terça-feira, 30 de junho de 2020

Discos voadores

Que foram construídos discos voadores, e que há filmagens dos seus vôos perto do solo, disso não devem restar grandes dúvidas, depois de se verem as filmagens do projecto da canadiana AVRO, que construiu um Avrocar em 1953.
Depois, o financiamento findou, apesar do ministro canadiano dizer que o aparelho voava a 2400 Km/h e conseguia subir na vertical. Em 1960-61, os EUA retomaram o projecto, apenas para o abandonar, deixando o aparelho em exposição histórica
Avrocar no Museu da USAF em Dayton, Ohio

Alguns testes estão filmados, provando apenas o conceito, de forma muito limitada, com o aparelho a mover-se a pouco mais que 40 Km/h, e isto serviria para justificar o abandono do projecto:

Avrocar Continuation Test Program and Terrain Test Program, 06/01/1960 - 06/14/1961

Convém aqui referir que estes aparelhos usavam uma tecnologia que incorporava o efeito de Coanda.

Henri Coanda foi um engenheiro romeno que praticamente inventou o conceito de aviões sem hélice, que apresentou em Paris, em 1910.
Com o desenvolvimento de um jacto propulsor, Coanda trabalhou ainda num projecto para o Grã-Duque da Rússia, na construção em 1910 de um trenó propulsionado por um jacto (ver figura em baixo).

Depois disso, e com a 2ª Guerra Mundial, trabalhou com os ingleses, mas também com os alemães (o que não deve ter sido muito bem visto), na construção de aparelhos a jacto.

As invenções de Henri Coanda em 1910: o avião e o trenó, ambos propulsionados por jacto.

Tentou que lhe fosse creditada a invenção do sistema a jacto, quando apareceram posteriormente esses aparelhos, mas não sendo inglês, francês, alemão ou italiano, teve apenas esse crédito no reconhecimento dado pelo estado romeno, tendo o aeroporto de Bucareste o seu nome.

Ora, conforme já aqui falámos:


houve o projectos nazi Haunebu que visava a construção de discos voadores:
 

Colocamos ao lado direito uma as primeiras imagens de discos voadores (New Jersey, 1952), para que se veja como coincidiam razoavelmente com o aspecto das naves nazis.

Com efeito, antes da 2ª Guerra Mundial eram praticamente inexistentes quaisquer fenómenos OVNI.
Havia situações estranhas, como sempre houve... mas nada que comparasse com a vaga de avistamentos que se seguiu. Num dos primeiros casos, na Suécia em 1946, os serviços militares pensaram que seria já a URSS que tinha desenvolvido o projecto nazi Haunebu. E de lado a lado, as desconfianças iam quase sempre para o rival, até que começou a ganhar peso a hipótese ET.

Por exemplo, se virmos o depoimento do ministro canadiano Paul Hellyer:
... e atendendo a que diz que há 2 extraterrestres que trabalham com o governo dos EUA, sem se rir, numa audiência oficial; torna-se num testemunho difícil de ignorar por alguém que foi ministro da defesa, e dos transportes, entre 1963 e 1969. Vai mais longe e fala nas organizações responsáveis, por aquilo a que se chama Deep State:
Well, Senator, you were talking about a military unta, well in my opinion that is true, but I have broadened and deepened the definition to Cabal, and the Cabal comprises members of the three sisters. The Council on Foreign Relations, The Bilderbergers, and The Tri-Lateral Commission, The International Banking Cartel, The Oil Cartel, members of various Intelligence organizations, and select members of the military unta. Together, have become a shadow government of not only the United States, but of much of the Western World. [a entrevista por escrito, aqui]
Concretiza mais avançando o nome de David Rockefeller que, segundo Daniel Estulin, teria agradecido numa reunião Bilderberg aos principais jornais, cujos directores tinham ajudado a manter tudo off the record, para a preparação de um governo mundial, liderado pelos banqueiros.

Numa outra entrevista à RT em 2014, dizia haver quatro espécies de ET's que visitavam o planeta há milhares de anos, e que apenas tinham revelado a presença após o perigo nuclear, evidente com a explosão da bomba atómica.
Ora, aqui fica tudo um pouco confuso... porque se foram os aliens que ajudaram na tecnologia avançada, então quem ajudou nas bombas atómicas e nucleares?

Ora, para quem acompanha o desenvolvimento tecnológico, a maior admiração não será tanto o desenvolvimento que aconteceu depois da 2ª Grande Guerra, mas sim o grande salto de conhecimento que se deu na transição de 1900. A partir daí, à excepção da miniaturização de componentes, o avanço foi até moderado... atendendo a que passámos de milhares para milhões de pessoas muito qualificadas.
Até ao aparecimento dos primeiros Sinclair/Spectrum, no início de 1980, a tecnologia que estava ao alcance do comum cidadão era simples, mesmo básica nalguns casos...
Exceptuando aparelhos de TV, e sistemas de som sofisticados, qualquer jeitoso resolvia uma avaria sozinho, e os melhores informados sabiam exactamente como funcionava tudo, não lhe passando pela cabeça nenhuma teoria OVNI para explicar a tecnologia envolvida.

Com o desenvolvimento dos computadores, a tecnologia complicou-se um pouco, mas quem perceba como funciona um sistema computacional, verá que nada há de transcendente... excepto uma incrível capacidade de aumentar a velocidade de processamento e capacidade de armazenamento, a níveis impensáveis anteriormente. Mas, quem perceba de produção software, sabe que os sistemas actuais herdaram erros grosseiros ou vícios de concepção passada, do género "bug do ano 2000", que ainda hoje atormentam programadores.

Não acho estranho não conhecermos mais detalhes da concepção dos processadores, porque isso acabaram por ser segredos comerciais, que marcam uma enorme diferença competitiva.

Em suma, creio que Paul Hellyer sabia do que falava, especialmente no que dizia respeito ao plano de governo mundial único, definido pelo sistema financeiro. Quanto à parte OVNI, poderia servir apenas de despiste, ou então deveria ser suficientemente sincero para revelar que a própria empresa canadiana AVRO tinha fabricado os seus próprios discos voadores...

Como daqui a alguns tempos, várias ideias arriscam a aparecer por aí, passando por serem novidade... através da comunicação social super-manipulada, quando são coisas antigas, deixo mais alguns exemplos:

Aerocycle - Lackner HZ1 (1954)

Flying Platform mid 1950's

Aero-X Hoverbike (Ford) (2016) Outra versão moderna

Já não falo aqui dos aparelhos voadores de propulsão humana, remetendo para as páginas em português que fiz na wikipedia:
Apenas saliento que o recorde é ainda do ciclista grego que pedalou de Creta até Santorini (115 Km):

Portanto, antes de se pensar nas limitações da criatividade humana, é bom não esquecer que o génio tem que continuar contido na garrafa, porque há quem assim o determine e queira. 
Poderá haver razões de segurança, mas há ainda as desvantagens das mais descaradas ocultações.

domingo, 21 de junho de 2020

Nebulosidades auditivas (83)

Em Março de 2013 trouxe aqui dois vídeos.
  • Massive Attack - Unfinished Sympathy (1991)
  • The Verve - Bitter Sweet Symphony (1997)
Associei-os da forma óbvia que estão associados. Os Verve fizeram em Londres uma contra-parte do vídeo dos Massive Attack que tinha sido filmado em Los Angeles.
Ambos os vídeos se tornaram clássicos, e é assim quase obrigatório, juntar um ao outro.

Foi um ano complicado, e o contexto em que os vídeos aqui foram trazidos é pessoal, mas interessará deixar escrito o que não escrevi, uma vez que provavelmente nem sequer passará pela cabeça de ninguém, vê-lo desta forma.

Shara Nelson, a cantora que os Massive Attack trouxeram para esta faixa, caiu bem para um monólogo de Gaia... sim, estou a falar da mítica deusa do panteão greco-romano.

O vídeo começa com duas esferas a rolar numa mão, e todo o vídeo, filmado sem edição, irá ter apenas duas personagens. Quem canta, e quem escuta! - Gaia e Cronos nas esferas da acção.
Tudo o resto são estilosos canídeos cegos, pseudo-Cerberus, pseudo-cérebros, que nada vêem.
Gaia, fazendo o filme molda o universo que apresenta a mensagem.
Cronos, quem vê, domina o tempo da acção.


Nada mais interessa, porque cada detalhe que ali está são os próprios que o colocaram.
As esferas geraram um aparente mundo caótico, um Caos, de onde sai Gaia/Terra, com uma ordem e direcção bem definidas. Ao virar, logo se vê (0:38) Daddy G nome apropriado para um pai, Urano/Céu, que mostra montras, monstras, ao filho (Cronos). Gaia começa a cantar...
I know that I've imagined love before, and how it could be with you.
Really hurt me, baby, really cut me, baby... How can you have a day without a night?
You're the book that I have opened, and now I've got to know much more.
Resume-se aqui o problema de Gaia, atormentada pela impossibilidade de ver o seu interior, onde Urano escondera os seus filhos disformes, Ciclopes. Gaia sofre como um olho que não consegue ver dentro de si. Cronos tem a possibilidade de um corte temporal, facultado por Gaia, com que dilacera a ordem de Urano, fazendo nascer Afrodite.
A ordem temporal permite um futuro, mas nesse corte condena o passado à escuridão.
Daí a pergunta repetida - como pode haver um dia sem noite?
The curiousness of your potential kiss, has got my mind and body aching...
Really hurt me, baby, really cut me, baby...How can you have a day without a night?
You're the book that I have opened, and now I've got to know much more.
No cruzamento sai Daddy G, e entra 3D (2:15, ao telefone) que seguirá Shara até ao fim, enquanto indiferente ao contexto, ela repete:
Like a soul without a mind, in a body without a heart, I'm missing every part!
A estrutura universal sente a alma, mas não o nexo, sente o corpo, mas não o seu motor.
Zeus, filho de Cronos, irá remeter o próprio pai ao passado, com a ajuda de Gaia.
Gaia abriu o livro do tempo com Cronos, mas este lhe não revelou respostas.

O vídeo de Billie Walsh não será sobre nada disto. Interessou a dificuldade técnica de conseguir a acção com uma única filmagem e sem edição. Mantém uma notável sincronia com o ritmo da canção, e com o ritmo da cidade que desperta, fabricado o momento com a realidade matinal quotidiana (é manhã, porque as sombras são alongadas). Para além de documentar o quotidiano de um bairro hispânico, apresenta o drama amoroso da personagem principal, que assim está alheada do que se passa em seu redor. A típica trivialidade intelectual que, como um zero cheio de ricocós, não deixa de ser um zero, mas não deixa de ter os ricocós. 

Segue-se o vídeo-resposta de W. Stern, que sendo posterior, parece menos sofisticado e cuidado.
Ao contrário de Gaia, que evita naturalmente o contacto com os mortais, este Hermes, manifestação expectável de Cronos, tem também um caminho bem definido, e ao não evitar o confronto com quem o perturba, torna a obsessão no caminho que toma como superlativa à direcção que segue.

Os Verve usaram aqui uma melodia que pertencia aos Rolling Stones, e por isso vão sofrer diversos processos que reduzem além do aceitável a efectiva contribuição decisiva que tiveram no tema.

O caminho que começa, qual tiro de partida, ensaiado com uma cuidada descuidada travessia da rua, é ilustrado com a reacção incrédula dos transeuntes perante a obstinação de Ashcroft em imitar a certeza num caminho que corta quem se lhe atravessa, ao ponto de saltar um pequeno carro, mas vendo-se o descuido de colocar à espera (2:30) a rapariga que procurará exibir-se (2:38). 
A contrariedade no caminho de Ashcroft será o Jaguar, que o força a parar e a ver-se a si mesmo na reflexão, quando perscruta o seu interior. O sentido final ocorre na junção dos restantes elementos da banda, já que todo o sentido é na oposição ao vídeo anterior, enquanto bando de banda.
Cause it's a bittersweet symphony this life
Trying to make ends meet, (trying to find somebody) then you die.
I'll take you down the only road I've ever been down
You know the one that takes you to the places where all the veins meet.
...
No change, I can't change, I can't change, I can't change,
But I'm here in my mold, I am here in my mold.
But I'm a million different people from one day to the next
I can't change my mold, no, no, no...
...
Well I never pray, but tonight I'm on my knees.
I need to hear some sounds that recognize the pain in me.
I let the melody shine, let it cleanse my mind, I feel free now.
But the airwaves are clean and there's nobody singing to me now.
Em 2013 inverti a ordem, mas a ordem é mesmo esta.
Quando Gaia canta, já viu a esperada resposta que Cronos lhe dará depois, na forma de Hermes.
Por isso mesmo, as perguntas mantinham-se.
As partes de Gaia espalham-se pelos tempos, e a sua integridade foi tanto maior enquanto o futuro foi projecção antecipada do passado. A cantoria de Ashcroft já a ouvira mil vezes a tantos outros bardos consumidos pelos seus tormentos, procurando um caminho que levasse à reunião de todos os veios. Nenhum desconforto alheio a faria parar, enquanto carregasse em si a íntegra dos desconfortos. 
O que talvez não antecipasse é que a solução do seu problema passaria pela sua dissolução, e daí um lamento que perdurará no eco dos tempos:
Like a soul without a mind, in a body without a heart, I'm missing every part!
O que Hermes explica é que, reduzido à condição humana, não pode evitar o confronto, e o primeiro tombo será o dela, ensimesmada, e alheia ao caminho alheio. Hermes tanto salta por cima da maquinação com que lhe bloqueou o caminho, como a reduz à insignificância a sua tentativa de exibição/sedução. Todos protestaram, riram ou ignoraram, mas nem mesmo a paragem em que se confrontou consigo mesmo, o tirou desse caminho em que, como molde, serve por igual a milhões de pessoas diferentes, em tempos diferentes.

O que Cronos explicou, através de Hermes, e que no final fez Gaia virar a sua direcção, foi que a igualdade não é possível ao mesmo tempo, mas quando o tempo muda, colocando o opressor no lugar do oprimido, pois aí o opressor perde o pio da cantoria, e passará a ter outro cuidado futuro.


quinta-feira, 11 de junho de 2020

Pirâmide à Palmela

No Cemitério dos Prazeres, destaca-se a pirâmide construída em 1849 para túmulo da família dos duques de Palmela, naquele que é considerado o "maior jazigo privado da Europa" (na senda dos recordes privados, agora em moda):

O Duque de Palmela, Pedro de Sousa Holstein, era um dos vários nobres maçãos, é claro com principal destaque para o próprio regente, D. Pedro IV, entretanto já Imperador do Brasil.
Assim, como as pirâmides são monumento de eleição maçónica, decidiu contratar um arquitecto mação italiano, que fez este túmulo, razoavelmente imponente no contexto dos Prazeres.
A pirâmide de Cestius em Roma tem 40 metros de altura, esta terá uns 12 ou 13, mas não consegui encontrar os números maçónicos da sorte que foram usados nesta construção... não são 33 blocos até ao topo.

Será esta a maior construção em pirâmide em Portugal?
Bom, na Serra da Lousã, inaugurou-se em 2016 isto:

O que é isto? - Cito a revista OnCentro:
O Ecomuseu Espaço da Mente, o Templo Ecuménico Universalista e Parque Biológico Serra da Lousã, formam o Trivium: a visão filosófica do espírito da Fundação ADFP onde o Parque Biológico representa a igualdade de todos os seres vivos, o Espaço da Mente representa a liberdade e o Templo Ecuménico Universalista salienta a tolerância e o respeito pelo diferente. O conjunto conta já com mais de 300 mil visitantes.
Ou seja, é mais ou menos uma iniciativa pessoal de Jaime Ramos, natural Miranda do Corvo, ex-dirigente do PSD, que criou uma fundação e um parque biológico. Não comento mais, porque não vale a pena, pode dar chatice... e já devemos ter contribuído o suficiente para isto.
A avaliar pelas cores, e estética circundante, se isto tiver alguma coisa a ver com maçonaria, parece-me que será efectivamente com a filosofia dos pedreiros que trabalharam ali.

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Space XXX

A comédia, que neste caso é hardcore, continua, e diz respeito à festarola feita pelo 'sucesso' da SpaceX, e por que razão?
- Nenhuma. Zero. Bola.

O New York Times fala em momento histórico:

e, pois, é claro que sim! 
Ora vejamos, há todo um mundo de possibilidades que se abre:
- Colombo ia ao serviço de Espanha. Quem foi o primeiro privado?
- Vasco da Gama ia ao serviço de Portugal. Quem foi o primeiro privado?
- Pedro Álvares Cabral ia ao serviço de Portugal. Quem foi o primeiro privado?
- Fernão de Magalhães ia ao serviço de Espanha. Quem foi o primeiro privado?
- etc, etc, etc...

A lista de novas possibilidades para grandes "exploradores" a título privado, estava por "explorar".
Falta a lista de exploradores cujo primeiro nome começa por Z.

A paródia não acaba... onde foi feito o lançamento? 
- Terá sido na fábrica da Tesla?... é claro que não, foi feito em Cabo Canaveral, na NASA.
- Mas então, o Elon Musk comprou a NASA? - claro que não, é ainda governamental.
- etc, etc.

Pronto, mas as imagens espaciais são agora coisa séria, certo?
Citando Rui Veloso, esse grande cosmonauta privado:
- Não há estrelas no céu a dourar esse caminho, por mais amigos que tenham sentem-se sempre sozinhos.
Imagem do espaço negro e da cápsula da SpaceX aquando da pseudo-chegada à Estação Espacial Internacional.

Depois continua... não há.... não há... estrelas no céu!

Como alguém terá dito: " I'm just going to say that the fake moon landing looked more convincing than that SpaceX thing yesterday and that was 50 years ago! "

Bom, mas de facto há aqui sinais de fumo.
Musk, menino bonito do arrivismo da última década, e do mais politicamente correcto, chegou a criticar Trump, em várias ocasiões, alinhando cautelosamente com todos os lados, sempre que possível... já que o negócio assim o exigia. 

No entanto, com esta colagem de Trump a Musk, para mais uma fantochada espacial, parece indicar que vêm aí tempos de boa imprensa para Trump.
Porquê?
Trump deve ter perguntado a algum assessor, qual era o segredo para ter uma vida descansada na presidência dos EUA, fazendo todas as imbecilidades que Bush Jr. fez. Alguém lhe deve ter dito que para isso teria que engolir a pílula... ou seja, teria que alinhar com a versão Hollywood dos EUA. Nada melhor do que um momento especial, ou melhor espacial, para a fotografia sem estrelas no céu.
Engolindo essa pílula, não há Covid-19, nem protestos raciais, que lhe perturbem a reeleição... que já era praticamente um dado adquirido. Trump alinhou com a fantochada, e certamente daí irá beneficiar... não em demasia, que é para a malta não desconfiar.
Daqui a uns tempos se verá, mas isto promete mais encenações espaciais especiais... e daqui a um ano, poderemos ter aqueles que criticavam Trump (p.ex. toda a gente que balbucia um arroto, a que em Portugal se chama comentário) a rever a sua posição em alta, lá para o espaço estratosférico...

sexta-feira, 29 de maio de 2020

Nebulosidades auditivas (82)

A música pop/rock moderna foi divulgada em Portugal em 1979-80 muito graças à recém criada Rádio Comercial, e em especial ao Luís Filipe Barros... um nome que vai passando hoje como quase esquecido.
A malta ligava-se ao "Rock em Stock" quase invariavelmente para poder ouvir as últimas novidades da cena musical britânica... e é claro, o programa caiu mesmo na altura em que se deu a sua maior explosão discográfica. Na maior parte das vezes, usavam-se as cassetes, não muito manhosas, crómio, dolby, etc, para gravar os programas. Ainda encontro cassetes desse tempo... e não fosse a qualidade perdida, seriam muito boas de se ouvir de novo. Convém lembrar que nessa altura o "rock português" praticamente não existia, e foi muito através da promoção que Luís Filipe Barros fez, que desde Rui Veloso, a UHF e GNR, encontraram espaço de divulgação.
Não muito depois, a Renascença criou a RFM, e um concorrente "Cor do Som", que pouco mais era que uma cópia do original. Luís Filipe Barros acabou por sair de cena nos anos 90, numa altura em que passei a seguir o António Sérgio, com o "Som da Frente", um pouco mais alternativo... ou como ele gostava de dizer "... os outros é que tinham ouvidos a menos".
Hoje, este tipo de programas dificilmente existem, e os que permanecem estão na Antena 3, mas ao fim de tanto tempo, a noção de novidade deixou de ter a relevância que tinha na juventude.

Serve esta introdução para dizer que comprei o álbum Movement dos New Order, em 1981, antes sequer de saber que tinham existido os Joy Division. Estou em crer que o álbum Closer chegou a Portugal ao mesmo tempo... e inevitavelmente comprei-o logo de seguida. Estamos a falar de tempos em que a minha mesada dava para um álbum e mais nada, por isso, perante tanta novidade a escolha tinha que ser bem ponderada.
Se o pessoal gostava de quase toda a New Wave que saía de Inglaterra, já não achava assim tanta piada à música depressiva dos Joy Division e New Order. Normalmente, pediam-me para desligar aquela música fúnebre.

Ian Curtis suicidou-se há 40 anos, em 18 de Maio de 1980, e nesse aspecto tornou-se também num ícone de uma certa juventude... quando ainda não era moda ser-se "alternativo". Para todos os efeitos, Movement dos New Order foi sempre para mim o melhor álbum, só comparável depois a álbuns dos The Cure. 
Mas, com efeito a voz de Ian Curtis fez falta aos New Order, tal como os Joy Division teriam sido pouco sem Bernard Sumner e Peter Hooke. Depois de Power, Corruption and Lies, os New Order perderam muito do seu carácter contestatário, que inicialmente os confundira com tendências "nazis".

Bernard Sumner teria afirmado: "You all forgot Rudolf Hess"...
Rudolf Hess, que tinha feito uma tentativa de paz em 1941, sendo capturado/traído em Inglaterra, era então o único prisioneiro de Nuremberga em Spandau.
E essa mensagem passava não apenas nos Joy Division, quando na canção Warsaw ditavam o seu número de prisioneiro em Inglaterra. Passava também em coisas bem mais lamechas, como os Spandau Ballet. Percebia-se haver uma mensagem subreptícia que era passada aos jovens ingleses, procurando sensibilizar para um certo encobrimento - Rudolf Hess estava proibido de ser entrevistado, ou ter contacto com o exterior, e acreditaria ainda no grande complot judeu para dominar o mundo... e que, além disso, os judeus seriam capazes de controlar as mentes alheias, em particular para as fazer acreditar no Holocausto. Entretanto Rudolf Hess suicidou-se em 1987, a prisão foi demolida, o muro caiu, e muitas das coisas antes relevantes deixaram de o ser.

Desse tempo, restam pequenas pérolas, como The Eternal, e é nesse contexto que Ian Curtis continua a ser lembrado, passados 40 anos, tendo um filme completamente dedicado a si - "Control" de Anton Corbjin (2007), onde é possível ver que no prelúdio de um grande sucesso a nível internacional, a vida de Ian Curtis continuava a ser uma mesquinha realidade de um subúrbio de Manchester.

Joy Division (1980) The Eternal, do album Closer
[vídeo - "atrocityexhibition12", "big mick"]

sábado, 23 de maio de 2020

Nebulosidades auditivas (81)

M.I.A. (ou Maya...) é uma cantora inglesa nascida no Ceilão, com relativo sucesso internacional.
Depois de "Paper Planes", um tema inspirado nos Clash, e que foi frequente ouvir nas rádios, em 2010, lançou

"Born Free", com um vídeo de Romain Gavras, 


que é, no mínimo, polémico.

Seria esse o vídeo a incluir aqui, mas foi banido de todas as TV's, e mesmo quando se consegue encontrar no Youtube, tem um aviso de idade mínima. 
Assim, para evitar a classificação do blog com conteúdo adulto, deixo apenas o link para o vídeo.

O que incomodará não será uma breve imagem de dois corpos nus, propositadamente colocados para desviar a verdadeira polémica. O problema é a violência gratuita, sob estado de sítio. Um clima de perseguição e segregação de "ruivos", apenas por serem "ruivos". A polémica é terem sido escolhidos ruivos, sem nada que o justifique, e não qualquer outra raça, para onde se arranjaram pseudo-justificações. É dito que a ideia foi inspirada numa polémica aparecida nos cartoons de SouthPark, em que se afirmava que os ruivos "gingers" não tinham alma. 
O tema principal do vídeo é mais simples - a violência de um estado sobre os indivíduos, está ao virar da esquina, e é muito ténue a linha que separa a liberdade da repressão sem razão.

Deixo aqui um outro vídeo, igualmente de Romain Gavras, onde a dupla com M.I.A, não procurou propriamente passar desapercebida... agora se o conseguiu é outra história.

M.I.A. - Bad Girls (2012)

Nem sempre quando se faz tudo bem num sentido, as coisas correm bem nesse sentido.
M.I.A. continua a ter muito mais sucesso fora dos circuitos mais espalhafatosos, por muito que se tenha esforçado por ser espalhafatosa.  Aliás, este vídeo é um perfeito exemplo de como se pode colocar a vida no limite do acidente, provavelmente para chamar uma atenção local, quiçá internacional, quando o resultado final é afinal... zero, ou quase zero.
Não tanto zero no caso de Maya, que continua a receber a atenção intelectual, tendo um filme sobre si "Matangi", vencido o Festival Sundance em 2018, mas sendo já remetida ao circuito alternativo.

Os circuitos de comunicação são completamente viciados, enviesados, e mais facilmente dão o máximo destaque a algo que não mereça do que àquilo que merece atenção.
Parece estranho, mas é muito fácil de explicar.
Esses circuitos não são transparentes, parecem translúcidos, para esconder a sua opacidade.
Que importância teriam se dessem relevo ao que merece relevo, e contrariamente, não dessem relevo a patacoadas sem qualquer interesse ou importância? Não teriam importância, ou pelo menos essa importância não seria notada.
Ora, há uma coisa clara que se percebe na espécie humana, independentemente da raça - mesmo sendo sempre rejeitado, o bicho continua sempre com a secreta esperança de que um dia será diferente, sem que a sociedade mude. LOL...

sábado, 9 de maio de 2020

Presos políticos catalães

Há petições para salvar o maçarico, petições para melhorar a vida das galinhas (ver Nando's), petições mais ou menos idiotas, e é claro, petições para acabar com as petições (exemplo).

Normalmente, as petições serviam a reposição de direitos, e todo o carnaval expectável das "petições online", permite agora ignorar as petições sistematicamente, sem que ninguém se escandalize.

O que é interessante é que não houve nenhum movimento português que tivesse minimamente voz para protestar contra os crimes que se passaram em España a céu aberto. São crimes de uma monarquia primitiva, e de uma justiça inquisitorial, herdeira de Torquemada, que não respeita minimamente o direito à iniciativa política e à consulta popular.

Como se não bastasse todo o espectáculo degradante que os Españolitos nos obrigaram a assistir, e do qual saíram com uma vitória da treta, permanecem presos os políticos, que são prisioneiros políticos, já que nada mais fizeram do que actividade política, para a qual tinham sido mandatados.
Free Catalan political prisoners
Libertem os presos políticos catalães

O silêncio forçado sobre esta matéria, imposto praticamente por todos os governos, que querem manter relações "amigáveis" com Espanha, deverá ter decepcionado muito os catalães, e não apenas os líderes. A falta de solidariedade portuguesa é confrangedora. Até mesmo o BE se mostra alguma solidariedade, será mais por se tratarem de "companheiros de esquerda", o que equivale a pouco.

A última notícia de Puigdemont, ainda antes do alastrar do corona-vírus, foi a de uma congregação de mais de 100 mil pessoas, a 29 de Fevereiro, em Perpignan, na Catalunha francesa.
Puigdemont em Perpignan (29.02.2020)

A incidência caótica do corona-vírus em Espanha veio tornar tudo mais complicado, até porque o Estado espanhol passou a governar com poderes absolutos vindos do estado de emergência. Manifestações como aquela vista em Perpignan deixaram de ser possíveis, e uma contenção das pessoas, agradará a quem favorece um poder mais repressivo, como o recente Vox.
No entanto, e enquanto os catalães estiverem dispostos a isso, e parece que estão... o problema não irá desaparecer.

A Amnistia Internacional, que basicamente escolhe os assuntos que "interessam", ignorando outros (como o caso da prisão de Maria de Lurdes), tem sido pouco clara neste aspecto, e vai tomando posição para não parecer mal, não declarando estas prisões como políticas.

Como iremos olhar para este assunto daqui a uns anos?
 - Bom, se tudo continuar pelo mesmo caminho, as pessoas só se lembram quando lhes derem autorização para se lembrar. Talvez ao fim de 5 anos, os deixem sair em liberdade condicional, haverá algum regozijo na libertação, e tudo continuará na mesma.


sexta-feira, 1 de maio de 2020

Sítios (1)

Há muita malta que julga que está informada, ou que há alguma lógica que faz com que as coisas interessantes cheguem ao seu conhecimento.
Contam-se pelos dedos da mão, locais ou paisagens, que são repetidas até à exaustão, e depois há todas as outras, de que 99% das pessoas nunca ouviu falar.

Ao estilo dos mosteiros ortodoxos de Meteora, na Grécia, existem na China mosteiros budistas, bastante notáveis, como este de Fanjingshan, não longe de Changsha:



(Telegraph, 2018)

terça-feira, 28 de abril de 2020

Liberdade do silêncio (3) ... chiu!

Passou um ano sobre o acidente que vitimou 29 turistas alemães, na Madeira:
Alguém ouviu falar sobre o assunto?
Consegui ver uma notícia num jornal da Madeira:


Bom, o Funchal Notícias só refere que passou um ano sobre o assunto, para lembrar os profissionais que acorreram ao acidente, e já está!

Sim, eu sei já tinha falado sobre isto em Agosto:


Não se soube mais nada, mesmo? 
Sim, houve um certo desfecho. O pessoal não é completamente estúpido. 
Em 19 de Dezembro, os jornais, quais papagaios aprendizes de Goebbels, papaguearam a mesma notícia no mesmo dia: 
Mas ninguém quis saber mais nada, será?
A culpa foi do motorista, caso encerrado, fecha o dossier.
Nem o mínimo trabalho de investigação, duma audaz jornalista polémica, da treta, que pseudo-fazem tremer os inquiridos... 
Niente, zero, nada, nadinha.
Não havia a necessária protecção na berma da estrada, mas isso não interessa nada.
Chiu, está calado!  
O homem já foi julgado e já foi dado como culpado, ou não? 
Essa notícia não encontrei... 
Who cares?

Uma das coisas engraçadas pós 25 de Abril, e que me impressionou, foi a reacção à novela Gabriela. Todo o pessoal sabia que era uma obra de ficção, mas a malta ponderava sobre o desfecho da novela, como se ali houvesse alguma incógnita... tanto mais que já tinha passado no Brasil. 
Depois, vemos o Wrestling, em que toda a gente sabe da manipulação, e é o mesmo... atrai multidões!

Passa-se o mesmo com a Novela das 8, que vai para o ar, em todos os telejornais das 20h00.
Toda a malta sabe ou deveria saber que aquelas notícias são completamente manipuladas, aqui não é pelo Chavez, nem pelo Maduro, segundo o oficial da CIA seria/será por uns mecos da Linha de Cascais, mas mesmo assim, o pessoal continua a entusiasmar-se com este novelo da treta?

É que até no Wrestling, eles tentam fazer algumas variações de poder, para o povo não se aborrecer...

domingo, 26 de abril de 2020

Nebulosidades auditivas (80)

Valete (2017) Rap consciente

terça-feira, 21 de abril de 2020

Nebulosidades auditivas (79)

Depois de ser promotor dos Sex Pistols, Malcom McLaren desenvolveu alguns trabalhos individuais, começando com este "Buffalo Gals", que fez algum sucesso em 1982, fazendo aparecer o som Hip-Hop electrónico, quando ainda era recente. Os restantes trabalhos posteriores tiveram pouco impacto, talvez exceptuando uma versão pop de Madama Butterfly (un bel di vedremo).

Malcolm McLaren (1982) Buffalo Gals

sexta-feira, 10 de abril de 2020

Covide 19

Covide, em Terras do Bouro, no Parque Nacional da Peneda-Gerês, é uma pequena povoação, que dá nome a uma freguesia desse concelho.

No meio do parque, surge uma placa no meio de um trilho, que indica 19 Km para Covide. 
Essa placa não teria qualquer importância até há uns meses atrás, quando a OMS decidiu nomear a doença associada ao novo corona-vírus como Covid-19.
A placa Covide 19 (imagem), e uma imagem da povoação Covide.

Poderia não haver mais nada a acrescentar, para além da coincidência, do nome, do número e até o boneco circular do veado lembra a corºnea do vírus. Nada tem de especial a povoação mais próxima de Covide ser Freitas, porque a Srª da Graça está a uns 60 Km de distância. Seria um pouco estranho pensar-se em algo muito intrincado para justificar qualquer relação entre umas coisas e as outras.

Porém, um detalhe interessante é a referência ao nome do trilho "Cidade da Calcedónia".
Esta referência a Calcedónia, que parece completamente despropositada aparecer no Minho, seria razão para justificar uma menção ao assunto, por si só.

Calcedónia era uma cidade do outro lado de Bizâncio, passando o Estreito do Bósforo, e tal como Bizâncio, Calcedónia era remetida a uma fundação mítica no Séc. VII a.C. 

Ficou conhecido o Concílio de Calcedónia, que reafirmou Jesus Cristo na condição de pessoa única, e igualmente enquanto Deus e Homem... um dogma que provocou algumas cisões, nas igrejas ortodoxas orientais, especialmente tendo em atenção a referência os evangelhos de Mateus e Marcos que citam a frase de Jesus: "Deus, Deus, porque me abandonaste?".

Segundo informação do trilho, a designação que reporta a Calcedónia vem de eruditos portugueses do Séc. XVI, que teriam associado ali a vinda dos Argonautas e a fundação da cidade (que ao que parece seria um povoado romano). 
Veja-se o trilho da Cidade da Calcedónia, que curiosamente, começa em Covide... onde? 
- No Largo do Calvário. Apenas mais uma coincidência.

Se quisermos entrar ainda por esse lado, veja-se o episódio de Hermano Saraiva (A Alma e a Gente série IV - 51), que faz referência à tradição local da "Toalha de Água às Mãos".

Num site de trekking encontramos diversas fotografias, em particular esta foto da fenda da Fraga da Calcedónia, que é bastante ilustrativa da dimensão que as pedras do Gerês, em particular dos blocos que definem esta fenda.

Para finalizar, são ainda interessantes as moedas associadas à cidade de Calcedónia (que é agora um bairro de Istambul).
Porque o Bósforo teria o nome como origem bois (Bós) e passagem (poro), em grego, aparecendo nas moedas da Bitínia que referem a cidade, a designação KAΛX que é um prefixo "calc" semelhante ao que encontramos em Cálculo, e cuja origem latina remete para pedras, ou seja, para a sua contagem... Ainda que as pedras, cálculos, não fossem supostamente tão grandes quanto as que encontramos na Peneda-Gerês...
Tetradracma Calcedónio (Bitínia), circa 370 a.C.














Nota: No Portugal Antigo e Moderno, Pinho Leal deixa estas palavras sobre Calcedónia e Covide.
CALCEDONIA— cidade antiga de que falam Strabão, Plínio, Pomponio Mella e outros, a qual, segundo eles, existiu na parte septentrional da Lusitânia; mas cujo sitio certo se ignora. (Vide Covide.) Passava por esta cidade a via militar romana chamada Geira. (Vide Geira.) 
COVÍDE — freguesia, Minho, comarca de Villa Verde, concelho de Terras de Bouro, (extincta comarca de Pico de Regalados) 30 kilometros a NO de Braga, 385 ao N. de Lisboa, 90 fogos. Em 1707 tinha 73 fogos. Orago Santa Marinha. Arcebispado e distrito administrativo de Braga. Era antigamente deste mesmo concelho, mas da comarca de Viana. Situada entre serras, próximo do Zêzere. (...)Tinha antigamente o privilegio de se não fazerem aqui soldados, com a obrigação de guardarem à sua custa a Portela do Homem, das invasões dos galegos. 
Sobre um cabeço a E. da bacia onde está situada a povoação, existem as ruínas de uma atalaia dos antigos lusitanos, ou de um castro romano. É tradição que foi aqui a antiga cidade de Cálcedonia (outros dizem que esta cidade foi a 12 kilometros ao N., já em terreno da Galiza). Este sitio não podia conter mais do que uma fortaleza. Há ainda por estes sítios restos de marcos milliares e vestígios da via militar romana chamada Geira. Em Sá ha um cruzeiro feito de um marco miliar, sem inscripção. Tem a data de 1736, provavelmente quando fizeram o cruzeiro. 
No lugar da igreja está outro cruzeiro, coberto de zinco, e assente sobre uma coluna que foi padrão romano. A inscripção não se pôde ler, por estar enterrada a parte que a contém. 
A pequena distancia a E. de Covide, está a capela de Santa Eufemia, e junto a ela um penedinho de forma esferoidal, para o qual se sobe por alguns degraus de cantaria e dominado por uma pequeaa cruz de granito. Chama-se Penedo da Santa, ou Penedo de Santa Eufemia. Nele se vêem vestígios de muitas pegadas de um pé delicado. É tradição que fugindo Santa Eufemia à perseguição de seu pai, governador romano de Braga, vagueara por estas serras e que fazendo oração sobre este penedo, aí deixou gravados os sinais de seus pés. Na aldeia de Covide apareceu pelos anos de 1855, em uma escavação, um forno, construído de tijolo. 
Esta freguesia está situada em um pequeno vale, ao S. do Gerez, É terra fria e húmida no inverno; mas tem bons prados artificiais e naturais. Produz muito milho, linho e centeio, alguma castanha e pouco mau vinho verde. Cria bastante gado bovino, da raça de Barroso. (...)

sexta-feira, 3 de abril de 2020

Bicho de contas

Há um indicador que tem as contas actualizadas do número de infectados pelo corona-vírus registados até à corrente data:

e que mostra de forma razoável como a propagação da epidemia está a ficar controlada na maioria dos países que decretaram medidas de contenção, mesmo que haja um panorama algo descontrolado a nível mundial:
 
Após um rápido crescimento que se deveu à situação na China, o número estabilizou ligeiramente, até à propagação na Europa, e depois na América, que fez disparar este número, de novo. É de esperar que uma situação deste género volte a ocorrer, nos diversos países que ainda não têm a situação sob controlo, e por isso podemos estimar que mais que no final de Abril possam existir 10 milhões de infectados, e em Maio poderemos contar com perto de um milhão de mortos. Não me parece expectável que a pandemia passe o mês de Maio, em todo o mundo.
Como a contabilização será deficiente em muitos casos, isso poderá não ser imediatamente reflectido.

Os casos exemplares de contenção foram os imediatamente afectados - Coreia e Japão.
A Coreia do Sul tem uma curva (logarítmica) quase constante desde 8 de Março (desde essa altura o número de novos casos é residual, entre 100 e 200 casos diários):
Como habitual nestes casos, a progressão é inicialmente exponencial - isso todos referem, mas depois sofre uma curvatura gaussiana (disso ninguém fala...) tendendo a estabilizar ou diminuir, consoante o sucesso na contenção ou cura. Nestes gráficos do worldometers.info não são contabilizadas as curas, porque aí veríamos a curva descer - aliás dos ~ 10 mil infectados, restam 4 mil não curados, na Coreia.

Este mesmo tipo de curva (logarítmica) pode ser visto no caso português:

mas como as medidas de contenção foram tomadas tardiamente (quando comparado com a Coreia), o crescimento prolongou-se no tempo - na Coreia demorou 3 semanas a contenção e estabilização, em Portugal já passou um mês desde o 1º caso, mas só há medidas restritivas há 2 semanas. 

Foi por esta razão, porque este tipo de fenómenos tem um comportamento que dentro de certos parâmetros pode ser algo previsível que, num postal de 22 de Março, quando ainda haviam apenas 1600 casos em Portugal, fiz a seguinte previsão:

Os pontos a vermelho são os valores que se conheciam, e os pontos a azul são os que se verificaram depois. Ou seja, os valores seguiram dentro de uma das curvas expectáveis para o crescimento.
Por exemplo, disse que os valores a 31 de Março seriam ~ 8500, e foram 8250 anunciados no dia 1 de Abril. Na realidade, há duas semanas atrás, pareceu-me que a curva poderia ser ainda mais acentuada, na pior estimativa (curva a preto), e não tinha visto o caso de sucesso coreano.
Não se tratou de acertar por acertar, nem há qualquer interesse neste "acerto", é pouco relevante que a DGS não actualize bem as bases de dados, ou que faltem milhares de testes. Neste tipo de análises, o que interessa é perceber a tendência, e essa é mais ou menos estanque à divulgação... até ao momento em que a política começa a torturar os números, e esses números não correspondam a nada de real.

Parece-me plausível que possamos antecipar o pico dos casos para uma data anterior ~ 10 de Abril, com um número de casos em Portugal perto dos 15 mil. Não será um pico, porque o número de recuperados (registados) é ainda pequeno.

Percebe-se talvez melhor a questão dos japoneses em não quererem comprometer a realização dos Jogos Olímpicos em 2020, porque foram eficazes a conter a epidemia (têm menos de 3 mil casos), e provavelmente entenderam que os restantes poderiam fazer o mesmo... isto claro, se tivessem feito o mesmo controlo de entradas de estrangeiros, ou de pessoal em viagem. Coisas básicas que a DGS ou a OMS tardaram a perceber ou exigir, por incompetência, ou outra competência... 

A Espanha vai ultrapassar a Itália em número de infectados, pois a situação italiana já está quase estanque, mas também deverá estabilizar por volta da Páscoa, não devendo atingir os 200 mil infectados. A situação italiana pode considerar-se praticamente estanque, neste domingo deverá atingir o topo (inferior a 130 mil), começando a estabilizar (ou seja, depois terá variações com menos de mil novos infectados por dia).

Mesmo no caso dos EUA, que aparece agora como principal foco, e algo descontrolado, com efeito a situação está a começar a inverter-se, e poderá mesmo não chegar aos 500 mil infectados com tendência a abrandar, na semana depois da Páscoa... e Trump poderá dizer que a situação estará controlada antes de Maio, com um número de mortos muitas vezes inferior ao que pensou.

Bom, mas tudo isto são previsões numéricas, sujeitas aos diversos imponderáveis, que podem transformar uma tendência noutra bem diferente. Estas contas são básicas e podem ser feitas por qualquer um com alguns conhecimentos de matemática na universidade. Uma análise mais detalhada nem sempre dá melhores resultados... porque os imponderáveis são imponderáveis.
No entanto, começando a bater certo sistematicamente, é natural que se usem como objecto orientador, e sempre são melhores do que estimativas vindas do nada, e tomadas ao sabor do vento, conforme as que habitualmente ouvimos.
Uma coisa a averiguar será a de saber se este bicho é um bicho de contas certas, ou não.

segunda-feira, 30 de março de 2020

Nebulosidades auditivas (78)

  • Missa Corona Spinea de John Taverner (c.1490-1545)
  • Cocteau Twins - Throughout the Dark Months of April and May (1986)
  • New Order - Power, Corruption and Lies (1983)

quinta-feira, 26 de março de 2020

O vírus da coroa

É debatido se os vírus se podem considerar ou não como uma forma de vida.
A opinião mais comum é a de que não se trata de vida, normalmente porque não têm as propriedades celulares - não se reproduzem sozinhos, nem têm metabolismo próprio.

No entanto, tal como cucos, são bastante competentes a parasitar células, usando os processos celulares reprodutivos para se multiplicarem em quantidades assombrosas.
Com que propósito?
- Aparentemente, nenhum...
Imagem de corona-vírus em microscópio electrónico.

É razoavelmente diferente pensar em termos das consequências, ou seja, das doenças que são geradas por esse parasitismo, ou pensar em termos de propósitos. O que o vírus beneficia do processo de infecção é um nada, se exceptuarmos a sua reprodução. Só que nesse aspecto também não difere muito da própria célula infectada.

Comparação das dimensões e visibilidade em microscópio.
(Abaixo de 400 nanómetros, comprimento da luz violeta, já não é possível ver...)

Em termos de dimensões, o vírus será como uma carraça, encarando a célula com a dimensão do corpo humano. Só que a comparação da dimensão das pequenas células pulmonares, com o próprio corpo, será como comparar um homem com o distrito de Lisboa. Ou seja, se encararmos os vírus com a dimensão de carraças, grosso modo, o nosso corpo teria a dimensão do distrito de Lisboa.

Nas imagens de microscopia electrónica, estando fora do visível, 
abaixo do violeta, as cores apresentadas nas imagens são falsas.

O modo de actuação dos vírus seria análogo a ter a carraça a entrar no corpo e a usá-lo para se reproduzir em milhares de carraças, destruindo-o em poucas horas. Isso aplicado às células pulmonares resulta na destruição das células dos alvéolos, responsáveis pela respiração. As pessoas infectadas, ao serem afectadas na respiração, naturalmente tossem, expelindo no processo os vírus para a atmosfera, com a natural probabilidade de cair em cima de outra pessoa.
Ao que parece estes corona-vírus aguentam-se algumas horas no ar, e eventualmente até 3 dias em superfícies metálicas. Com o tempo, e temperatura, vão-se degradando, perdendo a sua capacidade. Ou seja, é no contacto próximo e imediato que o vírus retém a sua funcionalidade nefasta.

Se a funcionalidade das células se pode resumir a executar determinadas funções essenciais à sobrevivência de um determinado corpo, a funcionalidade dos vírus não parece aparentar a sobrevivência de nenhum corpo ou entidade... aliás, pelo efeito que tem nos corpos infectados, podendo levar à sua morte, o demasiado sucesso do vírus acaba por levar à sua própria destruição, pela morte do hospedeiro, ou seja, o indivíduo afectado.

No entanto, se encararmos o vírus como um agente da natureza, os seus efeitos podem ser entendidos nesse contexto mais vasto. Assim, dessa forma, tal como as células funcionam visando o normal funcionamento do corpo, também os vírus podem visar um normal funcionamento da natureza.

Neste caso os vírus actuam de uma forma especialmente efectiva, com um único propósito destruidor das espécies afectadas. Não se tratando aqui de colocar uma cabeça na natureza, escolhendo um alvo, mas é razoavelmente claro que a eliminação de certas espécies pode favorecer outras.
No caso concreto, este é um vírus de "coroas", não tanto por afectar também cabeças coroadas (e.g. o príncipe monegasco Alberto, ou Carlos, filho de Isabel II), mas mais por afectar especialmente "coroas" com uma certa idade.
Claramente não se trata de um propósito da natureza em atacar mais velhos para favorecer mais novos, mas é inevitável que a existência deste vírus é responsabilidade do mesmo universo criador que nos formou. Não interessa se assumiu a forma criativa nalgum laboratório secreto, ou nalgum exagero noticioso, interessa que o seu aparecimento não deve ser visto como casual, mesmo que os propósitos mais concretos nos escapem actualmente.


Nota adicional: (29.03.2020)
Seguindo a sugestão de José Manuel Oliveira, fica o link e vídeo ilustrativo da actuação do vírus: