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quarta-feira, 23 de abril de 2014

Nebulosidades Auditivas (10)

The ancient sages said: 
"do not despise the snake for having no horns, for who is to say it will not become a dragon?"
So, may one just man become an army. 
Li Chung, o Justiceiro (The Water Margin)

Nearly a thousand years ago in ancient China, at the time of the Sung dynasty, there was a cruel and corrupt government. These men riding are outlaws - heroes - who have been driven to live in the Water Margins of Liang Shan Po, far to the south of the capital city. Each fights tyranny with a price on his head, in a world very different from our own. The story starts in legend even then - for our heroes, it was said, were perhaps the souls reborn of other, earlier knights...

Sandokan
Houve um tempo em que foi criada uma cultura comum em Portugal. A monolítica RTP impunha isso.
Poderia ver-se ou não televisão, mas quem via, via o mesmo. Desde 1957 até 1992 foi assim, e o que "dava na televisão" era uma cultura comum, só perturbada pela recepção satélite, já muito no final dos anos 80 (por exemplo, a Eurosport só começa em 1989).
Se o monolitismo era uma desvantagem, foi criada uma base cultural comum.
Passaria pela cabeça de alguém o vizinho nunca ter ouvido falar de Sandokan, o Tigre da Malásia?
Kabir Bedi, o actor indiano de Bollywood escolhido pela RAI para Sandokan.

Há pouco tempo falava-se da Irlanda como "Tigre Celta", dado o seu florescimento económico, antes do colapso de 2009... mas para uma geração, o Tigre era da Malásia, e era Sandokan, o personagem de Emilio Salgari, pirata de barcos e não de aviões, reavivado pela RAI numa série com imenso sucesso popular.

Hoje em dia, o Sandokan poderia dar no AXN, na Fox, ou num dos múltiplos canais de cabo... cada qual vê o que quer, o que é bom, mas perde-se a ligação aos outros, por via de uma cultura comum.

Lagardère
Essa cultura comum criava expressões que ainda hoje se usam, por exemplo - "foi feito à Lagardère".
A série francesa, com o espadachim Lagardère, foi um exemplo de grande sucesso que talhou expressões dificilmente entendíveis pelas novas gerações. Percebem, pelo contexto... 
Porém, se a expressão se mantiver, será que daqui a umas décadas não é mais natural o nome ser associado a Jean Luc Lagardère, industrial da empresa militar Matra, que "subiu à Lagardère" e morreu estranhamente, quando se investigavam ligações ao 9/11. Ou entre nós, será associado a Lagarde do FMI?
As associações são assim um entendimento comum, próprio de uma época, e nem sempre passado do passado para um presente. Podem facilmente prestar-se a confusões, mas também essas confusões podem ser meias verdades. Se alguém disser que a referência a Lagardère é de uma peça "O Corcunda" (Bossu) de Paul Féval (1858), está certo, mas não será compreendido por quem sabe que a ligação vem da série passada na RTP no início dos anos 70, e desconhece que essa série se inspirava por sua vez nos folhetins de Paul Féval.
Ilustração do romance "Bossu", com Lagardère.

Por isso, haverá muitas associações que aqui escrevo que podem ser consideradas à Lagardère... ou seja, um conhecimento parcial da conexão não pode inibir outro tipo de conexões. Não há conhecimento para as refutar, e por isso não devem ser consideradas como certas ou erradas, uma tentação simplista inquisidora, mas devem ser simplesmente vistas pelo nexo que podem exibir.

Nexo do Ó
Dou o exemplo com a própria palavra "nexo"...
A etimologia conhecida é interessante e está aqui, remete a nexum, de ligar ou atar, e remete ainda ao nó, nodus, que teria raiz indo-europeia em "ned", com o mesmo significado de atar.
Isso é uma explicação, muito boa. 
Porém, ao olhar para "n-exo" vejo imediatamente a negação de "exo", do exterior.
Assim, à Lagardère, faço a associação de que "nexo" nega o externo... invoca uma ligação interna, do próprio, do grupo, da comunidade. 
Uma não anula a outra, aliás complementam-se.
Quando se invoca o externo, desconhecido, não se produz nenhum nexo. O nexo é interno para poder ser explicado aos outros, e não se resumir a uma experiência individual, que envolve o inexplicável.
Plicar é pôr entre plicas, entre pregas, enquanto explicar é atirar fora essas plicas.
Por isso há uma diferença entre pregar e explicar. Num caso pretende-se cravar com um prego, enquanto no outro se tiram os pregos da palavra e se procura abri-la à compreensão.
Mais, o "n" não deve ser associado apenas à negação, foi usado na contracção, por exemplo "em o" passou a "no". Assim, o nexo está no exterior, é a nossa construção do exterior, mas é feita de dentro para fora... sob pena de nos colocarmos nós de fora.

Por outro lado, quando temos "nós" e não "nodos", vemos que a raiz indo-europeia passou entre nós mais para "nódoa". Somos nós, mas não estamos atados. A primeira pessoa do plural é nós, mas a primeira pessoa do singular não é nó... isso seria uma nódoa.
A nossa língua é tão primeva que aponta o simples Ó como sinónimo da gravidez (caso das invocações à Nossa Senhora do Ó). O nó do cordão umbilical, fim do Ó, terá sido o primeiro NÓ, e os que tinham esse cordão umbilical atado, saídos do ÓS, eram os NÓS. 
Por isso cada um dos nós ficou solto... mas tem um útero comum - a Terra, que delegou uma parte do crescimento num útero das suas filhas mães, até que estivessem prontos para o universo-terrestre, ou seja um U-Terra, u-tera, utero... E se a Terra armazenou Gigabytes de informação no DNA, acima disso temos os Terabytes - e esses Terra-bytes informativos já não estão no DNA, estão em nós - nos nós saídos dos Ós, que não se fecharam num O e começaram a definir o U pela linguagem. 
As borboletas parece que já sabem disso.

Li Chung
Bom, mas alongo-me sempre.
Voltamos a Li Chung.
Não perdia um episódio... e apesar de já não me lembrar de nenhum, a música de Masuru Sato ainda me tocou, e por isso fica classificada mais pelo lado sonoro.
Também não tinha esquecido as figuras algo atrozes, dos textos antigos chineses, que mostravam temíveis barbudos, vistos na introdução. Lembrei-me disso, pela referência que o José Manuel fez à figura peluda que aparece num prato de D. Manuel, sobre os povos do mundo:
... não sei se o barrete é frígio, ou se tem apenas dois dedos, ou se está a fazer um sinal, hoje muito corrente, e que representa vulgarmente "uns cornos". A existência de homens peludos não é estranha, é muito mais estranho não termos pêlos! Sobre isso já falei, remetendo a possível ligação às ilhas oceânicas. Os haplogrupos parentes do R, ou seja N, O, Q, são mais imberbes que os europeus... o que pode indiciar a tal mistura que se foi dar na Europa.

A história reportada a Li Chung é da Dinastia Song, que tanto passa por ter um florescimento cultural na sua capital Kaifeng, ao longo dos séculos X a XIII, como depois sofre uma degradação acentuada, pelo poder que os funcionários burocratas exerciam localmente, fora do controlo central.
É aí que entra Li Chung e os 108 espíritos rebeldes que vão ficar à margem, na margem do rio Lian Shan Po. A história de "Water Margin" faz parte de 4 contos essenciais da literatura chinesa, mas a série televisiva é de origem nipónica, ainda que filmada na China.

Há um ponto importante, pois podemos ver que esse florescimento da Dinastia Song tem um toque hindú, budista. Mais, atraiu muçulmanos (havia mesquita em Kaifeng) e atraiu judeus (havia sinagoga em Kaifeng). Por isso, muitos séculos antes dos descobrimentos, as comunidades judaicas e muçulmanas iam da China a Portugal. O pretenso afastamento oriente-ocidente não seria mais do que uma imposição que servia intermediários. Apesar do desenvolvimento técnico, nomeadamente em armas de fogo, com a invenção da pólvora, a Dinastia Song é travada pelos burocratas e pelos cavaleiros mongóis de Genghis e Kublai Khan... e é nessa altura que recebe Marco Polo, vindo de Veneza.

O que me interessa mais é que como adolescente me identificava perfeitamente com os heróis de uma cultura estranha, que deixava de ser estranha por essa abertura cultural que se deu nos anos 70. Já não havia índios e cowboys da infância, apenas chineses, mas havia uns maus e outros bons... e nada tinha a ver com a cultura, pois isso eram valores humanos universais. Simples.

Kung Fu
Houve uma abertura a oriente, passavam a ser moda as artes marciais, Bruce Lee foi um ídolo de uma geração, e houve também uma série marcante - Kung Fu.
Kung Fu (com David Carradine) - (Kung Fu Tao)

Em Kung Fu, muitos poderiam fixar-se nas cenas marciais, e certamente esse era um lado popular, mas também alguma sabedoria oriental dos monges de Shaolin ficava ao alcance da população.
Uma filosofia que ao invés de se esconder em intragáveis definições feitas nas universidades ocidentais, procurava despertar questões complexas de forma simples.
Não sei se ficou alguma coisa, mas revendo o vídeo parece-me que sim...

Um último detalhe, e que é importante, quando se começa a prestar atenção aos detalhes da natureza que, conforme é dito pelos monges de Shaolin, exibe harmonia. Quanto mais se entendem as harmonias, os detalhes, tudo começa a parecer relacionar-se... e pode parecer bom conseguir ouvir o inaudível, mas também é bom o silêncio. Por isso, em certas alturas, já tive que ouvir música em línguas desconhecidas, simplesmente porque é preciso desligar as conexões. O simples silêncio não serve porque nos remete aos nossos pensamentos, é mesmo preciso o caos exterior para que se recupere o necessário silêncio interior.

segunda-feira, 10 de março de 2014

Questão do QU

Há um problema de longa data com o C.
CE não é QUE, CI não é QUI.
Pode ser da lua crescente, ou minguante... se mente, mas está presente.
Por herança latina, o Q não aparece isolado, associa-se inevitavelmente ao U.
É esta a Questão do QU.
QU ... ME    (on/off)   CG ... 3W

A razão parece ter-se perdido no tempo... os romanos não usaram o K grego, que afinal não resistiria também ao uso como som "s" em derivados de "kine", como seja cinema ou cinemática (ainda que os ingleses usem o som "k" em kinematics).

Os romanos usavam sempre o Q associado ao U, e assim se manteve em toda a tradição ocidental.
Curiosamente, uma pequena rotação mostra uma ligação a outro par C-G, que deu para muitas variações linguísticas (... por exemplo, entre o Porto Galo e o Porto Calo).

É habitual usar hoje um símbolo "on/off" juntando "OI" denotando a opção:

  • O - zero - desligado (off)
  •  I  - um - ligado (on)

O símbolo "on/off" ficou um "Q" invertido... creio que a opção de não usar o Q normal pode ter sido puritanismo sexual, já que poderia parecer um fálico Ï inserido numa cavidade O
Com os restantes, M e E, ou 3 e W, digamos que a inserção vai mais longe, não deixando nada de fora.

Com ou sem puritanismo, a questão do QU, foi herdada de tempos romanos para a época medieval, e o "Q" é uma letra tipicamente reservada para questões... Quê? Qual? Quem? Quanto? Quando?

Podemos ver que o Q remonta a uma letra fenícia:
Qoph (fenício), Qoppa (grego). 

o Qoph aparece com grafia semelhante a um "phi" grego, e o Qoppa grego acabou abandonado em favor do kappa.

A ligação do Q ao G aparece como notória quando escrevemos caligraficamente em minúsculas as letras "q" e "g", algo que já foi claramente uma herança vinda de tempos medievais. É dito que por vezes se escreveria "eqo" para "ego", mas a regra do "qu" impediria tal tentação redutora:
In the earliest Latin inscriptions, the letters C, K and Q were all used to represent the two sounds /k/ and /ɡ/, which were not differentiated in writing. Of these, Q was used before a rounded vowel (e.g. 〈EQO〉 'ego'), K before /a/, and C elsewhere. Later, the use of C (and its variant G) replaced most usages of K and Q: Q survived only to represent /k/ when immediately followed by a /w/ sound.  
Q" Oxford English Dictionary, 2nd edition (1989) 
Qual o interesse de reportar aqui a questão do QU?
É claro que o assunto por si tem piada, como há muitas coisas que têm piada, e servem para curiosidades jocosas em redes sociais. No entanto, como (quase) tudo o que aqui coloco, o interesse vai muito para além da simples aparência imediata.
Ficou claro que "falo" não apenas na "fala".
Já tinha reportado a questão do "OU", agora reporto a questão do "QU", havendo apenas uma "perninha" I inserida no fecho O, passando a Q.

Poderia resultar tudo de invenção humana, e haveria muito tempo para elaborar perniciosamente tais malabarismos encriptados. Porém, parece-me que não... é muito mais que isso. É muito mais um problema alfaborboleto... O símbolo "on/off" só recentemente apareceu estilisticamente como um "Q" invertido, e se houvesse razões antigas seria natural que tivesse sido assim popularizado antes.

Por outro lado, há efectivamente ligações a palavras e a imagem do Qoppa lembra-nos a taça (copa) e as próprias copas das árvores... tal como o símbolo Qoph pode lembrar a chave de "cofre". Afinal o próprio processo de fecho envolve uma entrada na fechadura, onde se insere a chave, tal como o Q pode ser visto na forma "IO".

Só que, ainda que haja intenção humana na representação consciente, há um arrasto inconsciente que surge das ligações abstractas. Porque o simbolismo de chave e fechadura transcende a mera posse casual. De forma semelhante, há interpretações para além da imagem literal num tronco que ramifica em copa, ou num pé que sustenta o conteúdo da taça. Essas interpretações são, por exemplo, biológicas e estruturais.

Se liguei a questão OU a uma dualidade universo fechado/aberto com solução É, o acento passou aqui para uma entrada no fecho O... e é essa a questão QU. Biologicamente, a evolução foi feita com chaves de DNA, transportadas por cabecinhas espermatozóides, na forma de Q com rabinho nadador. De entre todas as possibilidades, apenas um levava a chave que abria o duro fecho da fechadura, formando o OVO. Até aqui a palavra "ovo" remete à simbologia de junção de dois "o" (poderia ser também "OUO"), um de cada progenitor.

Por outro lado, na imagem do tronco que deriva em copa, encontramos ainda a imagem estrutural de uma árvore que ramifica na sua descendência. Ora, se é do tronco comum da árvore que surgem nos ramos os frutos, semente para nova descendência, também é do tronco fálico que é emitida a semente para a nova descendência.
Com uma diferença considerável... cada árvore é apenas elemento masculino.
Onde está o elemento feminino na reprodução (assexuada) das plantas?
Podemos vê-lo como sendo toda a Terra.
Nesse sentido a Terra é o candidato a enorme útero por onde vagueia o sémen das plantas na Primavera. Ainda neste sentido, a Terra seria ao mesmo tempo mãe e mulher.
Quando a evolução se tornou sexuada definiu o género feminino como útero substituto, e a Terra envolveu-se na reprodução na forma das suas filhas. Primeiro, com os répteis, as filhas mantinham um papel distante, e a grande autonomia do ovo gerado deixava ainda a Terra como grande útero onde os ovos cresciam até à eclosão. A ligação de parantesco nos répteis é praticamente inexistente.
Depois, especialmente com os mamíferos, a Terra simulou um útero interno, deu a cada filha um estatuto de "pequena Terra", criando um laço único de parentesco - a forte ligação mãe-filhos. Nalguns mamíferos e nas aves essa ligação definiu um conceito familiar, extensivo ao elemento masculino.

Essa foi uma diferença brutal... os filhos não nasciam sem passado, passaram a viver com uma ligação ao passado, que cada vez se foi cimentando mais, especialmente com os hominídeos. O conceito familiar terminou com a individualidade, e começou a definir um conceito de grupo.
Esse grupo ligava ao passado, e começando apenas com a família, foi remetendo a uma estrutura mais complicada, que cada vez detinha maior herança do passado, para benefício dos jovens. Esta herança social era substancialmente diferente de outras manifestações - por exemplo, entre abelhas ou formigas, onde cada indivíduo poderia ser visto como uma parte desconexa de um ser maior - todos partilhando o mesmo material biológico.

Porém, ao definir-se esse grupo social, definiu-se uma nova estrutura animal, com aspectos monstruosos.
Quando antes um indivíduo nascia dentro da mesma espécie, estava praticamente dentro de condições semelhantes face aos outros. Porém, quando os grupos se definiram dentro da espécie humana, as condições passaram a poder ser dramaticamente diferentes... como se tratassem de espécies diferentes.
Uma criança escrava nascia como presa, enquanto o filho de um patrício nasceria como predador.

E, no entanto, apesar de tudo isto... a Terra continua a ser mãe das filhas e dos filhos. O útero materno não deixa de ser apenas parte de um útero terrestre muito maior, que define as entidades que aí sobrevivem.
É claro que há a herança reptiliana... a ideia que saímos formados de um ovo que ninguém cuidou, que somos autossuficientes. E por momentos esquecemos que o ar que respiramos é pouco mais que um líquido amniótico que nos mantém vivos dentro do útero terreno.

Por isso, convém não esquecer o significado da taça... e não há aqui nenhuma taça para os reptilianos armados em T-Rex. A taça que existe é formada por uma base sólida onde se sustém a nossa fluidez. O pé dessa taça está preso às raízes terrenas, e convirá não deixar que a fluidez de sonhos pouco consistentes arraste todo o conteúdo para fora dessa base sustentada.

terça-feira, 4 de março de 2014

Pontes de Alma

1) Rio Alma. Alma é um pequeno rio da Crimeia.

2) Batalha de Alma
Se o rio parece pequeno de corpo, ficou grande de Alma pela batalha de 20 de Setembro de 1854, que opôs uma aliança de Ingleses, Franceses e Turcos contra os Russos, na célebre Guerra da Crimeia.
Jacques de St Arnaud morrerá alguns dias depois de ter conseguido esta vitória afrancesada sobre os russos.

3) Ponte de l'Alma
Em comemoração da vitória na Crimeia, Napoleão III inaugurou dois anos depois a Ponte de Alma sobre o Sena, em Paris. 
(foto da antiga ponte, circa 1900)

4) Túnel de l'Alma, 31 de Agosto de 1997... (Death of Diana, Princess of Wales conspiracy theories)
 
Harrods de Londres - Monumentos a Diana Spencer e Dodi Al Fayed. 
Praça de l'Alma 
(tocha da liberdade serve de homenagem a Diana)


5) Almas Mortas 
Lembro-me bem do título deste livro de Gogol, que estava na estante, como tantos outros, que ali ficariam sem ser abertos, e ainda hoje não despertarem a menor das curiosidades. 

6) Dead Souls 
A contrario, foi com alguma facilidade que a voz de Ian Curtis fabricou um mito que ainda resiste
Joy Division - Dead Souls

Someone take these dreams away, 
That point me to another day, 
A duel of personalities, 
That stretch all true realities. 

That keep calling me, 
They keep calling me, 
Keep on calling me, 
They keep calling me. 

Where figures from the past stand tall, 
And mocking voices ring the halls. 
Imperialistic house of prayer, 
Conquistadors who took their share. 

7) Napoleon & Rio Alma
A junção dos nomes Napoleão e Rio Alma, não ocorreu apenas numa batalha com milhares de mortos na Crimeia... fortuitamente aparece ligada a uma estátua nas Filipinas.
Magdangal : poema de Rio Alma e escultura de Napoleon Abueva 

8) Alma e Maçã
Pode ler-se na página da wikipedia:
Alma is the Crimean Tatar word for an "apple". 

Tartária, já se sabe, foi um nome que chegou a servir para toda a região siberiana... identificando os territórios desde a Crimeia (chamada "Pequena Tartária") até às paragens mongóis da mítica Cataio, confundida ou não com a China. Tudo isso seria a Grande Tartária, chamado mesmo Império. 
De alguma forma, perdeu-se muito do registo de uma cultura que se equivaleria ao Império Russo, e que foi depois substituído na sua extensão por este mesmo. Quase que ficaram apenas expressões como "molho tártaro", "bife tártaro", etc...

9) Crimeia e Big Apple 
Foi na Crimeia que se realizou a conferência que decidiu o modelo de governação global após a Segunda Guerra, através do Conselho de Segurança das Nações Unidas. Cada uma das potências vencedoras teria o seu direito de veto na Big Apple, Nova Iorque, sede da ONU. 
O próprio destino dos tártaros da Crimeia ficaria ali decidido, forçado a uma migração para o Uzbequistão, acusados por Estaline de terem apoiado a invasão alemã.
Conferência de Yalta na Crimeia

10) Caronte, Aqueronte, Almas e Tártaros
Aqueronte era um afluente do rio Estige em que o barqueiro Caronte levava as Almas para o Tártaro - o inferno na mitologia grega.
Caronte leva as Almas para o Tártaro.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Levitar sonoro

Num vídeo que chegou à caixa de comentários do blog alvor-silves, de uma conferência de Michael Tellinger, acerca de estruturas na África do Sul:

... começa por falar-se do som e de algumas propriedades.

1) É colocada a questão de ultrassons permitirem aquecer água... 
Qual é a novidade?
Há certas coisas que me espantam sempre, e uma delas é não se fazer uma simples consulta à internet.
Antigamente poderia aceitar-se alguma falta de informação, mas com o Google, Wikipedia, Youtube, houve milhares e milhares de pessoas que colmataram voluntariamente essa falta informativa. 
Há quem insista em não pesquisar... tudo bem, pode não ser fácil sempre, nem sempre as palavras chave funcionam. Mas vejamos este caso, que já conhecia. 
Tentamos "Ultrasound heating", o tema em questão, e zás:
onde se lê:
The first large scale application of ultrasound was around World War II. Sonar systems were being built and used to navigate submarines. It was realized that the high intensity ultrasound waves that they were using were heating and killing fish. This led to research in tissue heating and healing effects. Since the 1940s, ultrasound has been used by physical and occupational therapists for therapeutic effects.
Portanto, de facto, desde 1940 que se sabe que os ultrassons permitem aquecer água... não há nenhum conhecimento secreto. Pelo contrário, há terapias a serem desenvolvidas, usando o aquecimento dos ultrassons, e aplicam-se na próstata e outros tumores.
Por isso, estas coisas deixam-me espantado pelo orador e a passividade da assistência.
Tudo o resto vai do estilo conferência TED "bate-punho", até chegar ao lado místico, para apimentar.
Este é só um exemplo, que até é razoável até certa altura... depois perde-se a paciência!
Há tópicos que chamam a atenção... Atlântida, Pirâmides, Maias, Incas, Stonehenge, etc. junta-se tudo com ETs, Anunaki, etc., e temos 90% dos vídeos deste género no youtube.

Temos vantagens e desvantagens nisto. As vantagens são que no meio de tanta desinformação acaba por haver informação relevante, mesmo. As desvantagens é que a maioria das pessoas não conseguirá distinguir o trigo do joio... Isso também se passa comigo, como é óbvio, mas por isso mesmo é importante partilhar e trocar opiniões e informações.

2) Outra questão diferente, e esta é mais pertinente, é a da levitação por ultrassons.
Felizmente aqui o orador fez pesquisa no Youtube e partilha um vídeo ilustrativo, mas há muito outros, com experiências reais em laboratório. Deixo aqui mais um:

E neste assunto, faz todo o sentido a associação a velho conhecimento.
Temos um exemplo rudimentar com uma tigela tibetana:
... não será muito espectacular, mas dá para ver que a ideia estava presente no Tibete, um sítio aliás bem popularizado pela "levitação". Talvez não chegasse ao ponto de levantar monges, mas talvez fosse suficientemente impressionante para criar esse mito.

Portanto, mesmo no meio de uma conferência especulativa, acabamos por ser alertados para ideias a que não tínhamos dado relevo... seja porque fazem parte do discurso, seja porque o discurso nos levou a pensar nelas. A informação tem esse aspecto sugestivo, que não é menos importante.

Soar e suar
Não suava quem soava bem... o aspecto do trabalho físico versus intelectual esteve sempre em causa - uns soavam ordens e os outros suavam trabalhos, nem sempre suaves, nem sempre na sua vez.
O soar chega a confundir-se com o ser, quando soo que sou.
O som passou a ser o meio de comunicação privilegiado por uma boa parte dos animais, em particular mamíferos e aves.
Para vós, a voz, o vocal. No bucal estava a foz de um sopro de cordas, onde a língua servia uma língua, e no agir, uma linguagem inspirada no acordo fonético. Esse acordo serviria a ligação social.

O som permitiu a arte, mas é pura matemática... uma expressão em que se nota como a simplicidade da base pode levar a uma enorme complexidade no resultado. Com apenas sete notas musicais se escreveram partituras que nos tocaram desde os tempos mais infantis...

O que se ouve dessa criança passada que fez sonhos? - Dó de ser ré de mim, que faz sol lá em si, dó se o acordo desperta dor.

domingo, 1 de dezembro de 2013

Nebulosidades auditivas (5)

Em português fado é destino. Destino é para onde vamos.
Sempre achei que ao fado faltava alguma melodia e ritmo, um bater, um bateria que não bate em ninguém.
Essa bateria está bem presente no tema Gaivota, dos Amália Hoje, projecto de Nuno Gonçalves, dos "the Gift". E há coincidências que parecem presentes, neste caso de Alcobaça... e não de Tróia!
Cada qual pinta o mundo com as suas cores, com as suas dores. Porém há também as dores alheias, e se conto um conto de uma forma, mais objectiva, posso contá-lo também de forma mais pessoal. Cada pessoa tem uma mensagem, e a partilha não é posse, é dar... para receber, quem quiser.
Podemos entender ofertas que façam sentido.

Gaia vota.
Chegados ao fundo de nós, até onde mais não conseguimos ir, depois de olhar para dentro, olhemos para fora, e vejamos tudo o que ficou de fora do conjunto de nós, da corda. Onde uns vêm dragões, monstros, máquinas, vejamos o coração que bate. Avancemos para o desconhecido com a confiança dos navegadores que ousaram conhecer para além de si, e assim nos ajudaram na navegação para o interior de nós. É esse o nosso fado, e confiemos o nosso coração, um bater que nunca foi nosso... e nem vale a pena rebater.
Não é ser nacionalista dizer "Por ti Gaia", pois também foi-se bastião de "por ti cale", de um calar encoberto, em nome de uma gaivota que nos guardou as memórias. Por isso, Gaia vota, e Gaia volta e revolta, mas num sentido de novas voltas, do bater do tempo que é o bater do nosso coração, é a corda do acordo, onde os nós somos nós.
E eu não me canso de ouvir a canção... cada qual tem as suas canções e os seus cansões.

Mais do que uma pátria, que se quis formada do nada, há toda uma história mátria que não é para o oculto, nem para o culto privado, porque só esconde o passado quem teme o futuro. E os medos não devem privar-nos do futuro, remetidos a um passado de ilusão... que poderia até ter o acordo de todos nós, mas não há nós sem corda... uma corda que os liga, um "acorda" que a nós liga. A corda para a vida!

Seria de dizer - à mátria, Gaia, aMai-a hoje.
Ao jeito de pronúncia japonesa em Amália, também podemos ver Amaria, tudo depende do rosto que nos for oferecido ver, sem nunca negar os nossos dois olhos. Tudo o resto são intérpretes das interpretações, que se alimentam de egos e cegos medos inibidores.
É um concordo, com coração, corda maior que o fio do confio.
Amália Hoje - A Gaivota.

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Chorar ao "Rir a bandeiras despregadas"

"Rir a bandeiras despregadas"... é daquelas expressões algo estranhas, mas que se implantou na língua portuguesa. Se olharmos por exemplo para a explicação constante de ciberduvidas:

«É fácil compreender que as bandeiras podem estar atadas antes dos dias festivos para não se rasgarem. Chegado o dia marcado para a festa, as bandeiras são desatadas para serem agitadas pelo vento.»

Acresce noutros casos a referência de que as tropas vitoriosas regressavam de combate com as bandeiras despregadas.

Será isto?
Pois, parece bem que não. Não tem a ver com algo tão literal.
Na página 304 do Volume 8 do "Instituto", de 1860, no meio de um apontamento sobre galicismos, podemos ler:
______________________________
A BANDEIRAS DESPREGADASbonieres deployées). E phrase que não temos, e que nunca será usada por homem instruído na lingua portugueza.
Rir a bandeiras despregadas; rir muito, perdidamente, loucamente, as gargalhadas. ______________________________

Bom, o que se passa então?
Do que se entende, e li algo adicional sobre isto, mas não encontro a referência, o uso da expressão francesa no início do Séc. XIX provavelmente caiu no ridículo cortesão...

Porquê? Porque aparentemente as tropas portuguesas nunca despregavam as bandeiras (ou nunca se consideravam vencedoras), como faziam os outros, e daí ser dito que ninguém instruído deveria referir-se "a bandeiras despregadas".
A corte lisboeta deveria entreter-se e delirar com os mínimos deslizes de ignorância da plebe mais atrevida, porém ignorante dos códigos e diabruras infantis dos cortesãos. 
Assim, parece ter sido instituído o rir à expressão "a bandeiras despregadas"... e o riso pelos vistos foi tanto, que dá para ver o nível de maturidade mental subjacente.
Terá mudado alguma coisa?... Duvido!
Na literatura do Séc. XIX a expressão remeteria muitas vezes a um riso trocista sobre alguma ignorância alheia. Porém, depois, ao entrar na gíria popular ficou apenas como alusão a riso incontrolado.

Seria até natural que este texto desse para rir a bandeiras despregadas, pois sem referencial digno, tudo passa por atestado engano, e assim se engana quem quer ser enganado.  
Porém, dado o contexto, é mais natural chorar ao "rir a bandeiras despregadas", e percebe-se porque às vezes chorar de tanto rir é um claro sinal de que se ri demais, e foram dados claros sinais para chorar. 

sábado, 10 de agosto de 2013

Ante-revolução

O prefixo "anti" serve normalmente para designar oposição, "antagonismo". 
De forma semelhante, "ant" é também usado para designar o que é antigo... usamo-lo na palavra "antes",  "anterior", mas também na palavra "anta", e em muitos outros exemplos.
Normalmente, não damos muito relevo a eventuais significados na análise da língua, mas estão presentes em muitos e variados exemplos.
O prefixo "pre" também invoca um momento anterior, tal como "prever" será sinónimo de "antever", remetendo ambas para um "ver antes".
Este prefixo "pre" está ligado ao prefixo "re", passando à forma repetitiva. A palavra "ré" significa, por si só, uma parte traseira. No entanto, é como se o tempo tivesse decorrido, e há um voltar atrás, um "recuar". 
Quando escrevemos "prever" é diferente de "rever", porque no primeiro caso envolve uma "pre-visão" que fazemos, antes da ocorrência, e no segundo caso trata-se de uma "re-visão" do ocorrido.

Os anos são revoluções da Terra.
O termo astronómico "revolução" mantém o significado original - um regresso ao ponto de partida.
O termo social "revolução" perdeu esse significado, pelo menos na sua generalização popular.
No fim da evolução do ano, a Terra volta à mesma posição, e portanto as "primaveras", simbolizadas por movimentos sociais revolucionários, acabam por ser regressos a um ponto de partida. O movimento nasce numa primavera, com a promessa de um verão... "verão justiça", "verão liberdade", "verão igualdade", "verão que será tudo bom, etc.". 
Segue-se o outono em que as folhas onde foram escritas essas promessas caem por terra. Pelo que, prestes a cumprir-se o ciclo anual, vem a parte mais dolorosa dos anais, onde surge o frio do inverno, que parece um inferno. O inverno é "in"-"entre", "verno"-"povo, servos, escravos". E será essa massa que morre para renascer noutra forma, noutra "prima-vera", noutra "primeira verdade", que dará um novo "verão"...

A primavera surge assim para milhões de criaturas como a primeira, porque nunca conheceram outra... é assim que funciona a revolução terrestre, a repetição funciona como uma primeira vez, quando perdida, ou  está ausente a memória.

Encontrei uma gravura antiga, sobre as ruínas de Persépolis, que carrega um significado e beleza na pose dos leões... passeando sobre ruínas de uma civilização que tanto os caçava, como venerava.
Uma irónica visita de leões às ruínas de Persépolis (autor desconhecido)

A repetição é a força mais poderosa nos mecanismos universais... é de certa forma "a ordem por detrás do caos". Foi na repetição da revolução terrestre que se estabeleceram alguns mecanismos naturais... as plantas e animais aguardam as primaveras para induzirem nova repetição de processos de reprodução. 
E, afinal, a descendência dos seres pouco mais parece ser que uma repetição de si próprios. 
No entanto, esta repetição dá-se a diversos níveis. 
Há repetições atómicas, microscópicas, que decorrem a um nível temporal ínfimo, e depois há repetições que se manifestam mais demoradamente, como no caso da revolução terrestre. Individualmente, cada processo não parece passar de repetição... mas as ligeiras diferenças acabam por fazer toda a diferença.

No texto Abraçadabra, lembrámos a citação do filme de Visconti: 
Para que tudo permaneça igual, é preciso que tudo mude...

Porém, nem tudo permanece igual, e ao fim das mudanças necessárias, a vida unicelular de bactérias levou a complexos seres... a plantas, a animais, ao domínio de grandes bestas, e até ao aparecimento humano.

É natural questionar a violência de todo o processo evolutivo, assim como é comum assumir natural a repetição do ciclo revolutivo. Um não se desliga do outro... há uma repetição que encaramos como ordem, mas depois há pequenas mudanças, fruto do "caos", que subvertendo a ordem acabam por trazer novidade à velha ordem.

Monte Semeru (ou Sumero), na Indonésia

A referência ao monte Semeru na Indonésia, é uma ilustração do monte Sumero, o monte central do universo na cosmologia budista.
Notamos aqui a entrada do prefixo "Su" para qualificativo superior do monte Mero pré-existente na cosmologia hindú. Esse mesmo "su" está também no prefixo de "sufixo", apontando para o posterior, ou topo, como na palavra "sumo", ou "superior", e no prefixo "sup" (e em "sub" por inversão).
Há um outro prefixo "Pos", que aponta também para o "após", até porque é habitual ver como "pós", ou como "pó", o que restará após a morte. Curiosamente, pó ou cinzas, remeteriam para um culto de cremação dos corpos em piras funerárias. Por outro lado, a palavra "funeral" remete-nos para um prefixo "fun" que está presente no "fundo", como num ritual de enterramento.
Não é fácil perceber se há apenas uma coincidência entre "Sumero" e "Sumério", já que se os sumérios seriam muito anteriores aos budistas, seriam posteriores aos hindús.

Estes são apenas alguns exemplos, a propósito da palavra "revolução" e algumas outras. O prefixo "pro" tem também um significado direccional, algo oposto a "pre". Na antevisão, o "pró" aparece como razão favorável, enquanto o "pré" aparece em contraponto, como requisito. No português, ter o "pró" como contracção de "para o", é significativo, e deve dar o mesmo sentido ao prefixo "prá". Curiosamente, indo ainda pelas contracções "pó" e "pá", remete-se ao destino no pó da cinza ou na pá da terra...
Ao contrário de "ré", sozinho o prefixo "ró" não tem uso aparente, mas "roda" ou "rolar", digamos que rolam nesse sentido de direcção natural.
Podemos ainda reparar que em "revolta" há a junção de "re" com "volta", onde o prefixo "vol" representa normalmente o regresso, como em "volver" ou "voltar", num rodar de 180º, face à direcção seguida. Assim, quando escrevemos "revolver" indicia essa acção de ir repetidamente num sentido e no oposto, remexendo para ver. Quando escrevemos "revoltar" deve pois significar uma acção que mistura direcções opostas, agora um remexer para estar...

Ao escrever, é fácil lembrar outras palavras, e uma delas é "escrever".
A "cré", uma espécie de gesso, era usada para escrever. É natural que o verbo "crer" se possa remeter à "cré", ao que estava escrito, que tinha "crédito"... e era assim mais fiável. Como registo, remete a um passado, e o "ré" de anterior, é apropriado. Portanto, o "cre" em "escrever" pode remeter a ver o escrito nessa "cré". Pode argumentar-se que há outros contra-exemplos "cretinos"... mas uma coisa não tem a ver com a outra, podem ter origem importada, ou aparecerem em interpretação... um "crescer" pode ser foneticamente um "crê ser", onde o "cre" surge já na interpretação do acreditar.

São vários os prefixos que se associam facilmente às proposições, como o "com", "de", "em", etc... por exemplo em "concorrer", "decorrer", "incorrer" (o "em" passa frequentemente a "in").
Assim, o "com", "con" ou "co" remete para uma companhia, um conjunto (o concorrer será entrar no conjunto da corrida), enquanto o "de" remete para uma pertença (o decorrer será estar dentro da corrida), e o "em" remete para uma entrada (o incorrer será entrar na corrida).
Por outro lado, o prefixo "des" significa uma oposição, papel que é desempenhado também pela proposição "a" (mas nem sempre...). Aqui, as formas "discorrer" ou "acorrer" não significam a priori uma oposição à corrida. O "acorrer" remete simplesmente a um ir "a correr" (tal como "socorrer", com o "su" superlativo), enquanto que o "discorrer" pode significar a oposição, no sentido em que se percebe o significado da corrida.
O som "des" significar cancelamento não deixa de levar ao carácter decimal da numeração, já que chegados a "dez" acabariam os dedos... de forma semelhante o prefixo "sim" ligaria ao cinco, pelo lado afirmativo. Uma "mão cheia", ou um "dá cá mais cinco"... apontam nesse sentido de positividade para o cinco.
As duas mãos abertas são ainda hoje um símbolo de paragem, como um certo "já chega".

Nas pinturas primitivas quando aparece uma só mão, poderia significar mais do que uma assinatura, mas sim uma concordância... enquanto que duas mãos poderiam significar um registo de oposição. Isto dependeria obviamente dos códigos, mas será instrutivo não tomar apenas as mãos como simples assinaturas...

Cave de las manos (Argentina, circa 10 000 a.C.)
As mãos presentes nas cavernas podem não significar meras assinaturas do passado...
... podem remeter para uma contagem de posições (as mãos a branco num sentido, a preto noutro)

Há aliás uma característica numérica nas línguas indo-europeias, que é conhecida... o "nove" parece ser sempre próximo de "novo" (neuf-neuf, neun-neu, ...), tal como "noite" estar foneticamente próxima de "oito" (nuit-huit, nacht-acht, ...).
As outras etimologias que estive a referir é claro que se adaptam especialmente ao português... e pouco interessa se batem certo ou não com alguma etimologia do latim, porque o assunto ultrapassa as formatações que se pretenderam fazer - interessa o que resultou do intencional e não intencional.

sábado, 15 de junho de 2013

Bisnau

Já tinha abordado a questão da Santa Cláusula e a possível ligação de São Nicolau à Cláusula da Trindade Cristã, pela sua oposição às teses Arianas (de Arius de Alexandria).  Esta Santa Clause defendia justamente uma identificação cristã Pai-Filho, ou seja que o nascimento cristão seria do Filho mas também, pela identificação, do Pai, ou seja um Pai Natal.

Em paragens arianas, na Índia, encontramos um outro elemento interessante.
Há uma filosofia religiosa fundada em 1485, conhecida como Bisnau, fundada pelo guru Jambheshwar, após as guerras dos muçulmanos com hindús. Este guru terá sido contemporâneo com a chegada dos portugueses à Índia.

guru Jambheshwar (1451-1536)

Os seguidores desta filosofia religiosa Bisnau seguiam 29 princípios, seleccionados do Hinduísmo, denotando um carácter monoteísta (centrado em Vixnu), e também uma protecção ambiental que foi levada ao limite.

Massacre do Corte das Árvores (Khejarli, 1730)
Em 1730, colocou-se a perspectiva de, para a construção de um palácio no Rajastão, serem cortadas árvores khejri (Prosopis), tidas como sagradas pela comunidade Bisnau. 
Muitos elementos Bisnau decidiram agarrar-se a elas para impedir o corte.
Porém isso não impediu a determinação dos executores, e conjuntamente com as árvores foram cortadas as vidas de 363 mártires.

A protecção das árvores no Massacre de Khejarli, 1730

Árvore de Natal
Não deixa de ser irónico ter a figura do Guru Jambheshwar tão semelhante à figura popularizada do Pai Natal.... porque, nessas celebrações cortam-se Árvores de Natal em todo o Mundo, exactamente o oposto do que professava. Parece uma ironia algo sádica para as vítimas do Massacre de Khejarli.

No entanto, a tradição da Árvore de Natal acabou por se estabelecer no mundo protestante, especialmente no Séc. XVIII e XIX, ao contrário do que se fazia no mundo católico, onde o Presépio foi mantendo o seu lugar. A figura que conhecemos do Pai Natal, com as suas longas barbas brancas, as suas vestes vermelhas, que incluem o gorro vermelho, essa parece ser mais recente. Tem até constado ter sido manobra publicitária da Coca-Cola, para promover as suas cores... 

Não podemos deixar de reparar na semelhança e ligação.
O aspecto de devoção, e até um fio de contas que se assemelha a um terço, podia melhor integrar-se numa figura católica do que o habitual ar bonacheirão. Se o nome terço se liga à trindade, há ainda todo um aspecto de renascimento integrado. No caso da filosofia hindú remeteria para o renascimento noutras formas de vida, que a seita Bisnau procuraria proteger a todo o custo. Foi considerado também que esta filosofia de renascimento derivaria da expansão que a filosofia pitagórica tomou em diversas partes do globo.

Pássaro Bisnau
No século XIX era habitual usar-se a expressão "pássaro Bisnau", e não encontrei nenhuma ligação à seita Bisnau. 
Não sei se poderia retirar-se de uma alusão a "passar o Bisnau", pela forma como foram passadas a machado as dificuldades com as árvores do Bisnau. Tem a conotação de um "pássaro bisnau" ser alguém que está em controlo, que do exterior pode provocar discórdias por artimanhas. Pode sugerir que a discórdia lançada no Rajastão era motivada por asas externas, pelas Companhias das Índias que depois iniciariam a colonização com a derrota do nababo bengalês na batalha de Plassey, em 1757.

Rafael Bordalo Pinheiro numa ilustração do seu periódico "António Maria", em 1884, colocava alguns "pássaros bisnau" ingleses, pousando sobre a "árvore da liberdade, do civismo e alimentação". Portugal, na sua perspectiva, estaria em harmonia com um Zé Povinho servindo com prazer a refeição aos detentores do poder (excepto um "empossado" colocado à margem). Passados menos de dois anos, os ingleses iriam borrifar-se noutra mesa, na que tinha o mapa Cor-de-Rosa.

sábado, 18 de junho de 2011

La Palisse, Roma e Pavia, verdadeira mente

Verdadeiramente, a mente mente...

Vulcano e Poseidon
Há mais de um ano, em Abril de 2010, aquando da erupção de um vulcão islandês que decidiu irromper no momento da divulgação interna do Truth Report sobre a crise financeira, entrei num interessante diálogo no blog arrastão
A referida erupção surgia depois de um início de 2010 especialmente conturbado, marcado pelo mais devastador resultado de um terramoto sem maremoto, em Port-au-Prince. Há quem ache natural reportar-se a morte de mais de 200 mil pessoas no Haiti, por via de um sismo de amplitude 7.1 na escala de Richter. Devemos lembrar que o terramoto na Indonésia, em Aceh, teve amplitude 9, ou seja foi 100 vezes superior, e o número semelhante de vítimas deveu-se ao maremoto que se estendeu por uma larga área no Índico, abrangendo vários países. Sobre o evento já falei no artigo sobre a derrota da Hispaniola, e de forma alegórica num post da altura... porque nem sempre é fácil escrever explicitamente, quando a "situação é explosiva", e o "mundo muda de 15 em 15 dias", usando as oficiais frases governamentais da época.
Os poucos que seguiram o blog alvorsilves, desde o início, perceberão melhor do que falo...

Em 12 de Abril de 2010 era lançado na Islândia o Truth Report, conforme ainda fui encontrar nesta notícia do Telegraph, e a situação ficava mais explosiva para o primeiro-ministro islandês (actualmente a ser julgado). Acumulando a essa situação explosiva, o vulcão entra em erupção e em 14 de Abril passa a ser notícia a proibição de vôos.

 
Protestos populares na residência do Primeiro-Ministro Islandês
e primeiras imagens do vulcão Eyjafjallajökull, de onde saía fumo branco, ou negro?

Sob o ponto vista noticioso a actividade vulcânica do Eyjafjallajökull ocultou o Truth Report islandês. 
Se mal se ouvia falar da Islândia, o Truth Report poderia ter provocado uma explosiva situação espalhando cinzas sobre a Europa, porém no espaço de dois dias passou a ser o vulcão a fazê-lo. Dir-se-à que milhares de pessoas fizeram esta associação sobre o vulcão financeiro, mas não... A situação é ainda mais engraçada, pois no dia da publicação do relatório tinha terminado a erupção doutro vulcão, conforme se pode ler no Iceland Review no dia seguinte (15/04/2010):
Iceland is a strange place. When the “truth report” came out last Monday, the eruption on Fimmvörduháls stopped. To give the citizens some time and space to read it. Two days later, yesterday, another volcanic eruption started. Just a few kilometers away from the first one, at the top of Eyjafjallajökull glacier. A much more powerful eruption. Are the old gods angry?
Não seriam os velhos deuses, sobre esses temeu-se a explosão do Katla, durante dias... Mas, para a pequena intensidade do Eyjafjallajökull seriam mais os semideuses financeiros que elevavam essas cinzas até à estratosfera para depois as deixarem cair sobre a Europa. Tal como a roupa do imperador, as cinzas eram invisíveis... e as vozes de crianças a denunciá-lo estavam abafadas. 

A mente mente, porque a aceitação de informação é condicionada na educação. Ninguém é educado para ler notícias de forma alegórica... e por isso, às vezes, as notícias mais estrombólicas têm informação invisível para a esmagadora maioria do povo.

Foi nesse contexto de colisão de mentes, que fiz nesse blog o papel de criança que denuncia a nudez do império... só que nesta história, a voz criança é abafada na multidão. À excepção de um comentador (cafc), a boa educação dos restantes viu a denúncia das imagens vulcânicas islandesas como uma alucinação isolada de um qualquer maluco.


Mente
O assunto seguiu para uma observação peculiar, que deveria ser notada largamente, mas sobre a qual nada é dito. Os advérbios que terminam em mente, de mentir!
Será caso único? Não é!
Nas diversas línguas (interessa a fonética):
  • Português, Espanhol, Italiano: Advérbio +mente, Verbo = mentir(e), mente (3ª pessoa)
  • Francês: Advérbio +ment, Verbo - mentir, ment (3ª pessoa)
  • Inglês: Advérbio +ly, Verbo - lie/ly 
  • Alemão: Advérbio +lich, Verbo - liegen, liegt (3ª pessoa)
Isto acontece casualmente ou o casual mente?
A origem não é o Império Romano, pois a declinação "+mente" não se encontra no Latim, podendo ser até variável do caso.
Na altura em que coloquei o tema invoquei a sua aplicação nacional pela Lei Mental... a tal que D. João I tinha na sua mente, mas apenas invocando a semelhança do nome, e pela estorieta de estar na "mente" do rei, contudo convém notar que nas obras transcritas de Fernão Lopes já aparece a declinação "+mente" nesses advérbios.

Portanto, a origem desta declinação no mente de mentir parece ser anterior, medieval, mas foi aplicada de forma quase uniforme, ou uniformemente, em línguas cuja raiz era diferente. Como se tivesse havido uma ordem emitida aplicada às várias línguas... ou como se as línguas tivessem sido construídas deixando esse artifício identificador. A hipótese de línguas construídas na Idade Média não é assim tão estranha, já que houve certamente algum processo orientador a nível gramatical. O mais estranho é a declinação "+mente" já que associa duas sílabas tornando esses advérbios as nossas mais longas palavras... nota-se que houve algo propositado, que dá um significado diferente a verdadeiramente e à verdadeira mente.

Para além disso, usamos "Mente" para nos referirmos ao nosso raciocínio, e os ingleses apesar de mais cautelosos usam "Mind" que pode ter um sentido de aviso ou de importância.
A mente acidentalmente revela-nos que o acidental mente.


Roma e Pavia
O assunto deste post seria sobre Roma e Pavia, que "não se fizeram num dia"...
Como é claro, não se pretendia invocar nenhum processo construtivo feito com "paciência de chinês", mas apenas procurar a origem desta expressão, que já é mencionada (pelo menos) no início do Séc. XIX. É claro, pode invocar-se o acidente fonético de "Pavia" rimar com "dia"... mas haveria outras possibilidades fonéticas, sem que se pense que pode haver outra razão mais pertinente.

Na Storia delle Rivoluzioni d'Italia (vol. I) de Giuseppe Ferrari, relacionam-se as duas cidades com a intervenção de Belisário:
Forse a caso sarebbe il Pontefice atterrito e supplicherebbe l'imperatore di tutelare Roma, di proteggere la legge e la fede dei romani, di continuare la guerra di Belisario contro gli ariani di Pavia? Poteva forse darsi una tregua tra Roma e Pavia, tra le due Italie? La guerra doveva durare ed essere più forte, più vasta che l'Italia stessa perchè il cattolicismo interessava la metà del mondo alla causa di Roma, ed anche i Longobardi potevano trascinare nella lotta i loro federati.
Belisario, representação no Palazzo Beneventano, Siracusa

Ou seja, fala-se da invasão bizantina que Justiniano levou a Itália através do seu general Belisário, e mais concretamente fica claro que foi no sentido de resolver o problema Ariano... e insistimos que o Arianismo nada tem a ver com o conceito racial espalhado no Séc. XX, mas tão somente com a teologia monofisista de Arius de Alexandria, que tinha sido adoptada pelos godos, neste caso os Longobardos. De um lado, uma Pisa ariana e do outro lado uma Roma católica... 

Este problema foi ainda mais notório na forma como Belisário, chamado a Bizâncio, resolveu o problema da Revolta de Nika, que pode ser interpretada num conflito de cores partidárias, e na própria elevação de São Nicolau. Este conflito não teve apenas episódio... e passamos a uma verdade de La Palisse!


La Palisse
A expressão verdade de La Palisse tem um significado curioso, já que não remete ao general Jacques de La Palisse, mas sim à deturpação de uma canção em sua homenagem.
A deturpação é reveladora! O verso em francês, cantado postumamente pelos seus soldados, dizia:
S'il n'était pas mort il ferait envie
Porém, quem ler textos antigos percebe  rapidamente que havia uma grafia semelhante entre o S e o F... mais um foco para muitas confusões! A lenda sinaliza bem essa confusão... do verso "se não estivesse morto faria inveja" passamos para "se não estivesse morto estaria vivo":
S'il n'était pas mort il serait en vie
bastando retirar o tracinho do f  e separando "envie" em "en vie", tal como verdadeiramente pode ficar verdadeira mente. A verdade de La Palisse mostra muito mais como uma minúscula alteração de textos pode mudar por completo o seu significado original!

Para além desta relação, o que tem de especial La Palisse, para ainda relacionarmos com Roma e Pavia?
Ora, justamente La Palisse, reconhecido pelas múltiplas vitórias, vai morrer em 1523 na Batalha de Pavia... que opôs o exército francês de Francisco I contra o Sacro-Império Romano dos Habsburgos de Carlos V, algo que pode ser enquadrado numa reedição nas cores do velho confronto de Belisário.
Batalha de Pavia em 1523 (tapetes de Pavia)

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Cydonia & Sidonia

Habitualmente o nome Sídon, referente à antiga cidade Fenícia, perdeu a sua ligação à designação que era comum na Hispania.
 Sídon era conhecida como Sidónia.
Aliás compreende-se que a terminação fonética própria das línguas hispânicas levasse a essa alteração.

Ao mesmo tempo, existiu uma cidade em Creta denominada Cydonia, associada à actual Chania. Teria sido fundada por um rei Cydon lendariamente filho de Hermes e de uma filha do rei Minos.
É claro que escrever Cydon ou Sidon faz toda a diferença, ainda que foneticamente sejam equivalentes.

Johannes Carion refere que os Fenícios, vindos da Síria a Espanha, em busca de ouro e metais, teriam edificado no ano de 815 a.C. a cidade de Sidonia, no interior (... entre Cadiz e Granada). Fala ainda da vinda de Nabucodonosor, e de que depois disso os Turdetanos andaluzes ter-se-iam revoltado contra os Fenícios, tendo destruído a Sidonia espanhola.

Parece agora evidente que o nome Medina-Sidonia, usado pelos duques espanhóis da Andaluzia ligava essa herança antiga de uma Sidónia desaparecida. Quanto ao nome Medina, significando cidade em árabe, denota a influência prolongada do controlo islâmico na Andaluzia.

É especialmente curioso notar que Tiro teria sido formada por colonos vindos de uma Sidonia mais antiga... teria sido viagem curta para cidades situadas a 30 quilómetros. Aliás, em Sídon são visíveis ruínas do tempo das Cruzadas, mas não anteriores.
Não será pois de excluir que a mais antiga Cydonia cretense, cujo nome é ainda usado para a deusa Atena, estivesse numa eventual origem mais antiga de Tiro, que depois migraria de regresso à Hispânia.

Sobre Tiro, há uma curiosa suspeita sobre a Pedra da Gávea, no Rio de Janeiro - um impressionante morro carioca:
Pedra da Gávea (ver)

A suspeita diz respeito a uma possível presença fenícia, atestada pela interpretação de eventuais inscrições numa das faces da rocha:



possível inscrição na pedra da Gávea (ver)

A inscrição referia-se então a Bazedir, filho de Jetubal, de Tiro, na Fenícia... o que baterá certo com outros registos do séc IX a.C.

De Tiro até ao Brasil, não é nenhuma viagem impossível de fazer para marinheiros fenícios... só as concepções de limitações posteriores é que tornaram tais viagens como irrealizáveis na concepção medieval e moderna.

Para terminar, e apenas por acidente de percurso... alguém se lembrou de chamar Cydonia à zona de Marte onde foi descoberta a chamada "face":
É perfeitamente claro que as sombras podem ter levado a uma ilusão óptica, que entretanto foi esclarecida com novas imagens... imagens essas que, se retiraram o acidente facial, deixaram mais claro um acidente natural da formação parecer um escudo.
Mas as formações na Cydonia marciana não se resumem a essa face mais conhecida, toda a região aparenta ter outras formas piramidais que têm suscitado diversas suspeitas:


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Cabeza y cola del dragon

Segundo o Diccionario nuevo y completo de las lenguas española é inglesa... (Madrid, 1797)
Dragon's head and tail : The two nodes of the moon. Cabeza y cola del dragon, los dos nodos de la luna, ó los puntos de la interseccion de la orbita de la luna con la eclíptica. (pag. 368)


Os dois nodos correspondem à intersecção da órbita lunar com a eclíptica (o aparente percurso solar no céu, que tem 23º inclinação face ao equador celeste), e por isso são os pontos de referência para eclipses lunares. Na astronomia antiga, astrologia, de influência chinesa, persa ou indiana, a cabeça do dragão (nodo ascendente) era representada a engolir o sol (no caso de lua nova, em caso de lua cheia o eclipse será lunar e não solar). Há um período de 18.6 anos associado à repetição da posição dos nodos.
cf. circa71 - conto chinês sobre eclipse em 2316 a.C. dragão verde tenta engolir o sol. 

A referência ao nome Cola do Dragão, em mapas antigos, onde também aparecia muitas vezes a eclíptica (como é o caso da esfera armilar adoptada no final do séc. XV), onde a Cauda Draconis representava o Sul (e a Caput Draconis , o Norte), pode ainda ser uma justificação adicional para o nome visto nesse mapa antigo que o Infante D. Pedro teria oferecido ao irmão, Infante D. Henrique.