robótico, estiveram os alemães Krafwerk. Este "Trans-Europa Express" de 1977 é um bom exemplo:
Kraftwerk (1977) - Trans-Europe Express
Uma particularidade menos conhecida, é que apesar de ter sido razoavelmente simples simular música electronicamente, por exemplo, num computador, foi alguma surpresa a dificuldade em simular a voz humana. Não deveria ter sido surpresa... porque afinal de contas, cada pessoa tem uma voz diferente, e há milhões de pessoas! Passar um texto a voz era simples, mas ficava estranho, e muito mais difícil era passar voz a texto (ainda hoje existem múltiplas dificuldades e falhas).
É neste contexto, do lado simples, que aparece a voz de Stephen Hawking... muito similar à voz sintetizada que podemos ouvir na faixa "Computer World" (1981), e que ele teria a possibilidade de operar, a partir de 1986.
Inicialmente o sistema era controlado pelo premir de um botão, associado à escolha de palavras, mas tendo ficado evidente que não havia aí nenhum movimento perceptível, a partir de 2005... foi dito que o sistema reconhecia o movimento do queixo por infravermelhos (entre outras coisas, como a previsão de palavras, que é usada nos telemóveis).
Há até um programa online que permite simular a mesma voz:
Durante estes 30 anos não conheci a utilização do mesmo sistema, ou similar, em mais ninguém, limitado fisicamente. E há diversos casos, nomeadamente em pessoas que são vítimas de AVCs, ou de acidentes limitadores da mobilidade. Tornando-se caso único, até a voz sintetizada acabou por ser uma característica associada a si.
Por muita destreza que Hawking tivesse no controlo dos dedos, e ao contrário da progressiva falta de destreza associada à doença, conseguir com um simples clique falar a uma velocidade aceitável, seria proeza de Guiness... e não vi sequer exemplos de pessoas normais a tentar fazer o mesmo.
Cada um acredita no que quer.
Faço apenas notar que quando a voz perde a tonalidade individual, pode ser usada por qualquer um para o mesmo efeito. Ou seja, qualquer um com acesso remoto ao computador de Hawking poderia dizer o mesmo. A garantia de que era dito por Hawking é apenas a garantia dos crentes, e mais nenhuma outra. Na prática, as instituições que albergavam Hawking podiam colocar no sintetizador o que queriam que Hawking dissesse... e se o fizeram ou não, não sei.
A importância de Hawking seria mínima, mas foi grande o mediatismo científico. Foi alimentada uma figura proeminente, no espaço estratosférico da divulgação mediática, onde a sua incapacidade foi usada a favor da fama.
Nem tão pouco teve nenhuma teoria minimamente comprovada, perdendo a sua última aposta com Higgs, na descoberta do bosão. Higgs recebeu o prémio Nobel, Hawking não... mas acabou por ter fama como se tivesse recebido vários.
Poderia perder-se tempo a falar da "teoria de tudo" que era um básico nada. Um vício habitual de físicos que se esforçam por não perceber mesmo nada do mínimo de racionalidade filosófica.
Há quem o faça, nos circuitos onde o parecer é mais que o ser, e onde as complicações da linguagem simplificada de "buracos negros" e outras fantasias como "matéria negra", servem o propósito de uma comunicação que visa um enorme buraco negro social.
Ieshia Evans tomou a iniciativa de avançar para a estrada, e esperar pela detenção policial, no meio de um protesto anti-racista, originado pela morte de Alton Sterling.
A desproporção que a foto transmite é imensa. De um lado uma enorme força policial, equipada como se fossem "robocops", e do outro lado apenas uma manifestante, com a leveza da sua completa desprotecção, aguardando ser algemada. De um lado uma pequenez que exibe força física, do outro lado uma altivez, ou superioridade, com força moral.
Ao procurar a foto, o Youtube seleccionou a canção "Woman in Chains" dos Tears for Fears. Não sei se foi coincidência, ou se resulta já da Google ligar a sequência musical do Youtube às pesquisas, tal como faz com os anúncios.
Bom, interessa que já deveria ter incluído nesta lista outro tema:
"Sowing the seeds of love" (1989) Tears for Fears
Este vídeo esteve no Top durante várias semanas, e lembro-me perfeitamente de o ver. No entanto, nunca o vi... ou seja, à época, ignorei a letra e a simbologia.
Quando há uns poucos anos o voltei a ver, ficou diferente... não era apenas um vídeo qualquer, pretendia abanar a visão do homem comum, mostrando símbolos maçónicos, budistas, cristãos, coptas, com outros ícones religiosos, focando a pirâmide com olho na nota de 1 dólar.
A letra também era razoavelmente explícita...
(...) shook up the views of the common man
(...) The love train rides from coast to coast, DJ's the man we love the most
(...) As the headline says you're free to choose There's egg on your face and mud on your shoes
(...) So without love and a promised land We're fools to the rules of a government plan
(...) Read it in the books, in the crannies and the nooks, there are books to read
(...) Mister England sowing the seeds of love
(...) Time to eat all your words, Swallow your pride, Open your eyes
... mas não bastava ouvir, era preciso estar sintonizado para o problema da ocultação na sociedade, e manifestamente nessa altura, há 30 anos, não estava.
Entre 1991-96 a situação na Jugoslávia atingia o que antes era impensado antes... a região balcânica viu-se envolta num conflito de nacionalidades, como consequência do fim da cola comunista que unia diversas nacionalidades como um único país. Enquanto o pai Bush se entreteve com a 1ª Guerra do Golfo, dando a ideia de um policiamento mundial, a comunidade internacional ficou praticamente estática, quando Belgrado reagiu violentamente às tentativas independentistas da Bósnia, e quando a secessão da Eslovénia e Croácia era já um facto consumado. Como Madrid tem dado boa conta, nenhuma "capital" perde ligeiramente a sua "província".
Sarajevo ficou cercada por tropas sérvias entre 1992 e 96, quando presumidamente perto de 20 mil militares sérvios, ou alinhados com a Sérvia, foram mantendo o cerco à cidade, no sentido de evitar a secessão da Bósnia. Foi o cerco mais prolongado do Séc. XX, ultrapassando o tempo dos cercos nazis de Leninegrado e Estalinegrado (actualmente, St. Petersburgo e Volvogrado), durante a 2ª Guerra Mundial.
A vida em Sarajevo, no período do cerco, com a população aterrorizada por snipers e milícias, era suficientemente complicada, mas mesmo assim foi organizado um concurso "Miss Sarajevo sitiada", em 1993, em que Inela Nogic foi a "miss" escolhida. O concurso organizado num palco subterrâneo teve as participantes mostrando um cartaz dizendo "Don't let them kill us"...
Este vídeo dos U2 com Luciano Pavarotti, "Miss Sarajevo", ilustra esse momento algo absurdo, tendo por base um documentário com o mesmo nome de Bill Carter. Afinal um simples momento de políticas instáveis e inseguras, podem transformar uma pacata vida citadina numa constante aventura de sobrevivência.
U2 e Luciano Pavarotti - "Miss Sarajevo" (1995) Dici che il fiume trova la via al mare; E come il fiume giungerai a me; Oltre i confini e le terre assetate;
Dici che come fiume; Come fiume l'amore giungera; L'amore e non so piu pregare;
E nell'amore non so piu sperare; E quell'amore non so piu aspettare.
Sarajevo, uma das mais belas cidades europeias, com as suas múltiplas pontes sobre o rio Miljacka.
Em 1984 acolheu os Jogos Olímpicos de Inverno, com instalações usadas e destruídas há 25 anos durante o cerco.
Foi na Ponte Latina que foi assassinado Franz Ferdinand em 1914... o pretexto bélico para a 1ª Guerra Mundial.
Dizem que o rio encontra a via do mar; e como o rio chegarás a mim; além dos confins e da terra árida;
Dizem que como o rio, como o rio, o amor chegará; o amor.... e não sei mais rogar;
E em amor não sei mais esperar; e aquele amor não sei mais aguardar.
Num dia 26 de Abril de 1955 escreveu-se um poema que fez sucesso como canção catorze anos depois, num programa chamado Zip Zip, e passados cinco sobre esses anos, os eles e os nós já se confundiam em múltiplos nós entrelaçados, e afinal já se confundiam sonhos e pesadelos.
Eis o poema, na forma manuscrita:
O autor era Rómulo Vasco da Gama, de apelido Carvalho, sob pseudónimo António Gedeão, e o cantor que levou a Pedra Filosofal ao programa de Carlos Cruz, Fialho Gouveia e Raul Solnado, em 1969, foi Manuel Freire:
Manuel Freire - Pedra filosofal (1969, edição Zip-Zip, 1970)
Eles não sabem que o sonho é uma constante da vida, tão concreta e definida, como outra coisa qualquer... como esta pedra cinzenta, em que me sento e descanso, como este ribeiro manso, em serenos sobressaltos. Como estes pinheiros altos, que em verde e oiro se agitam, como estas aves que gritam, em bebedeiras de azul. Eles não sabem que o sonho é vinho, é espuma, é fermento, bichinho álacre e sedento, de focinho pontiagudo, que fossa através de tudo, num perpétuo movimento. Eles não sabem que o sonho é tela, é cor, é pincel, base, fuste, capitel, arco em ogiva, vitral, pináculo de catedral, contraponto, sinfonia, máscara grega, magia... que é retorta de alquimista, mapa do mundo distante, rosa-dos-ventos, infante, caravela quinhentista, que é Cabo da Boa Esperança, ouro, canela, marfim, florete de espadachim, bastidor, passo de dança, Colombina e Arlequim, passarola voadora, pára-raios, locomotiva, barco de proa festiva, alto-forno, geradora, cisão do átomo, radar, ultra-som, televisão, desembarque em foguetão na superfície lunar. Eles não sabem, nem sonham, que o sonho comanda a vida. Que sempre que um homem sonha, o mundo pula e avança, como bola colorida, entre as mãos de uma criança.
A inspiração é inalada gratuitamente como o ar e exalada na soberba como criação própria.
Só que o caos das musas, nem sempre presenteia os artistas com harmonias que tocam uma nação, como foi o caso desta melodia que Manuel Freire compôs, a partir do notável poema de Gedeão.
Interessa-me a lista que Gedeão compilou, misturando progressos nacionais com internacionais... ou nem tanto! Quando chegamos aos passos de dança, e bastidores, é referido "Colombina e Arlequim", um tópico de Polichinelo, a que fiz referência desde o princípio no texto Pacífico, e também em inglês no Main Facts (2)... e ainda creio que noutro sítio (que não encontro). A que se segue a Passarola, e se não falámos de um pára-raios, em que os russos de Nevyansk reclamam primazia a Franklin, falámos duma locomotiva russa.
Já deveríamos ter falado do Padre Himalaya, e do seu alto-forno solar (pirelioforo), com que recebeu medalha de ouro na exposição de St. Louis de 1904.
A partir daqui, com a cisão do átomo, radar, ultra-som e televisão... pois isso só constaria no campo dos sonhos nacionais, dado o paupérrimo registo científico conhecido no Séc. XX!
Fica o mais intrigante.... "desembarque de foguetão na superfície lunar"!
António Gedeão escreve em 1955, numa altura em que nem tão pouco o Sputnik tinha sido lançado em órbita. Assim, este é o único elemento da lista que não passaria ainda de um velho sonho!
Manuel Freire lança a canção em 1969, no ano em que foi suposto assistirmos ao desembarque do homem na superfície lunar. Não deixa de ser uma coincidência... mas todos os pontos da lista eram finalmente verificados, quando em 1970 a canção foi lançada em disco.
É claro que na mais comum das interpretações, os "eles" eram "eles", mentecaptos autoritários do Estado Novo, incapazes de sonhar... e tudo o resto não interessa, quando dividimos o mundo entre bons e maus. Por graça dos fados, seremos sempre reconfortados pelo presente estar na mão de bons, salvadores dos males passados.
Resulta este texto do comentário de J. Ribeiro, e dos serenos sobressaltos.
Uma banda que é mais ouvida do que conhecida, são os noruegueses Röyksopp, que aqui trago com um vídeo suficientemente estranho associado à canção "What else is there?", realizado por Martin de Thurah. Os Röyksopp não têm propriamente um vocalista fixo, convidando diferentes cantores para as músicas, neste caso, a sueca Karin Andersson.
Röyksopp - "What else is there?" (2005)
O aspecto que me prendeu a atenção no vídeo foi a flutuação da cantora, uns poucos centímetros do solo, e não tanto as casas que se desprendiam numa ausência gravitacional.
É claro que não se trata de uma produção tipo NASA, em que as astronautas a bordo da estação orbital não só flutuam, como têm a obrigação de ter os cabelos em pé - para o espectador acreditar que estão no espaço! A esse propósito, deixo um vídeo bastante ilustrativo, que usa a modelo Kate Upton, para tirar dúvidas...
"Hair in space : The NASA illusion" (suprimido - ver aqui)
Bom, não há propriamente limites para a desfaçatez, mas este texto não é sobre os graves no fandango da NASA, mas sim sobre sonhos...
Sonhos daqueles em que se está numa realidade diferente do habitual, e já me ocorreu sonhar com a mesma capacidade de flutuar que Karin Andersson exibe no vídeo, a uns meros centímetros do solo, ou então bem mais alto... mas sem a postura de vôo típica do "superhomem". Sempre em posição vertical, e naturalmente... Assim, o interessante é que ao invés de surgir a pergunta "como era isto possível?", a pergunta apareceu ao contrário "sendo tão fácil, como é que não o tinha feito antes?". Mais engraçado, como esse sonho surgiu mais que uma vez, nunca essa memória foi inibidora, de nova aparência, com o mesmo grau de credibilidade. Gostava de conhecer o "outro eu", baptizado de "subconsciente", que realiza o sonho, e supostamente me prega este tipo de partidas, porque a coisa é bem feita, e convincente. Na prática, o problema é que o próprio se identifica como personagem do sonho, mas muitas vezes assume nesse contexto um tipo de atitudes com que já não se identifica. Isso poderá corresponder à sua personalidade noutra época, e por isso não é visto como um enxerto de pensamentos alheios na sua cabeça, mas pode não corresponder à personalidade actual. No caso concreto, se obtivesse do nada uma capacidade de flutuar, semelhante à de andar, não iria achar isso nada natural, nem aceitaria o presente gratamente, sem procurar perceber a origem do evento.
Porém, no contexto do sonho, a questão nem se coloca, e o personagem sobrepõem-se ao pensador, sem quaisquer problemas.
Vejamos um outro caso, que também é algo ilustrativo. Há uns dias, tive o enésimo sonho funesto... já foram tantos, que lhes perdi a conta. Um tema não raro é um apocalipse do tipo nuclear. Vemos cair a bomba à distância, e sucede a deflagração, mas como daí não surge nenhum efeito, manifesto o excesso de confiança, de que nada se iria passar. Porém, depois surge a surpresa de ver os edifícios a desaparecer, como pixeis que desaparecem de uma imagem. Já numa atitude defensiva, e perdendo a confiança, coloco o braço à frente, e vejo-o igualmente desaparecer da mesma forma. Ao contrário do que é habitual agora, por breves instantes aceito o fim, quando sinto uma dor forte. Mas, ao mesmo tempo, não deixo de manter a curiosidade de saber o que se iria passar. Entretanto, nada se passa, a dor desvanece, e concluo que deveria acordar, só que acordei ainda para outro sonho, antes de acordar para este. Afinal, foi um sonho e não um pesadelo... pesadelos, de estar ou acordar sobressaltado, foi coisa que me abandonou há bastante tempo, e por completo, nestes últimos anos. No entanto, como somos mais espectadores do que actores, nada disso é coisa certa, e muito depende do filme em que nos queiram meter...
Ficaria melhor colocar o original dos Xutos e Pontapés com o Zé Pedro, mas prefiro esta versão, com a voz da Teresa Salgueiro, que foi presença habitual nas rádios em Março de 2013, até porque pensei colocá-la aqui nessa altura.
Homem do Leme - Xutos & Pontapés (Cerco, 1985) - versão com Tim e Teresa Salgueiro.
Sozinho na noite, um barco ruma, para onde vai? Uma luz no escuro, brilha a direito, ofusca as demais! E mais que uma onda, mais que uma maré... tentaram prendê-lo, impor-lhe uma fé. Mas, vogando à vontade, rompendo a saudade, vai quem já nada teme, vai o homem do leme! «E uma vontade de rir, nasce do fundo do ser. E uma vontade de ir, correr o mundo e partir, a vida é sempre a perder» (...) No fundo do mar, jazem os outros, os que lá ficaram; em dias cinzentos, descanso eterno lá encontraram (...) No fundo horizonte, sopra o murmúrio, para onde vai? No fundo do tempo, foge o futuro, é tarde demais...
Esta canção tornou-se um símbolo da banda, um hino que certamente muitos associaram a uma determinação, ou obstinação, "contra tudo, e contra todos". Quando se perpetua som e palavras, a vida não foi "sempre a perder"...
The missing boy... Ainda antes de 1992, para os Jogos Olímpicos que iriam decorrer em Barcelona, juntaram-se Freddie Mercury e Montserrat Caballé, num par improvável que juntava um dos mais famosos cantores pop, vocalista dos Queen, e a reconhecida soprano de ópera - foi há 30 anos, em Outubro de 1987.
Como Freddie Mercury morreu em Novembro de 1991, não foi possível a performance do duo na cerimónia de abertura dos Jogos Olímpicos, passando apenas o vídeo. O som mantém-se impressionante, e este vídeo mostra bem as chamadas Torres "gémeas" venezianas, de que já falámos.
As montanhas de Montserrat... O nome "Montserrat" é tipicamente catalão, devido a uma formação montanhosa com o aspecto de dentes de uma serra, o que impressiona um visitante que chega de carro, vindo de Andorra, como foi o meu caso em 1993.
O nome é popular também pelo Mosteiro de Santa Maria de Montserrat, sendo associado à lenda arturiana do Santo Graal, e contendo uma imagem icónica de Virgem negra, cuja história é muito semelhante à história que também encontramos no Círio da Nazaré - uma escultura que teria chegado à Hispânia vinda de Jerusalém, e que foi escondida em Montserrat em 718, aquando da invasão muçulmana. Em 11 de Setembro de 1881, por via desta imagem, o papa consagrou Santa Maria de Montserrat como padroeira da Catalunha, tendo por isso ficado Maria de Montserrat um nome comum entre as mulheres. catalãs. Reporta-se que já em tempos romanos, seria um local dedicado ao culto de Vénus.
Em 1493, num ano em que Fernando de Aragão e Isabel de Castela formalizavam a união entre os dois reinos ibéricos, Colombo na sua segunda viagem caribenha encontrou uma ilha que designou justamente Montserrat, em homenagem à Virgem Maria de Montserrat.
O Mercúrio de Almadén... pelo lado de Mercury, neste dueto comercial, surge uma das minas mais antigas do mundo, e o maior jazigo mundial para a extracção de mercúrio, que se situa em Castela, na cidade de Almadén, e é um dos patrimónios UNESCO.
"Amigos em Portugal" foi um álbum lançado pelos Durutti Column em 1983, pela Fundação Atlântica, uma editora que seguia a linha da Factory Records, dos Joy Division, em Manchester, e que também era a editora de Viny Reilly. Aliás, Viny Reilly vai editar a música "Missing boy" em memória de Ian Curtis, cujo suicídio marcou toda uma geração. A canção fazia parte do álbum LC, de 1981, de que ainda tenho o vinil...
"Missing boy" - Durutti Column, 1981.
O nome Durutti Column era suficientemente estranho, e dizia respeito à coluna militar catalã de Durruti, sendo Buenaventura Durruti um dos líderes do movimento Anarquista que teve vida curta, morrendo em 1936, no contexto da 2ª República Espanhola, que terminou com a invasão das tropas de Franco.