A 2ª Guerra Mundial, apesar de não estar muito longe no tempo, de contar com inúmeros registos em fotografias e filmes, continua a ser um dos períodos mais confusos e mal compreendidos historicamente.
Em 21 de Maio de 1945, ao largo da Nazaré, a tripulação faz afundar o submarino alemão U-963.
A Alemanha tinha-se rendido aos Aliados, menos de duas semanas antes, e havia ordens para que todos os vasos de guerra se entregassem. Não foi o caso de deste, e de outro submarino alemão, o U-1277, que foi afundado pela tripulação em 3 de Junho de 1945, ao largo de Leixões.
Preferir afundar os submarinos a entregá-los aos inimigos, foi a denominada Operação Regenbogen.
No dia do Armistício, 8 de Maio de 1945, a quase totalidade dos submarinos alemães tinha-se afundado, ou rendido às tropas aliadas.
Apenas faltavam 4 submarinos - dois acabam em Portugal, outros dois na Argentina:
- U-963 - que é afundado pela tripulação, na Nazaré em 21 de Maio.
- U-1277 - que é afundado pela tripulação, em Leixões a 3 de Junho.
- U-530 - entrega-se a 10 de Julho na Argentina - Rio da Prata.
- U-977 - entrega-se a 17 de Agosto na Argentina - Rio da Prata.
Se sobre dois os submarinos afundados em águas portuguesas se diz pouco (não há sequer página na wikipedia), os dois submarinos que se vão render na Argentina têm servido para todo o tipo de especulação. Houve jornalistas que afirmaram ver o desembarque de civis, que foram associados a Hitler e Eva Braun, foi falado que esses submarinos transportavam o ouro do Reich, etc. A prolongada ausência dos submarinos levou ainda a especulações que houvesse uma última missão na base de Schwabenland, na Antárctida.
O episódio do submarino afundado, e o seu impacto na Nazaré, terá sido recuperado numa reportagem da SIC de 1998 (de Aurélio Faria e Jorge Ramalho), e depois terá caído de novo no esquecimento. Houve uma tentativa de localizar os destroços, na altura, sem sucesso. O submarino U-1277 em Leixões, ao contrário parece ser avistado frequentemente pelos mergulhadores.
Reportagem sobre o U-963 na Nazaré, e mergulho que avista o U-1277 em Leixões.
Como podemos ver na reportagem sobre o U-963, a história foi sendo tão pouco falada que na Nazaré passava já como sendo lenda. Este fenómeno é recorrente... se não há uma certa institucionalização dos factos, os relatos passam pela natural desconfiança alheia, mesmo que seja testemunhado por uma população inteira. Por outro lado, a ocultação histórica em Portugal, é também já histórica...
onde é dito que nenhuns papéis foram recuperados pelos Aliados.
Karl-Werner Wentz, o comandante
que determinou o afundamento do U-963.
O Canhão da Nazaré não estará talvez fora da razão de escolha... por um lado seria a forma de se aproximar mais da costa em profundidade, e por outro lado, poderia garantir grande profundidade no afundamento.
Se há mistério relativamente aos outros submarinos, que acabaram por ser recuperados, ou mesmo o U-1277, que está ao alcance de mergulho, no caso do U-963 foi diferente - se levavam alguma "mercadoria" colocada em Trondheim a 23 de Abril, antes da morte de Hitler, essa carga ficou definitivamente escondida em profundidade, ao largo da Nazaré. Que tal acontecimento passe ao largo da divulgação habitual deste tipo de curiosidades, também já sabemos ser algo crónico quando se menciona Portugal.
Os submarinos alemães aparecem-nos assim aos pares, não apenas nestes dois afundamentos planeados, mas também pelas portas de encomendas recentes.
Esquecendo as quadrilhas criminais que submergem na lei, a história da Esquadrilha de Submarinos começa ainda ao tempo de D. Carlos com a encomenda de submarinos italianos em 1907 (seriam três que chegaram a tempo da 1ª Guerra Mundial).
O primeiro submarino ao serviço da Marinha portuguesa,
era italiano, chamou-se Espadarte, e chegou em 1913. (notícia DN)
D. Carlos, grande entusiasta da exploração hidrográfica, foi assassinado antes de receber a encomenda do Espadarte, um submarino que poderia ter na sua visão mais utilidade do que simples vaso de guerra.
Porém, convém entender que se em Espanha, Isaac Peral concebera em 1885 o primeiro projecto de submarino, tal ousadia não passou as restrições "chamadas conservadoras" da marinha espanhola.
Apesar de mostrar performances semelhantes aos U-boat alemães que seriam depois desenvolvidos para a 1ª Guerra Mundial, tal projecto espanhol foi abandonado dois anos depois:
O primeiro submarino moderno, de Isaac Peral, lançado em 8 de Setembro de 1888.












