segunda-feira, 1 de maio de 2017

Pré visões de Fátima

Comemora-se em 1917 o centenário de Fátima, mas também o centenário da revolução bolchevique em 25 de Outubro, e da tomada de poder por Sidónio Pais em 12 de Dezembro. 
Mas, antes disso, mais marcante em Portugal terá sido o envio do Corpo Expedicionário para a 1ª Guerra Mundial, que pouco depois de chegar tem uma baixa, em Abril de 1917 - o soldado António Gouveia Curado, o único a fazer a capa na Ilustração Portugueza (revista associada ao jornal Século) a 14 de Maio de 1917.
Ilustração Portugueza  capa em 14 de Maio de 1917.

Como é óbvio, a data 13 de Maio de 1917 só teria importância depois de se espalhar a notícia das aparições de Fátima, e só constará de referências (algo jocosas) na revista Ilustração Portugueza (na parte Século Cómico) em Outubro de 1917.
"A aparição da Virgem" - Notícia do Século Cómico - 22 de Outubro de 1917

Reportagem na Ilustração Portugueza de 29 de Outubro:

Curiosamente, no entanto, houve anúncios em jornais que anteviram a data 13 de Maio de 1917.
O Diário de Notícias, ao comemorar-se o centenário, noticiou de novo o assunto.
A 10 de Março de 1917 (dois meses antes) aparecia no espaço publicitário um muito pequeno anúncio com o número "13 5 917" (13-5-917) dizendo:
135917 
Não esqueças o dia feliz em que findará o nosso martírio. 
A guerra que nos fazem terminará. A. e C."

O Diário de Notícias publicou a notícia referindo o anúncio:

Não se trata propriamente de uma novidade, mas não tinha visto o anúncio em particular. 
Aliás, este anúncio foi repetido em outros jornais (Jornal de Notícias, Primeiro de Janeiro, Liberdade), insistindo no dia 13 de Maio, e no tema do final da guerra. 
O anúncio foi enviado por uma sociedade espírita, onde A. corresponderia a um certo "António" - elemento do Porto que envia para os jornais dessa cidade, e o C. corresponderia ao cantor Carlos Calderon, que estará ainda ligado à fundação da Sociedade Portuguesa de Autores. Esta informação é dada pelo Diário de Notícias, na sua investigação sobre o assunto.

Outra notícia, que aparece no Jornal de Notícias, é publicada justamente na edição de 13 de Maio (no dia das primeiras aparições), e diz o seguinte:
________________________________
A guerra e o espiritismo 
Revelação sensacional
Recebemos ontem um postal cujo texto passamos a reproduzir:
   Porto, 11 de Maio de 1917
   Srs. Redactores
   Foi participada pelos Espíritos a diversos grupos espíritas que no dia treze do corrente há de dar-se um facto a respeito da guerra que impressionará fortemente toda a gente.
  Tenho a honra de me subscrever Espírita e dedicado propagandista da verdade - António.


Acresce uma mensagem assinada por uma Stella Matutina (estrela matutina - Vénus), metade escrita em reflexo, dizendo "Sempre a vosso lado tereis os vossos amigos que guiarão os vossos passos e vos auxiliarão na vossa tarefa. Ego sum Charitas" e outra parte dizendo "A luz brilhante da Estrela Matutina vos alumiará o caminho. Stella Matutina"

Coincidência ou não?
Pode pensar-se no descontentamento crescente na sociedade portuguesa, devido ao envio de forças militares em Fevereiro de 1917 para a frente de batalha comandada pelos ingleses. 
Esse descontentamento foi um dos motivos para a revolução liderada por Sidónio Pais, que ocorreria em Dezembro de 1917, e que instalou uma "segunda república", permitindo a eleição directa do presidente da república.
No início de 1917 os sectores mais religiosos portugueses estavam fartos de uma perseguição sofrida com a implantação republicana, e poderiam ter sido estes a apoiar e financiar um golpe de estado interno.

É tese antiga que todo o contexto das aparições de Fátima poderá ter sido encenado por movimentos religiosos, ligados à Igreja Católica, ainda que não oficialmente... tendo em vista um recuperar do sentimento religioso da população, levando a uma mudança de regime - que ocorreu de facto nesse ano, e a revolta de Sidónio terá tido grande apoio popular.
Se tal coisa foi preparada nos bastidores, pois será de considerar que a data de 13 de Maio circulasse, e pudesse fazer parte de previsões "espíritas", ao ponto de figurar como notícia em jornais.

A substituição de Lúcia
Dos "três pastorinhos" associados às aparições, apenas sobreviveu Lúcia. Se a Igreja Católica não se associou ao fenómeno no início, mais tarde, especialmente após a mudança de regime com a instauração do Estado Novo em 1926, veio a associar-se de forma clara às peregrinações a Fátima, cada vez em maior escala, na construção de um sumptuoso santuário.
Fotografia de Lúcia dos Santos (nos anos 40)

Lúcia foi colocada sob reclusão quase total, tendo praticamente contacto nulo com o resto da sociedade, e sendo as suas visitas alvo até de decisão papal. Acontece que há uma clara mudança do rosto que aparece nas fotografias antes e depois de 1960 (altura do Concílio do Vaticano II).
Isso tem levado a teses de que houve uma substituição, por possível morte da Lúcia original, antes de 1960 - veja-se por exemplo o site www.igrejacatolica.org/irma-lucia-impostora

Mas não haverá grandes dúvidas que estamos na presença de uma mudança de identidade. Os rostos da Lúcia original e da Lúcia posterior, apesar de exibirem alguma semelhança genérica, são mesmo muito diferentes, e a sósia não foi bem escolhida. Uma análise detalhada pode encontrar-se aqui:

 ... mas é especialmente fácil verificar que as bocas são completamente diferentes. A Lúcia original tinha um lábio inferior saliente, que nada tem a ver com os lábios praticamente inexistentes da substituta encontrada. Diria mais que isso, estamos a falar de pessoas que seriam de índoles diferentes... e se é possível olhar para o retrato da Lúcia anterior, e ver aí até alguma bondade latente, tal parece falhar por completo no rosto substituto.

Fátima acabou por servir durante um século turbulento a inúmeras especulações. Apesar de Lúcia ter sido retirada para um convento em Tuy, não se lhe conhecem previsões sobre o morticínio espanhol na guerra cívil, e as previsões da segunda guerra mundial são algo adaptadas às circunstâncias.
As referências ao comunismo, ocorrem apenas numa visão de Lúcia em 1929. É ainda significativo referir que houve visões anteriores de um "anjo", reportadas aos anos de 1915 e 1916, mas só as do ano de 1917 mereceram referência especial posterior, por incluírem a Virgem.

terça-feira, 25 de abril de 2017

A revolução do dia de São Marcos

Há poucas semanas, morreu um dos capitães envolvidos no 16 de Março de 1974... tratava-se do capitão Virgílio Varela, e conforme consta da notícia da sua morte, ficando então preso, o próprio foi avisado que em breve estaria livre:
"No dia 9 de abril, na prisão, veio um soldado oferecer-se para me cortar o cabelo. Achei estranho, não era habitual. Sentei-me na cadeira e o barbeiro sussurrou-me ao ouvido: 'O compadre do meu capitão diz que vai jantar consigo no dia dos seus anos'. O meu compadre era o capitão Alberto Ferreira e sabia bem o dia dos meus anos: 27 de abril", afirmou.
A coluna das Caldas avançou para Lisboa, a 16 de Março, tal como a coluna de Santarém, depois veio a avançar para Lisboa no dia 25 de Abril, liderada por Salgueiro Maia, possibilitando o jantar aos compadres no dia 27, conforme prometido.
Agora, há uma diferença assinalável, que creio ter passado desapercebida aos promotores do golpe das Caldas - o dia de São Marcos, padroeiro de Veneza, era a 25 de Abril.

A sublevação das Caldas pode ter sido uma precipitação de oficiais que não terão entendido que o golpe caseiro estava a ser urdido, com calma e ponderação, muito fora das suas fronteiras. Uma coisa teria sido a não participação e demissão de Spínola e Costa Gomes, no dia 15 de Março, após a convocação da "Brigada do Reumático" (ver cronologia), outra coisa eram planos feitos a longo termo.
Assim, as forças saídas das Caldas, sem ninguém a acompanhar o golpe, voltam para trás, para o quartel, onde assumem uma posição defensiva...

... até à rendição negociada entre o brigadeiro Serrano e os majores Casanova e Monge, o que levaria à prisão cerca de 200 insurrectos:
Imagens do livro "Portugal en revolución" (1977) de Avelino Rodrigues, Cesário Borga, Mário Cardoso.

Bom, mas talvez uma melhor descrição dos preparativos que se faziam nos bastidores, e que levaram a que revolução estivesse planeada para Abril, e não pudesse ocorrer em Março, possa ser entendida pela descrição feita na revista espanhola "Gaceta Ilustrada" em Maio de 1974 (transcrição retirada daqui):
“Discretamente, ao amanhecer do dia 25 de Abril, as unidades militares da NATO, chegadas no dia anterior ao porto de Lisboa, deixam o Tejo com rumo ao Atlântico e regressam às suas bases. Trata-se de navios, incluindo submarinos, de alguns dos onze países atlânticos que deveriam tomar parte no grande exercício aeronaval “Dawn Patrol 74”, programado para o dia 26, no Mediterrâneo e na costa atlântica, com operações submarinas, de defesa aérea e de assalto de forças inimigas. Aviões ingleses e norte-americanos, destacados para as manobras, encontram-se estacionados na base do Montijo, a trinta quilómetros de Lisboa. Mas um pouco antes da Junta derivada do golpe anunciar a mudança de regime, através da televisão, as manobras atlânticas foram anuladas: os navios portugueses que estavam no alto mar puderam assim voltar ao Tejo e ancorar pacificamente em frente a Lisboa. Às quatro horas da tarde, o comando da Marinha estava em condições de proclamar a sua adesão à Junta de Salvação Nacional.
  Esta foi uma das muitas manobras secretas, ocorridas nos bastidores, que acompanharam a queda do regime de Caetano. Nos dez dias que precederam o golpe ocorreram outros factos determinantes que agora estamos em condições de revelar. Estes factos provam que o Golpe de Estado conseguira o seu objetivo antes da noite do 25 de Abril; do mesmo modo mostram quais eram os apoios internacionais de que gozava o general Spínola.”
  “No plano internacional, o general Spínola volta a reativar os contactos internacionais que já tinha solicitado, quando conjuntamente com Caetano pensava em reformas.”
  “Nos primeiros dias de Abril, os seus pontos de contacto nas capitais mais importantes do Ocidente obtêm as mesmas respostas. Os financeiros: “Sim, seria bem-vinda uma solução política do problema colonial português”; os políticos: “Sim, uma liberalização controlada do regime português facilitaria a sua integração na Europa.”
  “Em Roma, monsenhor Pereira Gomes, chefe da ala liberal da igreja portuguesa, defende o plano de Spínola, perante o cardeal Villot. Pereira recebe estímulo do Santo Padre, muito preocupado quanto à paz e bem-estar dos seus filhos africanos. A tensão entre o Vaticano e Lisboa por causa das atrocidades de guerra em Moçambique e da expulsão dos missionários deu os seus frutos
.”
Portanto, vemos que para além da presença de grandes forças da NATO, as negociações envolviam o seu aspecto ecuménico, com o Vaticano dando a benção revolucionária.
Outro aspecto, é ainda a reunião do grupo Bilderberg, que dará a benção dos cravos, e da finança internacional:  
"Resta apenas o problema da NATO: Spínola promove o contacto com o próprio Secretário da Nato, Joseph Luns, [através] de um dos seus amigos da Finança — o Director dos Estaleiros Navais Portugueses, Lisnave, Thorsten Anderson — que participa em Megève, França (de 19 a 21 de Abril) numa misteriosa reunião de importantes homens da política, da diplomacia e do mundo dos negócios internacionais reunidos num igualmente misterioso clube: o Clube de Bilderberg. 
De 19 a 21 de Abril, Megève é zona vigiada pela polícia francesa como se o visitante fosse um Chefe de Estado. De facto, no Hotel Mont Arbois, propriedade de Edmond Rothschild, reúne-se a flor e a nata da política e das Finanças ocidentais. A reunião é discreta, à porta fechada: os jornalistas não falarão dela; mas é ali que será decidido o destino do mundo ocidental. Desde 1954, e do dia da primeira reunião no Hotel Bilderberg, na cidade holandesa de Oosterbeek, sob a presidência do Príncipe Bernardo da Holanda, que os homens mais influentes do Ocidente se reúnem anualmente para estudar a situação 'política e financeira e estudar ou aprovar programas para o futuro'.
Bastam os nomes dos participantes daquele ano na reunião do Clube para que possa compreender-se a sua importância. São os seguintes: Nelson Rockefeller, Governador do Estado de Nova York; Frederick Dant, Secretário Norte-Americano do Comércio; General Andrew Goodpaster, Comandante das Forças Aliadas na Europa; Denis Healey, Ministro da Fazenda inglês; Joseph Luns, Secretário Geral da NATO; Richard Foren, Presidente da General Electric na Europa; Helmut Schmidt, Ministro da Fazenda alemão, actualmente chanceler, após a demissão de Brandt; Franz Joseph Strauss, definido como homem de negócios alemão; Joseph Abs, Presidente do Deutsche Bank; Guido Carli, Governador do Banco de Itália; Giovanni Agnelli, Presidente da Fiat; Eugénio Cefis, Presidente da Montedison e além destes Thorsten Anderson, homem de negócios português que sonda Joseph Luns sobre as possíveis reacções da NATO perante a possível mudança de regime em Lisboa.
A resposta de Luns, certamente positiva, vem a ser confirmada pelo comportamento, já citado no início, dos navios da NATO defronte da capital portuguesa durante as primeiras horas do golpe de Estado. A sua presença actuou como um silencioso dissuasor contra quem, entre os generais ultras, tivesse tentado opor resistência a Spínola. Os generais sabem da presença dos navios e sabem muito bem interpretar a sua saída de Lisboa na madrugada de 25 de Abril. É evidente que a NATO julga saber quem são os iniciadores do movimento, conhece o seu programa e aprova-o. A reunião do Clube de Bilderberg cumpriu os seus objectivos e neste momento Spínola tem o caminho livre
".
No livro "Os planos Bilderberg para Portugal", Rui Pedro Antunes dá a este episódio o nome:
- "Nem Abril escapou a Bilderberg" (pág. 176)

... mas sejamos claros, é óbvio que nada terá havido de muito significativo decidido em Megève, França, 5 dias antes da revolução ocorrer. Há muito que estava planeada a passagem da NATO por Lisboa, e a única questão seria ter o "ok" definitivo à operação... o resto seria a festa de flores.
Por isso, até o soldado que cortou o cabelo ao capitão Virgílio Varela, sabia a 9 de Abril que a revolução tinha já a data marcada - que seria o dia de São Marcos, tão caro aos banqueiros venezianos.

_____________
Nota adicional (28 de Abril de 2017):
Festa del bocolo (do botão de rosa vermelha) - Veneza, 25 de Abril de 2014

Acerca do dia 25 de Abril, de cravos, papoilas, bilderberg, etc... ver também:

domingo, 9 de abril de 2017

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pano de fundo

Num artigo de ontem, do Sunday Express é feita a seguinte questão:


... que é como quem diz, nem sequer se deram ao trabalho de mudar o pano de fundo das imagens, quando diziam que filmavam de sítios muito diferentes:
As montanhas no fundo destas duas imagens da Apollo 15 são idênticas.

A NASA argumenta que apesar das imagens terem sido tiradas com quilómetros de distância, o pano de fundo era o mesmo, porque estava muito distante... Parece-me que tinha sido mais fácil dizerem que tinham sido tiradas do mesmo sítio (do estúdio), uma atrás do módulo lunar, outra à frente... e que se tinham enganado a classificá-las na localização, mas cada um é livre de usar as desculpas mais parvas que tem à mão.

Mars bugs
Ok, mas onde é que são feitas as filmagens, agora para os rovers de Marte?
A pergunta em inglês tem mais piada: "Where on Earth are the pictures from?"
Já tinha sugerido que a Antárctida poderia ser uma boa localização...
Afinal parece que alguém descobriu (ou digamos, suspeita...) que as filmagens se processam numa ilha canadiana do Árctico. É mais perto!
Um artigo é do mesmo Sunday Express, mas pode ser encontrado noutros "tablóides".


citando a notícia:
The shocking conspiracy theory echoes the long-held belief NASA faked all the moon landings footage, and no man has ever set foot on the lunar surface.
The so-called Mars "truthers" claim NASA is actually filming all its alleged Martian footage from Devon Island in Canada.
A large uninhabited island, NASA has previously admitted the scene “resembles the Mars surface in more ways than any other place on Earth”.
Truther Harold Saive claims NASA’s Mars Exploration Rovers – robots which are supposedly scouring the Martian landscape for signs of water, and possibly alien life – never reached their target.
Instead, they allegedly “fell short” – and landed on Devon Island, where confirmed NASA has a base to test out rovers.
Portanto, a NASA confirmou que tem na ilha de Devon uma base para testar rovers, e que por acaso a paisagem aí é a que mais se assemelha ao que vemos da paisagem marciana...
E também há bicharocos que parecem confirmar ter chegado a Marte antes da NASA (de entre uma lista de "anomalias" que a CNN resumiu):

- Uma delas será o famoso "esquilo marciano", que numa viagem sem precedentes, rumou até Marte, ou pronto... se calhar, foi só até à Ilha de Devon:

(uma outra hipótese engraçada, de incondicionais crédulos é tratarem-se de cobaias lançadas em Marte... sem capacete)


Pano de fundo lunar
Ainda antes das missões espaciais, nos anos 1950, artistas como Chesley Bonestell desenhavam a Lua com montanhas íngremes, para corresponder às sombras que eram vistas da Terra (algo que também já tinha feito Nasmyth no Séc. XIX)... algumas delas muito pontiagudas.
Eis uma imagem de Bonestell, onde ele coloca uma escalada a uma íngreme montanha, e agora imagine-se... tudo isto à noite, à luz do reflexo da Terra (que presumo ser o disco branco).

Ora, ora, mas as missões nunca ocorreriam à noite, quando poderiam vislumbrar o céu estrelado, ou a Via Láctea, como se mostraria no desenho. Ocorreriam sempre sem estrelas no céu... Seja, por missões tripuladas, seja por missões não tripuladas, nunca nos foi dado ver estrelas no céu lunar, ou aliás de um modo geral, em qualquer imagem de um céu estrelado (excepto se alegadamente obtida pelo telescópio Hubble).
Um outro facto curioso é que ao ocorrerem de dia, os astronautas teriam que aguentar temperaturas de 200 graus Celsius, um pequeno detalhe para a NASA, que argumenta que os fatos eram brancos e reflectiam a luz solar... já se vê que os problemas de raios ultra-violeta, ou outra radiação mais letal emitida pelo Sol, nunca foi problema... especialmente se as filmagens fossem em Devon Island.
Acresce que diz-se ainda que as filmagens ocorreram com a Lua em quarto crescente, e com o propósito de ter os astronautas entre as temperaturas de -200ºC à noite (temperatura que não causaria tantos problemas), e as temperaturas de 200ºC do lado iluminado, seria aconselhado terem sido realizadas sempre no lusco-fusco... só que isso não impediu que a maioria das fotografias tivessem sombras pequenas, não correspondendo minimamente às sombras alongadas, se estivessem com o Sol na linha do horizonte.
Enfim... qualquer análise que não seja superficial, mostra que o público alvo da divulgação da NASA tem duas ou três características principais - infantilidade, pouco conhecimento técnico ou muita credulidade. Ou ainda, muito mais que isso, ninguém gosta de ser apelidado de lunático por vigaristas.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Zeunice

Eunice significa: Boa (Εὐ) vitória (νίκη).
Zeus de Artemiso (foto na wikipedia). Vitória (Nike) de Samotrácia (foto na wikipedia)
Repare-se na sombra da estátua da Vitória.

estátua da Vitória (Nice), encontrada em Samotrácia, e que encima uma escadaria do Museu do Louvre, será a que facilmente considero como a mais bela estátua esculpida. 
Juntei a esta uma outra bela estátua de bronze, encontrada no Cabo Artemísio, que provavelmente  retrata Zeus... simplesmente porque reparei na sombra projectada pela Nice, e os contornos dessa sombra na foto fizeram-me lembrar a outra.
Curiosamente, enquanto a sombra de uma asa faz lembrar um braço estendido, a sombra da outra asa, fez-me lembrar o perfil do rosto nas estátuas de Zeus.
É claro que suprimi o braço direito que arremessaria um raio, pois a sombra sugere mais que um braço esquerdo segura um livro. 
Curiosamente, ainda... se à estátua de Vitória lhe falta a cabeça, ela pareceu desenhar-se na sombra.

Ora, este postal não seria sobre as estátuas, nem sobre Eunice - uma ninfa nereida, ou uma das jovens oferecidas ao Minotauro (em conjunto com Timóteo), nem sobre a mãe de São Timóteo, que também se chamava Eunice. Porém, dadas as circunstâncias passou a ser...


quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Nebulosidades auditivas (48)

George Michael - Cowboys and Angels
... no reino dos óculos escuros (vídeo por Kate Cat , "Hollywood" - Alex Malka)



domingo, 15 de janeiro de 2017

Snowmageddon (4)

Vender frigoríficos a esquimós...
Tarefa de grandes vendedores, tem sido basicamente passada para os apologistas do "aquecimento global", durante os últimos frios invernos, conforme temos vindo a repetir aqui desde o inverno de 2014/15. 
Se seria ineficaz a um vendedor de frigoríficos anunciá-lo com a vantagem do frio a esquimós, também aos vendedores do "aquecimento global" passou a ser conveniente anunciá-lo como "alteração climática"... dado o frio que se foi sentido. Sendo que uma alteração climática, seria alteração das estações, e só faria o mínimo sentido se tivéssemos visto invernos muito mais quentes e verões muito mais frios.  

Depois dos recentes "Snowmageddon" (ou Snowpocalypse) nos EUA, que seriam afinal uma boa venda para um "arrefecimento global", publicitado nos anos 70 (conforme relembrámos), foi agora a Europa atingida com vagas de frio polar que gelaram as praias gregas:

More people die as European chill maintains its grip  (Sky News, 9 de Janeiro de 2017)

O que vemos não é areia branca, mas sim neve, em praias gregas, neste inverno.
Como a vaga de frio polar afectou a  Europa central, incluindo até Itália, Grécia e Turquia.


Apesar da vaga de frio lhes afectar a vista, como cataratas congeladas, não é de esperar que nada mude nas mentalidades mais empedernidas que o gelo mais duro. 
Os vendedores de banha-da-cobra têm sempre um rol de argumentos contra a realidade.

Porém, ao ver o antigo mapa nazi de NeuSchwabenLand a linha dos gelos há 80 anos (a vermelho) indicava menos gelo do que a linha dos gelos actual (a azul):
Linha de gelos no mapa nazi (a vermelho) era geralmente mais recuada do que actualmente (a azul).
Ou seja, ao contrário do que é propalado, o gelo terá aumentado bastante nos últimos 80 anos.

Portanto, se a linha dos gelos aumentou, de um modo geral, a conversa que serviu para sustentar o "arrefecimento global", nos anos 1970, tinha mais pernas para andar que o teatro do "aquecimento global", em cena nos últimos 20 anos.

Pós da verdade
Curiosamente, acusando o mundo de estar a viver numa época de "pós-verdade", por via de resultados eleitorais (Brexit, Donald Trump, ...), que iam contra o politicamente correcto (Trump criticou as teorias de aquecimento global), e no sentido de teorias de conspiração.... são agora os fortes críticos das teorias de conspiração a inventar e divulgar a nova "teoria de conspiração":
- A Rússia estará por detrás da eleição de Trump...
... e não só! 
Já se diz que o Sr. Putin, afinal o grande conspirador sentado em Moscovo, mexe os cordelinhos, fazendo os americanos eleger Trump, fazendo os ingleses votarem no Brexit, e prepara-se para fazer os franceses eleger Marine Le Pen... tudo parte de um grande plano conspirativo.

Estes teóricos do politicamente correcto, são os mesmos que caricaturavam as "teorias da conspiração" como coisas de maluquinhos, mas que agora inventam sem problemas a sua "teoria da conspiração" em que Putin condiciona Trump, e espante-se.... por haver vídeos sexuais deste com prostitutas russas. Pois, e Putin também é capaz de condicionar a política italiana com os vídeos pornográficos da ex-deputada, Cicciolina.
Não que Trump ou Putin sejam figuras muito agradáveis, mas os agentes dos pós da verdade politicamente correcta, estão a entrar em parafuso, e a cair nos limites do ridículo!

Temperatura de Casino
Bom, mas o que a maioria do povo não saberá é que o negócio da Temperatura entrou nas Bolsas há praticamente 20 anos. Para isso é preciso notar na definição de "Derivados de Temperatura" (Weather derivatives):
Weather derivatives are financial instruments that can be used by organizations or individuals as part of a risk management strategy to reduce risk associated with adverse or unexpected weather conditions. (in wikipedia)
A ideia não deixa de fazer sentido. O aumento ou baixa de temperatura tem repercursões económicas directas. O aumento do calor, ou do frio, faz disparar o consumo de electricidade/gás, pelo simples ligar de aquecedores, ou ar condicionado. Com mais calor, bebe-se mais cerveja... por isso o custo de produção é diferente se for atempada a vaga de calor, e as companhias protegiam-se com as seguradoras, para eventuais falhas de produção, etc...
Em 1996 foi feito o primeiro contrato sobre Temperatura entre companhias eléctricas, para caso de necessidade suplementar no mês de Agosto de 1996. A ideia espalhou-se rapidamente e em 1997 havia já múltiplas transacções de negócios envolvendo "previsão de temperaturas". Em 1997 o vice-presidente Al Gore começou a envolver-se directamente no assunto e em Dezembro de 1997 foi assinado o Protocolo de Quioto, para controlar a emissão de CO2
Em 1999 já havia uma bolsa de valores em Chicago dedicada às transacções sobre a variação dos valores da temperatura. Pouco depois, em 2001, Al Gore, na sua candidatura, apareceu como grande estrela, paladino da luta contra o aumento de temperatura global.

Apostando no controlo do CO2 imposto pelo Protocolo de Quioto, os fabricantes de automóveis passaram a desenvolver tecnologia de controlo de poluentes para incorporar nos veículos (além do conversor catalítico), o que era também vantajoso para manter fora competidores sem acesso a essa tecnologia e que poderiam fazer veículos baratos (caso de países em desenvolvimento, como Índia ou China). Por exemplo, a UE legislou em 2001 sobre o controlo de emissões.
Toda uma enorme negociata passou a depender do clima... e o clima era bom para apostadores, porque batia certo com o politicamente correcto - baixar a emissão de poluentes.

Não significa isto que a aposta seja num aumento de temperatura... porque se há agora a moda do "aquecimento global", financiada por múltiplos interesses, os maiores especuladores tanto podem ter interesse em aumentar ou baixar a temperatura.
Simplesmente havendo grande interesse financeiro em jogo, apostando num sentido ou no outro, todo o resto dos argumentos são mera retórica decorativa, destinada a não revelar diversos propósitos subjacentes.

domingo, 25 de dezembro de 2016

Nebulosidades auditivas (47)

De um filme apropriado a uma época, "Merry Christmas, Mr Lawrence" (1983), tendo David Bowie como actor, surgiu uma bela composição de Ryuichi Sakamoto (também aí actor), a que David Sylvian (vocalista dos Japan) deu uma letra que serviu contextos ambíguos, tão próprios da época que se seguiria.
Forbidden Colours - Ryuichi Sakamoto & David Sylvian

Porém, da discografia dos Japan, e em particular do álbum Oil on Canvas, que ouvi incessantemente, fica sempre este inesquecível - Methods of Dance, especialmente adequado a uma dança em que as coreografias estão completamente desfasadas...

Methods of Dance - Japan (1983)

Here's a new design
The cut and style you know so well, spins across the floor
It's the same routine
One last word before you go. Why should I ask for more?
Then out of the blue, you are here by me
(Moving) Taking my chance
(Learning) Methods of dance, Methods of dance
It's such a price to pay
Your sense of doubt inside my mind, oh but never asking why
No second chances now
I could be sure if I were to live, at your speed of life
Then out of the blue, you are here by me
(Moving) Taking my chance
(Learning) Methods of dance, Methods of dance

segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Nebulosidades auditivas (46)

O chamado ambiente de "gravidade zero" tem estado cada vez mais disponível, com algumas companhias privadas de aviação a fazerem vôos parabólicos, onde contrariam a força de gravidade, permitindo o mesmo tipo de experiência que a NASA usa para treino de astronautas.
Neste vídeo, vemos uma banda musical, pouco conhecida, que decidiu fazer umas brincadeiras num desses vôos, que durante alguns segundos, subindo e descendo a pique, em trajectória parabólica, permitem simular a ausência da gravidade. O resultado não é tão bom quanto o "profissional", mas é suficientemente esclarecedor.
Ok Go - Upside Down & Inside Out (2016)
- ver ainda a produção do vídeo (onde inside-out se ajusta ao chamado "vôo vómito")

Falar em "gravidade zero" é um erro de linguagem.
A gravidade da Terra nunca deixa de estar presente... simplesmente em vôos orbitais, a velocidade é de tal forma elevada que o efeito dessa atracção terrestre é compensado. O processo não é assim o mesmo do que aquele que é experimentado nestes aviões de descida, mas os resultados são idênticos.

Os vôos orbitais em torno da Terra, dentro da segurança da cintura de Van Allen, têm velocidades muito elevadas. Por exemplo, a Estação Espacial Internacional é suposta fazer uma volta à Terra em hora e meia, estando 45 minutos em dia, e 45 minutos em noite.
Para velocidades mais pequenas, a órbita teria que ser mais elevada, podendo ser geoestacionária a uma altitude suficientemente elevada (aí o dia teria 24 horas e não apenas 1h30).

O problema é a radiação solar, e por isso a Estação Espacial (ISS), ou outras imagens que se vejam de astronautas, têm que estar dentro do espaço de segurança dado pela Cintura de Van Allen, o que implica - vôos orbitais muito baixos. Ou seja, um astronauta não tem uma imagem da Terra à distância, conforme é habitual passar-se essa ideia... tem uma imagem que não é substancialmente diferente da que vemos quando voamos em grande altitude num avião. É claro que é ainda melhor que os pilotos de caças em vôos suborbitais, mas não é muito diferente.
Para ter uma imagem à distância, teria que estar muito fora da Cintura de Van Allen, o que implicaria estar numa nave espacial sujeita à radiação letal emitida pelo Sol, nomeadamente todo o tipo de Raios X.


Imagens de satélites geostacionários:


domingo, 11 de dezembro de 2016

Nebulosidades auditivas (45)

Talvez uma das melhores "bocas" dos últimos tempos, foi a resposta da equipa de Trump às recentes acusações da CIA de que "a Rússia teria interferido na eleição", ao lembrar que (a CIA) se trata da mesma malta que também dissera que o Iraque tinha armas de destruição massiva:

“These are the same people that said Saddam Hussein had weapons of mass destruction,” 
said a statement from his transition team. (The Independent, 10 de Dezembro 2016)

Um sinal de que não parece fácil a transição dos "segredos de estado" para a nova administração Trump, ou de que algum pessoal do Tea Party pode ter umas contas politicamente incorrectas a ajustar, nomeadamente Ron Paul, que sempre foi contra a intervenção no Iraque e o Patriot Act.

Weapons of mass distortion (The Crystal Method, 2004)

Cheap thrills (Sia featuring Sean Paul, 2016)