Mostrar mensagens com a etiqueta Vulcano. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Vulcano. Mostrar todas as mensagens

sábado, 15 de junho de 2013

Bisnau

Já tinha abordado a questão da Santa Cláusula e a possível ligação de São Nicolau à Cláusula da Trindade Cristã, pela sua oposição às teses Arianas (de Arius de Alexandria).  Esta Santa Clause defendia justamente uma identificação cristã Pai-Filho, ou seja que o nascimento cristão seria do Filho mas também, pela identificação, do Pai, ou seja um Pai Natal.

Em paragens arianas, na Índia, encontramos um outro elemento interessante.
Há uma filosofia religiosa fundada em 1485, conhecida como Bisnau, fundada pelo guru Jambheshwar, após as guerras dos muçulmanos com hindús. Este guru terá sido contemporâneo com a chegada dos portugueses à Índia.

guru Jambheshwar (1451-1536)

Os seguidores desta filosofia religiosa Bisnau seguiam 29 princípios, seleccionados do Hinduísmo, denotando um carácter monoteísta (centrado em Vixnu), e também uma protecção ambiental que foi levada ao limite.

Massacre do Corte das Árvores (Khejarli, 1730)
Em 1730, colocou-se a perspectiva de, para a construção de um palácio no Rajastão, serem cortadas árvores khejri (Prosopis), tidas como sagradas pela comunidade Bisnau. 
Muitos elementos Bisnau decidiram agarrar-se a elas para impedir o corte.
Porém isso não impediu a determinação dos executores, e conjuntamente com as árvores foram cortadas as vidas de 363 mártires.

A protecção das árvores no Massacre de Khejarli, 1730

Árvore de Natal
Não deixa de ser irónico ter a figura do Guru Jambheshwar tão semelhante à figura popularizada do Pai Natal.... porque, nessas celebrações cortam-se Árvores de Natal em todo o Mundo, exactamente o oposto do que professava. Parece uma ironia algo sádica para as vítimas do Massacre de Khejarli.

No entanto, a tradição da Árvore de Natal acabou por se estabelecer no mundo protestante, especialmente no Séc. XVIII e XIX, ao contrário do que se fazia no mundo católico, onde o Presépio foi mantendo o seu lugar. A figura que conhecemos do Pai Natal, com as suas longas barbas brancas, as suas vestes vermelhas, que incluem o gorro vermelho, essa parece ser mais recente. Tem até constado ter sido manobra publicitária da Coca-Cola, para promover as suas cores... 

Não podemos deixar de reparar na semelhança e ligação.
O aspecto de devoção, e até um fio de contas que se assemelha a um terço, podia melhor integrar-se numa figura católica do que o habitual ar bonacheirão. Se o nome terço se liga à trindade, há ainda todo um aspecto de renascimento integrado. No caso da filosofia hindú remeteria para o renascimento noutras formas de vida, que a seita Bisnau procuraria proteger a todo o custo. Foi considerado também que esta filosofia de renascimento derivaria da expansão que a filosofia pitagórica tomou em diversas partes do globo.

Pássaro Bisnau
No século XIX era habitual usar-se a expressão "pássaro Bisnau", e não encontrei nenhuma ligação à seita Bisnau. 
Não sei se poderia retirar-se de uma alusão a "passar o Bisnau", pela forma como foram passadas a machado as dificuldades com as árvores do Bisnau. Tem a conotação de um "pássaro bisnau" ser alguém que está em controlo, que do exterior pode provocar discórdias por artimanhas. Pode sugerir que a discórdia lançada no Rajastão era motivada por asas externas, pelas Companhias das Índias que depois iniciariam a colonização com a derrota do nababo bengalês na batalha de Plassey, em 1757.

Rafael Bordalo Pinheiro numa ilustração do seu periódico "António Maria", em 1884, colocava alguns "pássaros bisnau" ingleses, pousando sobre a "árvore da liberdade, do civismo e alimentação". Portugal, na sua perspectiva, estaria em harmonia com um Zé Povinho servindo com prazer a refeição aos detentores do poder (excepto um "empossado" colocado à margem). Passados menos de dois anos, os ingleses iriam borrifar-se noutra mesa, na que tinha o mapa Cor-de-Rosa.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

S. Francisco Xavier e a Austrália

Já há bastante tempo reparei numa gravura alusiva a São Francisco Xavier (1506-1552), que está disponível no site da Biblioteca Nacional de Portugal, com a seguinte menção:
  • Estampa alegórica à viagem de S. Francisco Xavier à Ásia Oriental, Japão e Índia
  • gravura : água-forte e buril, p&b.      [16--] Data baseada em características formais
Aparece ainda catalogada no ano de 1575, e seria uma data natural, pelo desenho do mapa, razoavelmente grosseiro na representação do Japão, mas se olharmos para a gravura percebemos qual o problema:

Estampa de S. Francisco Xavier com a Austrália (ver original BNP)

O problema, está claro, é o muito bom desenho da Austrália.
De resto, à excepção australiana, o mapa do hemisfério português seria semelhante em vários aspectos, ou até pior, que o Theatrum Mundi de Lavanha (1597-1612)

Não é claro que a Estampa de S. Francisco Xavier seja anterior ao mapa de Lavanha - não há nenhuma indicação objectiva nesse sentido. Poderia ser de 1575, época de D. Sebastião, escapando aos olhares censores?
De qualquer forma, a estampa parece ser, inequivocamente, pelo menos do Séc. XVII, pelo que a atribuição feita na BNP ao colocar [16--] parece prudentemente correcta. 
Mesmo assim, tem uma excelente representação da Austrália, numa altura em que só aos Holandeses estava permitida essa exploração, e é claro muito antes da chegada de Cook, em 1770.

Na BNP há ainda uma outra gravura, posterior, que ilustra também S. Francisco Xavier. Só o nome do gravador - Pietro da Cortona (1597-1669), não está rasgado, o que implica uma datação estimada 1625-1665, pelo período de actividade. A outra gravura parece-nos bastante anterior a esta.

Inicialmente a evangelização do Japão teve um sucesso muito impressionante, especialmente na zona de Nagasaki, a que se seguiu uma forte perseguição, entre 1597-1637.
Encontrei num livro (c. 1800), uma compilação de ilustrações, algumas das quais mostram execuções aplicadas aos missionários jesuítas (à direita são as dos padres Benedito Fernandes, João da Costa, António de Sousa e Sebastião Vieira), em Nagasaki, em 1633-34:

A comunidade católica do Japão, que contaria já com centenas de milhares de aderentes, viu-se subitamente reprimida com uma violência brutal. Os "cristãos escondidos", Kakure Kirishitan, permaneceram dois séculos completamente na obscuridade, vivendo sobre ameaça e perseguição letal do xogunato (ver livro Silêncio de S.Endo). 
Onde se concentravam esses cristãos? 
- Especialmente, em Nagasaki, no bairro Urakami. 
Com a reabertura japonesa, houve tolerância religiosa, tendo sido construída a Catedral de Urakami, local que foi o "ground zero" da explosão da bomba atómica.
A bomba atómica de Nagasaki caiu a 500 metros da catedral de Urakami.

Pontaria simbólica?
Quando olhamos o percurso dos jesuítas, percebemos a sua missão de evangelização e vemos resultados. Percorreram o mundo tentando converter as populações. Podiam ser usados pelas potências católicas, mas parece-nos que a sua abordagem individual foi essencialmente pacífica, focando em convencer e não em vencer. 
Só que com a Guerra dos Trinta Anos (1618-48) o mundo católico entrou em guerra com o mundo protestante (ou melhor, com a implementação judaico-maçónica de um cristianismo alternativo). Os Holandeses eram uma seta apontada aos destinos portugueses na Ásia, fossem eles o Japão ou a Austrália.
O protestantismo nunca conseguiu, nem tentou, nenhuma evangelização sem ser pela efectiva colonização, se venciam, não convenciam. Os holandeses estavam numa guerra comercial e política, onde a fé era outra, e manifestava-se pelo aspecto comercial. Assim, denunciavam os jesuítas aos japoneses, procurando incutir que apenas o lado católico lhes seria maléfico.
Quando a bomba atómica cai em Urakami, não é uma queda qualquer.
Foi atingida a comunidade católica que tinha resistido submersa a um sofrimento de vários séculos.
Por isso, quando alguns falam em símbolos de holocausto da 2ª Guerra Mundial... é preciso ver quem fala e do que fala, e por vezes é melhor calar, porque se houve inocentes nesta história foram as vítimas. 
Vítimas de obstinações filosóficas/religiosas que duram há milénios.

Nota posterior: (09/07/2018)______________
Quanto a esta representação australiana, a ilustração faz capa interna de uma obra aparecida em 1710, de Francisco Sousa:

  • SOUSA, Francisco de, S.J. 1649-1712, Oriente conquistado a Jesu Christo pelos Padres da Companhia de Jesus da Provincia de Goa... / Ordenada pelo P. Francisco de Sousa Religioso da mesma Companhia de Jesus. - Lisboa : na Officina de Valentim da Costa Deslandes, Impressor de Sua Magestade, 1710

Isto não impediria que a figura não existisse antes, e fosse aqui reutilizada. De qualquer forma isso não me parece provável. A ilustração será c. 1710, e portanto tem a particularidade notável de fazer constar a parte correcta da Austrália, mas pouco mais que isso.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Cão Grande e monólitos

Quem visitou o Rio de Janeiro não pode deixar de se impressionar com a imponência dos morros, enormes monólitos que se erguem quase do nada, entre os quais o Pão de Açucar será o mais famoso mundialmente. De entre os monólitos temos ainda a famosa Torre do Diabo (Devils Tower, Wyoming),    associada ao filme "Encontros do 3º Grau", que serviu o imaginário da ficção científica, levando a ligação de monólito de "2001, Odisseia no Espaço" a uma formação geológica particular. 
Igualmente famoso e místico temos o Uluru (Ayers Rock) ou o Monte Augustus (Austrália).

Podemos continuar com o famoso Rochedo de Gibraltar, com o El Capitan (Yosemite Park), ou ainda com as Torres del Paine (Patagónia, Chile).
Encontrei um link que fez uma classificação dos 10 maiores monólitos do mundo... 
Claro que estas "classificações" têm alguma subjectividade, mas encontram-se formações menos conhecidas internacionalmente... sendo claro que não são desconhecidas dos habitantes locais, e dos turistas acidentais. Não me lembro de ter ouvido falar de: 

Estes exemplos mostram como se sabe pouco da maioria dos países "não importantes", apesar da importância que os locais atribuem aos seus monumentos.
Ainda que não constem da lista Top10, mesmo na Europa, também há formações notáveis que não têm propriamente uma grande divulgação (por exemplo, o Mont Aiguille, ou o Ben Bulben), ao contrário de outras (por exemplo, o Monte Cervino).

Porém, há uma (aliás várias...) formação rochosa em S. Tomé e Príncipe que surpreende por completo!
Falamos do enorme monólito vertical (663 m) que é o Pico do Cão Grande (o maior, mas há outros). 


Pico do Cão Grande e formações fálicas semelhantes (Ilha de S. Tomé).

A propósito do "alinhamento piramidal" já tínhamos aqui falado de S. Tomé e Príncipe, do Ilhéu das Rolas, e ninguém duvidaria do esplendor das suas praias tropicais... porém, estes incríveis monólitos surpreendem pela sua elevação abrupta, batendo os restantes da lista do Top10... só se lhes assemelha o o Morro do Pico (Fernando de Noronha), que também se ergue mais de 300 metros na vertical:
Morro do Pico (Fernando de Noronha, Brasil)

Mesmo assim, a forma como se ergue o Cão Grande, ou os outros monólitos de S. Tomé, é bem mais notável, desafiando não apenas a geologia, mas também a gravidade.
Sendo o turismo uma indústria importante nos tempos modernos, seria de perguntar por que razão S. Tomé não se apresenta como destino mostrando aquelas fotos... porém, há até alguma dificuldade em encontrá-las! Parece que se trata de mais um segredo... de Polichinelo, é claro!

As navegações portuguesas parece que estiveram na rota destes monólitos... e os franceses insistiram bastante na vontade de tomar como sua a zona do Rio de Janeiro, a que chamaram curiosamente "França Antártica".  Primeiro entre 1555-60, depois durante a Guerra de Sucessão Espanhola entre 1710-11. Se havia algum "destino monolítico", compreende-se que não se quisesse divulgar os monólitos de S. Tomé, autênticos arranha-céus rochosos no meio da selva (maiores que o Empire State Building...). Acrescente-se a isso esta imagem do Pico Mesa, numa ilha do Príncipe, igualmente notável 
Ilha do Príncipe: Pico Mesa (imagem daqui)

Terminamos com uma imagem do estudo geográfico de F. Tenreiro (1961), sobre a diagonal dos Camarões:

onde se evidencia a ligação entre o Monte Camarões (conhecido com Carro dos Deuses na Antiguidade) e as diversas ilhas: Fernando Pó, Príncipe, São Tomé, e Ano Bom (Annobon). 
Não é de excluir que havendo um "Cão Menor" e um "Cão Grande" estes nomes possam estar algo relacionados com as constelações, sendo Sirius a principal estrela de Canis Major. 




Nota: encontrei acidentalmente estas imagens, tendo encontrado um Ilhéu das Cabras em S. Tomé, quando procurava informação sobre o Ilhéu das Cabras dos Açores, devido a este post (Delito de Opinião).

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Naica e os cristais gigantes

Na mina de Naica, no meio de um deserto mexicano, zona de Chihuahua, foi encontrada em Abril de 2000 uma surpreendente caverna, a uma profundidade de 350 metros.
Naica project (imagem) Discovery channel

O notável é a dimensão dos cristais que se produziram... estamos habituados a ver formações de cristais deste tipo, mas em escalas 10 vezes menores. Aqui os cristais surgem como autênticas colunas que atravessam a caverna. Quando vi estas imagens pensei que se tratava de manipulação fotográfica (... já começamos a pensar assim, de forma naturalmente desconfiada), porém o assunto tem merecido a devida atenção científica, como podemos ver na reportagem do Discovery Channel:

Reportagem da National Geographic (vídeo anterior inactivo)

Numa região "Chihuahua" é um pouco irónico encontrar estruturas gigantescas.
Porém esta descoberta não é propriamente um "grande mistério", só o será em termos da escala, e deveria levar os geólogos a reverem algumas das convicções enraizadas. Contudo, é até engraçado ver na sequência de vídeos a equipa de especialistas a tentar produzir uma data... o esquema é o "mesmo de sempre", ver o crescimento hoje, durante um ano, e depois dividir pelo tamanho dos cristais! É assim que se faz ciência... o que se mede hoje e aqui serve para toda a eternidade e mais além! Não é que seja um exercício inútil, e pode dar uma ideia... o problema é que passados uns anos esta "primeira aproximação" já serve para quase tudo! A maior piada que daí resultou são as medições astrofísicas e as conjecturas sobre o "início do universo"...

O único ponto aqui, para além de apontar as notáveis imagens, será enfatizar que estas estruturas se encontraram a 350 metros do solo... Nem sequer estamos a explorar a 1 Km no interior da Terra, e já estamos a encontrar estruturas menos vulgares - que parecem doutros tempos, digamos de um tempo de gigantes. A crosta é suposto ser bastante maior, podendo atingir perto de 100 Km... pelo que há uma "infinidade" de desconhecimento interno, especialmente se notarmos que nem a superfície (por exemplo, as profundezas marítimas) estão bem identificadas. O modelo mais simplificado, que remonta a Rayleigh, já foi revisto para comportar uma divisão entre litosfera e astenosfera, pelas inconsistências das medições sismográficas do terramoto de 1960 no Chile.

Não será novidade dizer que bastarão 100 metros de entulho em cima da nossa "avançadissima" civilização, para que ninguém suspeitasse que aqui alguma vez tinha existido alguma coisa! No sentido contrário, talvez se escavássemos a algumas centenas de metros aparecessem mais grandes surpresas, de outros tempos... 
Bom, e quem pode fazer perfurações na Terra? 
As indústrias petrolíferas... e as perfurações vão continuando a ser necessárias, porque o petróleo continua a não ser substituído por fontes alternativas de energia...

sábado, 18 de junho de 2011

La Palisse, Roma e Pavia, verdadeira mente

Verdadeiramente, a mente mente...

Vulcano e Poseidon
Há mais de um ano, em Abril de 2010, aquando da erupção de um vulcão islandês que decidiu irromper no momento da divulgação interna do Truth Report sobre a crise financeira, entrei num interessante diálogo no blog arrastão
A referida erupção surgia depois de um início de 2010 especialmente conturbado, marcado pelo mais devastador resultado de um terramoto sem maremoto, em Port-au-Prince. Há quem ache natural reportar-se a morte de mais de 200 mil pessoas no Haiti, por via de um sismo de amplitude 7.1 na escala de Richter. Devemos lembrar que o terramoto na Indonésia, em Aceh, teve amplitude 9, ou seja foi 100 vezes superior, e o número semelhante de vítimas deveu-se ao maremoto que se estendeu por uma larga área no Índico, abrangendo vários países. Sobre o evento já falei no artigo sobre a derrota da Hispaniola, e de forma alegórica num post da altura... porque nem sempre é fácil escrever explicitamente, quando a "situação é explosiva", e o "mundo muda de 15 em 15 dias", usando as oficiais frases governamentais da época.
Os poucos que seguiram o blog alvorsilves, desde o início, perceberão melhor do que falo...

Em 12 de Abril de 2010 era lançado na Islândia o Truth Report, conforme ainda fui encontrar nesta notícia do Telegraph, e a situação ficava mais explosiva para o primeiro-ministro islandês (actualmente a ser julgado). Acumulando a essa situação explosiva, o vulcão entra em erupção e em 14 de Abril passa a ser notícia a proibição de vôos.

 
Protestos populares na residência do Primeiro-Ministro Islandês
e primeiras imagens do vulcão Eyjafjallajökull, de onde saía fumo branco, ou negro?

Sob o ponto vista noticioso a actividade vulcânica do Eyjafjallajökull ocultou o Truth Report islandês. 
Se mal se ouvia falar da Islândia, o Truth Report poderia ter provocado uma explosiva situação espalhando cinzas sobre a Europa, porém no espaço de dois dias passou a ser o vulcão a fazê-lo. Dir-se-à que milhares de pessoas fizeram esta associação sobre o vulcão financeiro, mas não... A situação é ainda mais engraçada, pois no dia da publicação do relatório tinha terminado a erupção doutro vulcão, conforme se pode ler no Iceland Review no dia seguinte (15/04/2010):
Iceland is a strange place. When the “truth report” came out last Monday, the eruption on Fimmvörduháls stopped. To give the citizens some time and space to read it. Two days later, yesterday, another volcanic eruption started. Just a few kilometers away from the first one, at the top of Eyjafjallajökull glacier. A much more powerful eruption. Are the old gods angry?
Não seriam os velhos deuses, sobre esses temeu-se a explosão do Katla, durante dias... Mas, para a pequena intensidade do Eyjafjallajökull seriam mais os semideuses financeiros que elevavam essas cinzas até à estratosfera para depois as deixarem cair sobre a Europa. Tal como a roupa do imperador, as cinzas eram invisíveis... e as vozes de crianças a denunciá-lo estavam abafadas. 

A mente mente, porque a aceitação de informação é condicionada na educação. Ninguém é educado para ler notícias de forma alegórica... e por isso, às vezes, as notícias mais estrombólicas têm informação invisível para a esmagadora maioria do povo.

Foi nesse contexto de colisão de mentes, que fiz nesse blog o papel de criança que denuncia a nudez do império... só que nesta história, a voz criança é abafada na multidão. À excepção de um comentador (cafc), a boa educação dos restantes viu a denúncia das imagens vulcânicas islandesas como uma alucinação isolada de um qualquer maluco.


Mente
O assunto seguiu para uma observação peculiar, que deveria ser notada largamente, mas sobre a qual nada é dito. Os advérbios que terminam em mente, de mentir!
Será caso único? Não é!
Nas diversas línguas (interessa a fonética):
  • Português, Espanhol, Italiano: Advérbio +mente, Verbo = mentir(e), mente (3ª pessoa)
  • Francês: Advérbio +ment, Verbo - mentir, ment (3ª pessoa)
  • Inglês: Advérbio +ly, Verbo - lie/ly 
  • Alemão: Advérbio +lich, Verbo - liegen, liegt (3ª pessoa)
Isto acontece casualmente ou o casual mente?
A origem não é o Império Romano, pois a declinação "+mente" não se encontra no Latim, podendo ser até variável do caso.
Na altura em que coloquei o tema invoquei a sua aplicação nacional pela Lei Mental... a tal que D. João I tinha na sua mente, mas apenas invocando a semelhança do nome, e pela estorieta de estar na "mente" do rei, contudo convém notar que nas obras transcritas de Fernão Lopes já aparece a declinação "+mente" nesses advérbios.

Portanto, a origem desta declinação no mente de mentir parece ser anterior, medieval, mas foi aplicada de forma quase uniforme, ou uniformemente, em línguas cuja raiz era diferente. Como se tivesse havido uma ordem emitida aplicada às várias línguas... ou como se as línguas tivessem sido construídas deixando esse artifício identificador. A hipótese de línguas construídas na Idade Média não é assim tão estranha, já que houve certamente algum processo orientador a nível gramatical. O mais estranho é a declinação "+mente" já que associa duas sílabas tornando esses advérbios as nossas mais longas palavras... nota-se que houve algo propositado, que dá um significado diferente a verdadeiramente e à verdadeira mente.

Para além disso, usamos "Mente" para nos referirmos ao nosso raciocínio, e os ingleses apesar de mais cautelosos usam "Mind" que pode ter um sentido de aviso ou de importância.
A mente acidentalmente revela-nos que o acidental mente.


Roma e Pavia
O assunto deste post seria sobre Roma e Pavia, que "não se fizeram num dia"...
Como é claro, não se pretendia invocar nenhum processo construtivo feito com "paciência de chinês", mas apenas procurar a origem desta expressão, que já é mencionada (pelo menos) no início do Séc. XIX. É claro, pode invocar-se o acidente fonético de "Pavia" rimar com "dia"... mas haveria outras possibilidades fonéticas, sem que se pense que pode haver outra razão mais pertinente.

Na Storia delle Rivoluzioni d'Italia (vol. I) de Giuseppe Ferrari, relacionam-se as duas cidades com a intervenção de Belisário:
Forse a caso sarebbe il Pontefice atterrito e supplicherebbe l'imperatore di tutelare Roma, di proteggere la legge e la fede dei romani, di continuare la guerra di Belisario contro gli ariani di Pavia? Poteva forse darsi una tregua tra Roma e Pavia, tra le due Italie? La guerra doveva durare ed essere più forte, più vasta che l'Italia stessa perchè il cattolicismo interessava la metà del mondo alla causa di Roma, ed anche i Longobardi potevano trascinare nella lotta i loro federati.
Belisario, representação no Palazzo Beneventano, Siracusa

Ou seja, fala-se da invasão bizantina que Justiniano levou a Itália através do seu general Belisário, e mais concretamente fica claro que foi no sentido de resolver o problema Ariano... e insistimos que o Arianismo nada tem a ver com o conceito racial espalhado no Séc. XX, mas tão somente com a teologia monofisista de Arius de Alexandria, que tinha sido adoptada pelos godos, neste caso os Longobardos. De um lado, uma Pisa ariana e do outro lado uma Roma católica... 

Este problema foi ainda mais notório na forma como Belisário, chamado a Bizâncio, resolveu o problema da Revolta de Nika, que pode ser interpretada num conflito de cores partidárias, e na própria elevação de São Nicolau. Este conflito não teve apenas episódio... e passamos a uma verdade de La Palisse!


La Palisse
A expressão verdade de La Palisse tem um significado curioso, já que não remete ao general Jacques de La Palisse, mas sim à deturpação de uma canção em sua homenagem.
A deturpação é reveladora! O verso em francês, cantado postumamente pelos seus soldados, dizia:
S'il n'était pas mort il ferait envie
Porém, quem ler textos antigos percebe  rapidamente que havia uma grafia semelhante entre o S e o F... mais um foco para muitas confusões! A lenda sinaliza bem essa confusão... do verso "se não estivesse morto faria inveja" passamos para "se não estivesse morto estaria vivo":
S'il n'était pas mort il serait en vie
bastando retirar o tracinho do f  e separando "envie" em "en vie", tal como verdadeiramente pode ficar verdadeira mente. A verdade de La Palisse mostra muito mais como uma minúscula alteração de textos pode mudar por completo o seu significado original!

Para além desta relação, o que tem de especial La Palisse, para ainda relacionarmos com Roma e Pavia?
Ora, justamente La Palisse, reconhecido pelas múltiplas vitórias, vai morrer em 1523 na Batalha de Pavia... que opôs o exército francês de Francisco I contra o Sacro-Império Romano dos Habsburgos de Carlos V, algo que pode ser enquadrado numa reedição nas cores do velho confronto de Belisário.
Batalha de Pavia em 1523 (tapetes de Pavia)

sábado, 28 de maio de 2011

Ararat e as cavernas do vulcão

Buffon, na sua História da Terra, no Séc. XVIII, fala das cavernas do Ararat, que seriam de origem vulcânica, suspeitando assim que o monte Ararat seria um vulcão extinto.

É especialmente curioso, porque a equipa NAMI, de Hong-Kong, iniciou há poucos anos uma exploração no monte Ararat, em colaboração com exploradores turcos, que levou a essas cavernas de que já falava Buffon. Não sabemos se já tinham sido feitas explorações prévias, mas parece certo que Buffon sabia do que falava... antes de serem comuns as escaladas e o montanhismo.

A expedição de Hong-Kong escalou, entrou em várias cavernas, e a mais de 4000m de altura, já tinham sido encontrados vestígios de construções de madeira, algo fossilizadas, pela equipa turca.

Panda Lee, da equipa chinesa, disse o seguinte:
In October 2008, I climbed the mountain with the Turkish team. At an elevation of more than 4,000 metres, I saw a structure built with plank-like timber. Each plank was about 8 inches wide. I could see tenons, proof of ancient construction predating the use of metal nails. We walked about 100 metres to another site. I could see broken wood fragments embedded in a glacier, and some 20 metres long. I surveyed the landscape and found that the wooden structure was permanently covered by ice and volcanic rocks. Prior to my expedition, the Turkish team had excavated the site to expose the structure.
É claro que imediatamente surgiu a controvérsia (ver aqui), directamente assumindo que toda a estrutura tinha sido inventada, construída num Verão para ser descoberta num Inverno...
Parece difícil assumir que há algo de tão fraudulentamente bem feito, sem uma colaboração institucional importante... tanto quanto seria do interesse institucional de outros denunciá-lo como tal!

Um ponto a priori que parece não preocupar estas investigações no Ararat, é que o facto de serem descobertas construções de madeira no topo do monte não implicam directamente qualquer relação directa com a Arca de Noé... poderia tratar-se apenas de algum retiro monástico antigo.

A esta observação junta-se o relato de Buffon, do final do Séc. XVIII, que mostra um conhecimento antigo dessas cavernas... a equipa de Hong-Kong poderá ter formalizado uma redescoberta, mas deparou com a opacidade clássica do condicionamento direccionado da informação nos mass-media ocidentais.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Tasmânia - Muralhas de Jerusalém

Num comentário antigo foi referida a existência na Tasmânia de um Parque Natural, denominado

e um outro chamado
 
... mas também interessante é sem dúvida o "Campo de Adão"... ou melhor, Adamsfield:
Esta estrutura torna-se apenas visível a uma certa altitude... provavelmente nem é notada por quem visite o parque. Sob certa forma é semelhante à Estrutura de Richat, uma formação circular, que está localizada bem no meio do Saara:
Tem o epíteto de "olho de África" e foi anunciado pela observação da missão espacial Gemini, em 1965.

Ainda uma estrutura circular curiosa é o Lago Bosomtwe, no Ghana. Essa orografia é vísivel pelas montanhas circundantes que fazem um lembrar um lago numa cratera vulcânica.
 (As fotografias foram obtidas do Google Maps)

Como se pode verificar de algumas fotografias, há vários resorts de luxo nesse lago, num sítio improvável, e de alguma forma semi-secreto... ao ponto do nome Bosomtwe não aparecer nem na wikipedia.


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A locomotiva russa

Estávamos avisados para a diferente educação russa, que colocaria russos na invenção de muitas coisas que fomos habituados a atribuir a outros, normalmente na Inglaterra, França ou Alemanha. 
Porém, acabámos por não saber quem eram esses outros inventores... a educação russa terá ficado entre-muros e dificilmente cativará o mundo ocidental para acomodar os seus numa nova versão histórica de personalidades.

Fui surpreendido ao ler a pretensão de que a lâmpada eléctrica teria sido inventada por Alexander Ladygin, conforme se encontra neste artigo descritivo da North American Review:
É óbvio que o período das invenções singulares, na transição para o Séc. XX, trouxe várias disputas sobre a autoria dos inventos. Edison está no meio delas, na sua disputa com o genial Nikola Tesla, e aparece agora ligado à própria criação anterior da lâmpada eléctrica. O nome Ladygin era-me desconhecido, e nem tão pouco consta da wikipedia (ao contrário do nome do autor do artigo Emil Draitser).
No entanto, seria uma referência vulgar na escola soviética, tal como a Locomotiva dos Cherepanovs ser anterior à de R. Stephenson, conforme se pode ler no artigo.
 A locomotiva dos Cherpanovs - 
agora tida apenas como primeira locomotiva russa...
Agora, mais importante que esses esquecidos Cherepanovs, é uma promessa do hóquei, curiosamente denominado Cherepanov, Siberian Express
Os motores de busca não têm dúvidas de quem apresentar em primeiro lugar. 
Da mesma forma que quem procurar Cândido Costa será presenteado com um jogador do FC Porto, e não encontrará o escritor português. Estas coincidências repetem-se, e uma das que mais me surpreendeu foi a de Olavo Bilac
Acontece que esta própria relevância nada tem de estranho, sendo facilmente justificada.
Independentemente disso, condiciona a informação a que temos acesso.

A história só pode ser contada por quem tem capacidade de fazer ouvir a sua voz... as outras histórias ficam guardadas pelos mudos, condenadas ao progressivo desaparecimento.
A indiscutível presença espacial americana e russa poderá não passar de uma pequena lembrança quando os dados forem jogados de novo - Alea jacta est... e o que era deixa de ser, tal como aconteceu com as navegações portuguesas, ou outras anteriores.

O registo que nos parece perene e intemporal, é tão somente acaso da conjuntura política de cada época, procurando influenciar as gerações futuras.
Aquiles não existiria sem Homero, e sem o relevo que os escritores posteriores lhe consagraram.

A maior obra pode passar completamente esquecida e ser apropriada posteriormente, na altura considerada certa, e atribuída como recompensa a alguém conveniente. Lendo os textos portugueses à altura dos descobrimentos, percebe-se perfeitamente que os nossos autores adivinhavam esse esquecimento programado. Por outro lado, sabiam perfeitamente, e escreviam-no, que muito desse conhecimento português era apenas fruto de uma reedição de conhecimento antigo, aparentemente perdido.

Jorge Couto, terá ido para além do relato de Duarte Pacheco Pereira, e cruzando dados foi aceite a prova de que em 1498 este teria atingido o Brasil. Não há dúvida que Couto foi reconhecido pelo trabalho, tendo recebido vários prémios, e sendo nomeado para director da Biblioteca Nacional. Porém, esse trabalho ficará como um registo erudito, de divulgação limitada. 
A versão oficial propaga-se no ensino, com razões para além dos factos. Resta apenas continuar o excelente trabalho de disponibilizar digitalmente as obras nacionais... coisa que se afigurará difícil, sempre que as obras sejam complicadas. Encontrámos a obra de António Galvão na BNP publicada alguns meses depois de encontrarmos outra digitalização na internet... teríamos preferido encontrá-la primeiro em Portugal.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Nebulosidades auditivas (2)

Set the controls for the heart of the sun (Pink Floyd, 1968):

Witness the man who raves at the wall
Making the shape of his question to Heaven
Whether the sun will fall in the evening
Will he remember the lesson of giving
Set the controls for the heart of the sun
Concerto (1972) em Pompeia... onde a ira do Vesúvio fez guardar cor e arte, doutra forma perdida.

domingo, 27 de junho de 2010

Sinkhole Guatemala

No decurso das batalhas napoleónicas na Europa, ocorreu também uma Guerra em 1812, entre os EUA e a Inglaterra. Já no final dessa guerra, e depois do Tratado de Ghent deu-se a batalha de Sinkhole entre os índios de Black Hawk (aliados ingleses) e as tropas dos EUA (parcialmente apoiantes napoleónicos).

Isto a propósito do nome Sinkhole que designa os estranhos buracos circulares que apareceram recentemente na Cidade da Guatemala.

Já existia, é claro o Great Blue Hole, não muito longe, em Belize
... mas estes ocorreram numa grande cidade!
Primeiro, em Fevereiro de 2007:

depois, em Junho de 2010:
Artigos relacionados:
2010 - http://www.dailymail.co.uk/
2007 - http://www.msnbc.msn.com/