segunda-feira, 18 de março de 2019

Apanhados do Clima

Na passada sexta-feira, decorreu uma daquelas pseudo-acções "espontâneas", muito bem organizadas, neste caso, servindo para arrastar jovens para uma inédita greve sobre "alterações climáticas".

Para quem gosta da história da carochinha, o pseudo-protesto arranjou uma protagonista sueca de 16 aninhos... que entretanto, e como se não bastasse a tonalidade kitsch da estação, nestas "pseudo-globalizações espontâneas", já a vemos como nomeada a candidata para o Nobel da Paz.

Portugal, é claro não deixou de agremiar a malta para o mesmo balir, neste caso em formato juvenil. 
O uso de cabritinhos para propagar ideologia tem uma longa tradição, que remonta aos balillas italianos, à juventude hitleriana, ou à mocidade portuguesa, para falarmos apenas no caso dito fascista, onde foi mais conhecido o empenho na lavagem de cérebro, desde tenra idade. 
É claro que na outra mão, na esquerda, teríamos as juventudes comunistas internacionais, e também é bem conhecido o uso de jovens na recruta fundamentalista islâmica, etc...

O que normalmente é claro, é que quando falham outros argumentos, a agremiação de membros jovens para um fanatismo de grupo, é um típico processo, já na fase perigosa e desesperada.

Em termos mais científicos, já falei sobre o assunto nos postais "Snowmageddon".
Mas, como a coisa já começa a atingir a formação da cabeça dos nossos petizes, talvez seja oportuno deixar aqui mais alguns dados objectivos.

Conforme argumentou Ivar Giaever, a manipulação de dados sobre o aumento de temperatura planetária é simplesmente baseado no uso de mais medições, cujo local é seleccionado. Se quisermos aumentar a temperatura em Portugal basta fazer novas medições no Alentejo, e se quisermos diminuir, basta fazer mais medições em montanha, na Serra da Estrela ou arredores.

Raramente vemos as temperaturas de uma cidade analisadas ao fim destes últimos anos.
Com base nos dados da Pordata, podemos ver concretamente o que se passou, antes dos dados serem tratados para a narrativa conveniente.

Por exemplo, pegando em Viana do Castelo, com medições desde 1970, vemos que o máximo foi em 1995 e 1997 com 16.2ºC e desde 2014 que a temperatura média anual é inferior a 15ºC.
Ora, como Viana do Castelo não está propriamente fechada numa estufa fria, vejamos o que foi acontecendo nas diversas estações metereológicas:
Variação da média das temperaturas máximas (Viana, Lisboa, Faro e Funchal) 
e da média das temperaturas mínimas (Bragança, Porto, Castelo Branco, 
Angra do Heroísmo), desde 1960 a 2018. [fonte: Pordata]

Podemos concluir da análise destes gráficos que houve um aumento preocupante da temperatura?
Claro que não. No máximo só se poderia inferir isso no caso do Porto e de Angra do Heroísmo, no que diz respeito a um pequeno aumento da temperatura mínima. Mas isso já não se conclui em Bragança ou em Castelo Branco.

Convém ainda notar que estes dados começam nos anos 1960, quando em 1970 se falava até num possível início de uma "Idade do Gelo"... ou seja, numa altura em que os valores observados da temperatura eram muito baixos. 

Se quisermos pegar em dados para Portugal inteiro, podemos ver uma compilação que apareceu no Público em 2013, para os meses de Verão, para concluir que não houve grande alteração. 
Em 1951 foram registados 22.9ºC e em 2013 aparecia 22.0ºC (com um máximo em 2005 de 23.4ºC). 

Só que quando falamos de dados em Portugal, falamos de que valores? 
Dos valores medidos só em Lisboa, Porto e Faro, ou falamos dos valores medidos em novas estações que foram sendo introduzidas? 
Faz sentido fazer uma média se juntarmos mais estações, mais no sul do que no norte?
É claro que se juntarmos mais estações no sul, a temperatura vai aumentar.
Da mesma maneira que se quisermos fazer uma média do peso dos portugueses, é natural que aumente se juntarmos indivíduos gordos, e diminua se incluirmos indivíduos magros. 
Estamos a falar deste tipo de truques básicos e rasteiros, que é praticado sem critério, e com uma pseudo-capa científica.

Portanto, quando se fala do aumento global, isso corresponde a uma efectiva e propositada falha de método científico de cálculo, que permite toda a especulação, com direito aos aproveitamentos comerciais que foram sendo instalados.

Que estas coisas apareçam agora com a vinda da Primavera, quando a temperatura começa de novo a subir, pois isso é só mais um hábito recorrente, que indicia bem toda a má fé aparente, e inerente ao processo.

Nem sequer estou a dizer que há ou deixa de haver algum aumento de temperatura. Com os dados que vejo, o que se pode concluir é que a temperatura tem-se mantido razoavelmente estável, e isso sim, é até surpreendente pela pouca variação.

Toda a especulação científica que se tem gerado, agora metendo as crianças ao barulho, que sabem pouco mais que nada, pois isso descreve-se apenas numa palavra - vergonhoso!

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

Nebulosidades auditivas (68)


Interstella 5555 - Aerodynamic - Daft Punk

Interstella 5555 - Veridis Quo - Daft Punk

Interstella 5555: The 5tory of the 5ecret 5tar 5ystem
... é uma pequena obra prima da animação japonesa (de Leiji Matsumoto) com a música dos Daft Punk (de Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter).

Uma interessante história conspirativa com um final surpresa:


Interstellar 5555  - Too Long - Daft Punk

terça-feira, 29 de janeiro de 2019

Cair de Maduro

Uma expressão figurativa antiga e bem conhecida é "cair de maduro", que funciona como um sinónimo colorido de inevitabilidade:

"Thesouro da lingua portugueza" (1873) de Frei Domingos Vieira

... mas há outros - no mesmo dicionário podemos ler expressões menos correntes:
- Cair do estado (perder um estado próspero);
- Cair o rabo a alguém de contente (estar alguém muito contente).

Tendo acabado de falar da estética dos uniformes nazis de Hugo Boss, é também interessante mencionar a estética do uniforme herdado de Hugo Chavez: 
... ou seja, o típico visual de quem vai de chanatas e fato-de-treino ao hipermercado.

Maduro perdeu estrondosamente as eleições parlamentares de 2015, coisa que nunca acontecera a Chavez, mas isso não o destituíria do cargo. 
Simplesmente, mudou a constituição, e foi esvaziando de poderes o parlamento venezuelano, sem nunca o ter banido. Depois voltou a convocar eleições no ano passado, em Maio de 2018, e foi reeleito com uma margem confortável, até porque a oposição apelando ao boicote, apenas terá facilitado a sua vitória, sem necessidade de extensivas fraudes. 

É claro que todo este processo tinha sido levado a cabo pelos EUA, com ajuda dos aliados sauditas, na baixa do preço do petróleo desde 2014-15, e aumentou a fragilidade de uma economia sujeita a prolongadas sanções económicas. 
Seria expectável que o descontentamento popular levasse justamente à derrota... o que aconteceu. 

A escandaleira foi, já se sabe, Maduro usar dos estratagemas ocidentais para quando o resultado das eleições não agrada... repetem-se! A UE iniciou essa beleza com múltiplos referendos (por exemplo, em 2008 a Irlanda rejeitou o Tratado de Lisboa, e voltou a votar em 2009, aceitando-o), ou a simples ausência da sua necessidade. A legalidade é sempre fabricada e é volátil quando convém...
Em 2015-16 haveria mais razões para a oposição venezuelana protestar, mas foi envolvida num cozido morno, e só despertou quando em 2018 Maduro foi reeleito.

Em Agosto de 2018 houve um incidente caricato na explosão de um drone... poderia até pensar-se em pretenso golpe auto-infligido, mas Maduro invocou culpados externos na Flórida. É claro que a situação venezuelana está num processo de degradação acentuado, e apenas se espera que Maduro caia de maduro, uma vez que a Rússia ou a China parecem demasiado distantes para lhe dar o apoio necessário.

Neste processo, fala-se da falta de liberdade de expressão... como se na Venezuela houvesse menos do que aqui. Ora, apesar das palestras aos passarinhos de Maduro, na VTV, há uma considerável liberdade de imprensa, vendo-se jornais declarando já Guiado como presidente interino, e será ardiloso assumir o contrário.

Ao mesmo tempo, a nossa comunicação social é uma paródia descomunal.
É claro que nem disfarça um completo condicionamento e unilateralidade. 
Nada de estranhar, porque, ou aprenderam com as propagandas ditactoriais, ou pretendem ensiná-las.

Não era necessário, mas a coisa foi ao ponto caricato de vermos transmissões "em directo", à tarde, de manifestações passadas à noite em Caracas:
- Ou seja, alguém se esqueceu de avisar que a diferença horária corre no outro sentido, e que a tarde em Lisboa corresponde habitualmente à manhã em Caracas!

Portanto, não é só de Maduro que se antecipa uma queda de maduro, é de todos os lindos meninos que acham que um simples ardil de falsificação ou manipulação da verdade, será sempre colhido como bom pela fruta verde. Uma velha luta entre a realidade e a alucinação... em que o caminho da alucinação tem sido sempre envolver-se numa alucinação alternativa, evitando a queda na realidade.

sábado, 5 de janeiro de 2019

Snowmaggedon (7)

Todos os invernos é a mesma coisa... o tempo esquece-se que está sob alterações climáticas, tendo em bastidores um "aquecimento global",  e vai presenteando os incrédulos, como o secretário geral das Nações Unidas, António Guterres, com neve nos desertos.

O ano passado falámos da neve no Saara, este ano parece que foi o deserto de Arizona, na zona do Grand Canyon a fazer das suas, com imagens notáveis:

Depois voltamos aos clássicos:

domingo, 30 de dezembro de 2018

Colosso indiano

Há 2 meses, a Índia inaugurou a estátua mais alta do mundo com 182 metros, aliás 240 metros ao incluir o pedestal. Foi chamada "estátua da unidade", representando Sardar Patel, uma figura política que se diria quase desconhecida para não especialistas no contexto indiano, que normalmente tenderia a resumir as coisas pelo lado Ghandi ou Nehru... 

A escolha foi tanto mais singular, pois não há precedente conhecido de representação exagerada de figuras não religiosas ou ideológicas, desde o Monte Rushmore em 1925 com as cabeças de 18 metros de quatro presidentes americanos.


Apenas para dar alguma ideia de proporção, coloquei ao lado a Estátua da Liberdade, que durante muitos anos foi a maior estátua do mundo com 46 metros (92 metros com pedestal), e que agora será simplesmente um símbolo da imigração americana na transição do Séc. XIX para o Séc. XX.

As estátuas mais altas do mundo eram praticamente quase todas de Buda, e variavam entre o Japão e China, com alguns exemplares notáveis na Tailândia ou na Birmânia (Myanmar). O caso mais singular europeu era a estátua colossal "A mátria chama!" em Estalinegrado, actual Volgogrado, com apenas 85 metros.

Não é novidade erguerem-se colossos, tal como não será novidade caírem, e até caírem no esquecimento.

Se a estátua tivesse sido erguida na Europa ou nos EUA, provavelmente ainda hoje era notícia, e tomaria o destaque das realizações de 2018, com as naturais polémicas associadas. Talvez tivesse sido maior notícia se tivesse sido Ghandi o escolhido... mas a ideia política na Índia estará já longe de um seguidismo às referências ocidentalizadas.

Assim, a sua inauguração terá passado como notícia menor nalguns jornais, e duvido se passou nalgum canal televisivo nacional... Para merecer a atenção da imprensa ocidental seria preciso que Donald Trump tivesse feito alguma gaffe a este propósito, mas nem isso.

sábado, 8 de dezembro de 2018

Nebulosidades auditivas (67)

Por razões que ninguém faz esforço de entender, há coisas feitas em Portugal com uma qualidade surpreendente, e cujos protagonistas são praticamente desconhecidos. Depois, é claro, há outros, os mais conhecidos, que pouco mais são que filhos dos pais, sobrinhos dos tios, afilhados dos padrinhos, em geral, os úteis inúteis.

André Tentúgal, que não é conhecido pelo nome, nem do projecto "We Trust", lançou uma série de músicas que entraram no ouvido como se lá estivessem sempre estado. Certamente a maioria das pessoas já ouviu uma destas músicas sem dar conta que se tratava de uma banda portuguesa.

Deixo aqui três exemplos.

We Trust (2015) - "The Future"

We Trust (2011) - "Time (Better not stop)"

We Trust (2015) - "We are the ones"

Esperava-se que, com o tempo, a coisa não pudesse continuar a ser ignorada, como se nada se passasse... mas não é apenas um caso português, longe disso!
O mundo da música tem patronos muito bem definidos que vão decidindo o que é, e o que não é popular - chamam a isso "play lists" às quais a rádio não tem autorização de escapar.
A Antena 3, com a desculpa de passar uma maioria de produção nacional, foi tentando fazer o percurso alternativo, mas isso apenas fez algumas músicas conhecidas, e não os seus autores.

Nem interessa que os grupos sejam populares em franjas muito específicas de jovens, ou outros ouvintes... o que interessa é que feito esse percurso, parece que nunca chega a autorização de cima, para poderem sair do nível de quase anonimato.

Os "We Trust" aparentemente terminaram em 2016, sem que tivesse dado conta disso.
Neste caso, nem sequer se tratam de bandas cuja carga simbólica é naturalmente repelida, como é o caso dos Mão Morta, são simples autores que procuram o sucesso, e não pretendem mudar as consciências. Como prova disso, André Tentúgal parece que vai concorrer ao Festival da Canção de 2019...

sábado, 1 de dezembro de 2018

Ouça, oiça - ouro, oiro; touro, toiro

Uma das variantes que a língua portuguesa exibe como dualidade é a pronúncia alternativa da sílaba "ou" com a sílaba "oi", com exemplos de oiro, toiro, moiro, loiro, etc...

Toiro de Oiro, em Kunming (China)

Os casos são sobejamente conhecidos, mas não creio que estejam compilados numa lista exaustiva de possibilidades. De um modo geral todas as palavras que contêm "ouro" alternativamente podem ser ditas ou escritas com "oiro".

  • bouro - (boiro existe na Galiza)
  • couro - coiro
  • douro - doiro (dourar - doirar; dourado - doirado)
  • louro - loiro - lauro (láureo
  • mouro - moiro - mauro 
  • ouro - oiro - auro (áureo)
  • touro - toiro - tauro (táureo)
Portanto, vemos que as variantes "ouro, oiro, auro" eram comuns no que referia a louros, mouros ou touros, mas não tem expressão falar-se em "cauro/cáureo" como variante de "couro"...
Não estou a sugerir que os mouros tinham touros e eram louros, mas enfim, já lá vamos!

Depois, há toda uma conversa induzida, que parece plausível até ao momento em que pensamos nela.
Essa conversa é de que isto seriam variantes populares, características mais a norte ou mais a sul, de usar "ou" e "oi". 
Como se houvesse alguma ligação entre as duas sílabas... e não há!

Não se trata de nenhuma tendência fonética, porque:
  •  "loico" não é alternativa de "louco", nem "poico" de "pouco", nem "roibo" de "roubo".
É claro que nas palavras em que "ouro" é sufixo, é natural ver o mesmo:
- lavoura » lavoira, besouro » besoiro, tesoura » tesoira, agouro » agoiro, vassoura » vassoira, etc.
Mas... nem sempre, é rarissimo ouvir "cenoira" em vez de cenoura.

Onde aparece então essa variante "oi" do "ou"? - Vejamos caso a caso:
  • "...oub..." não tem variante "...oib...", por exemplo "soube" não varia para "soibe".
  • "...ouc..." não tem variante "...oib...", por exemplo "touca" não varia para "toica".
  • "...ouç..." tem variante "...oiç...", por exemplo "louça" em "loiça", "ouça" em "oiça"
  • "...oud..." tem variante "...oid...", por exemplo "doudo" e "doido".
  • "...ouf, oug, ouj, oul, oum, oun ...", tem o caso singular "papoula" e "papoila".
  • "...oup..." não tem variante "...oip...", por exemplo "poupar" não varia para "poipar".
  • "...our..." tem variante "...oir...", já vimos este caso!
  • "...ous..." tem variante "...ois...", p. ex. "pouso" em "poiso", "cousa" em "coisa"
  • "...out..." tem variante "...oit...", p. ex. "couto" em "coito", mas não "outro" em "oitro", etc.
  • "...ouv..." não tem variante "...oiv...", por exemplo "ouvir" não varia para "oivir".
  • "...oux..." tem variante "...oix...", por exemplo "frouxo" varia em "froixo" (pouco usado).

Conclui-se rapidamente que não há propriamente nenhuma regra, ou tendência fonética, que marque a variação de "ou" em "oi". Há simplesmente um hábito, ou seja, uma herança cultural, dirigido a certas palavras e não a outras. 

No caso da variante "ouro", há algo que podemos notar:
Louro, Couro, Ouro, Bronzeado, Bisonte

... ou seja, se o valor da terminação "ouro" tender mais para uma tonalidade metálica que variava entre ouro, cobre e bronze, seria mais fácil entender a associação às folhas de louro, ao couro, ao mouro (no sentido, bronzeado), ou ainda ao touro, admitindo uma coloração primitiva primitiva próxima do bisonte. 
Ou, dito ainda de outra forma, que tipo de touro, ou de boi, encontramos nas terras do Bouro?

Em catalão "boi" diz-se "bou", e "bous" era uma palavra grega para boi.
Portanto, quando lemos "Terras do Bouro" também poderíamos ler "Terras do Boiro", no sentido de "terras do boi"... talvez mais especificamente do boi com grandes chifres, lembrando o toiro, ou ainda o mais primitivo, auroque.
Claro que isto é apenas mais uma simples variação especulativa.

quarta-feira, 21 de novembro de 2018

Nebulosidades auditivas (66)

Na sequência do incêndio que destruiu a cidade de Paradise, CA, uma pequena cidade de 25 mil habitantes, que foi praticamente consumida pelo fogo, muitos foram aqueles que comentaram a ironia do nome. 
Afinal, biblicamente, consumir-se em chamas seria algo mais indicado para uma cidade chamada Inferno, do que de uma cidade chamada Paraíso... o que mostra bem a insensibilidade da condução do fogo perante a fé dos povos.

Enquanto o número de desaparecidos parece baixar para 700, as alterações climáticas não deixam de apoquentar a região. Tanto foram responsáveis pela seca, como são agora responsáveis por previstas chuvas que podem levar a inundações. Se há coisa que sabíamos sobre o clima, antes de aparecerem as imagens de satélite, é que dificilmente se poderia prever.

"Paradise Burning" é o nome de uma canção dos Ill Scarlet, um grupo canadiano com fortes influências californianas. Aliás a letra da canção segue assim:
Don't know what to do, don't know how we made it 
This California weather, the summer in December 
(...)
I'm just slipping away down the coast 
And I'm so far away from home 
Never returning; Paradise burning 

Os Aerosmith, uma banda de Boston, também ligada à Califórnia, no tema "What it takes", têm um refrão com referências similares:
Let go. Let go. Let go. I don't wanna burn in paradise.

Ora, isto é um tipo de coincidências expectável. Procurei, porque antevi ser bastante provável ter aparecido uma referência a "paradise burning" nalguma letra de alguma canção... já era menos expectável que houvesse alguma ligação à California. Portanto, nem sempre é difícil encontrar coincidências, e nem sempre estas revelam algo de estranho ou conspirativo.

Não sendo apreciador de nenhum desses temas, vou recuperar o tema "Birds" dos Coldplay... e a única ligação à Califórnia é aparecer no vídeo uma bizarria chamada California "Salvation Mountain".
Coldplay - "Birds" (2016)

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Focos californianos

Há fogos que destroem fogos...
É estranho usar a contabilidade das habitações com o nome de fogos, talvez porque a presença de fogo fosse a maneira mais fácil de identificar que casas eram ou não habitadas. Confundem-se as palavras fogo e foco, com um mesmo significado anterior, agora diferenciado.

As habitações, os fogos de Paradise, na Califórnia, apareceram reduzidos a cinzas devido aos fogos que inflamaram o estado americano.
Foto aérea de Paradise, onde as árvores ficaram, mas casas desapareceram...

É sempre estranho ver as árvores permanecerem, os relvados verdes, e ver as casas completamente consumidas pelas chamas. Estas imagens já deram lugar às mais variadas especulações...

Numa altura em que se contam 80 mortos, o balanço dos fogos que têm consumido a Califórnia desde 8 de Novembro é ainda especialmente assustador pelo número de desaparecidos, que chegou a ser superior a 1000 pessoas atingindo os 1300 desaparecidos.
Podendo ser um problema de organização na contabilidade, mas se há mesmo 1000 pessoas desaparecidas não se espera outro desfecho, que não seja de uma enorme tragédia. Mesmo que sejam reencontrados salvos 90% dos dados como desaparecidos, mesmo 180 vítimas seria um número demasiado grande para ignorar.

Camp Fire - um dos principais focos, onde se contabilizaram 77 vítimas até agora.

Com registo semelhante encontramos apenas fogos florestais de 1914, em Cloquet (com 1000 vítimas estimadas), ou o incêndio de Peshtigo em 1871, que vitimou entre 1500 e 2500 pessoas, e que ocorreu praticamente ao mesmo tempo do Grande Incêndio de Chicago, ao Incêndio de Port Huron, e outros, levando a várias especulações de teoria da conspiração sobre a origem de diversos fogos na mesma região e na mesma altura.

Cloquet Fire, Minnesota, 1914
A causa apontada para o incêndio de 1914 em Cloquet, Minnesota, foi uma prolongada seca, tal como essa é a causa mais apontada para estes incêndios de Novembro. 
Claro que em 1914 poderia haver uma grande seca a norte, capaz de motivar um grande incêndio, isso não era relacionado com nenhuma mudança climática, até porque era uma época de temperaturas baixas. 
100 anos depois, quando um incêndio é motivado por uma grande seca a sul, numa região fronteiriça de desertos como o "Vale da Morte", o tópico da moda impõe-se num inverno que se começa a anterver frio. É uma oportunidade de falar em "alterações climáticas".

Da mesma forma que se especula com a teoria da moda, há quem avance com experiências que o exército americano andaria a fazer no sentido de alterar o clima.

Sim, digamos que se um exército quiser usar o clima como arma destrutiva, convém que use isso a coberto de "alterações climáticas", que são culpa de toda a humanidade. Circulam bastantes vídeos na internet, com especulações mais ou menos bizarras.

No entanto, há uma coisa que ninguém parece ter vontade de explicar... a completa inoperância do exército americano perante uma ameaça interna que parece colocar em risco um maior número de vidas, muito maior do que as ameaças terroristas. 
Já se sabia que isto acontecia em Portugal, mas no caso dos EUA, estamos supostamente a falar do exército mais eficaz do mundo... e praticamente inoperante perante uma ameaça desta dimensão.

Se não é grande conspiração, parece restar a grande incompetência...  

domingo, 11 de novembro de 2018

Sós

Normalmente, uma boa maioria das TED Talks são alguns minutos desperdiçados com trivialidades, ou nos casos mais graves, com simples imbecilidades mais próprias para standup comedy
Este é o aspecto demolidor a falar, porque havendo tanta coisa que desconhecemos, é também agradável poder ter um assunto apresentado em 10 ou 15 minutos. 
Só que, convém não esquecer, trata-se de uma difusão do mainstream, ou seja, não iremos normalmente ver ali ninguém a falar de assuntos que não interessam ser difundidos.

A religião actual, do "politicamente correcto", tem necessidade de organizar uma espécie de palestras de "verdade oficializada", para instruir conveniente o pensamento da população. Como se instituiu uma sociedade cortesã de aparências e maldicências, contra o perigo das opiniões dissonantes elevam-se uma série de personalidades (pode haver quem lhes chame palhaços), ao estatuto de gurus, dão-se-lhes os mais espalhafatosos palcos (ao estilo "web summit"), para que os outros entendam aquilo que dizem como "verdades inquestionáveis", ou seja as "verdades" da moda.

Ao que interessa...
Devido a um comentário do José Manuel fui encontrar uma palestra TED sobre o Oumuamua, que é suficiente para introduzir a questão, mas não serve mais que isso. Excepto talvez para elucidar como funciona a astronomia de hoje, e que o objecto não é fonte de qualquer radiação, colocando um pouco de fora hipóteses de ser uma sonda alienígena.

Interessou-me ver outra palestra sugerida denominada 
"Where are all the aliens?" (Stephen Webb)
porque perguntar - onde estão todos os aliens? - ia no sentido oposto da versão mainstream, que praticamente considera heresia duvidar-se da existência de civilizações extraterrestres.

Com o mesmo simples argumento estatístico, que é usado para nos convencer que é provável existirem outros planetas com vida, Webb coloca uma série de outros factores, que são normalmente descartados, para argumentar que o mais natural é admitir que só existe vida inteligente na Terra.
Tal como no caso da existência, esta hipótese de não existência, é ainda pura especulação estatística.

Se tivesse que apostar num sentido ou noutro, a minha aposta iria no mesmo sentido de Webb.
No entanto, como são irrelevantes estas opiniões estatísticas, interessa-me algo mais definitivo e menos especulativo.

Ora, o que é mais definitivo e não é especulativo, é que existindo alguma outra inteligência, ela manifestar-se-ia da mesma forma que a nossa. Por isso, a interacção com extraterrestres mais, ou menos inteligentes, funcionaria da mesma forma do que a interacção entre pessoas mais inteligentes e pessoas menos inteligentes... que em muito se resume à vontade de entendimento e colaboração.

quinta-feira, 8 de novembro de 2018

Desafinações visuais (6)

O filme "Elysium", de 2013, de Neil Blomkamp, explicita um futuro em que uma elite humana passa a viver permanentemente numa estação espacial que recria paisagens terrestres idílicas (o chamado cilindro de O'Neill). O restante da população, que ficou na Terra, é administrada de cima, ou basicamente deixada à sua sorte, no sentido de ser facilitado o uso dos recursos terrestres.


Esse futuro pode ser visto como uma mera caricatura do presente, na forma como os países mais desenvolvidos acabam por se aproveitar dos recursos de países do terceiro mundo, deixando os seus governos em constantes tribulações, instabilidade, e corrupção.

Poderia pensar-se que seria mais fácil invadir e explorar esses recursos.
Puro erro.
Invadir implica custos de diversos tipos. Implicaria gastos financeiros e custo de vidas na invasão, ficando com a população nativa diminuída, agressiva ou desmotivada, e em última análise teriam que ser os próprios invasores "a meter a mão na massa", a trabalhar para extrair os recursos.
Muito mais fácil é inventar um qualquer tirano interno, juntar-lhe um séquito de colaboradores, ao mesmo tempo que se lhe contrapõe um ideal libertador, e um movimento revolucionário que o tenta depor.

Esta receita foi usada tantas vezes na América Latina, na Ásia, ou em África, que mete dó.
Depois de juntar estes ingredientes é só deixar ferver em lume brando, ao gosto do chef.
Fomentada a guerra interna, os oponentes, para se financiarem ou armarem, podem apenas vender aquilo que interessa ser vendido... os recursos naturais, e normalmente a preço de saldo.
Portanto, as grandes potências, ao invés de invadirem, perdendo dinheiro e homens, assistiam na plateia a uma matança interna, que se auto-alimentava, enquanto os grupos rivais iam vendendo a preço de saldo os seus recursos, a troco de meia-dúzia de armas obsoletas, destinadas apenas a essa matança interna.

Um guião típico da "América Latina" era o seguinte.
Actores:
- Lado "fascista": Um tirano abominável, e uma corte de generais e empresários exacráveis.
- Lado "comunista": Um jovem revolucionário, uma corte de fiéis soldados e dedicados militantes.
- Lado "manipulado": A população trabalhadora explorada por uns e por outros.

Cena 1: O tirano e a elite são fomentados a explorar de forma cada vez mais abusiva a população.
Cena 2: Aparecem grupos de protesto e de fora é escolhido o gaiato que vai liderar a revolução.
Cena 3: O grupo de protesto organiza-se miraculosamente, transforma-se num exército eficaz, e começam as escaramuças. No início convém ao exterior que este grupo tenha algum sucesso.
Cena 4: A população é esmifrada pelo tirano, no sentido de aumentar a produção e financiar a luta contra os revolucionários. Isto leva a mais adeptos pelo lado revolucionário.
Cena 5: Na calma dos seus gabinetes, as potências vão financiando um e o outro lado, vendendo armas bacocas, a troco de recursos naturais, tipicamente ilustrado por... bananas, mas ouro, petróleo, diamantes, coca, etc... também servem.
Cena 6: No meio do conflito, há os dramas da população, as carnificinas, e a emigração, ou seja, mão de obra barata que vem para os países "desenvolvidos", etc...
Cena 7: Esta situação poderia eternizar-se, com benefícios para quem está de fora. Mas, a receita pode ser apimentada, e permite-se algumas vezes que o grupo revolucionário conquiste o poder.
Cena 8: Rapidamente se percebe que afinal o jovem revolucionário é afinal um novo tirano, que os seus soldados passaram a generais, e que os militantes passaram a ser empresários.
Cena 9: É a mesma que a Cena 1. Tudo se repete, agora trocando o nome da ideologia.

Neste processo, que como qualquer guerra civil, dilacera um país, colocando divisões até dentro das famílias, o mais engraçado, sem ter graça alguma, é que os países que são promotores externos da divisão sejam depois vistos como grandes aliados, grandes ajudas, e modelos a seguir.


Bom... enfim, o nome "Elísio" é grego e remete a um paraíso ocidental.
A origem do nome grego Ἠλύσιον é também considerada de origem desconhecida.
Uma transcrição apropriada seria Lusion, ou Ilusion.
Convirá lembrar que André de Resende remetia para a origem de Lusitânia, os nomes de Luso ou Lísias, filho de Baco, que constam da Monarquia Lusitana.

Heródoto dava conta da localização do Elísio nas planícies ocidentais junto ao Oceano, onde não havia neve, nem tempestades, nem grandes chuvas, e a vida era fácil aos homens. Era natural referir-se às Ilhas Afortunadas, ou Hespérides... eventualmente às paisagens das Caraíbas.
Porém, como o nome Lísio ou Lúsio remete directamente para estas paragens ocidentais, junto ao Oceano, é difícil deixar de associar o nome à Lusitania, e entre os autores antigos há quem o faça.

Portanto, deixamos aqui esta referência a Elysium, à sua associação à Lusitânia, e à Ilusion, à "ilusão", que também se afigura como variante "lusa". Como exemplo de ilusão, referimos a receita persistente que leva autores externos a promoverem guerras civis com actores internos. No caso mais corrente, e mais pacífico, ficaram-nos as guerrinhas de tachos partidários.

domingo, 4 de novembro de 2018

Novelo das 8 (3) - cruzadas de crianças

- Se isto não é organizado, é o quê?
- Falas da marcha dos migrantes, em direcção aos EUA?


- Alguma vez tinhas visto uma marcha desorganizada espontânea ser tão bem organizada?
- Não só... já reparaste como têm bons contactos na imprensa?
- Depois, é claro que temos isto:
- Escolheram mesmo o presidente certo para serem bem acolhidos nos EUA....
- Veio mesmo a propósito, não veio? Até parece que antes viviam bem.
- Creio que chegaram com 10 anos de atraso à crise financeira de 2008-09.
- Para amantes de carnificina, tendo colocado o lobo no curral, faltava conduzir carneiros à boca.
- Não te lembra nada?


- Essas crianças, que marcharam para converter os muçulmanos acabaram mal, não foi?
- Quando chegaram a Itália, foram todas vendidas para escravatura.
- Fez 800 anos em 2012. 
- Em 2012 a situação económica de El Salvador, Honduras, etc... era boa?
- Em 2012 Obama lançou o DACA para a legalização de crianças imigrantes, mas sem sorte. De quem os migrantes gostam mesmo é de Trump, que os trata mal. 

terça-feira, 30 de outubro de 2018

Nebulosidades auditivas (65)

De tempos a tempos, surge Kate Bush, aqui com "Hello Earth", que de acordo com a wikipedia inclui uma parte coral da Geórgia: «The chorale in "Hello Earth" is a segment from the traditional Georgian song "Tsintskaro", performed by the Richard Hickox Singers»

Como esta canção não tem vídeo oficial, fica aqui o vídeo de "MrMarrs", uma daquelas produções caseiras que às vezes aparecem com qualidade semelhante ou superior a muitos vídeos oficiais, bastando para isso trazer segmentos apropriados, que vão do filme Contacto a um vídeo dos Black Eyed Peas.

Kate Bush - Hello Earth (1985)

Watching storms start to form over America
Can't do anything
Just watch them swing with the wind out to sea
All you sailors - get out of the waves, get out of the water

... e quando nos julgamos potentes, sofremos com a nossa impotência. O que é difícil perceber é que a cura para esse sofrimento não é aumentar a nossa potência, tentando uma impossível omnipotência, a cura é simplesmente aceitar a impotência, confome ela se manifesta. Não há diálogo com entidades patologicamente surdas. Murderer of calm... go to sleep little Earth.

Para fãs, a este trecho deve-se seguir, quase obrigatoriamente, "Morning Fog", conforme no álbum "Hounds of Love". Aliás parece-me que as duas canções são uma só.

Kate Bush - Morning Fog (1985)

I am falling like a stone, like a storm, 
Being born again into the sweet morning fog...
You know what? I love you better now.

sábado, 27 de outubro de 2018

Ora, a hora

Não é preciso procurar muito, para encontrar incompetência em tudo o que nos rodeia.

A partir de 1975, ficámos com a sina de que, chegado o inverno, para além de termos menos exposição solar, ficámos sujeitos à "hora de inverno", aquela maravilha que nos deixa de noite às cinco da tarde. Chamou-se a isso DST - Daylight Saving Time.

Durante um breve período, no deslumbre da adesão à CEE, ainda houve a peregrina ideia de ficar na mesma hora de Espanha e da maioria dos países europeus, e quem se lembra disso, lembra-se que no Verão o pôr-do-sol chegava a acontecer bem depois das dez da noite.  

No final de Agosto deste ano, fomos supreendidos com a notícia de que a UE iria propor o fim da mudança de hora, devido a um inquérito em que 80% da população inquirida (ao que consta, quase 5 milhões pessoas, especialmente alemães) tinha respondido que preferiria manter a hora de Verão.

Em Portugal o assunto está delegado no OAL - Observatório Astronómico de Lisboa, tendo uma comissão que praticamente toma esta questão da mudança da hora, como actividade única.
Dipensam-se os comentários jocosos, mas a última coisa que podemos esperar que uma comissão de gambuzinos diga é que os gambuzinos não existem.


O relatório do OAL sobre as razões de apoiar a mudança de hora é mediocre - opinião mais meiga.
Procurando escudar-se em questões técnicas, que são absolutamente triviais, dados os meios actuais, tentam esconder-se num único argumento, enumerando múltiplos cenários desnecessários.
Esse argumento é o de que a actividade humana se centra entre as 7h30 e 17h30, e num desespero que chega a doer pelo irrealismo, é pretendido que o meio-dia coincida com o meio do dia...

Ora 12h00-7h30 dá 4h30 para a manhã, e 17h30-12h00 dá 5h30 para a tarde.
Ou seja, um desequilíbrio de manhãs mais curtas que as tardes em uma hora...
Só que esse desequilíbrio é muito maior, e isso não é minimamente abordado ou admitido.

À excepção de cafés, ou similares, são raros horários anteriores às 8h00, e a maioria dos estabelecimentos comerciais, fora centros comerciais, tem o seu fim de actividade às 19h00.
Isso causa manhãs com 4h00 e tardes com 7h00, num desequilíbrio de 3 horas.

Os restaurantes percebem bem o "assunto astronómico" e têm o seu meio-dia regulado para o meio do dia de trabalho, ou seja, abrem às 12h00 e fecham às 15h00, com o meio-dia às 13h30, coincidindo exactamente com o meio do período que vai das 8h00 às 19h00.
Surpreendentemente, e como estranhamente sabem que a actividade humana termina às 19h00, abrem os restaurantes para jantar às 19h00, e não às 17h30.

É claro, pode pretender o OAL diferentemente, se conseguir que os restaurantes sirvam os almoços das 10h30 às 13h30, e comecem a servir os jantares às 17h30. Os jornais das 20h00 passarão então a ser emitidos às 18h30. Podem ainda tentar que as aulas comecem às 6h30, em vez das 8h00, e que as lojas fechem às 17h30 em vez das 19h00.

Tudo isso é perfeitamente possível, mas corresponde apenas a ignorar que a actividade humana está centrada no horário das 13h30, que durante o horário de Verão corresponde aí ao meio-dia solar.

Por isso, se houvesse alguma intenção de regulação da luz do dia com a actividade humana, não se deveria fazer qualquer alteração de hora... mas, ui, ui... isso seria assumir que o meio-dia solar ocorreria mais próximo das 13h30 do que das 12h00.

Quanto à efectiva poupança de energia eléctrica, para uma sociedade que se habituou a ser noctívaga, pois isso seria um detalhe "mínimo", que não interessaria às empresas eléctricas.

No entanto, sendo até sensível ao desagrado de rumar ao trabalho ainda de noite, não me desagradaria esta mudança de hora no final de Outubro, contando que o assunto estaria equilibrado. Ou seja, se a mudança é feita menos de 2 meses antes do solstício, a nova mudança deveria ser antes de 2 meses depois do solstício... ou seja, antes do fim de Fevereiro.
Não é isso que acontece, a próxima mudança será a 30 de Março de 2019... e o OAL reconhecendo esta desproporção, é ainda mais caricato apontando o outro sentido, o sentido EDP - ou seja, antecipar a hora logo em Setembro e não em Outubro.

Estive no Brasil numa altura em que o Sol nascia pouco depois das 5h00, e nunca vi tanto desperdício de actividade humana, porque as coisas só começavam efectivamente a funcionar no horário clássico. Portanto, o assunto não é de menor importância, mas a maneira como é abordado revela muito do que está instalado.

O que está instalado é simples... a partir do momento em que a iluminação artificial substituiu a natural, o Inverno deixou de ser um tempo de repouso de actividades campestres, para ser um tempo de trabalho nocturno. E assim, a grande graça de iluminação do génio humano, passou a receber todas as sombras de desgraça pela simples perversidão humana dirigente.

domingo, 21 de outubro de 2018

Novelo das 8 (2) - tanques e a roupa suja

- Referes-te a tanques?
- Sim, mas não a tanques militares. 
Tanque comunitário. (imagem)

- Ah... quando acumulava a roupa suja?
- Não, o que acontecia quando a roupa era roubada?
- Não percebo.
- De quem era a culpa, da lavadeira, da governanta, ou do mordomo?
- A culpa seria do ladrão, ou está-me a escapar qualquer coisa?
- Esquece lá o ladrão. Ninguém quer saber dele nem da lavadeira. Escolhe, governanta ou mordomo?
- A roupa ainda era usada?
- Não, era velha.
- Bom, se a ideia era despedir a governanta, parece-me ideia do patrão.
- Nesta casa não há patrão, nem CEO, nem nada dessas coisas.
- Ou seja, há quem mande, mas não quer que se saiba quem é...