terça-feira, 26 de agosto de 2014

Submarinos ao fundo

A 2ª Guerra Mundial, apesar de não estar muito longe no tempo, de contar com inúmeros registos em fotografias e filmes, continua a ser um dos períodos mais confusos e mal compreendidos historicamente.

Em 21 de Maio de 1945, ao largo da Nazaré, a tripulação faz afundar o submarino alemão U-963
A Alemanha tinha-se rendido aos Aliados, menos de duas semanas antes, e havia ordens para que todos os vasos de guerra se entregassem. Não foi o caso de deste, e de outro submarino alemão, o U-1277, que foi afundado pela tripulação em 3 de Junho de 1945, ao largo de Leixões.

Preferir afundar os submarinos a entregá-los aos inimigos, foi a denominada Operação Regenbogen.
No dia do Armistício, 8 de Maio de 1945, a quase totalidade dos submarinos alemães tinha-se afundado, ou rendido às tropas aliadas. 
Apenas faltavam 4 submarinos - dois acabam em Portugal, outros dois na Argentina:
  • U-963 - que é afundado pela tripulação, na Nazaré em 21 de Maio.
  • U-1277 - que é afundado pela tripulação, em Leixões a 3 de Junho.
  • U-530 - entrega-se a 10 de Julho na Argentina - Rio da Prata.
  • U-977 - entrega-se a 17 de Agosto na Argentina - Rio da Prata.
Se sobre dois os submarinos afundados em águas portuguesas se diz pouco (não há sequer página na wikipedia), os dois submarinos que se vão render na Argentina têm servido para todo o tipo de especulação. Houve jornalistas que afirmaram ver o desembarque de civis, que foram associados a Hitler e Eva Braun, foi falado que esses submarinos transportavam o ouro do Reich, etc. A prolongada ausência dos submarinos levou ainda a especulações que houvesse uma última missão na base de Schwabenland, na Antárctida.

O episódio do submarino afundado, e o seu impacto na Nazaré, terá sido recuperado numa reportagem da SIC de 1998 (de Aurélio Faria e Jorge Ramalho), e depois terá caído de novo no esquecimento. Houve uma tentativa de localizar os destroços, na altura, sem sucesso. O submarino U-1277 em Leixões, ao contrário parece ser avistado frequentemente pelos mergulhadores.

Reportagem sobre o U-963 na Nazaré, e mergulho que avista o U-1277 em Leixões.

Como podemos ver na reportagem sobre o U-963, a história foi sendo tão pouco falada que na Nazaré passava já como sendo lenda. Este fenómeno é recorrente... se não há uma certa institucionalização dos factos, os relatos passam pela natural desconfiança alheia, mesmo que seja testemunhado por uma população inteira. Por outro lado, a ocultação histórica em Portugal, é também já histórica...

Há relatos que indicam que o U-963 estaria danificado por um bombardeamento, e que acabaria por afundar-se naturalmente, tendo a saída na Nazaré sido feita horas antes ocorrer. Porém, tudo indica que o local foi escolhido e a saída da tripulação planeada. A tripulação foi depois entregue ao comando inglês e aprisionada em Gibraltar, conforme consta do registo (3 oficiais, e 41 outros membros):
onde é dito que nenhuns papéis foram recuperados pelos Aliados.
Karl-Werner Wentz, o comandante 
que determinou o afundamento do U-963.

O Canhão da Nazaré não estará talvez fora da razão de escolha... por um lado seria a forma de se aproximar mais da costa em profundidade, e por outro lado, poderia garantir grande profundidade no afundamento.
Se há mistério relativamente aos outros submarinos, que acabaram por ser recuperados, ou mesmo o U-1277, que está ao alcance de mergulho, no caso do U-963 foi diferente - se levavam alguma "mercadoria" colocada em Trondheim a 23 de Abril, antes da morte de Hitler, essa carga ficou definitivamente escondida em profundidade, ao largo da Nazaré. Que tal acontecimento passe ao largo da divulgação habitual deste tipo de curiosidades, também já sabemos ser algo crónico quando se menciona Portugal.

Os submarinos alemães aparecem-nos assim aos pares, não apenas nestes dois afundamentos planeados, mas também pelas portas de encomendas recentes.
Esquecendo as quadrilhas criminais que submergem na lei, a história da Esquadrilha de Submarinos começa ainda ao tempo de D. Carlos com a encomenda de submarinos italianos em 1907 (seriam três que chegaram a tempo da 1ª Guerra Mundial).
O primeiro submarino ao serviço da Marinha portuguesa,
era italiano, chamou-se Espadarte, e chegou em 1913. (notícia DN)

D. Carlos, grande entusiasta da exploração hidrográfica, foi assassinado antes de receber a encomenda do Espadarte, um submarino que poderia ter na sua visão mais utilidade do que simples vaso de guerra.

Porém, convém entender que se em Espanha, Isaac Peral concebera em 1885 o primeiro projecto de submarino, tal ousadia não passou as restrições "chamadas conservadoras" da marinha espanhola.
Apesar de mostrar performances semelhantes aos U-boat alemães que seriam depois desenvolvidos para a 1ª Guerra Mundial, tal projecto espanhol foi abandonado dois anos depois:
O primeiro submarino moderno, de Isaac Peral, lançado em 8 de Setembro de 1888.

Muito provavelmente devido às contingências da Quádrupla Aliança, explicadas nalgum aviso enviado pelas lojas dos pedreiros, não seria autorizada tal proeza às marinhas ibéricas... que se deveriam manter subsidiárias de tecnologia das "potências autorizadas". Dito doutra forma - se querem tecnologia - que comprem, e para comprar - devem endividar-se... 

segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Muh

MUH funciona como acrónimo para Mathematical Universe Hypothesis... ou seja, é uma hipótese cosmológica em que a nossa realidade exterior se resume a uma estrutura matemática.
Apesar de ter sido popularizada mais recentemente (por M. Tegmark), parece pouco mais que uma repiscagem moderna de antigas concepções pitagóricas, lembrando que a Pitágoras já era atribuída a frase "tudo é número". 
A principal diferença será o incorporar de concepções matemáticas modernas (como a teoria de conjuntos e a complexidade da teoria do caos), mas reduz-se equivalentemente à noção abstracta de número.
MUH... por coincidência, numa imagem da wikipedia sobre o touro de lide, 
aparece a marcação de ferro com números. Toda esta imagem é um número no 
computador, mas como habitual só identificamos os símbolos numéricos no dorso.

A presença da matemática na modelação cada vez mais perfeita dos fenómenos observados, veio trazer sucessivamente a ideia de uma ligação entre realidade e matemática. Porém, apesar da crença estar instalada desde os tempos pitagóricos, houve sempre firme resistência a esta concepção platónica, em que as ideias abstractas seriam o alfa e o ómega da existência. A realidade virtual simulada em computadores seria para qualquer pitagórico uma prova indiscutível das lições do mestre, mas certamente que não explicaria tudo. 
É assim muito natural que se reencontrem hoje adeptos de um novo pitagorismo, suportado ainda pela emergência de padrões em estruturas aparentemente caóticas - como foi o caso dos fractais de Mandelbrot.

Quando escrevi o texto Arquitecturas (5) foi exactamente neste sentido MUH. Apesar de desconhecer os outros trabalhos recentes, ficou evidente que a teoria pitagórica era a que aparecia naturalmente.
A questão principal nem foi tanto perceber a hipótese MUH, porque essa é óbvia, mas sim perceber que nenhuma outra faz sentido. O problema fundamental é entender o que pode existir como constituinte... o que pode fazer sentido como partícula atómica. 
As teorias físicas actuais envolvem várias partículas, de quarks e leptões a bosões, que justificam uma certa zoologia de partículas subatómicas. No entanto, o ponto principal numa teoria de multi-partículas é a sua geração. Como apareceu então o primeiro electrão, o primeiro bosão, etc.?
Estas perguntas não são respondidas - admite-se que se formaram numa sopa do big-bang, e pronto sai uma história do caldeirão.
Ora, o ponto principal na causalidade é que cada constituinte teria que ser formado - se é formado por via de constituintes anteriores, então não é atómico - no sentido em que deriva de componentes.
Portanto, para cada geração do nada, de cada partícula, estamos a falar da geração de um universo a partir do vazio. Se estamos a falar da geração de partículas distintas a partir do mesmo vazio, a coisa não faz sentido nenhum... De alguma forma, os físicos parecem esquecer-se que as suas equações não vivem no éter, e portanto um universo que obedecesse a leis pré-estabelecidas implicaria um universo anterior onde se estabeleceram essas leis... mas parece que na história do caldeirão só interessa a sopa, é esquecida a formação do recipiente onde estava o caldo, e pior é esquecida a receita para o cozinhado da Criação.
Os astrofísicos do big-bang contam-nos praticamente ipsis verbis a história da sopa da pedra.

Assim, se um ponto principal no texto Arquitecturas (5) foi perceber o mecanismo natural da geração, que pode ser vista como uma inflação eterna, tendo simultaneamente um aspecto determinista e caótico; outro ponto principal foi entender que a única "partícula" que poderia estar em causa seria o próprio universo nos seus estados de evolução. Ou seja, o próprio universo, no seu estado anterior, servia de átomo para o universo no seu estado posterior. Não pode ser doutra forma, porque a ideia de ir buscar outros constituintes seria admitir outros universos em si... e por definição, Universo só existe um.
O que se passa é que há diferentes concepções de Universo, que vão contra a noção de ser tudo o que existe. Essas concepções vêm da percepção física que ligam mais o universo à astronomia, reduzindo quase tudo a um modelo visual de compreensão da realidade... quase como se os invisuais não tivessem direito a compreender o universo. Por isso fala-se também em "multiverso", no sentido de podermos ter outras manifestações da realidade. Ora, o óbvio é que todos esses "multiversos", versões diferentes do universo físico, seriam ainda parte de um Universo maior... e só a esse, que engloba tudo, é que se pode chamar Universo.

Uma outra questão que tenho abordado, é a impossibilidade de existência de um universo sem observadores, algo que entretanto percebi ter o nome de "Princípio Antrópico", quando aplicado a observadores humanos. Por um lado, parece uma tautologia - o único universo que conhecemos é aquele que se "esforçou" por nos dar existência... mas deixa de ser algo tão simples, quando entendemos que o universo só encontrou a sua existência quando formou seres capazes dessa observação (Arquitecturas (3)).

Usando a comparação anterior, a sopa só existe até haver alguém que a prove... antes disso, sem haver quem espreite no caldeirão, poderia até nem haver sopa nenhuma.
A prova pelo sabor é parecida com a prova pelo saber.
As papilas gustativas do conhecimento são as relações lógicas e matemáticas que estabelecem a prova.
Só que é um pouco mais complicado, para um gosto requintado é preciso identificar cada um dos constituintes, e entender a forma como se combinam na prova.
Conforme salientado no Arquitecturas (3), não há observação quando há coincidência entre observador e observado. Nesse caso há apenas duplicação. Por isso, a visão perfeita do exterior apenas o traria como cópia para o interior... isso não é observação é duplicação por réplica.
A observação é fruto de uma visão imperfeita do observado. É a formação de um pequeno universo interno resultante de visões imperfeitas do universo exterior. Essa visão pessoal é herdada na linguagem, nas noções linguísticas que aprendemos e que nos são inerentes. Essas noções abstractas ficaram como invariantes no nosso universo. No nosso universo sabemos que 2 será sempre menor que 3. Apesar de não parecer, a linguagem que usamos é tão abstracta quanto a matemática. Aliás, a matemática não é mais do que uma linguagem... e poderia ser usada como linguagem vulgar. Para dizermos que ontem fomos à praia, seria tão enfadonho como escrever "eu(tempo)=ontem; eu(local)=praia".
O exercício da linguagem é a descrição interna do universo externo. Como a linguagem tem inerentes as noções fundamentais de compreensão, há três pessoas na conjugação trinitária. O "eu" observador, o "tu" observado, e um "ele" que é a estrutura que liga e separa os dois. O ponto comum nessa ligação é a compressão pela linguagem, sendo claro que a incompreensão, o silêncio, separa e isola os mundos.

domingo, 24 de agosto de 2014

Ju

Como vou tentando deixar claro, há em cada em sílaba, em cada som primitivo, um significado que acabou por ficar entranhado nas palavras. Assim, de forma algo estranha, as palavras acabam por falar mais, acrescentando a sua decomposição nos sons e até nas grafias. Se o processo pode ser sistematizado por alguma etimologia, uma menos escondida que outra, há uma parte quase caótica que parece individual e circunstancial.

Ju é uma sílaba que nos aparece despercebida de significado... e serve de exemplo significativo.
Esta sílaba está associada a diversas palavras, sendo que no português mantemos "jus" com um significado latino de equilíbrio, de justiça, num "fazer jus", num justo, que se liga à parte do direito jurídico... que se liga a um jugo por um ri, que interpreta a lei judicial. 
Poderíamos continuar por esta linha óbvia, ligada à justiça mas depois aparecem outras palavras onde a ligação parece perder-se. Ora, numa delas é onde deve ser encontrada a raiz.
piter... parece-me poder ser visto como Ju-pater, ou seja, invocando a divindade Ju como Pai.
De forma semelhante, teremos Ju-deus como aqueles que atribuíam à entidade Ju o estatuto de deus.

Acontece que um nome alternativo para Júpiter era Jove, e isto surgiu no sentido de Jovem, como pode ser entendido que Júpiter era o filho jovem que depôs Saturno. Assim, ao escrever Ju-pater é passar Ju à figura de Pai, substituindo nesse papel Saturno/Cronos. Nesta trindade ligeira, o filho passaria a pai, colocando-se no lugar de Saturno/Cronos ao dominar os restantes irmãos no Olimpo. Só que este círculo, este O, não ficou propriamente limpo, sem acento, ou melhor, sem assento, das restantes divindades remetidas para a escuridão infernal. Essa junta foi uma junção, em que o unto serviu unção.
Associado a jovem temos o juvenil, ou juventude, mostrando mais uma vez como o prefixo ju pode resultar directamente dessa divindade primitiva. Por outro lado, a juba é bilo do rei dos animais, aqui no papel de juiz. Contra o leão só se opõe o burro, se achar que mente é jumento num kangaroo court.
Assinala-se, novamente que é-breus é diferente de ju-deus, porque breu é escuridão, ocultação, e uma atitude de bastidores não prescinde actores no palco.

Tudo isto, a propósito de quê?
De Lu... Lucy.

Lucy (2014, de Luc Besson) trailer

Até este momento só vi o trailer... e não sei se há muito mais de interessante, mas acho que apesar de um pouco rudimentar, há uma perspectiva que já se assemelha mais a poderes ilimitados.
As bases justificativas continuam a andar pelas alucinações da compreensão física do cérebro, a que se juntam aqui alucinogénios... mas o interessante é ver finalmente em tela uma melhor ilustração do que se entende por um superpoder divinal.

No entanto, o mais interessante, e que duvido que seja abordado, é que o superpoder de Lucy não é em essência de diferente do poder de qualquer um. Todos os homens aptos têm o poder de interagir com a realidade que lhes é apresentada. Essa interacção é muito limitada, e a tecnologia foi uma forma de alargar as potencialidades de interacção. Um homem pode esmagar um insecto, um super-homem poderia esmagar um comboio... é só uma questão de escala, não muda muito a essência.
Por isso, quando diminuem as restrições do super-herói, diminui o interesse do filme... se o fulano pode fazer tudo sem restrições e sem limitações, qual é o interesse da história? - Esse é um ponto fulcral, a diminuição do desafio retira interesse ao enredo... retirará interesse ao próprio objectivo de vida do fulano.

Este filme enquadra-se num outro tipo de mitologia reinante, que é a possibilidade do super-homem.
Assim, o nome Lucy não será indiferente ao nome Lucy colocado ao austrolopiteco que foi tido como o elo mais antigo à espécie humana. Esse baptismo do austrolopiteco foi associado à canção Lucy in the sky with diamonds, dos Beatles.
Lucy era assim a primeira de uma nova espécie... no nome e nas capacidades retoma-se o ideal da paranóia eugénica do super-homem, ideal que já serviu e serve ideais de má lembrança.

Quanto ao prefixo Lu - isso seria uma história completamente diferente... mas se pensamos evoluir nos sonhos - pintando os mesmos com outras cores - parece que à imaginação falta luz do Luar, falta um lume de lucidez neste lugar. Porque o L de Ele lê-se El.

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Iraqui - Ir Aqui... abanar o cão

É conhecida a associação fonética entre "Paquistão" e "Pr'aqui estão"!

Iraqui... ir aqui
Porém, há uma outra que ganha algum sentido, o americano "Iraqui" é afinal um "Ir Aqui"... 
Terá sido mesmo um "ir lá sem sair daqui", pelo menos no caso de Charles Jaco, um repórter da CNN que era suposto estar na Arábia a cobrir a Guerra do Golfo em 1991, mas afinal estaria num cenário de estúdio... em imagens difundidas internacionalmente.

As reportagens da CNN eram repetidas por todas as televisões, e à época não me lembro de ninguém duvidar da veracidade das imagens. Entretanto, parece que algum empregado da CNN conseguiu fazer sair as imagens, e instalou-se a polémica. Na wikipedia ficou apenas uma discussão de não aprovação:
Mas há outros sítios (exemplo 1, exemplo 2) onde se referiu o assunto, convenientemente abafado.
Há, como habitual, tentativas de "compor a coisa", dizer que o cenário de estúdio era no Hotel Dhahran, mas enfim... até poderia ser, só que o ecrã azul  desaparece, para dar lugar à imagem de fundo:
Isto, é claro, para não falar de todo ambiente de gozo, inclusive colocando a cabeça de um boneco Ken (da Barbie) na altura em que o vice presidente Dan Quayle falava da base naval de Mayport... e outras referências, ao modelo Scud com "Larry King Show" or "Bust" (Apanhado).

Será caso único? É claro que não é, e estamos carecas de saber sobre a manipulação mediática.
Um momento hilariante foi quando Jon Stewart se referiu a uma encenação de comunicação via satélite, feita também pela CNN.
The Daily Show calls out CNN (ver após 50 seg)
 Conforme diz Jon Stewart
Ashley from a parking lot in Phoenix, reporting via satellite with Nancy Grace, who seem to be in the same parking lot, in Phoenix. Basing that, of course, in the fact that the cars that are passing by Ashley location box also appear to be passing by in Nancy Grace's box.  
Who does that?
The audicity of "something even resembling a news organization" to pretend that a correspondent is in an entirely different location. when in fact that correspondent is no more than a few feet away... maybe in the very same studio, for all we know.
 
Pretty shameful!

É claro que as estações televisivas mentem descaradamente, mesmo as supostas serem mais respeitáveis, e tanto sobre os assuntos mais delicados, como sobre os mais corriqueiros. O que nem sempre é fácil é serem apanhadas em flagrante... 
E é claro, como o circo ainda está em funcionamento, não convém que a populaça saiba destas palhaçadas.

Abanar o Cão... 
Wag the Dog (Manobras na Casa Branca) é um filme de 1997, e talvez o que melhor mostra, de forma explícita, até que ponto pode ir o circo mediático para efeitos de manipulação da opinião pública.


Neste filme a situação vai ao ponto de se inventar uma fictícia guerra nos Balcãs, para virar as sondagens e dar a vitória numa eleição presidencial... Lembramos que este filme é anterior à vitória de G.W. Bush e portanto a população americana ainda poderia acreditar que havia alguma verdade nas eleições - ainda que tudo o resto fosse falso.
Tudo é feito com poucas imagens dessa suposta guerra, repetidas até à exaustão, muito comentário, muitos factos secundários. A manipulação não vive do suposto facto, vive da reacção comum da população ao mesmo evento difundido. Por isso, a certa altura, é mais importante mostrar que todos estão sintonia (episódio do "Old Shoe"), para que quem não esteja se sinta desintegrado.

Este filme tem vindo sucessivamente à baila, num período em que cada vez é mais evidente a manipulação despótica da sociedade, ao estilo do que previra Aldous Huxley no seu Brave New World.

Outro episódio recente onde foi percebida esta manipulação exagerada foi com o caso Sandy Hook, onde foi observado que os consternados pais, pareciam ser afinal meros actores (rindo e fazendo movimentos de concentração, antes de irem para o ar)... isto para além de inúmeros outros detalhes (não se viram corpos, nem foram identificadas vítimas, apenas uma foto circulou abundantemente, havia um check-in no local, o drama tinha sido comunicado antes de ocorrer, etc...)

Continua...
Portanto, não devemos negligenciar que estas grandes encenações continuam. Seja sob a forma de aviões que desaparecem, reaparecendo ou não, seja sob forma de eventos que causam drama público, e que justificam determinadas acções.
Nem sequer é preciso mencionar mais casos, afinal o 911 é apenas o modelo mais conhecido... da Porsche.

... porém
Há uma coisa bastante curiosa, relativamente a velhas e a novas imagens.
Quando revemos filmes de ficção científica antigos, é muitas vezes constrangedor ver os maus efeitos especiais, como se passados uns anos tivéssemos ganho uma nova percepção para identificar cenas mal feitas, encenações demasiado evidentes. Não é apenas aquilo que em criança nos parecia como monstro verosímil e em adulto passa a ser apenas um peluche feio... é também toda a percepção mais apurada, mesmo entre adultos. Mesmo a encenação da CNN no Golfo, com as máscaras de gás e o capacete, que passou nas TVs nos anos 90, parece-nos hoje ridícula. Não foi apenas porque o cinema evoluiu - a nossa capacidade crítica de ver defeitos nas encenações também aumentou.
Por isso, se as "produções especiais" ganharam maior capacidade técnica, também a populaça ganhou maior capacidade crítica... e isto foi quase de um momento para o outro, no espaço de poucos anos. É também por isso que a NASA tem agora mais dificuldade em passar os filmes antigos... aqueles saltinhos na Lua já parecem efeitos especiais de 2ª categoria quando os vemos de novo.

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Instante seguinte

Há uns meses atrás abordei aqui, nas caixas de comentários, a questão da impossibilidade da morte, para além do aspecto filosófico.

O argumento científico é simples, e pode ligar-se a conceitos tornados comuns na mecânica quântica, embora seja distinto, e mais simples.
Um caso conhecido na mecânica quântica é a chamada situação morto-vivo do "Gato de Schrodinger", que é praticamente um problema da teoria probabilistica que admite ambos os estados como possíveis, até que haja uma observação.
O gato de Schrodinger tem a sua vida dependente de uma probabilidade quântica que liberta veneno.
Só a observação determina a sua vida ou morte...

A questão do gato surge apenas como desculpa, para não parecer demasiado estranho o que irei afirmar de seguida. Ou seja, há pessoal a discutir coisas maiores bizarrias…

A impossibilidade da morte do próprio é diferente da observação da morte dos outros.
Porquê? 
Porque também é diferente a questão de observar os outros ou observarmo-nos a nós.
- Podemos deixar de observar os outros, mas é impossível deixar de nos observarmos.
- Podemos vermo-nos livres dos outros, mas é impossível livrarmo-nos de nós próprios.
Há quem julgue que a morte do próprio pode resolver esse problema… escapar de si mesmo, mas tal coisa não ocorre. Porquê?

Já abordei o assunto filosoficamente, de várias formas, mas do ponto de vista científico é igualmente possível chegar à mesma conclusão, da impossibilidade da morte do próprio.
Cientificamente assume-se que somos formados por um arranjo de partículas, em particular o cérebro nada mais seria que uma evolução na combinação dessas partículas. 
Cientificamente considera-se que a morte ocorre quando é inviável a continuação desse arranjo que permite a vida cerebral. Há uma descontinuidade, entre o momento em que a vida era viável, e o instante seguinte, onde deixou de ser viável. As razões da morte podem ser múltiplas, e não interessam no detalhe.
Agora a questão que se coloca é a seguinte:
- É impossível que, num tempo futuro, os mesmos átomos do cérebro, do corpo, se juntem exactamente da mesma forma, na forma anterior ao instante que determinou a morte?
- Não é. Nenhum físico quântico pode afirmar isso. Pode dizer que a probabilidade é próxima de zero, mas não pode dizer que é zero. Para além disso, o número de átomos é finito, e assim os arranjos da matéria são em número finito.
- Ora, se a probabilidade não é nula, o que garante que não pode voltar a ocorrer o mesmo arranjo?
- Nada. Além disso, como o tempo é interminável, por mais pequena que seja a probabilidade, ao fim de um tempo suficientemente grande, essa probabilidade quase nula passará a certeza. Aceitar que não ocorre seria apenas admitir que os dados universais estavam viciados contra nós… e isso seria um pensamento viciado.

Até aqui foi mais ou menos o que expus nas caixas de comentários, em resposta a Amélia Saavedra, a propósito de uma discussão com o José Manuel. Conforme resumi na altura:

Admitir a morte seria declarar uma impossibilidade de vida futura. 
Com que base é declarada essa impossibilidade? Com nenhuma. 
Ora se não há impossibilidade comprovada, existe uma possibilidade, por mais infinitamente pequena que seja.

Só que, como referi, isto seria apenas uma parte da resposta… que vou agora completar.
Há vários embrulhos nesta questão, uns mais fáceis de ver que outros.

Primeiro, admitindo que se voltariam a dar essas condições de vida, o que impediria que se repetisse o mesmo cenário de morte, de inviabilidade? Nada. Mas, não são os cenários de morte que interessam, interessa saber se não pode haver um de vida. Ora, se tudo sempre se repetisse, isso significaria um ciclo universal, o que corresponderia a um fim do universo… e ao experimentar uns arranjos e não outros, seria mais uma vez um universo viciado, em pensamento viciado.

Segundo, interessa perceber o que é o "instante seguinte".
A noção de tempo que temos é pessoal, e o nosso instante seguinte nada tem que estar relacionado com o instante seguinte alheio. De acordo com as mesmas probabilidades quânticas, nada impediria que um tigre se materializasse à nossa frente… é apenas considerado como uma probabilidade infimamente pequena. Porém, nada é dito porque razão essa probabilidade é pequena.
Ora, essa probabilidade é pequena porque o convite ao caos foi feito com conta, peso e medida.

O nosso instante seguinte é sempre aquele em que há viabilidade de estarmos.
O instante seguinte para uma pessoa que sofre um coma de vários anos, é muito diferente do instante seguinte para os outros. O instante seguinte para quem esteve em coma só se pôde efectivar passados esses anos, e foi diferente do instante seguinte para todos os outros.
Há muito tempo que entendi que o nosso instante seguinte é uma mera questão de viabilidade, tal como quando sonhamos, o nosso instante seguinte ocorre com uma grande descontinuidade de eventos externos.
Dessa mesma forma podemos entender que todos os nossos instantes seguintes são determinados pela viabilidade do conjunto. Estamos todos sobre a mesma realidade enquanto houver viabilidade para esse conjunto. Ou seja, de um instante para o outro, podemos pensar que se esgotam todos os universos não viáveis, e ficamos apenas no único que é viável para nós. A viabilidade desde conjunto é apenas o garantir de que não termina, evitando entrar em ciclo repetitivo ou em estagnação.

Portanto, tal como para quem acorda de um coma de vários anos, a certeza de que seremos de novo viáveis num futuro, torna indiferente se se passam milhares ou milhões de anos… para o próprio será sempre o instante seguinte. Essa certeza de viabilidade futura resulta apenas da certeza que não há inviabilidade demonstrada, pelo contrário. Portanto, se um corpo pode ser inviável num contexto material, e aí perecer, a mudança desse contexto material poderá fazer aparecer o mesmo espírito, não necessariamente no mesmo corpo, porque o que interessa é a viabilidade do espírito. Uma viabilidade que não se justifica pelo indivíduo, mas sim pela própria viabilidade universal.

Poderá haver quem tente desviar as evidências, e pretender que há aqui uma tentativa religiosa de pretender dar significado à vida para além da morte. Porém, só quem não pensou no assunto é que pode considerar que uma eternidade é melhor do que uma morte… perante certas perspectivas de vida, a morte é um mal menor. Fiar-se na morte alheia para concluir a sua é apenas uma conclusão deficiente. Deficiente porque não declara a morte do corpo alheio, que está presente, declara apenas o fim da associação entre o corpo e o espírito, porque o espírito alheio deixou de se manifestar ali, através daquele corpo. E o espírito que nada pesa, seria afinal o garante da vida do corpo.
Ou seja, convém notar algo que é negligenciado - se não vemos espíritos sem corpo - fantasmas, também não temos como vivos corpos sem espírito - zombies…

Para terminar, um bocadinho de pseudo-etimologia… no "instante" podemos ver uma forma de "instar" com o sentido de "em estar". Mas interessa mais a forma "seguinte" de "seguir", que tem a interessante irregularidade na primeira pessoa - dizemos "eu sigo" e não "eu sego". É interessante porque "cego" adapta-se bem a quem segue quem vê… e em estarmos cegos para o seguinte.

Nota (9.9.2014):
Interessante, a informação do José Manuel, sobre a experiência de Gabriela Barreto Lemos e outros investigadores quânticos em Viena, que separaram um raio verde, de fotões previamente entrelaçados, em dois raios de luz - um vermelho e outro amarelo. Este entrelaçamento (entanglement) quântico faz com que uns partilhem a vida dos outros. No caso, os raios amarelos iriam colidir e reflectir-se numa imagem de um gato (aludindo ao Gato de Schrodinger), enquanto os vermelhos iriam directamente para a câmara de fotografia.
Resultado - os raios vermelhos sem nunca terem visto o gato, apresentaram a imagem que os amarelos transportariam. Mais, os vermelhos ao serem capturados pela câmara desapareceram, e assim os amarelos antes de atingir a câmara também desapareceram.
Isto é o mais próximo que estamos de Vodu… entrelaçados os amarelos que vão para o boneco, com os vermelhos que vão para a câmara, o que acontece a uns, acontece aos outros.
A luz vermelha que nunca atingiu a imagem do gato,
recebeu informação instantânea para produzir a imagem vista pela luz amarela.
(G. B. Lemos, daqui)

Claro que esta informação instantânea que passou dos fotões amarelos para os vermelhos, implicaria o fim do pretensiosimo einsteiniano de "limite de velocidade". Porém, os polícias instruídos nas multas pelo limite de velocidade podem argumentar que ainda é a mesma partícula, em sítios diferentes. É mais ou menos o mesmo do que dizer que um Fórmula 1 nunca sai da partida, porque deixou um rasto de pneus no arranque. Enfim, uma mudança é sempre difícil de engrenar...

Os autores argumentam sobre as aplicações médicas - porque uma luz amarela pode viajar pelo interior do corpo humano, sem regressar - a informação é fotografada na informação transmitida à mana, a luz vermelha, que vai direitinho para a fotografia.
Mas pode-se ainda pensar numa aplicação astronómica, a luz amarela segue o caminho de um planeta e a vermelha fica na Terra, até aparecer na fotografia o que a mana viu.

Este entrelaçamento quântico ocorre em "partículas gémeas", mas poderá dar base para especular que este entrelaçamento de pares pode ocorrer noutro tipo de gémeos.

http://www.nature.com/news/entangled-photons-make-a-picture-from-a-paradox-1.15781
http://www.nature.com/nature/journal/v512/n7515/full/nature13586.html


quinta-feira, 31 de julho de 2014

Más Projecções

Projecção é uma palavra com um significado alargado.

Começamos com a geometria projectiva, e o problema da ilusão óptica.
Um exemplo conhecido foi criado por Escher, onde cada parte da imagem parece fazer sentido, mas a sua composição é completamente absurda.
Relatividade de M.C. Escher (1953)


A figura seguinte é outro exemplo conhecido, em que se cria a ilusão de uma representação 3D que parece bem desenhada localmente na imagem 2D, mas que não faz sentido globalmente.

Triângulo impossível (Reutersvard, 1934)

Curiosamente, foi criada em Perth (Austrália), um monumento 3D que permite ver esta ilusão:
Triângulo impossível (em Perth, Austrália)


Para além da curiosidade ligada à ilusão óptica, há algo mais geral que deve ser entendido daqui.
- uma soma de projecções locais correctas, não significa que depois faça sentido global.

Passamos ao outro sentido da palavra projecção, no sentido de previsão.
O problema é o mesmo... o facto de conseguirmos prever o funcionamento de cada parte não significa que consigamos prever o funcionamento do conjunto. No texto anterior (duplo corte) foi dado um exemplo - se era possível prever o comportamento dos electrões que passavam por um corte, já não era possível prever o que faziam em dois... porque dependia - se era visto ou não.

De que forma estes conceitos de projecção se ligam?
- No sentido geométrico há claramente um problema de dimensão - as representações em 2D, as imagens numa superfície, estão longe de reflectir a forma real em 3D, no seu volume.
A projecção perde uma dimensão e é ambígua - só vemos uma parte, e essa parte pode corresponder a vários objectos... porque desconhecemos o que se esconde por trás.
- No sentido temporal, o problema é idêntico.
Como?

A projecção que fazemos para o futuro é baseada no passado, e o passado que já aconteceu é apenas uma projecção (dita real) do que poderia ter acontecido... as restantes possibilidades são imaginárias.
No entanto, ao querermos passar para o futuro faltaria esse aspecto de dimensão extra, que encerra todas as possibilidades do que pode acontecer, e não o determinismo do que vai acontecer.
O futuro é o lado escondido do objecto, o lado que não poderemos detectar, por muito boa que seja a fotografia que tirarmos do passado. O objecto está lá "imóvel", mas a única coisa que podemos dizer é que pelo aspecto da fotografia do passado, deverá ser isto e não aquilo, mas sem mais certezas.
Foi este o aspecto inovador que a mecânica quântica trouxe à nossa percepção, mas que seria possível de entender, mesmo sem as experiências atómicas. A minha única objecção à interpretação corrente da mecânica quântica é a de que esse futuro não é incerto, é o único certo. A ideia de livre arbítrio é real pela imprevisibilidade na projecção do filme, mas isso não significa que o filme não esteja já feito. Tem que estar feito, porque fora do filme universal, não há nada, é o vazio... e por isso a criação é inerente.

"Projecção" tem ainda outros sentidos. Um deles é a "projecção no outro", ou seja, colocarmo-nos no seu lugar. Mais uma vez isto é uma visão parcial, porque pelo nosso conhecimento próprio não podemos antever as múltiplas possibilidades de raciocínio alheio. A fotografia que podemos tirar dos outros resulta muito das fotografias que conseguimos tirar de nós próprios imaginando outros cenários. 

Depois há ainda as projecções mais livres, em que certos "vega" pretendem uma projecção humana nos animais, entendendo-os de forma similar. Esse entendimento anula o conceito de animal, praticamente reduzindo todas as formas de vida a formas de vida humanas, encarnadas em diferentes formas. 
Nem se trata de dizer que pode ou não ser, o que é certo é que reduz todos os conceitos a um único... e de igual forma até as formas sem vida, poderiam ser projectadas como humanas - algo que fez parte da mitologia mais antiga, aplicada a fenómenos naturais. 
Assim, essas tendências, que procuram ser menos antropocêntricas, acabam por sê-lo mais do que as outras, já que apenas usam a manifestação humana para tudo. O facto de ser o seu entendimento subjectivo que conta, e não a interpretação objectiva dos outros, ainda os torna egocêntricos.

Projectar resulta da composição do prefixo "pro" com "jactar" de onde vem "jacto". 
Ora, jactar é lançar (como em "alea jacta est", os dados estão lançados). 
Projectar é assim lançar para a frente, ou para o futuro.
Rejeitar, que é desvio português de rejectar (inglês: reject), será lançar para trás.
Outras variantes são "dejectar" ou "enjeitar" ambas ligadas a lançar para fora.
Outra ainda está no "sujeitar" (inglês: subject) ficar abaixo do lançado, ou em "injectar" como inserir no jacto.
O jeito português misturou essas raízes... o jeito de lançar substituiu o jacto. 
Mas esse jeito de lançamento, provavelmente do dardo, ficou no gesto ou na gesta, e nalgumas povoações ainda se ouve o "ter jêto" em vez do "ter jeito".

Há assim o "projecto" que é pensado antes de enviar o "projéctil".
Esta ligação dos conceitos espaciais e temporais, fica num misto de coincidência e propósito.
Não posso dizer que seja propositada, porque nunca vi nenhum entendimento de que o passado é uma projecção do futuro... as coisas são vistas ao contrário - é do passado que se projecta o futuro.
No entanto, tanto podemos ver uma sombra como uma projecção do objecto, como a partir dessa sombra projectar o que será o objecto.

Como em múltiplas outras coisas, com que me venho deparando, é difícil distinguir se há um racional humano, ou se o racional está já num nível superior de ligação.

terça-feira, 29 de julho de 2014

Nebulosidades auditivas (17)


Morcheeba - Otherwise

They wanted me here
Just to show you my face
But when it comes to the crunch
I just hide in disgrace
You're calling me mad
But I know you're the same
Cause you got to be seen to be playing the game
Yes we got to be seen to be playing the game

It ain't gonna hurt now
If you open up your eyes
You're making it worse now
Everytime you criticise
I'm under your curse now
But I call it compromise
I thought that you were wise
But you were otherwise

A specimen like you
I would love to obtain
I asked a tedious guy if he'd tell me your name
I'd love to impress you
With a back sumersault
I wanna take up your love
But it's locked in a vault
I wanna take up your love
But it's locked in a vault

It ain't gonna hurt now
If you open up your eyes
You're making it worse now
Everytime you criticise
I'm under your curse now
But I call it compromise
I thought that you were wise
But you were otherwise

When I open my mouth
I'm so brutally honest
And I can't expect that kind of love from you
When you open your mouth
Your teeth are beautifully polished
And I can't extract the pain you're going through
No I can't explain
The pain you're going through

It ain't gonna hurt now
If you open up your eyes
You're making it worse now
Everytime you womanise
I'm under your curse now
But I call it compromise
I'm under your curse

It ain't gonna hurt now
If you open up your eyes
You're making it worse now
Everytime you criticise
I'm under your curse now
But I call it compromise
I thought that you were wise


But you were otherwise

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Aviam avião MAS 17

Um dos aviões seguintes é o Boeing 777-200 ER que se perdeu no Golfo da Tailândia.
O outro é o Boeing 777-200 ER que foi abatido sobre território ucraniano.



Qual é qual?
É difícil dizer, porque são praticamente idênticos, já que o modelo é o mesmo e estão pintados pelas mesmas cores da mesma companhia aérea. Ambas as fotos são de 2011, uma em Roma, outra em Paris.

A Malaysia Airlines teria 13 ou 14 destes aviões, numa frota de 92.
Quer na rota Kuala Lumpur - Amsterdão, de longo curso, quer na rota Kuala Lumpur - Pequim, de médio curso, foi usado o mesmo modelo (que é mais comum para longo curso).

Quando escrevi aqui o texto Aviam avião MAS 370, não poderia pensar que estaria 4 meses mais tarde a escrever outro semelhante, mudando apenas o número do voo - que de 370 passou a 17.

No ano passado, anunciava-se que a probabilidade de morrer num acidente de aviação era de 1 em 11 milhões. Não chegava à probabilidade de ganhar o Euromilhões (que é de 1 em 116 milhões), mas era menor do que ganhar o 2º prémio (que é de 1 em 6 milhões). Nos sites de curiosidades, afirma-se que é menor do que ser atingido por uma peça de um avião.

Pois bem, não é exactamente a mesma coisa pessoas e aviões, até porque apenas estão registados cerca de 200 mil aviões. De qualquer forma, a probabilidade de 2 aviões da mesma companhia desaparecerem por razões completamente distintas, deverá ser muito inferior à probabilidade de uma pessoa ser atingida por um raio.
Pode ocorrer, mas ninguém vê isso como uma ocorrência verosímil.

Acrescem alguns detalhes:
  • Fevereiro, 24: A crise da Crimeia estala e ameaça alastrar-se à Ucrânia russófona.
  • Março, 6: O referendo antes anunciado para 30 de Março passa para 16 de Março.
  • Março, 8: O voo MAS 307 desaparece sem rasto.
  • Março, 17: Realizado o referendo, a Crimeia é nesse dia integrada na Rússia.
  • Julho, 17: Cai o voo MAS 17, que sobrevoava a região ucraniana em conflito.

Quais são os voos civis que passam pela zona de conflito que se previa ocorrer na parte de Donetsk?
- Uma boa parte deles têm como destino a Malásia.

Quem é o destinatário de toda a pressão internacional, pela queda do avião?
- Mais que os separatistas... é a ambição de Putin sobre a Ucrânia. Como não associar Putin ao uso de um míssil rebelde e a queda do avião?

Portanto, se já é improvável os dois vôos caírem, mais improvável fica que os eventos que ocorriam na queda de um se venham a ligar na queda do outro, por coincidência de datas e da rota dos aviões malaicos sobrevoar aquela zona da Ucrânia.

Até aqui ficamos apenas no campo das probabilidades.
Porém não parece haver nexo entre a razão de um e a razão de outro incidente.
Que história se poderia conceber para tal acto?

Pois bem, como assacar culpas por derrube de um voo civil, sem causar vítimas?
Sabemos que há muita imaginação, não só nos serviços secretos, mas também em quem vê de fora.

Que tal fazer desaparecer misteriosamente um voo, de forma a que não se encontrasse o aparelho.
O aparelho ficava então a serviço para qualquer objectivo.
Como o objectivo é não fazer vítimas, colocam-se cadáveres no avião.
Com telecomando leva-se o avião na rota comercial prevista, e lança-se um míssil russo (disponível no mercado, quer aos separatistas, quer aos ucranianos, ou outros). 
Bom, e as pessoas desaparecidas? Poderiam ou não entrar num "programa de testemunhas"... livrando-se de morte certa, o seu compromisso com a vida é ficar de "bico calado". São colocadas separadamente em diversas cidades, e ficam agradecidas por terem direito a uma segunda chance.

Isto é uma possível história, há muitas outras.
Podemos encarar como verosímil que os separatistas abatessem um avião desconhecido, arriscando a ira de Putin, se abatessem um aparelho russo com as próprias armas russas... podemos pensar que os ucranianos voltaram a abater acidentalmente um aparelho civil (como no caso do Siberia Airlines 1812), ou que Putin perdeu a cabeça e decidiu disparar contra um aparelho civil.
Estas teses têm adeptos no jornalismo habitual... porém nada disso explicaria a coincidência macabra sobre os voos malaicos. 
Ao contrário, aquela pequena historieta, acaba por explicar tudo... escolha-se o que é mais verosímil.

domingo, 20 de julho de 2014

Duplo Corte

Parece normal que, na intimidade, nos comportemos de forma diferente, se soubermos que estamos sob mira duma câmara paparazzi...

Certo. Porém, ninguém vai acreditar que uma bola de futebol altere a sua trajectória, pelo simples facto de ser ou não fotografada. Também ninguém acredita que uma máquina funcione mal, mas se começarmos a gravar para mostrar, ela passe a funcionar bem.
Já ocorreu uma máquina não funcionar, mas quando levada para reparação, funciona bem?
Pois bem, acontece isso com electrões!

Uma experiência de difracção com duas fendas foi realizada com electrões... e surpresa:
- o resultado será diferente consoante a intenção do observador!

Uma boa explicação da Experiência da Dupla Fenda (T. Campbell)
Outras alternativas:

Não é brincadeira, é talvez a experiência mais intrigante da história da Física... 
As mais pequenas partículas, os electrões, comportam-se diferentemente consoante o registo feito.


Dupla Fenda
Se não houver registo, os electrões comportam-se como ondas.
Se houver registo, os electrões comportam-se como partículas.

Entretanto, isto tem levado a especulações filosóficas:



Bom, o problema está aí para ser visto.
Se é ignorado, é porque a "Ciência" gosta de esconder gatos, mesmo o de Schrödinger
Porém, deixou aqui o rabo de fora, para ser visto.
O que se passa, afinal?

Aceitar que as partículas se comportam de forma diferente se estivermos a registar o seu percurso, é quase como entender que as pessoas se comportam de forma diferente se souberem que estão a ser seguidas ou não. 
Porém, como não se associa nenhuma consciência aos electrões, que são as mais pequenas partículas, a Física ficou com um problema que não tem explicação fora de alguma interpretação filosófica/mística.
Surgem assim variadas interpretações.
Ao que é dito, não é apenas o acto de observar que influencia a experiência... é o registo que vai ser feito.
Pior, como as partículas chegam à tela mesmo antes do registo, os electrões já sabem qual é a intenção do observador.

A analogia é a seguinte. Suponhamos que as partículas são pessoas a passar por duas portas.
Uma coisa é dizer que as pessoas/partículas perante controladores nas portas seguem em frente, e se eles não estiverem lá interagem e dispersam-se. Pior, é dizer que as pessoas/partículas topam o esquema e só seguem em frente se o controlador tirar fotografias a sério. Mas algo ainda mais surpreendente, será as pessoas/partículas dispersarem prevendo que as fotografias não vão ser vistas. E isto é feito uma a uma.
Como pode cada partícula saber do futuro registo, sem visitar o futuro?

Pois, estas constatações da Mecânica Quântica abalaram a Física, a Ciência e o senso comum.
Uma das explicações que vemos nos vídeos é a ideia de que há uma consciência universal das partículas, e umas "sabem" o que as outras irão fazer... ou seja, "as pessoas conhecem os controladores". Nessa perspectiva, todo o sistema interage nessa consciência universal, que pode até ser vista como sendo manifestação divina.

Há uma outra explicação simples, enquadrada exactamente no que tenho vindo a expor nos últimos anos. 
Ou seja, que o futuro já se cumpriu... (o que não significa que já aconteceu!)
O que significa é que as coisas que ocorrem hoje têm a ver com a viabilidade universal no futuro.
Outras hipóteses, sem viabilidade consistente no futuro, não ocorrem no presente.

Ou seja, se houvesse um registo das pessoas/partículas que dispersavam, isso revelaria pessoas diferentes, ou electrões diferentes... revelaria quem ia para um lado e para outro. Ora, os electrões são iguais, e por isso seria inconsistente. Os electrões querem manter-se no anonimato quando dispersam, quando "quebram a lei", não querem mostrar como quebram a lei... porque não há nenhuma lei individual. 
Há apenas uma lei estatística, quando não são controlados. 
Quando são controlados, ficam previsíveis, seguem em frente "em rebanho". Quando não são controlados há um caos individual que entra - não se sabe onde vai parar cada um, mas sabe-se no final qual vai ser a distribuição aproximada. 

Como nas estatísticas de um supermercado - sabemos que 90% das pessoas escolhem o produto promocional, mas há 10% que não. Os mais controleiros querem saber quem são os 10% que fogem ao padrão. Porém, o que os electrões nos ensinam é que, havendo controlo, todos escolhem o mesmo, e acaba-se ali o controlo.
Como podemos saber que há controlo?
Aquilo que os electrões "nos dizem" é que podemos ficar descansados - nós não sabemos, mas eles sabem!
O universo em que os controleiros venceram, não é o nosso universo.
Aquilo que os electrões nos dizem é que temos "liberdade individual"... mas esse caos de escolhas não é completamente caótico - só podemos fazer as escolhas que não destroem o equilíbrio do universo. O caos local que entra tem alguma ordem global.

Como tem isto sentido científico?
Tem, não tirando o observador da observação, conforme a Ciência gosta de fazer.
Se o electrão é controlado individualmente, deve comportar-se na lei como uma partícula.
Se o electrão é apenas controlado estatisticamente, pode comportar-se como uma onda de probabilidades. 
O caos é convidado a entrar, entra o imprevisível, entram na observação os universos em que o electrão não seguia a direito, com a lei previsível. Porém o imprevisível não entra para destruir todo o nexo, segue um comportamento probabilístico, para uma boa repartição estatística, na forma de "onda".
Esta dualidade partícula-onda permite a lei da partícula, e a lei global de onda, mas com um elemento local caótico.

A teoria dos vários universos é probabilisticamente correcta.
A partícula/electrão só tem que seguir a direito se todos os universos obrigassem a que ela seguisse a direito.
Ora, pensar nessa limitação, é limitar as possibilidades à lei.
Assim, no universo em que estamos, há essa ordem de seguir a direito... mas essa ordem pode ser quebrada pela interacção. Neste caso, na interacção resultante de duas fendas... mas manifesta-se em toda a interacção de partículas. Portanto, os universos que "quebram as regras" vêm do Caos visitar-nos, mas com o compromisso de se "portarem globalmente com ordem" - para que se não instale globalmente o caos.

A concepção de tempo é que está normalmente incorrecta.
Ou seja, é difícil aceitar que o futuro já se cumpriu, e que estamos no comboio que não saiu dos carris.
Todos os outros universos, mais tarde ou mais cedo, acabaram por sair dos carris.
O que significa "sair dos carris"?...
Bom, significa "sair do cá ris", do caminho do rio... do corte do Tajo.
Podemos colorir o desenho como quisermos, mas a história será a mesma.

O observado não existe sem o observador, por muito que Einstein dê voltas na tumba.
Sem nenhuma consciência que o registe, tudo o resto é vazio até ser descoberto.
Dizer que não é, é apenas uma crença inverificável até ser registada.
O universo sem observadores seria vazio de existência.
Por isso, o universo em que estamos não se desliga de quem o vê. Foi feito para ser visto.

Agora, há muitas maneiras de ser visto... mas só uma que nos inclui.
Por isso, cada decisão que tomamos é a decisão certa neste universo, ainda que a nossa compreensão para tal seja sempre insuficiente... porque a compreensão de tal só se faz pelo futuro inacessível.

Não poderíamos ficar num universo bem ordenado, onde o Caos não tivesse lugar... o caos tem que aparecer, todos os filhos de Gaia têm que ser vistos, a seu tempo.
Esse era o problema de Gaia - a ordem que Úrano trazia apenas iluminaria uma parte do Caos, deixaria nas trevas todos os filhos que fugiam a essa ordem.
O corte temporal de Cronos castrou a reprodução de universos. Cada universo é uno na sua sequência temporal... e o problema de Raia é que tal cisão engoliria o passado. Com Zeus, a imprevisibilidade temporal, o caos do tempo atmosférico, permitiria vislumbrar que o caos reemergiria pela ordem. Ou seja, a imprevisibilidade permite considerar que não é nula a possibilidade de revisitarmos um contexto passado.

E é esse o ponto principal... nada é fisicamente impossível, desde que o Caos possa entrar.
Porém, não pode entrar de qualquer forma - se não há regras locais, há regras globais de equilíbrio.

Nicky Romero - Toulouse.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Corte do Tajo

Tajo é o nome do rio Tejo em Espanha.

O Tejo faz o corte fluvial mais significativo na península ibérica.

Canhão do Alto Tejo - Parque Natural del Alto Tajo
(onde são ainda mais profundos os canhões do afluente Gallo).


Tajo, em espanhol, significa corte profundo, feito com um instrumento afiado.

Museu de Belas Artes, Buenos Aires

Denotando o carácter de corte profundo, o impressionante desfiladeiro de Ronda é também chamado "El Tajo". Toponimicamente podemos ligar assim o nome Tajo a uma menção a grandes desfiladeiros, gargantas profundas.
Porém, isto não parece ser propriamente característica comum do Tejo no seu curso actual, a menos que sejamos remetidos à sua origem no Alto Tejo espanhol. No entanto, os desfiladeiros no curso inicial dos rios não são incomuns, e o Tejo não parece ser nada significativo nesse aspecto. 
Digamos que Tajo seria uma designação apropriada para o Rio Colorado, com o seu corte distinto celebrado nos profundos canhões, até que desagua no Golfo da Califórnia (que foi chamado Mar Vermelho).
Por outro lado, pensar que o Tejo chegou a ser parecido com o Colorado, remeter-nos-ia para tempos demasiado remotos, onde dificilmente encontraríamos presença humana, quanto mais língua espanhola!

Em português, o nome Tejo não tem nenhum substantivo associado. Uma derivação habitual é considerar a passagem do "j" espanhol a "ch", levando de Tajo a Tacho... Porém perderia largamente o significado original, mesmo que os melhores tachos se encontrem em Lisboa, ou ainda que houvesse taxas à entrada do rio. Por outro lado, ao colocarmos algo no prego, mesmo que invoquemos as tachas por semelhança às taxas, uma tacha dificilmente fará um corte profundo - isso será mais coisa de cravo (... e quem crava não paga taxa).

Raia
Bom, mas interessa o corte.
O corte no feminino levou à corte pelo masculino.
Desde o cortejar cortesão na corte, à simples corte no cortejo.

Quando Cronos usou a foice adamantina, foi-se a genitália de Urano, e deu-se o corte cronológico.
Abriu-se uma fissura entre passado e futuro, e como o tempo abre esse caminho, é um corte que abre e não sara. Sarando, seria o deserto estéril do fim temporal. Somos escravos de achar o futuro.

Cronos foi traído por Raia, talvez por engolir os filhos no passado. 
Ao tempo de Cronos, sucedeu o tempo de Zeus.
Cada um a seu Tempo, o tempo cronológico a Cronos, o tempo atmosférico a Zeus.
Da mãe Raia, Zeus herdou os Raios e as Rajadas. O outro tempo ficou nas Eras de Hera.
Se Cronos fizera o corte temporal, Raia definia o corte espacial, na fronteira raiana pelo corte geográfico, na linha do raio que cruza os céus, na direcção de rajada de vento, ou no abrir de rachas em rochas.
Se o corte temporal avança a passo ordenado, o corte espacial pode ser caótico, imprevisível.

A Raia colocam-se vários cenários temporais, que questionam a sua unidade.

(i) No primeiro cenário, o corte estava contido em si. A abertura caótica no mundo ordenado seria limitada a manifestações de leis físicas internas.
(ii) No segundo cenário, a evolução animal permitiu chegar aos limites do mundo ordenado, previsível, abrindo uma brecha que ia além do limitado. Com o Homem, as noções externas, abstractas, vindas do caos infinito, não presentes na natureza, podiam entrar e manifestar-se na ordem interna.
(iii) Essa abertura alargou, e o artificial humano passou de corte a cortina, ameaçando uma invasão externa do mundo interno. O homem na sua acção de erguer, erigir, deixa entrar o caos e ameaça o natural. 

Na sua escolha de cenários, Raia procura preservar-se.
A contenção do caos levaria a um mundo congelado na previsibilidade.
A abertura ao caos levaria a uma desordem completa, congelado por uma ausência de nexo.

A medida é o rio, de rir. É o caos, o absurdo, que alimenta a água desse rio, desse rir, mas deve estar contido nas margens. Porque, doutra forma, a abertura do estuário teme a entrada de um mar de caos.

Assim, Raia vê os diversos mundos, os diversos cortes do rio, e pode ser dominante nos mundos onde procura cortar o corte prepucial... mas esses são mundo congelados pela sua previsibilidade, onde o rio do caos secou, e já não há riso. Nos mundos onde o rio corre, onde deixa entrar o caos, vê-se como uma criança insegura, com medo da subida das águas.
Enquanto for Raia, pode ver todos os mundos possíveis, todos os cortes, todos os rios, até ter que embarcar num deles. Só aí será Maia. De entre todos os cortes, tem que escolher um, um rio que se mantenha rio, que não transborde, nem seque. Tem que se fiar que a garganta cavada por um fio de água sabe o caminho para o mar.

Povo que lavas no Rio. António Variações.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Nebulosidades Auditivas (16)



Under Control
Calvin Harris & Alesso (singer: Hurts)
http://www.azlyrics.com/lyrics/alesso/undercontrol.html

I might be anyone
A lone fool out in the sun
Your heartbeat of solid gold
I love you, you'll never know

When the daylight comes you feel so cold,
You know
I'm too afraid of my heart to let you go

Waiting for the fire to light
Feeling like we could do right
Be the one that makes tonight
'Cause freedom is a lonely road
We're under control

We're under control

Oui. Qui? Pedia...

Normalmente evito confrontos sobre os quais já antecipei os desfechos possíveis, e em que o mais provável é ser apenas uma enorme perda de tempo.
No entanto, havia uma situação que pedia esse esclarecimento, na prática... a Wikipedia.

A Wikipedia ficou um projecto de imenso valor, que ajuda bastante na pesquisa de informação, aliado ao motor de busca da Google.
Muito bem, mas nem tudo é um mar de rosas, e é sabido que Wikipedia, assim como disponibiliza, também tritura informação. Por razões válidas, justifica-se um certo controlo dos conteúdos que são adicionados ou subtraídos. 
A Wikipedia adoptou assim uma política de citações por fontes fidedignas. O "fidedignas" é ambíguo, mas o que interessa é que a Wikipedia tenta remeter tudo para as revistas, jornais, etc... para as publicações clássicas, onde já há um longo controlo instituído. 
Assim, se as pessoas têm ideia de que há algum fórum de discussão racional... podem mudar de ideias.
Era isso que a Wiki... pedia. Pedia que eu pelo menos por uma vez tentasse.
Tendo lido o comentário do José Manuel, sobre os seus fados na Wikipedia, aproveitei o fim-de-semana para fazer essa tentativa. 

Para esse efeito, escolhi um tema que não era opinativo, mas que poderia ser "quente". Não iria usar citações, e iria avaliar se havia alguma réstia de discussão racional, sem ser com o argumento "Magister dixit"... neste caso "Magister non dixit"!
Tratava-se do tema da Inteligência Artificial, sobre o qual já escrevi várias vezes. Tratava-se de usar um simples argumento matemático, até aritmético, de que uma máquina finita não pode pensar no infinito.
Dito assim, seria algo gratuito, mas cuidei de justificar adequadamente, conforme vi ser feito noutros artigos sobre matemática na Wikipedia, com uma chamada prova por absurdo. 

Eis como ficou a inserção que coloquei, na Wikipedia em inglês:

Infinity Paradox on Artificial Intelligence
A finite device can never generate the notion of infinity.
Therefore the notion of infinity is impossible to be acquired by a computer or by any other device that can only produce a finite set of results in a finite lapse of time.
This is a simple mathematical paradox, as the combinations from a finite set S are in the finite power set 2S. This applies either to computer states or neuron states. If the notion of infinity could be obtained from some finite combination this would mean that infinity would be equivalent to that finite sequence, which is obviously a contradiction.
Thus, infinity and other abstract notions have to be pre-acquired in any finite device.

Passado pouco tempo foi retirado.
(Curiosamente no artigo de AI na Wikipedia em português, aguentou-se (*))
Como não sou de me ficar nestas situações... coloquei de novo, e fui perguntar a Flyer22 a razão da supressão. Lá veio o choradinho da "citação que faltava". Apareceu mais um sueco à festa, CFCF estudante de ciências cognitivas, também a retirar com o mesmo argumento, e finalmente como apoio aos outros, apareceu um xerife - NeilN, que ostentava esta bela estrela:
Estrela de "platina" - Master Editor da Wikipedia.

Isto acaba por funcionar como um jogo de crianças... e chegar a Master Editor requer mais de 50 mil edições de texto. Depois da estrela de platina pode receber uma estrela de "bufonite" (é mesmo essa a palavra usada), e a brincadeira continua, e o reconhecimento é impagável, mesmo que apareça sobre forma de uma imagem... basta ser um bom soldado que reconheça no boneco a importância da sua missão.

É preciso realçar que é este pessoal que assegura a qualidade geral da Wikipedia, que é boa, e por isso têm normalmente um grande trabalho... especialmente com pessoal parvo, e no início era natural que actuassem laconicamente e diga-se, com alguma paciência, explicando as regras "ao parvo" que chegava. Sei disso perfeitamente.

Porém, aquilo que me surpreendeu, no seguimento da discussão aqui e na discussão aqui, foi a obstinação do princípio ao fim... a entrada não era aceite se não houvesse a requerida citação, remetendo para prévia publicação clássica. É claro que isto não se passa assim com a maioria dos outros artigos da Wikipedia, aliás quase todos os artigos têm parágrafos que não são citações, mas a lei da Wikipedia impede esse argumento, para ficar tudo ao critério do xerife, Master Editor. Até aí ainda se pode compreender... o problema é quando o xerife se arma em papagaio, sempre a repetir a mesma coisa, porque não quer discussões.
Portanto, neste momento a Wikipedia é basicamente um organismo militar, com soldados que foram educados para se comportarem como autómatos. Por isso, no final desta experiência, terminei assim:
NeilN, I understand that without an ID citation card (issued by "reliable sources"...) you can shoot. Go ahead, do what you want, you are the man with the gun. Did you saw me undoing the suppression? No! So what is your problem? You can not kill ideas, even if you kill the one that expresses them. Best wishes.
Pronto, foi assim "a minha aventura na Wikipedia"... sem uma única palavra sobre o que tinha sido escrito... tudo menos isso! Fica também claro por que razão o não tinha tentado antes - porque sabia que o desfecho seria semelhante, desta ou doutra forma.
A tendência da moda para o Outono/Inverno enviada às lojas, maçónicas ou outras, continua a ser seguir a moda, e não pensar por si. Aguardamos então os tons dos criadores no Verão...

_________________
(*) Aguentou-se até 25 de Junho, e retirado com o mesmo argumento das referências - no caso da Wikipedia em português, é uma piada ainda maior. De qualquer forma, em conversa, já surgiram outras referências, dadas por Pgr94, e o assunto foi recolocado. Aguardam-se desenvolvimentos.